YOU ARE THE REASON
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@helycaon-blog
Parecia cômica a cena do corvino encolhido atrás de @helycaon, empurrando-o com a maior delicadeza rumo à caixa nos pés de sua cama. Mimetizando a imagem de um suricato em um documentário trouxa sobre a savana africana, a cabeça do Rasputin era a única coisa visível, além de suas mãos, agarradas às vestes do auror com força desnecessária. Em parte porque bem… Ele sabia que aquilo tudo era uma besteira sem tamanho e se realmente encontrassem alguma coisa naquele quarto seria pura falta de sorte. Não existia bicho papão naquela caixa maldita e a única razão de ter invocado o auror ali era porque um assombroso tédio ameaçava consumi-lo. E também porque precisava de um lugar mais reservado para atazanar o homem, visando a nova diretora e sua visão retrógrada. Todavia, a lentidão em perceber seu engodo irritava Oleg, que traiu a sua falsa imagem de donzela insegura por um momento. ❛ ——— Vai logo, William! Puta que pariu, parece que anda dormindo, inferno. Se esse bicho papão fosse uma cobra já tinha te mordido, homem. É isso que eles ensinam na Academia de Aurores? Não que eu espere muito de ingleses, vocês poderiam ter feito melhor em tanta coisa… ❜
William gostava de privacidade, gostava de ter um espaço [pelo menos 14,55 centímetros, por favor] entre si e qualquer outro. Há um tempo atrás, talvez apreciasse a proximidade de Oleg — entretanto, agora, o isolamento era a melhor coisa que poderia fazer. Simplesmente como todo lobisomem [sempre um nível abaixo dos bruxos comuns]. Se fosse um mero trouxa, teria morrido com a mordida, o destino teria sido mais benevolente. O incômodo claro com o russo puxando as suas vestes e o empurrando para o quarto, tal qual um coelho seguia para o centro de uma clareira, essa cercada por lobos famintos. Não deveria ter tanto medo de sua própria psiquê, mas tinha. Se tem medo do que não se conhece, e William não conhece a si mesmo, e, por isso, seguia a passos de tartaruga. ❝ Eu estou cansado. ❞ [cansado de quê? nunca trabalhei tão pouco], porém, tinha mais tempo para pensar na vida — na falta dela. O pior dos cansaços é o mental. ❝ Já que está tão incomodado com a minha lentidão, por que não aprende a lançar um feitiço você mesmo? Eu não sou o seu guarda pessoal, senhor Rasputin, se a diretora descobrir que você me tirou do meu posto pra isso ela vai me chutar e eu vou ser obrigado a roubar para sobreviver, de novo. ❞ cada palavra era disparada com a rapidez e a eficácia que a mágica de William já não mais tinha. Abaixou-se para ficar mais perto do pé da cama, deslizando a mão direita até a varinha [vai ter que funcionar agora, não é?]. Entretanto... Nada. A surpresa de Willy o alegrou, ao mesmo tempo em que o intrigou. Não escutava barulho nenhum que fosse característico de um bicho papão. ❝ Não sei se é a minha incompetência inglesa ou simplesmente não existe nada nessa caixa. ❞
“Guilt is a wolf that eats its cub after having devoured its father, // The wolf of which you speak has already devoured my father, // Then it will be soon your turn, // And what about you, have you ever been devoured, // Not only devoured, but also spewed up.”
— José Saramago, from “The Gospel According to Jesus Christ,”
As orelhas de William ergueram-se, em alerta. Estava sempre alerta, tal qual um escoteiro. O castelo não era a floresta — não haviam presas e nem predadores [depende do ponto de vista], não tinha de se esconder, ou fugir, ou atacar. Ele era apenas um auror — como sempre fora a vida inteira. Entretanto, vez ou outra, notava olhares indiscretos e censores de alunos. No final do dia, sentia-se um animal em um zoológico. Um lobo enjaulado, visitado diariamente por crianças imbecis [que lembram os meus filhos, não consigo me esquecer deles]. Os descompasso de cada passo, os gritos desafinados, a correria. Era muito para que ele processasse, entretanto, em meio a tantos cheiros, reconheceu um. Carrow. ❝ Boa tarde, senhorita. ❞ [pelo amor de Deus, me deixa em paz. Me deixa em paz]. / @crazvcarrow
❝ Eu já disse, Rolf, ❞ atualmente, tinha pouco interesse na família Scamander (sobrenome esse que habitara muito de sua juventude pretensa à magizoologia, muitos livros...), entretanto, vez ou outra, o nome de Newt vinha à sua cabeça. Aquele maldito registro. Que se danem as intenções que ele tinha, elas pouco importavam. Palavras de nada servem quando não são impostas — seja pela espada, seja pela varinha. ❝ Eu sei que a sua família tem um apreço por observar gente como eu como se fôssemos bestas. ❞ [eu sou uma besta], entretanto, preferia negar o próprio pensamento. Deixar ele lá no fundo, até que morresse. ❝ Não tenho ambição alguma de ser objeto de estudo. ❞ [na verdade, eu não quero lhe machucar], as transformações eram muito dolorosas e até humilhantes. As cicatrizes estavam nele para provar seu ponto. Rolf o lembrava de Marcus, Mark. Ele também amava magizoologia... Ama. Pode estar longe, mas está vivo. / @rclfscamcnder
Else Lasker-Schüler, tr. by Michael Hamburger, from “Georg Grosz,” written c. June 1917 (x)
“Can you remember who you were, before the world told you who you should be?”
— Charles Bukowski
*Hands you a note, inside it says "sua bunda tá suja"* (flora carrow @crazvcarrow)
Munido do mais puro exaspero, William suspirou. Pensou bem o que faria quanto àquilo, e se pôs a escrever uma mal educada resposta. Me deixa em paz, porra, eu ‘tô no meio do caralho do expediente, era o que podia ser entendido por meio dos rabiscos apressados de Wright. Sua letra, infelizmente, jamais foi bonita. ❝ Merda. ❞ cochichou. Umbridge o despediria se visse que o lobo nascido-trouxa fora mau com uma Carrow. Decidiu que queimaria o bilhete quando chegasse próximo a uma lareira.
[Espera, será que a minha bunda está realmente suja?]
How do you get so empty? Who takes it out of you?
❝ Alguns tem a infelicidade de morrer mais de uma morte. ❞ as palavras de William eram melancólicas à mesma médica em que eram sarcásticas. Se tudo era o que era, e não mudava, como Willy mudara tanto? Não há essência, há apenas a adequação. Não há nada que seja imóvel — a personalidade, como um rio, flui. Wright jamais conseguiu banhar-se duas vezes nas mesmas águas. [Eu expirei pela última vez quando fugi do Ministério...] não sabia quantas vezes mais morreria, nunca fora muito bom em Aritmância — tampouco em Aritmética. ❝ É um suicídio, se esvaziar. ❞ a corda prenderia o seu pescoço, o sufocaria até a morte. Willy usara suas próprias mãos, bateu em si até que seus punhos o fizessem esquecer da vida trouxa que tanto abominara. A fome, o abandono, o frio, o carvão, a pneumonia, os mil irmãos, os sonhos sepultados.
Who is the most important person in your life, and why?
❝ Os meus filhos. ❞ vez ou outra, pegava-se pensando neles. Era como se flagelar mais de mil vezes, usando a mesma faca — apesar de gasta, ainda cortava com tanta eficácia.❝ Eles tiravam o melhor de mim. ❞ por mais que tomasse o cuidado de se utilizar do passado, não, eles não estavam mortos, entretanto, estavam longe demais. William não tinha dinheiro, tampouco tinha força, para enfrentar os esqueletos em seu armário. As palavras se perdiam no ar, nada eram além de sons aleatórios. Será que fora um bom pai? Será que agira como tal? Será que o melhor dele era o melhor, de verdade? Há pouco de bom em um homem que vendeu-se por nada.❝ Acho que isso é motivo suficiente. ❞ com Willy, não havia sobrado uma foto sequer das crianças, apenas fragmentadas de um tempo que não volta mais.
Ask me anything
aceitando, além dos que foram reblogados pela central: xx, xx, xx e xx.
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aceitando, além dos que foram reblogados pela central: xx, xx, xx e xx.
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“you’re closer to death than i”
[ COLIN FIRTH ] WILLIAM WARREN WRIGHT possui 35 anos, veio de MIDDLESBOROUGH - INGLATERRA e seu status sanguíneo é NASCIDO-TROUXA. Sua casa de Hogwarts era LUFA-LUFA, mas hoje trabalha como AUROR. Dizem que WILLY é PACIENTE e CORAJOSO, mas também pode ser MELANCÓLICO e RANCOROSO.
Varinhas: poplar, pelo de unicórnio e rígido.
Cargos adicionais: nenhum.
Bicho-papão: William vê a sua própria imagem como lobo, porém, totalmente ensanguentado frente aos corpos estraçalhados dos dois filhos.
FAMÍLIA — A casa parecia tão vazia. Vazia de amor, vazia de esperança. Eram paredes que não tinham nenhuma sustentação humana — para ser mais exato, trouxa. Nasci de uma família trouxa. O quinto filho de dez (sim, dez), perdido dentro de uma casa onde os gritos infantis e os choros de bebês eram mais frequentes do que qualquer outro tipo de interação. Era até difícil ler livros, eu precisava me esconder, me isolar, lá longe, para conseguir processar as palavras sem interrupções. John e Martha Wright, o meu pai e minha mãe. Ele, sempre enfurnado em alguma mina de carvão ao Norte da Inglaterra. Ela, dedicada, cuidava de nós — não tinha muita escolha, eram muitos pirralhos. Pirralhos de várias cores de cabelo e variações, mas semelhantes entre si. Bem, tirando eu — uma criança demasiadamente esquisita, tímida, se escondendo por trás de óculos que sequer precisava. Levávamos uma vida pacata, vida essa que eu sinto falta. Devia ter pensado melhor antes de tê-los abandonado em nome do status, em nome dos puristas. Céus, como me odeio.
MAGIA — Quando minha carta chegou — acompanhada de um professor — meus pais ficaram totalmente em choque. De súbito, porém, eu tinha um motivo para seguir tentando. O meu futuro como trouxa seria acabar como John Wright, meu pai — um mineiro que trabalhava demais e ganhava de menos. Não hesitei a embarcar no Expresso de Hogwarts, era a minha melhor oportunidade. Me dediquei à magia como nunca. Longe da minha família, conseguia ser eu mesmo. Único, eu ficava em evidência. Não havia sombra qualquer sobre mim. As minhas noites em claro, o meu esforço e um pouco de sorte… Tudo acabou culminando em resultados exemplares, principalmente em Defesa Contra as Artes das Trevas. Entretanto, o meu conhecimento não era natural, não fluía — se tivesse seguido o caminho do meu coração, teria escolhido a magizoologia, visto que eu possuía certo talento em Trato das Criaturas Mágicas. Entretanto, uma interação minha com esses seres não foi muito agradável: fui mordido por um lobisomem em uma investigação, e, desde então, vi a minha vida desmoronar.
TRABALHO — Me envergonho dos motivos que me fizeram virar um auror — é de certa justiça poética que eu tenha mais ou menos perdido tudo. A minha família, a minha honra, e quase a totalidade da carreira que me esforcei tanto para conquistar. Eu amei o meu ofício por 15 anos e vários galeões. Virei auror por dinheiro, não por vocação. Agora, me sinto maduro o suficiente pra admitir o quão errei — talvez tivesse sido mais feliz em um trabalho trouxa, por exemplo, ou sendo um magizoologista. Sempre gostei de animais — agora, parcialmente, sou um. Já dizia a minha mãe: Deus escreve certo por linhas tortas. Terminei fugido, desempregado. Sem títulos que pudessem esconder a criatura terrível que eu me tornei — não o lobo, mas o homem. Meus pais mereciam ter tomado conhecimento da minha profissão, provavelmente ficariam um pouco chocados, mas orgulhosos. Infelizmente, nunca me senti o suficiente para orgulhá-los.
PERSONALIDADE E GOSTOS — Desde a mais tenra idade, sou reservado. É até uma antítese para alguém que alcançou a proeza de ter nove irmãos, entretanto, eu não gostava deles. Sempre ficava sozinho, me escondendo. Eu me mesclava às paredes escuras de madeira, como o invisível que eu era. Não sei exatamente em qual momento me tornei alguém que procurava atenção — talvez sempre tivesse procurado. Meu jeito isolacionista não permitiu que eu gostasse de quadribol. O barulho era ensurdecedor, e tudo piorou após a minha transformação. Meus ouvidos, ainda mais sensíveis, não aguentam. Na minha infância, gostei de futebol — entretanto, após me descobrir bruxo, não vi mais qualquer entretenimento nesse.