Vamos lá, abre o Tinder. Um deslizar de dedo para cá, outro para lá, como quem escolhe o prato do dia em um restaurante de fast-food emocional. O cardápio é extenso, mas, no fundo, parece sempre igual. Pratos frios, sem tempero, que não sustentam. Você experimenta um, depois outro, na esperança de que algum deles preencha aquele vazio que parece crescer a cada mordida. Mas, no final, o sabor é sempre o mesmo: um misto de desapontamento com um toque de indiferença.
É que os relacionamentos hoje em dia são como refeições prontas de micro-ondas. Rápidos, práticos, mas sem alma. Aquela paixão avassaladora, que te deixa com o coração batendo forte, agora foi substituída por matches instantâneos, onde a conexão dura o tempo de uma refeição—e muitas vezes nem isso. E o pior: estamos nos acostumando a isso, ao sabor insosso das coisas descartáveis, como se fosse o melhor que podemos ter.
Você encontra alguém, janta, conversa sobre o clima, sobre as séries do momento, e pronto. Na hora da sobremesa, percebe que a fome continua. Porque o cardápio está repleto de opções, mas nenhuma que realmente alimente a alma. E aí você volta para casa, sem nem lembrar o nome do prato do dia, e já pensando no próximo pedido.
As coisas se tornaram descartáveis, e com isso, nós também. Tudo é tão rápido, tão efêmero, que ninguém mais quer se aprofundar. Melhor ficar na superfície, onde o risco de se queimar é menor, e o tempo de preparo também. Só que, assim, estamos perdendo a chance de cozinhar algo mais substancial, algo que leve tempo, dedicação e, claro, um pouco de risco.
E assim seguimos, deslizando dedos em telas, em busca de algo que nem sabemos mais se existe, ou se já desistimos de encontrar. Um ciclo sem fim de refeições frias, que matam a fome por um momento, mas deixam um gosto amargo na boca. E quem sabe um dia, cansados de tanto fast-food, a gente resolva se sentar à mesa para um banquete de verdade. Mas até lá, o cardápio continua vazio.













