Voltamos!
Houve um longo período com complicações e estresse, mas agora a au vai voltar com tudo!
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Voltamos!
Houve um longo período com complicações e estresse, mas agora a au vai voltar com tudo!
Capítulo 6 1/2
Movendo a fita em uma rota circular em seu braço, Jué Wàng enfaixava o braço com algumas fitas que encontrou após o treino duro com seu pai, era de se esperar que mais uma vez havia falhado e decepcionado o pai mais uma vez. Não importava o quanto tentasse, ter um avanço significativo, assim como alcançar a validação de seu pai, pareciam objetivos cada vez mais impossíveis de serem alcançados pelo jovem. Apesar de tanto esforço, no final via como se seu pai estivesse desperdiçando tempo e energia consigo.
Teria de mudar isso se quisesse tanto surpreender, quanto trazer uma conquista própria consigo, talvez desta forma conseguisse acertar, talvez dessa forma pudesse… Finalmente ser bom o suficiente. Respirando fundo mais uma vez, ajeitou a postura enquanto se levantava da cama na qual estava deitado, não era das melhores, mas sendo sincero, ele sabia que não merecia, não merecia os mesmos luxos que seu pai possuía, visto que não era nem uma única fração do que ele era, não possuía uma fração do poder que era carregado pela divindade, menos ainda quando se tratava de feitos impressionantes.
“Treine mais. Se não o fizer, nunca será tão bom quanto ele é”
Talvez, se ele se esforçasse mais, conseguiria mostrar o quão bom poderia ser, o quanto não estava desperdiçando o tempo do pai.
– – – – – –
Talvez seus cálculos não estivessem tão certos quanto imaginou que estariam, seu plano de treino não foi tão bom quanto imaginou que teria sido. Mas como imaginaria que houvesse mais pessoas por aquelas bandas? Foi simples esconder de seu pai por certo tempo, mas não previu também como boatos e fofocas se espalham tão rápido como o fluxo de um rio.
“Senhor Erlang, acho que possa ter alguém a tentar se passar pelo senhor”
“Vossa divindade, existem alguns boatos que…”
Seu pai não se contentou com as palavras que chegaram a seus ouvidos, mas o jovem sabia que estava errado, sabia que não deveria sair sem a permissão dele e mesmo assim o fez. Uma vez que seu pai manejou e contornou por completo a situação, sabia que logo seria o momento que enfrentaria a fúria de seu pai.
— Como pode? Sua tolice consegue superar minhas expectativas todas as vezes, Jué Wàng! – O grito de seu pai, uma vez mais feria sua audição, mas não havia desculpas para suas ações – Você mais uma vez, só consegue provar o quão é incapaz de cumprir uma única tarefa que lhe é dada, quanto desperdício.
A cabeça do jovem se curvou com sua tentativa falha em pedir perdão, sabia que não adiantaria e que mesmo assim teria uma punição, mas seu pedido de perdão não era por aquilo, mas sim por tudo, por nunca conseguir ser um bom filho. Mais uma vez sentia as lágrimas que teimavam a querer descer por seus olhos, e por essa vez, realmente não pode impedir a sensação deles correndo por seu rosto antes conseguisse mais uma vez impedi-las.
A expressão chorosa, mais uma vez, não surtia efeito piedoso no coração da divindade das guerras, mas sim pelo contrário, uma satisfação do respeito que impôs, era extremamente gratificante de fato, significava que seu papel estava sendo desempenhado tão bem quanto tinha planejado, e isso diminuía as chances de erros futuros. Isso era bom, Jué Wàng se seguisse à risca cada um de seus treinos, com toda certeza conseguiria desempenhar o papel que tinha em mente para o mesmo.
Capítulo 5
– Reino Celestial, 45 anos depois. –
O sol estava se pondo, de forma lenta e em um ritmo calmo, pintando o céu de laranja e vermelho, enquanto o vento fazia presença movendo as nuvens. Uma visão linda de fato, se não fosse pelos sons horríveis que sua orelha escutava, sons nos quais eram das a dor infligida em seu corpo, pintando ele de vermelho.
Esse treino estava demorando, ele falhou cinco vezes consecutivas agora, e seu pai não estava feliz sobre isso, balbuciando sobre como lutar propriamente, a maneira na qual deveria manter sua postura sempre perfeita, as mesmas lições que ele o dizia todos os dias. Ele não podia culpar seu pai por isso, de qualquer forma, ele era quem mais estragava tudo, aquele que cometia erros em coisas simples que ninguém falha. Ele era uma falha e seu pai estava certo em o tratar assim.
— Foco! Não há lugar para erros na guerra! Um segundo de hesitação é o suficiente para que você seja morto.
Sua voz soou fria e estrita, o jovem garoto escutou com a boca calada, mãos segurando fortemente a lança que recebeu em seu corpo, usada no treino, para treinar esse jovem garoto a arte da guerra, Com o corpo firme, ele correu até o adulto, olhos fixos na divindade alta à sua frente, quando de repente, ele simplesmente desapareceu, uma presença forte logo apareceu menos de um segundo depois,bem atrás dele.
As mãos grandes de seu pai foram tudo o que ele sentiu em suas costas, antes que seu próprio corpo estivesse no chão, a dor se espalhando pelo seu torso e braços, a lança no chão fez a dor em seu braço pior, seus olhos tão brilhantes e claros como o sol, suas escleras laranjas como folhas de outono, arregalando os olhos e olhando para cima, depois fechando os olhos em decepção, ele sabia o que viria a seguir.
Tão rápido quanto caiu no chão, tão rápido ele levantou, a postura sempre tão perfeita quanto podia, apesardo desconforto e da dor, seus olhos nunca de encontraram os os olhos negros dos pais. Erlang olhou desapontado, algo que o jovem comumente via. Droga, ele falhou com o pai de novo, que filho terrível ele é.
— Eu te ensino tudo o que eu sei, dia após dia, para você se tornar um guerreiro forte, para me deixar orgulhoso, e ainda sim você nem ao menos tenta praticar comigo.
Machuca ouvir isso, em saber que ele está certo, que ele era inútil, esse sentimento sempre tem sido algo que ele carregou bem no fundo do coração, no núcleo de sua alma, as vozes não param também, sempre o perturbando, sempre o colocando para baixo e tirando sua coragem, nada era o suficiente.
“Você não se cansa de gastar o tempo dele?”
“É frustrante! Vamos lá, Jué Wàng, seu pai precisa de um filho exemplar! Você não se sente envergonhado?”
“Peça desculpas!”
“Se eu fosse seu pai, eu teria me livrado de você a muito tempo atrás!”
“Não se atreva a chorar agora! Engula suas lágrimas e se desculpe pela sua inutilidade!”
As lágrimas que as vozes mencionaram estavam quase caindo de seus olhos, quando ele respirou fundo, curvando seu torso a um ângulo de 90º graus, suas mãos estavam na frente de seu corpo, uma segurando a outra de forma firme. Ele odiava isso tanto, como se estivesse sendo esfaqueado no coração, a pressão era muito forte para ele, por mais que ele tentasse, ele nunca conseguiria mudar isso, seu pai merecia mais.
Seu pai merecia um filho melhor que ele, ele merecia alguém tão forte quanto ele para ser seu filho, não o pequeno frágil Jué Wàng, no qual nem conseguia se defender.
Avisinho rápido
O próximo capítulo já está pronto, estamos apenas esperando nossa artista maravilhosa Matsu terminar os desenhos em seu próprio ritmo, mas não se preocupem, vamos postar logo! :)
Capítulo 4
— Olhe só, consegue sentir isso? Como emana uma forte energia, isso deve valer uma grana!
Um roubo, ninguém poderia prever que isso fosse acontecer, pelo menos não novamente, não após terem controlado o grande sábio. Afinal de contas, a segurança do palácio de Jade sempre foi extremamente redobrada. Seja com a segurança que o, na época jovem, Ne Zha fazia ou com a segurança dos milhares de guardas celestiais faziam em seus longos e intermináveis turnos de trabalho.
— Me parece só uma pedra. Depressa, devem ter mais coisas valiosas por aqui do que uma pedra.
O primeiro demônio somente revirou os olhos enquanto abria a bolsa e colocava dentro da mesma um dos ovos de pedra dentro de sua bolsa, já quase cheia de itens que foram furtados pela dupla. O por que de pegar uma das pedras sendo que havia muito mais ali? Bem, é simples, o Reino celestial jamais teria um local guardado para proteger pedras. Aquilo com certeza era algo de extremo valor, mas para não perder tanto espaço em sua bolsa, preferiu levar somente um deles.
Já satisfeitos com tamanho feito pela invasão e com suas bolsas totalmente cheias, se viam agora com a necessidade de fugir sem serem pegos. O que seria melhor nessa ocasião, do que uma armadilha?
BOOM.
O estrondo ecoou pelos quilômetros de extensão que o reino celestial possuía, o que facilmente chamou atenção e fez com que muitas tropas fossem deslocadas até o local.
— Rápido! Veio da incubadora! Se deixarmos que roubem algo de lá, vossa alteza irá–
BOOM.
Assim que o primeiro guarda passou pela grande porta, outro som estridente e mais potente se fez. Desta vez tão alto que antes que as paredes tremerem e repartem, grandes rachaduras surgindo desde a base até o teto enquanto parte do grande salão vinha a baixo. A poeira, os detritos e outras coisas foram a distração para uma fuga perfeita. Não demorou para que a divindade responsável pela região chegasse para entender a situação que ocorria.
— Incompetentes.
Uma expressão séria permanecia em seu rosto enquanto passava os olhos pelo cômodo destruído, sua expressão de desgosto se tornando mais predominante quanto mais percebia a falha de seus guardas em proteger um único lugar, mas não somente isto, ainda permitiram que ele fosse roubado. Erlang se encontrava furioso a esse ponto.
Enquanto enfim parava sob o que uma vez fora o centro da sala, agora cheio de detritos. Erguendo as sobrancelhas enquanto avaliava melhor a situação da incubadora. Faltava um dos ovos, é claro, mas por outro lado o restante estava inteiro, era surpreendente até mesmo para ele. Parecia pura magia, ou talvez uma proteção forte colocada no ovo? Nem um único trincado por toda sua extensão.
— O que devo reportar ao Imperador? – Ne Zha se aproximou enquanto se curvava em respeito à divindade.
Uma ideia enfim brilhou em sua mente, uma oportunidade. Assim, se pondo entre a incubadora ainda um tanto coberta de detritos e do príncipe de Lótus, se pronunciou.
— Diga-lhe que, por um infortúnio, um dos ovos foi furtado pelos bandidos. Já o outro, totalmente esmagado pelos detritos – Assentindo como resposta, o príncipe assentiu enquanto se colocava a caminho do palácio para repassar a mensagem que lhe foi confiada.Seu foco se voltou ao ovo, seu plano corria exatamente como fora planejado.
Capítulo 3: Parte 2
Assim que o rei saiu de vista, o imperador soltou um suspiro baixo, os olhos fixos no cadáver no chão, ensanguentado e quebrado. O impacto havia destruído a maioria dos ossos por todo o corpo, já que sua força e poderes haviam sido tomados dele e, portanto, não havia nada que o agora morto guerreiro pudesse fazer para se defender.
Trágico, de fato, isso foi algo que nem mesmo Buda havia previsto antes. Certamente, esse resultado foi causado pelo efeito colateral da tiara dourada, mas agora não havia nada que pudessem fazer para reverter as consequências, não sem quebrar o equilíbrio do universo, e não é como se quisessem, isso só pioraria as coisas.
No entanto, algo parecia um pouco estranho. Havia um brilho dourado e fraco vindo do cadáver e, enquanto o general permanecia imóvel, o próprio imperador se aproximou. Suas mãos não tiveram dificuldade em descobrir os objetos que causavam aquele brilho: dois pequenos ovos, tão pequenos que cabiam em suas mãos gigantes, feitos de pedra. Ele conseguia sentir que os dois ovos tinham um poder forte e intenso, não muito, comparado a um demônio comum ou algo semelhante, mas forte, especialmente considerando que vinha de dois ovos, dois seres vivos que ainda nem sequer estavam formados.
— O que devemos fazer com... “isso”? — questionou o general, a voz de Erlang soando levemente carregada de desgosto, mas o imperador, mais uma vez, ignorou esse detalhe. Não era a primeira vez que seu sobrinho fazia isso, nem seria a última.
— Vamos cuidar deles — respondeu o imperador com calma, os ovos em mãos, enquanto voltava à sua posição anterior, afastando-se do cadáver ensanguentado.
— Cuidar? Dos filhos dele? — incrédulo, ele se recusava a acreditar no que ouvia.
— Não me faça repetir, sobrinho — respondeu com firmeza, a simples frase fez o general estremecer diante das palavras que saíram da boca do tio.
— ... Sim, Vossa Majestade... — foram as únicas palavras que disse, enquanto o imperador logo lhe entregava os dois ovos e se afastava para continuar com seu trabalho. Agora, a maior tarefa estava em suas mãos.
“Até parece…”
Pensou ele, se recusando a realizar tal coisa, afinal, aqueles claramente eram filhos de Wukong. Agora que tinha ambos em mãos, conseguia sentir a energia tanto de Sun Wukong quanto do Macaco de Seis Orelhas neles.
Considerando a cena que acabara de testemunhar, o sábio aparentemente não sabia sobre os ovos, um detalhe notado pelo comportamento que adotou, sem sequer dar uma olhada na direção deles. Claro, estavam escondidos, protegidos pelo cadáver, mas não tanto assim. O sábio teria notado assim que os olhos pousassem sobre eles, se realmente soubesse da existência dos mesmos.
Por um momento, algo se acendeu na mente do general, uma ideia. Ele sabia exatamente o que fazer agora. Levaria tempo, mas valeria a pena, se jogasse bem o jogo.
Vermelho é algo com que ele já está acostumado, afinal, isso não o afetaria nem um pouco. E ninguém jamais questionaria, se ele gerenciasse bem a situação. Essa situação seria apenas temporária, desde que jogasse suas cartas com sabedoria para obter o que queria e evitar as duras consequências de ir contra as ordens e desejos do imperador.
Capítulo 3: parte 1
Vermelho. Sempre termina em vermelho, de alguma forma.
Dessa vez, no entanto, era o seu próprio vermelho, sujando suas roupas, o chão de mármore branco sendo lentamente pintado em um tom carmesim, pouco a pouco. Sua visão escurecia, o corpo ficava cada vez mais frio a cada segundo que passava, mas, apesar de saber o que estava acontecendo, de saber que nada poderia ajudá-lo agora, que logo tudo acabaria para ele, apenas uma coisa passava por sua mente, enquanto lágrimas caíam pela última vez de seus olhos, o olhar perdia o brilho, já que o outro olho não existia mais.
“Cuide dos nossos bebês por mim, por favor, Wukong.”
Aquela batalha realmente tomou um rumo que ele jamais pensou ser possível, um resultado que nunca quis ver por si mesmo, quando tudo o que ele queria era que seu rei voltasse para casa, porque estava cansado da forma como os peregrinos tratavam Wukong, cansado de apodrecer na montanha, de acordar sozinho em uma cama fria, sentindo falta de quem deveria estar ao seu lado, governando a montanha e vivendo como lhe fora prometido.
Dói, como se seu coração tivesse sido apunhalado e apertado pelo outro, o jeito que Wukong o olhava, olhos cheios de ódio, enquanto suas mãos fortes e grandes seguravam o bastão. Antes que pudesse reagir, já havia perfurado seu olho direito, embora não sentisse dor, de alguma forma ainda doía, ou talvez não fosse isso, talvez ele estivesse apenas delirando por causa do ferimento.
Alguém tentava falar com ele, chamando-o, chorando talvez? Seu corpo estava estranho, como se alguém o sacudisse desesperadamente. Ele conhecia essa sensação, muitas vezes, de novo e de novo, esteve próximo da morte, mas... Talvez dessa vez, estivesse realmente acontecendo, embora soubesse que estava morrendo, o ferimento era severo demais e ele não tinha a habilidade de regeneração que seu rei possuía, era inútil tentar sobreviver. Algo molhado caía de seu rosto, talvez lágrimas? Ou sangue? O corpo de Mihou estava entorpecido demais para saber.
E então, pelo que pareceu uma eternidade, a visão turva que ele ainda tinha com o olho funcional começou a escurecer, a visão de um borrão alaranjado desapareceu lentamente, até ser tomada por um vazio negro. Durante toda a sua vida, ele teve tanto medo da morte quanto seu rei, pensava que seria dolorosa, assustadora, talvez até frustrante, mas... Não foi, pelo menos, não para ele.
À medida que o corpo do guerreiro perdia seu calor, o olho restante escurecia, nenhuma resposta vinha dele. Ele sabia o que isso significava, mas o rei se recusava a acreditar, ele estava morto, ele não voltaria mais, nunca mais. A culpa consumia sua mente, enquanto os fatos o atormentavam. Agora, por culpa do rei, Mihou não estaria mais com ele, sorrindo toda vez que acordava, abraçando-o do nada, trocando palavras doces sem motivo algum, apenas porque sentiam vontade.
Toda aquela paz, aquela felicidade, tiradas por suas próprias ações e mãos, marcando para sempre aquele dia como o pior de toda a sua vida. De alguma forma, o sangue em suas mãos parecia nojento, sujo, horrível de se olhar, sua mente não suportava a ideia de ter sujado as mãos com sangue, queria lavá-las, fazê-lo desaparecer de sua vista e nunca mais voltar.
Antes que pudesse se mover, ou abrir a boca para gritar, lamentando as consequências de seus atos, o imperador o mandou embora, tirando-lhe a chance de enterrar o corpo. Mas talvez ele não devesse fazer isso — ele foi quem tirou sua vida. Talvez outra pessoa devesse fazê-lo... Isso soava estúpido, mas mesmo assim.
... Hoje, Sun Wukong morreu, assim como seu próprio marido, ambos assassinados pelas mãos do grande sábio.
Capítulo 2
O tempo não foi piedoso com ele, antes tão ocupado que mal conseguia notar os anos se passando, agora tão preocupado que um único dia parecia uma eternidade na montanha. Sem o rei, tudo era mais difícil, mas isso nunca foi motivo de falhar, nem por um único dia sequer, ele não deixou seu posto nem um único dia e sempre teve em mente que jamais o faria até que o rei voltasse. Oh, não poderia estar mais errado quanto a isto.
A situação mudou quando de um momento para o outro e, desta vez, não podia mais aguardar outro acaso do destino para que Wukong fosse mais uma vez banido e voltasse para a ilha por um tempo mínimo, ele precisava do rei agora. Governar nesse estado seria um desafio muito grande para aguentar sozinho tamanho estresse.
De sua decisão até o momento atual, levou alguns poucos dias de viagem até que chegasse até a posição atual do rei, não foi exatamente algo difícil a se fazer visto que conseguia rastrear com facilidade o cheiro do mesmo a quilômetros de distância. Sua chegada? Foi completamente silenciosa pois desejava fazer uma surpresa na qual pensou que chamaria a atenção dele.
Contudo, ao chegar teve tal surpresa ver o rei, que era sempre tão desprezado pelos peregrinos e tão maltratado pelo monge com suas punições usando a tiara, se esforçando para agradá-los. De alguma forma, aquilo acendeu uma grande faísca dentro do coração do macaco de seis orelhas que se escondia atrás de um amontoado de arbustos, aquele sentimento forte que não sentia desde a guerra contra os céus, raiva.
Não podia crer, que enquanto todos descansavam sem preocupações, o rei estava em pé carregando grandes troncos de madeira para que os peregrinos não ficassem na escuridão da noite. Aquele tratamento tão degradante que o outro tinha que aguentar pelo bem da viagem, não podia simplesmente ficar observando, tinha que ter um jeito de acabar com aquilo, de uma vez por todas, para que Wukong conseguisse voltar para casa definitivamente.
Em determinado momento, uma idéia enfim clareou sua mente, amarrou com mais firmeza o pano que usava para carregar tudo de mais importante que trouxe consigo da montanha e se afastou, colocaria um fim naquilo.
Capítulo 1
Vermelho era uma cor que ambos viam com frequência, maior parte por conta de eles serem a causa, tanto em guerras quanto em batalhas bobas com inimigos dos arredores. Mas esses tempos passaram num piscar de olhos, e quando ele notou, seu próprio marido estava lá, selado embaixo de uma montanha, passando séculos como um monstro enjaulado, e a pior parte disso? Ele não podia fazer absolutamente nada sobre isso.
Os anos passaram lentamente, de qualquer modo, a preocupação e a culpa o devoraram por dentro como vermes devorando um corpo para sobreviver mais um dia, tudo o que ele pensava era sobre aquele sábio estúpido, cego pelos seus próprios poderes, embora ele esteja se mantendo ocupado com qualquer outra coisa, principalmente com o reino que seu marido deixou para trás para ele governar sozinho. Isso foi difícil, mas ele podia fazer isso…
Quando a montanha foi queimada e reduzida a cinzas, ele fez o melhor que pôde para salvar seus súditos, embora muitos não resistiram no final, mas a montanha sobreviveu e somente precisou mais alguns anos para se recuperar do ataque. Mihou não se lembra realmente o quão rápido o tempo passou, a rotina repetitiva manteve ele ocupado o suficiente, fazendo com que fosse difícil para ele notar, então a única coisa que realmente fez ele notar as diferenças foram, principalmente, as visitas que seu querido marido fez, as histórias que ele contou e o quão diferente ele estava agora, esse tanto estava claro, ele estava mais calmo, mais gentil, um pacifista, comparado com quando eles lutaram com os céus.
— Moonlight, meu mestre precisa da minha ajuda agora, eu preciso voltar… Mas eu estarei de volta em breve, eu juro — Disse o rei, já na entrada da cachoeira, pronto para sair de novo, o coração do consorte doeu em tristeza
— M-Mas de novo? Os outros não podem fazer esse trabalho? Já é quinta vez que você é banido da jornada! Eles não podem só banir você e então pedir sua ajuda toda vez que eles precisam!
— Eu sei que você não gosta, mas o quão antes eu finalizar a jornada, vai ser melhor para nós. Só… Espere por mim, e cuide das coisas na minha abstinência, tudo bem? Você tem feito um trabalho maravilhoso até agora!
Antes que ele percebesse, assim como ele chegou mais cedo, Wukong partiu, deixando ele sozinho e não deixando ele ter tempo de abrir a boca. Haviam notícias que o rei devia ouvir de Mihou, e isso não podia esperar, diferente das outras vezes…