—— 🦚 * : ˖ ❝ É CLARO QUE sabia que era uma música de amor. conhecia toda a letra de cor; por isso tinha dito aquilo. mas ter stan perguntando tal coisa tão diretamente o fez corar outra vez, uma das mãos indo ao próprio cabelo, num tique de quando estava sem graça. —— “é… mesmo? nunca tinha prestado atenção, hm… mas acho que não tem problema, né? quero dizer… você se importaria?” e ali, escondida naquela pergunta inocente, estava uma questão bem maior. afinal, mesmo já tendo reconhecido para si mesmo que tinha um precipício uma queda pelo mais velho, não fazia a mínima ideia se ele sequer era… aberto a essa possibilidade. e, de certa forma, tinha medo da resposta para tal pergunta - e é por isso que nunca tinha feito-a mais diretamente. no entanto, tudo aquilo sumiu de sua mente no mesmo momento em que sentiu o toque dele, e seu corpo caindo para a cama. em seus devaneios, mal processara a fala anterior de stan, e quando se deu por si, apenas já estava com o corpo maior por cima do seu, seus batimentos acelerados, o rosto mais vermelho do que nunca, os lábios se entreabrindo em surpresa e um calor muito específico se direcionando para mais ao sul de seu corpo. ofegou baixinho, e graças a deus que ele se retirou rápido dali, porque a mente fértil de elisha não precisava de muito para fantasiar, não. e já tinha certeza que só aquilo retornaria, de alguma forma, para sua mente, no futuro. —— “eu… hm, ainda bem que tenho você, então…” disse, a voz levemente afetada, enquanto se sentava outra vez, as mãos correndo pelas próprias coxas em um sinal do quão nervoso tinha ficado. só voltou a fitá-lo quando ele começou a falar de si e, dessa vez, seu coração fez foi falhar algumas batidinhas. em um mundo que invalidava tanto seus interesses e até mesmo quem ele era, ouvir tais palavras de encorajamento foi quase surreal. ah, céus, como é que conseguiria não cair por ele? o sorriso bobo voltou ao rosto e não conteve o impulso de se levantar e se jogar nos braços do mais velho, em um abraço apertado, escondendo-se em seu peito - e aproveitando para sentir o cheiro gostoso do perfume que ele usava sempre. —— “obrigado.” murmurou, apenas, bem baixinho, a voz abafada contra o tecido das roupas alheias. e queria poder ficar pra sempre ali naquele abraço, mas achou melhor se afastar antes que prolongasse o contato ao ponto dele parecer estranho ao outro, um pouco mais calmo agora. —— “vou gostar de qualquer coisa que fizer pra mim, stan… é nisso que dá cozinhar muito bem. rolinhos de ovos soa ótimo~ você precisa de ajuda com alguma coisa? e tudo bem, podemos beber um suco. que tal?”
A perguntava ficou no ar, o que havia deixado-o um pouco sem graça, mas ele foi sincero em cada palavra que viera a dizer para Elisha em seguida. “Claro que não. Eu ficaria honrado. Sabe, eu sofri muito por me encherem por ser Chinês. Ter uma homenagem é o contrário. Acho que ninguém nunca fez nada tão...gentil.” Era verdade. Ninguém nunca havia se importado tanto em encarar Stan como ele era. Uma mistura de culturas. Americano. Chinês. E agora Coreano, mas voltar as suas raízes significava algo para ele. E ver isso de um jeito carinhoso. “A pessoa pela qual você se apaixonar terá muita sorte se você continuar tão afetuoso assim. Acho que ficarei com ciúmes quando acontecer.” Levantou para fazer a comida para eles. Com pensamentos estranhos. Imaginando Elisha dedicando música a estranhos e tendo um sentimento estranho em seu peito. Um sentimento que nunca havia passado por ele. E que parecia estranho. Deveria ser bobagem, mas sentia-se especial por ter alguém tão destemido, e corajoso como Elisha dedicado uma música para si. O garoto não deveria imaginar o quanto aquele gesto estava mexendo com sua cabeça fazendo com que Rabastan iludisse a ponto de pensar se alguém algum dia faria aquilo para ele com o mesmo carinho e preocupação que o mais novo havia feito. Se alguém o olharia e seguraria seu rosto com a mesma delicadeza e aceitasse todos esses seus lados. Não somente o estudante de educação física que prezava pela saúde de todos, mas o irmão cuidador. Aquele que queria todos bem, e também o pequeno chinês que foi separado de sua família quando pequeno e caído nos braços de um casal coreano. Ele era grato por seus pais, mas não era grato pelas guerras que o fizeram perder talvez uma outra vida. E Elisha parecia entender até mesmo essa parte. E naquele pequeno gesto, Stan se perder por muito minutos enquanto fazia o jantar. “O que mais devo esperar dessa noite? Teremos muitas coisas provocantes? Não sei lidar direito quando vocês sobem ao palco algumas vezes.” Aquilo era verdade. Rabastan sempre ficava vermelho, mas empolgação e algo a mais pulava em sua veia. Não só pela coragem, e por ser tão...sensual, mas pela aceitação e todo conjunto. Ele queria ser capaz de ser assim ao invés de ser tão introvertido.