.shot in the dark
iseul tinha ficado responsável pelo relatório do último caso, e quando finalmente terminara os ajustes viu que o relógio digital em sua mesa já marcava pouco mais de três da manhã. ela esticou os braços acima da cabeça e torceu o pescoço algumas vezes, de um lado para o outro, até que ouvisse o som de um estalo. escalas noturnas eram definitivamente as piores.“quando eu chegar em casa, eu sei que vou apagar completamente”, foi o que disse para dakho quando se virou em direção a ele. quando o telefone em sua mesa tocou, ela olhou para o aparelho e depois para o homem, antes de atender. era a central, passando um endereço e pedindo que se dirigissem até lá, e que o caso até agora era deles. iseul olhou a pilha de casos não resolvidos com desgosto, muitos deles tendo sido transferidos para seu esquadrão e esperou que esse fosse dado para um que tivesse um pouco menos a resolver. anotou o endereço e terminou a ligação, já pensando no melhor caminho para lá. “vamos, mozão, acharam um corpo.”
Turnos noturnos eram um saco. Não somente porque Dakho já estava cansado e com vontade de se jogar na cama, mas também porque a maioria dos crimes acontecia quando caia a noite. O moreno se ocupava em digitar alguns relatórios que havia deixado para depois quando ouviu a voz de Iseul, mas, antes de ter oportunidade de responder foi cortado pelo som estridente do telefone que tocava. O olhar da mulher indicava tudo: a tranquilidade da noite havia acabado. Não precisava esperar ela lhe dizer o que era para levantar e ir até o chaveiro, procurando a chave de sua viatura favorita. Ninguém ligava as 3 da manhã para a delegacia para convidá-los para virar uns shots de vodca depois do trabalho. “Nada além de mais um dia normal. Vamos apostar de novo quanto tempo levamos para solucionar esse mozão? Os investigadores do turno de ontem ficaram se gabando por ter desvendado um caso em 3 dias. Acho que podemos fazer em 2, o que acha?” Perguntou enquanto caminhava com passos firmes até o carro, abrindo a porta para a colega e logo em seguida se dirigindo para o banco do motorista. “Você lê mais rápido que eu, então, eu dirijo e você diz os detalhes importantes, pode ser?” Perguntou, ao mesmo tempo em que colocava o próprio cinto e dava partida na viatura. “Para onde estamos indo, e por onde vamos?”


















