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@gygyca
Eu não sou feita de calma.
Eu só aprendi a parecer.
Carrego um mundo inteiro escondido
atrás de um sorriso que não pede socorro,
mas pede colo.
Tem dias que eu me olho no espelho
e não sei se sou força
ou só uma ferida bem maquiada.
Eu sinto demais.
E sentir demais cansa.
Cansa o peito,
cansa a alma,
cansa até a esperança.
Mas mesmo assim…
eu continuo.
Continuo porque existe uma beleza estranha
em não desistir de si.
Existe uma coragem silenciosa
em levantar da cama
quando ninguém aplaude.
E existe uma poesia cruel
em ser luz
mesmo com a cabeça cheia de tempestade.
Eu sou essa mistura:
metade fogo,
metade abismo.
Eu sou aquela que ri alto,
mas chora baixo.
Eu sou aquela que ama inteiro,
mesmo sabendo
que o mundo costuma amar pela metade.
E se eu pareço intensa…
é porque eu sou.
Eu não sei viver em raso.
Não sei gostar com pouca alma.
Não sei existir sem profundidade.
E talvez seja isso que me salva:
Mesmo quebrada,
eu continuo bonita.
Mesmo cansada,
eu continuo brilhando.
Mesmo triste…
eu ainda sou infinita.
Eu tô cansada de ver
quem eu gosto
voltando pro lugar
onde é pequena.
Cansada de explicar
o óbvio,
de avisar o que machuca,
de ver desprezo sendo chamado de amor.
Dói porque eu sei
que ela merece mais.
Mas dói mais ainda
ver ela escolhendo menos
com tanta convicção.
Eu fico aqui
gastando sentimento,
enquanto ela gasta a própria dignidade
tentando salvar quem nunca a respeitou.
E isso me desgasta.
Me esvazia.
Porque amar também cansa
quando só um lado enxerga.
Hoje não é raiva.
É exaustão.
É o coração pedindo pausa
de carregar escolhas que não são minhas.
Promessas não ditas machucam de um jeito silencioso, porque ninguém “prometeu” nada… mas a expectativa foi criada. E expectativa quando não é cuidada vira tortura emocional.
Quando alguém diz “já vou”, “daqui a pouco falo com você” e some por horas, não é só ausência — é descaso com o tempo e com o sentimento do outro. A mente fica presa naquele talvez, naquela esperança boba que vai vir uma mensagem, uma explicação, um gesto. E isso vai cansando, vai minando por dentro.
O problema não é a demora.
É a falta de clareza.
É fazer o outro esperar sem saber se deve ou não.
Criar falsa expectativa é uma forma de ferir sem tocar. E frustra porque você não sabe se cobra, se espera, se silencia… enquanto o outro segue normal.
Quem respeita, fala claro. Quem se importa, não deixa o outro preso na dúvida.
2025 nos ensinou
Aprendemos que amor sem atitude
cansa mais do que solidão.
Que promessas bonitas não sustentam
o peso dos dias difíceis.
Aprendemos que nem todo mundo
cresce no mesmo ritmo,
e insistir em quem não amadurece
é adiar a própria paz.
2025 mostrou que o luto não passa,
ele muda de lugar.
Vira saudade, silêncio,
e às vezes força que a gente nem sabia que tinha.
Aprendemos a dizer “não”
mesmo com a voz tremendo.
A soltar o que dói,
a largar migalhas disfarçadas de amor.
Foi um ano que arrancou ilusões,
mas devolveu lucidez.
Que doeu, mas lapidou.
Que cansou, mas ensinou limites.
Se 2025 ensinou algo,
foi que sobreviver também é coragem.
E seguir, mesmo ferido,
já é uma forma bonita de vitória.
Quem vive curando os outros
quase nunca tem quem o cure.
Perdoar dói.
Arrepender-se também.
Mas permanecer no erro dói mais.
Tudo é conquista —
até a própria paz.
A gente aprende a florir
depois de entender
por que sangrou.
A vida ensina pelo amor,
mas tantas vezes
somos nós que escolhemos a dor.
Final de ano é tipo aquele suspiro longo que a gente dá antes de responder uma pergunta difícil.
Ele ensina algumas coisas — não como lição moral, mas como constatação silenciosa:
Ensina que o tempo não pede permissão. Ele passa mesmo quando a gente adia, insiste, promete “depois”. E no fim do ano, tudo que foi empurrado aparece sentado na sala, olhando pra gente.
Ensina que nem todo ciclo termina com explicação. Algumas pessoas somem, alguns planos não dão certo, algumas versões nossas simplesmente cansam. E tá tudo bem fechar a porta mesmo sem entender tudo.
Ensina que resistir também é vitória. Nem sempre a gente conquistou algo grande — às vezes só sobreviveu. E isso já é enorme, mesmo que ninguém bata palma.
Ensina que a gente muda mais do que percebe. O que doía em janeiro não dói igual em dezembro. O que parecia inegociável virou aprendizado. O que parecia amor virou memória.
Ensina que recomeço não é espetáculo. Às vezes é silencioso, tímido, quase invisível. Mas acontece. Sempre.
E talvez a maior lição:
o fim do ano não pede perfeição, pede verdade.
Sobre o que ficou, o que foi, e o que a gente não quer carregar pro próximo ciclo.
O próximo ano não precisa ser melhor — só precisa ser mais honesto com quem você é agora.
Alegoria do Agora
Vocês chamam de liberdade
o que só muda de jaula.
Confundem opinião com verdade
e barulho com pensamento.
Vivem cercados de imagens,
mas ainda de costas para o real.
A caverna agora brilha,
cabe no bolso,
notifica a cada segundo —
e mesmo assim,
continua sendo sombra.
A alma segue faminta
não de informação,
mas de sentido.
Pensar dói
porque exige sair,
desaprender,
sustentar o vazio
antes da ideia nascer.
Nem tudo que conforta é bom.
Nem tudo que fere é mal.
A verdade não grita,
não viraliza,
não se impõe.
Ela espera
por quem tenha coragem
de olhar para dentro
e permanecer.
Já parou pra pensar…
e se der certo?
E se, pela primeira vez,
a gente não ensaiar a queda
antes mesmo do salto?
E se o medo cansar de mandar
e o coração assumir o turno?
E se tudo aquilo que hoje pesa
for só o preço do caminho,
não o sinal do fracasso?
E se o silêncio virar descanso,
não abandono?
E se der certo apesar dos atrasos,
apesar das noites longas,
apesar de você ter pensado
mil vezes em desistir
e ficado?
E se o que você chama de sorte
for só constância disfarçada?
E se o universo não estiver te testando,
mas te treinando
pra aguentar a alegria quando ela vier?
E se, lá no final,
você olhar pra trás
e perceber que não era sobre chegar inteiro,
mas sobre chegar verdadeiro?
Sem energia negativa.
Sem maldição antecipada.
Só presença.
Só tentativa.
Só fé miúda —
daquelas que não gritam,
mas continuam.
E se der certo?
Talvez dê.
Talvez já esteja dando
e você só não percebeu ainda.
Né quem resiste
Todo mundo quer profundidade
mas foge quando o fundo aparece.
Quer conexão,
mas desliga o celular quando a conversa começa a doer.
Chamam apego de amor,
chamam distância de maturidade,
chamam egoísmo de autocuidado
— conveniente demais, né?
Você diz que sente tudo,
mas some quando é cobrado.
Diz que é livre,
mas morre de medo de ficar.
Ninguém quer ser vilão da própria história,
então terceiriza a culpa,
terapeutiza a covardia
e posta frase bonita pra justificar ausência.
Amor hoje virou contrato invisível:
não exige,
não espera,
não pesa —
mas também não fica.
E eu fico pensando
quando foi que sentir virou fraqueza
e machucar virou “processo pessoal”.
Não é sobre intensidade.
É sobre responsabilidade emocional.
Não é sobre liberdade.
É sobre não usar o outro
como passagem enquanto se descobre.
Se você foge quando vira verdade,
não chama isso de evolução.
Chama de medo.
Porque crescer
não é aprender a ir embora.
É aprender a ficar
sem se perder
e sem destruir quem te ama no caminho.
E se?
E se eu parasse de esperar
que alguém me escolhesse
e começasse, enfim,
a ficar comigo?
E se o amor que sempre dei
— largo, inteiro, sem troco —
voltasse primeiro
para o meu peito cansado?
E se não fosse rejeição,
mas desvio?
Não porta fechada,
mas caminho errado tentando me ensinar outro rumo?
E se eu não fosse “a quase”,
nem “a que sempre fica por último”,
mas a pausa necessária
antes do certo chegar?
E se o coração doer
não porque é fraco,
mas porque é vivo demais
para caber em quem não sabe sentir?
E se um dia
alguém não apenas quisesse,
mas escolhesse
ficar — sem dúvida, sem medo, sem ir?
E se esse alguém
precisasse que eu aprendesse, antes,
a não implorar abrigo
onde nunca houve casa?
E se…
tudo isso for só o começo
de eu me tornar
o lugar onde finalmente
sou escolhida?
Fantasma em Pleno Dia
Sou a que segura
quando todos caem.
A que escuta
quando ninguém pergunta.
A que estende a mão
mesmo com os dedos tremendo.
No meio do barulho
das buzinas, das vozes,
do mundo que nunca cala,
eu desapareço.
Sou vista pelo que faço,
nunca pelo que sou.
Protegi como quem ama demais,
cuidei como quem esquece de si.
Fui irmã, fui escudo,
fui abrigo.
E recebi o quê?
Silêncios educados,
desprezo disfarçado,
lealdade ausente.
O amor às vezes é injusto:
ele encontra falta em outro lugar
e abandona o que sempre esteve ali.
Família vira detalhe,
presença vira obrigação.
Cresci cedo.
Crescer cedo dói.
Aprendi a lutar
antes de aprender a descansar.
Quase morri algumas vezes —
não de bala,
mas de dentro pra fora.
Depressão é bicho paciente,
espera você baixar a guarda.
Ansiedade é mundo sugando
até o último fio de ar.
E a mente?
Nunca silencia.
Nunca concede trégua.
Pergunto no escuro:
quem cuida de quem cuida?
Quem ilumina a luz
quando ela cansa de brilhar?
Às vezes estou rodeada de gente
e ainda assim sozinha.
Sozinha de ser vista.
Sozinha de ser escolhida.
Queria voltar no tempo,
não pra refazer tudo,
mas pra me escolher
uma única vez.
Dinheiro não vai.
Matéria não fica.
O que sobra é energia,
ato, caráter, verdade.
E disso eu sou feita —
mesmo quando estou quebrada.
Escrever é minha revolta silenciosa.
Aqui eu grito
sem precisar de plateia.
Aqui minha dor existe
sem pedir licença.
Não sou fantasma.
Sou presença cansada.
Sou luz ferida.
Sou alguém que ainda sente —
e quem sente,
ainda vive.
Entre o dizer e o perder
Entrego tudo
não como quem desiste,
mas como quem confia.
Entrego para que o peso
aprenda a dançar,
para que a dor, se ficar,
fique leve o bastante
para ser alegria.
Falar é um salto.
A palavra pode assustar,
pode romper o fio delicado
que me liga ao outro.
Mas o silêncio
rompe primeiro —
e sem aviso.
Se não falo,
eu me dissolvo.
Viro ausência
antes mesmo de partir.
Há perdas que são gritos calados
e há perdas que são vozes vivas.
Prefiro o risco da voz,
mesmo tremida,
mesmo imperfeita.
Porque me perder dizendo
ainda é um jeito de existir.
E calar,
ah — calar
é desaparecer sem deixar rastro.
Imperatriz é fogo suave,
chama que não queima — amadurece.
Onde encosta, brota vida,
onde fala, nasce direção.
Carrega tempestades dentro do peito,
mas derrama doçura ao caminhar.
Ela cria mundos, desfaz medos,
e faz do próprio corpo um altar
de força tranquila.
Ser Imperatriz é saber:
tudo que toco floresce,
e tudo que floresce me reconhece.
O Mago
No silêncio antes do mundo acordar,
ele ergue as mãos como quem recorda
que tudo começou num sopro,
num desejo pequeno
que decidiu existir.
O Mago não pede permissão:
ele cria.
Do nada, faz caminho.
Do vazio, acende um fogo.
Do medo, molda coragem.
Sobre a mesa, quatro símbolos:
a mente, o corpo, o coração, o espírito —
todas as faces de si mesma
esperando apenas o toque certo
para despertarem juntas.
O Mago sabe:
o poder não vem de fora.
Vem do instante
em que você percebe
que sempre soube o que fazer,
só precisava se lembrar.
E então ele sussurra,
como quem entrega um segredo antigo:
Transforme.
Ouse.
Comece.
Porque o mundo se dobra
para quem levanta a própria luz
e decide, enfim,
criar o próprio destino.