I have a surprise for ya
Já estava pronto para virar e ir embora, achando que aquilo era uma piada e que tinha se enganado com o local do encontro. Mesmo que tivesse checado a mensagem mil vezes, que lhe dizia exatamente para estar ali. Então, por que estava tudo escuro e vazio? Suspirou e estava se virando para ir embora, quando então a luz se acendeu, mostrando o palco e quem estava nele. Quando se virou novamente e viu a namorada ali, sentiu como se sua alma tivesse sido sugada e somente seu corpo tivesse restado, porque a última coisa que esperava era ver a mais nova vestida daquela forma. E em cima de um palco, porque sabia bem o quanto ela era tímida. Ficou parado por um tempo só encarando aquela cena, tentando entender o que de fato acontecia, e porque Chohee estava ali, e porque estava tudo escuro, e cadê todo mundo??? Kazuo parecia uma granada sem pino, pronta para explodir a qualquer momento.
Muito lentamente, o japonês foi tateando até a mesa mais próxima porque precisava se sentar, se sentia a beira de um infarto e Chohee nem tinha feito nada. Praticamente desabou sobre o assento, apoiando um dos cotovelos sobre a mesa e o rosto sobre a palma da mão, incapaz de desviar os olhos da coreana lá naquele palco onde ele estivera tantas vezes. E quando aqueles acordes começaram… Não sabia se sorria, se corria até o palco para agarrara a garota ou se tocava junto com ela. Uma euforia imensa invadiu seu ser de uma forma que Kazuo não conseguia parar de sorrir, suas mãos automaticamente começaram a repetir no ar as mesmas notas da música que ele tanto conhecia e que tinha tantos significados para o japonês. E agora ganhava mais um. Os dedos se agitavam freneticamente naquele solo que ele tinha levado semanas para compor, mas que era sua obra prima. Kazuo chegou a ar uma gargalhada alta porque estava num misto de euforia, alegria e uma boa surpresa, apesar do susto inicial.
Quando a canção acabou e então vieram as palavras, ele não tinha notado as fotos ao redor quando correu até o palco, chegando a tropeçar nas escadinhas enquanto subia, mas logo seus braços foram parar ao redor do corpo alheio, unindo a garota à si num abraço apertado, único, e que dizia tudo o que Kazuo não conseguia colocar em palavras dada a euforia que sentia. Quando o rosto buscou pelo semelhante, foi para findar o ato e mesclar seus sentimentos ao beijo que foi dado em Chohee, tão habituado a tocar aqueles lábios, mas era como se fosse a primeira vez. E ele se lembrava muito bem da primeira vez de ambos, e aquele sentimento se repetia. Pouco a pouco foi colocando a menina no chão, deixando a testa colada a dela, mas sem tirar o sorriso bobo e largo do rosto. — Yeobo… Assim você vai me matar, eu já sou velho. — Riu em seguida, finalmente prestando atenção as fotos que estavam espalhadas, cada momento que estava bem vivo em sua lembrança. — Essa foi a melhor surpresa que eu recebi na vida, obrigado.
Quando a música acabou, a garota finalmente pode cair em si e ver o quanto estava realmente nervosa. Kazuo era um músico experiente, um homem muito capacitado em tudo aquilo, esperava que ele talvez não levasse em consideração alguns eventuais erros, à voz falha por conta da timidez eminente que se fazia presente à cada vez que cantarolava uma estrofe, e claro, Chohee de fato esperava que ele tivesse gostado do presente, daquela surpresa de aniversário para os dois.
Sorriu abertamente quando viu o namorado de forma atrapalhada correndo para si, Kazuo às vezes parecia uma criança, e foi quando sentiu finalmente os braços do namorado redor de seu corpo, seguindo de um beijo cheio de amor e carinho que só ele era capaz de despertar na jovem estudante. Acabou rindo baixo, ao afastar os lábios e olhar nos olhos pela pela milésima vez naquela noite, aqueles olhos que carregavam uma bondade tão grande, um brilho tão bonito que a fazia querer gritar o quanto estava apaixonada por ele, por aquele homem que se dizia velho, mas seus traços finos e pele macia o faziam parecer um jovem homem, bonito e gentil. O homem que Chohee amava. — Você é bobo. Como pode pensar em morrer? Eu preciso de você, não me deixe sozinha, hum? Eu te amo. — A última frase foi dita em um sussurro próximo aos carnudos alheios, lhe dando um selar demorado para então, quando se afastou minimamente, o envolver um abraço carinhoso. — Fico feliz que tenha gostado.











