Santanas
Santana / 32 anos / + Simplista + Social - Distraído - Ignorante
Tauros "Satanás" / 35 anos / + Leal + Forte - Desconfiado - Debochado
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Olivia desligou a televisão, onde tinha assistido a última entrevista da prefeitura sobre o grande assunto do momento. Sentia o seu pescoço tenso, depois de ter passado dias pensando sobre o que estava acontecendo. Ao mesmo tempo, o medo de alguma coisa ruim acontecer com Squirtle aumentava quando escutava um barulho estranho e não estava por perto. Ainda bem que muitas vezes era apenas ele se atrapalhando de alguma forma e isso lhe causava uma calmaria tão grande. Ela saiu de seus pensamentos quando escutou um barulho vindo da direção da entrada de sua confeitaria e franziu o cenho achando aquilo estranho, visto que tinha encerrado o expediente mais cedo. Então, foi em direção e questionou: — Squirtle? É você? —
Desde a última conversa com o pai, Helder vinha buscando todo o tipo de desculpa pra não ficar dentro de casa e não ter que esbarrar com o véio. Na maior parte do tempo se perdia nas plantações, mas decidiu que explorar os mesmos ares poderia ser um tipo de prisão. Naquele momento segurava uma caixa coberta por um pano preto sorrindo largo pra um Squirtle. - Entrega! Olha, o prazo era até as 18 horas. São exatamente... - jogou a caixa que estava debaixo do braço sobre o ombro pra assim poder olhar no relógio. Parecia desajeitado, mas ainda mantinha a pose. - ... 23 e 47? Ah, tá quebrado. Olha, senhor Squirtle, eu tenho aqui uma boa quantidade de cerejas que poderia te deixar muito satisfeito se só deixasse eu entrar.
_ Eu fico bem careca. Eu sou bonito, cara. - pôs os braços pra trás e apoiou a cabeça nas mãos, fazendo questão de flexionar os biceps (o que não era tão perceptível considerando a camisa de manga) - Ela tem um pico muito grande mesmo. - silêncio. - Toda vez que ela me vê, o pico vai lá em cima. - mais silêncio. Seus lábios tremiam, mas Helder não seria o primeiro a rir. Mexeu no relógio, esfregou as mãos na calça. Virou questão de honra. - Ela acha que sabe das coisas, fica dizendo que eu to torturando o bicho e que eu num me importo. Mas ela também falou que é irmã da roxa lá, então eu to achando que os pais dela foram adotar o Pokemon e ela veio de parasita. Igual aquele filme do rato.
Draycen enrugou o nariz por um tempo considerável e perdeu os olhos em uma careta momentânea, fazendo um barulho discreto de negação e rindo no fim. Brincadeira boba de sua parte, já que concordava em que Helder era sim um homem bonito. — O que é isso? Você tá inventando coisa agora, é? — Ele tremeu igualmente os lábios até ser o primeiro a começar a rir daquilo, tendo que desviar o olhar para o céu para abafar aquilo tudo. — Vaaaai, para disso. Você sabe que não é assim e que não tem gente melhor pra cuidar de Satanás que você. — Cutucou-o no joelho com o seu próprio e cruzou os braços, confiante em sua fala. Balançando a cabeça de um lado pro outro, ele riu. — Se for assim, Deino e Axew vivem quase de inquilinismo. Só falta um grudar nas costas do outro... — Inventou de maneira confortável e descontraída, sentindo-se confortável com aquilo e mais ainda com seu complete: — Você e Satanás são tipo uma relação de competição: um competindo quem vai ser mais cabeça dura que o outro! — Brincou, rindo e batendo a palma da mão na própria perna como quem se acabava na própria brincadeira.
Na hora que Draycen riu, Helder agradeceu, porque não sabia se conseguiria segurar por mais tempo que aquilo e caiu na gargalhada. Ouvia o amigo voltando a mexer no relógio. Que horas eram, afinal? - Eu sei, é só... Ah, sei lá. O tempo todo tem alguém pra te dizer o que fazer, mas ninguém pra olhar o que ocê tem feito. Será que eu num to errando? - suspirou e deixou o corpo deitar no banco, voltando a olhar pras estrelas. Conseguiu rir da piada de Draycen, balançando a cabeça. - Eu acho que eu perco essa, hein. Num sou cabeça dura não. - Cruzou os braços e fez um bico, voltando a rir pouco depois. - E ocê? O que os parasitas te falaro?
Parou antes de abrir a porta e olhou cuidadosamente para satanás. O Pokémon não era nenhum segredo, mas ainda assim era difícil pro cowboy ficar bem com ela e o veio no mesmo ambiente.
_ Por que ocê não... vai com o Toninho Rodrigues até o estábulo?
Satanás suspirou e o nó em sua garganta pareceu mais apertado.
_ Não foi isso que eu quis dizer... eu só... ele só... ele precisa de companhia, tá? Pra não se perder.
Sabia que tinha feito besteira. Quantas mais outras pessoas - ou Pokemons - ele magoaria naquele dia?
_ Meu veio costuma dizer que se não for pra atrair nem coisa ruim, pra que eu sirvo? Aí eu decidi que vou viver todo tipo de situação possível. - o riso acompanhou uma piscada cúmplice antes do corpo de Helder relaxar no banco, deixando seu olhar se perder nas estrelas (ou só esperando que ele fizesse algum curativo) - E no cabelo. - completou. - Porque ela é uma sabe tudo arrogante que se acha no direito de enfiar a unha do mindinho cheia de cera de ouvido na vida dos outros. - o sotaque caipira ficou tão pesado devido a raiva que só faltava ele subir em um touro no meio de um rodeio. - Tem gente que vem igual catiço mesmo, disposto a infernizar o mais santo dos santos.
Draycen balançou sua cabeça e apesar de toda sua preocupação, a frase de Helder o fez rir. Realmente, todas as sequências de ações contadas pelo vaqueiro comprovavam aquele ponto. — Por Arceus, Helder… Você vai ficar careca assim, sabia? Um dia você vai. Ou vai deixar alguém careca… — Deu de ombros. Não sendo Draycen o careca, tudo bem. Depois de firmar o curativo no hematoma do outro, o pesquisador o imitou em olhar para o céu, sendo ele o espectador de suas muitas caras e bocas pelos relatos do amigo. — Não fale assim… Jade é boa, só tem seus picos de irritabilidade. — Dando de ombros, ele tombou a cabeça para poder olhar para Santana e o cutucou sem muito exagero. — O que é que ela te aprontou pra você estar com mais ar que Satanás?
_ Eu fico bem careca. Eu sou bonito, cara. - pôs os braços pra trás e apoiou a cabeça nas mãos, fazendo questão de flexionar os biceps (o que não era tão perceptível considerando a camisa de manga) - Ela tem um pico muito grande mesmo. - silêncio. - Toda vez que ela me vê, o pico vai lá em cima. - mais silêncio. Seus lábios tremiam, mas Helder não seria o primeiro a rir. Mexeu no relógio, esfregou as mãos na calça. Virou questão de honra. - Ela acha que sabe das coisas, fica dizendo que eu to torturando o bicho e que eu num me importo. Mas ela também falou que é irmã da roxa lá, então eu to achando que os pais dela foram adotar o Pokemon e ela veio de parasita. Igual aquele filme do rato.
_ Ele tá amando! - ele batia com o chifre no rapaz na tentativa de tirar o laço, mas Santana parecia tão pesado e duro quanto, pouco mal se movia ou parecia sentir aquelas pancadas. - Acredite em mim. - o laço escorregou ainda mais pelo chifre e foi possível escutar um bufar de frustração do Pokémon. - Moça, mas ocê não sabe o que tá perdeno! - e como se fosse um convite, segurou a garota pela mão e a puxou na direção de alguma das barraquinhas de jogos. - Vem. Duvido me ganhar no meu jogo favorito. Tiro ao alvo.
Melike deu outra olhada no pokémon que parecia desconfortável com a situação do lacinho. Sorriu meio sem graça e assentiu com ele. Não queria se intrometer, mas talvez em uma oportunidade pudesse tirar aquele laço dali de maneira disfarçada. ❝ Perdendo o que? ❞ Perguntou conforme era arrastada dentre a multidão para a parte de barraquinhas enquanto se certificava de que o vulpix e o eevee também fossem lhe seguir. Quando parou de se mover, soltou a mão do rapaz e negou com a cabeça. ❝ Nossa, eu sou horrível nesses jogos. ❞ Evidenciou enquanto olhava uma garota fazendo suas jogadas. ❝ Eu acho que nem sei segurar numa dessas coisas, vou errar tudo, tenho certeza! ❞ Fez uma careta já meio descrente da situação enquanto ainda via algumas pessoas na barraca jogando.
_ A festança! A boca livre, os jogos. - gesticulava grande, falava alto, se tinha alguém que estava dentro do festival, esse alguém era Santana. Ele pegou algumas argolas, colocou sobre a bancada e se virou na direção da garota. Se seus olhos fossem mais claros, seria possível ver suas pupilas dilatadas. - Presta atenção no que eu vou te falar agora porque eu não vou repetir. - ele muito provavelmente iria repetir. - Braço em um ângulo de 45 graus. Menos que isso limita movimento, mais que isso enri... enrije... deixa o braço duro. Você só vai movimentar cotovelo e punho. Movimento do cotovelo determina velocidade e força do arremesso, mas é o punho quem vai determinar a distância. - enquanto dizia, ia representando com os próprios braços, mostrando como fazer a movimentação e até mesmo a velocidade. - Fácil, não? - Sorriu pra ela com um ar de quem tinha cumprido uma meta.
"Estão vendo pokelovers? Isso é o DIY! Sorria para a camera e nos diga de quem foi a brilhante ideia de usar esse laço nesse lindo Taurus? Nossos seguidores adoram! Você acha que eles tem preferências de cor ou de gosto? Sim, nosso festival está incrível. Consegue dizer o porquê de estar gostando tanto?" O sorriso já doia seu rosto, e sempre extremamente falso, mas era essa a figura esperada, e bem, ela sempre entregava o show que esperavam.
Santana foi atacado. Foi assim que se sentiu. Estapeado pela garota, pela câmera e por o que quer que estivesse na tela. De qualquer forma, a expressão de espanto foi logo substituída por um sorriso empolgado e um acenar pro aparelho. - Oi! É... é tv? Boa noite, Unova e região. Eu sou o Santana e esse aqui é o Satanás. A gente tá usando a última moda de Kanto e... ele não poderia estar mais feliz. - enquanto isso o Pokémon arrastava o chifre no chão em uma tentativa de remover o laço. - Tauros amam a cor rosa, é uma das poucas cores que suas córneas conseguem captar. - era claramente uma mentira, mas quem ia questionar um rostinho bonito e simpático? - O festival está sensacional. Tem muita comida, muito doce, as músicas são contagiantes e a coisa mais legal são... - olhou em volta - os... - puxou um fio e trouxe pra perto de si um balão de bulbassauro - balões! - o sorriso largo acompanhava a trilha sonora de uma criança chorando. - Saiam da TV e venham aproveitar!
"Ouviram, lovers? Para os que amam Tauros e aqueles que andam lado a lado, eles AMAM a cor rosa. Essa é uma novidade para mim. Nunca tinha ouvido falar. Sabe mais alguma informação? Aposto que o público aqui da internet iria adorar ouvir mais. Isso mesmo. Saiam e venham aproveitar ou continuem logados e aproveitem que vou mostrar cada cantinho. Vou dar uma desligada para aproveitar, mas se eu tiver mais informações ou nosso colega tiver mais dicas de cores vou poder fazer um vídeo só disso. Fiquem ligados!" Assim que desligou a camera ela revirou os olhos. "Eles amam? Sério, mesmo?" Até parece que ela comprava aquela informação. "Pelo menos o público gosta desse tipo de coisa. Enfim, preciso perguntar se você me da permissão para deixar o uso de sua imagem para eu poder utilizar e publicar no canal etc etc etc."
A cena seguinte parece um gif em looping. Satana com um sorriso bem largo segurando um balão e dando tchau pra câmera até que a menina a desligasse. Ainda sorria, mas dessa vez era natural, simpático. - Sei lá. Mas acho que segue a mesma lógica dos touros, né? E touro gosta de vermelho, então... - enquanto dizia, olhava em volta em busca da criança, logo devolvendo o balão que deveria ser dela. - Isso daí é o que? - Com o indicador, apontou pro celular da garota, seu tom era curioso e pouco desconfiado. - TV, internet? Se quiser, posso te conseguir uma entrevista com o prefeito. Ele é meu cumpadre.
Como já tinha passado algum tempo e o sangue esfriou, era possível ver um ou outro ferimento no rosto do rapaz, nada muito escandaloso. - Foi pra um vídeo, a menina tava filmando tudo e daí eu peguei um balão e aí descobri depois que era de uma criança, mas já tinha voado. Aí eu tava falando com a Jade, mas ela foi ingrata e não gostou da torta de limão que eu presenteei a face dela. Daí decidiu me retribuir com tapas. - seu tom era tão tranquilo que parecia que estava estar contando sobre o almoço do dia anterior. - Tá fazendo cócegas.
Com a mão, Draycen gesticulou em seu rosto um vai e vem como quem sinalizava em espelho os hematomas de Helder. Ainda estava configurando na cabeça todas as imagens que ele contava. — Como essas coisas acontecem tão fácil com você? — Fez uma careta, parando pra olhar na mochila se tinha algo em que pudesse ajudá-lo nos ferimentos. Infelizmente, tudo que tinha era band-aid e esse foi seu oferecido, ainda que não adiantasse de muito. — Se eu soubesse, tinha guardado a raspadinha pra passar. — Improvisou, coçando a nuca. — Mas você presenteou ela tipo…? — Simulou com as mãos o ato de comer, mas depois mudou para o que entendeu logo em seguida: — Jogando na cara?! Por quê?!
_ Meu veio costuma dizer que se não for pra atrair nem coisa ruim, pra que eu sirvo? Aí eu decidi que vou viver todo tipo de situação possível. - o riso acompanhou uma piscada cúmplice antes do corpo de Helder relaxar no banco, deixando seu olhar se perder nas estrelas (ou só esperando que ele fizesse algum curativo) - E no cabelo. - completou. - Porque ela é uma sabe tudo arrogante que se acha no direito de enfiar a unha do mindinho cheia de cera de ouvido na vida dos outros. - o sotaque caipira ficou tão pesado devido a raiva que só faltava ele subir em um touro no meio de um rodeio. - Tem gente que vem igual catiço mesmo, disposto a infernizar o mais santo dos santos.
_ Ah... ele é velho de guerra. - riu e balançou o aparelho - Comprei ele numa loja de telefones usados tem uns 3 anos. É bom, po. Faz o que promete. Só não liga pras pessoas. E nem mandar mensagem. - guardou o aparelho e enfiou as mãos nos bolsos. - A gente vem tentando trabalhar isso nele ainda. A ideia é fazer ele entender que nem sempre vai conseguir fazer tudo sozinho e que deve pedir ajuda sempre que puder. Vamos ver até onde ele vai com esse laço. - sorriu pro rapaz com o peito estufado e um ar de orgulho do que fazia. O Tauros parecia pronto pra atacar o protetor quando decidiu bruscamente parar no meio do caminho. Ele olhou pro loiro, olhou pro moreno e ficou um tempo nessa. - Acho que ele quer. Que horas você costuma treinar?
Aquele comentário a respeito do telefone fez Charlie rir, mas tentou disfarçar. — Só não liga? Então acho que ele falhou em um dos seus propósitos, mas até que ele tá bom para fotos, nisso eu concordo. — Não estava sendo irônico e muito menos tirando uma com o rapaz, só achou de fato engraçado o modo como ele definiu o aparelho que, segundo sua breve analise, era de fato um guerreiro. — Acho que mais cinco minutos e ele manda esse lanço longe. — Deduziu mediante o comportamento do pokémon. Na realidade era difícil dizer se ele estava mesmo incomodado com o laço ou com seu parceiro. A breve corrida do Tauros pegou Charlie desprevenido, por um momento jurou que ele atacaria um dos dois, mas foi apenas um susto e um mal entendido. A animação do mesmo agora era bem nítida na maneira como ele encarava ambos. — Costumo sair às 6h para buscar todo mundo, alguns já ficam na praça me esperando. Coloco eles mais para se exercitarem, assim não ficam tão preguiçosos e ainda gastam energia.
_ Sim! A câmera dele é boa demais, mas eu só consigo ver as fotos depois que jogo pro computador. O importante é que ele funciona pro mais importante: meu jogo de tetris. - tinha o olhar estreito sobre o Pokemon, analisando que reações teria a seguir. Satanás parecia mais do que interessado e era nítido que Santana não reconhecia aquele comportamento. - Sair às 6h? Será que ocê guenta, Satanás? É que ele é só priguiça. Aliás, ocê é o que? Coach de Pokemon?
_ Ah, você sabe. Mulheres bonitas são muito fortes. - disse como se aquilo fosse nada, apontando pro band-aid na bochecha. - O que achou? Eu acho que ressaltou o verde dos meus olhos. - não eram verdes. - Minha cara inchada, sua cara inchada. Nós não precisa falar disso se não quiser, mas eu sô curioso. - sua atenção passou pra ecobag, onde revirou agitado, puxando uma caneta de dentro e colocando entre os dentes. Ele vou até o pastel sussurrando "Com licencinha" e rasgou um pedaço do mesmo, anotando ali alguma coisa. - Pronto. Ocê agora tem uma anotação de dívidas e eu sou agiota nas terças-feiras.
"Huh... Felizmente nunca senti a ira de alguma mulher bonita na pele, mas vou me lembrar disso pra nunca irritar uma." comentou, ainda sem saber se achava graça ou continuava preocupado, mas o outro parecia estar bem apesar dos hematomas e curativos, ainda mais fazendo piadinhas sobre eles ressaltarem o verde dos olhos dele, que não eram verdes.
Encolheu os ombros levemente quando o outro falou que era curioso, "Você pode perguntar, só não garanto que vou responder." brincou levemente, arqueando ambas as sobrancelhas ao ver Helder tirando um pedaço do pastel e escrevendo algo. "...Você realmente escreveu algo num pedaço pastel?" perguntou apenas por ter ficado incrédulo com tal ação. "Mas certo. Vou me certificar de que minha próxima terça-feira esteja livre pra te pagar de volta." respondeu divertido, voltando o olhar para o pastel em suas mãos, que agora faltava um pedaço, e se perguntando se conseguiria comer aquilo tudo sozinho. "Na sua ecobag tem copos?" gesticulou na direção da garrafa meio exagerada de caldo de cana que ele trouxe.
_ Rapaz, mas ocê é mais bonzinho do que eu pensei. Eu acho que sinto a ira de mulher bonita umas 3 vezes por dia. Inda mais agora que descobri que o bichão é bichona. - fez menção com a cabeça na direção de Satanás que estava sentada de frente pros dois, o laço rosa de volta ao seu chifre. Ela encarava o caubói como se pudesse atacar a qualquer momento, mas Santana soava como um irmão implicante com seu sorriso travesso. - Eu aceito todas as formas de pagamento. Dinheiro, cartão, pix, lanche, massagem no pé, coçada nas costas, fazer meu imposto de renda. Fique à vontade pra escolher. - apoiou o pedaço do pastel na coxa e deu pra ver que ele tinha escrito "Cobrar 2 lanches do bonitinho", abriu a bolsa outra vez, vasculhou por mais um tempo, pegou um pedaço de papel e enrolou o pastel nele. - Eu tenho tudo o que você precisar! - e assim lhe entregou um copo, mas também mostrou um estojo de maquiagem, um baralho, estralou um leque barulhento e, por último, uma língua de sogra que apitou direto no nariz do rapaz. Não pode deixar de rir antes de guardar. - Tá, eu não vou perguntar. Se eu tive que ouvir coisas que não gostaria de certos, certas Tauros... Tauras... - franziu o cenho e direcionou a atenção ao pokemon afim de captar o que soaria melhor pra ela, mas como se retibuísse as provocações, ela apenas sorriu com travessura. - Eu acho que vou chamar ela de Lilith agora. - sussurrou bem perto de Raven sem tirar os olhos de Satanás. - Enfim, se ela foi capaz de falar uns trem zoado pra mim, não imagino nada que o Celulari aí não tenha te feito refletir sobre a vida, a verdade e o universo.
Seu estômago revirava, suas costas contraíam, seus pés latejavam, sua visão embaçada dos lados o proibia de ver ao seu entorno. A ansiedade fazia seu corpo inteiro doer, e se não fosse pelo ocorrido na noite anterior, juraria que Jade o tinha batido bem mais do que se lembrava e torcido seu pé. Talvez tivesse mesmo torcido o pé.
Enquanto cavalgava pela fazenda, captou a imagem do antigo ginásio que agora estava em reforma. Não era o mesmo da foto, aquele estava em Paldea, mas era muito parecido em todos os seus lados. O cheiro dos girassóis e os gritos comemorativos não pareciam tão distantes, mas talvez fosse o sol fritando seu cérebro. Aquilo o fez segurar mais firme no cavalo.
As três horas que esteve no campo passaram mais devagar do que de costume. É que não tinha pregado os olhos na noite anterior repassando a ligeira conversa com Satanás. Descobrir que era acompanhado por uma fêmea esse tempo todo foi um baque, com certeza, mas aquele nome. Pensou que aquele nome tinha ido embora com sua mãe, achava que finalmente poderiam viver tranquilos, pai e filho. Pelo menos tranquilos o suficiente.
Ele suspirou. Queria que fosse tão fácil se livrar assim de suas situações. Apenas deixar em um ginásio, mas não era assim. A Jigglypuff ainda o seguia e roubava seus momentos de sucesso. "Sorte a sua. Já tentei correr o suficiente, mas ela sempre me seguiu para casa e ela não respeita que eu queira ficar sozinho. Quer ficar colada o tempo todo. Infelizmente não tem muito o que fazer nesses casos." Deu de ombros e se encostou em um poste. "Você como espectador que tipo de música acha que o pessoal daqui gostaria de ouvir?"
_ Eu ofereceria o ginásio lá de casa, mas tá em reforma. Vai virar um aquário bem maneiro. Depois que tiver pronta, acho que dá pra deixar ela lá curtindo um pouco com os selvagens. - Santana virou pra olhar dentro da ecobag que carregava, puxando de lá um cartão da família e uma capa de disco de vinil do Aerosmite. - Aqui, você pode ligar pra gente algum dia. E se puder, autografa pra mim? Meu pai é um grande fã. - entregou o cartão e o disco pro rapaz. - Música pra cantar. Aquelas animadas que a letra não precisa fazer sentido. É isso que o pessoal gosta. Só uma letra fácil de cantar com um ritmo animado. Eu acho que você tem algumas muito boas nesse estilo. A faixa 3 do álbum Lendário é bem maneira. É você quem canta, né?