sunmi não tinha o costume de reclamar do trabalho. era cansativo, e exigia bastante. mas pelo menos não pagava tão mal e era algo que ela amava fazer. sabia bem que a maioria das pessoas não tinha aquele tipo de sorte. o problema é que, ela trabalhava para cumprir vontades - não prazos, como sua chefe costumava amar dizer - e vontades são volúveis. levar uma bronca enorme dela por não ter conseguido cumprir uma vontade era um pouco desgastante e sunmi era apenas humana. justamente por estar tão distraída demorou um tempo para perceber que tinha algo colado na sola do seu sapato, uma partitura. e foi apenas o momento de olhar para perceber que tinham outras partituras soltas pelo chão do corredor, formando um rastro de folhas que obrigaram sunmi a se agachar de cinco em cinco minutos para juntá-las. foi apenas depois de alguns minutos fazendo isso que ela ouviu um grito exasperado, o susto de olhar pra cima e ver uma case gigante de teclado quase acertar sua cabeça foi o suficiente pra que ela se jogasse pro lado bem no momento em que a case quase chegou ao chão com um estrondo, parada a tempo por sua mão direita que tinha conseguido amortecer um pouco da queda “yah! essa foi por pouco” foi apenas ao olhar pra cima com fins de identificar o responsável por sua quase morte que ela percebeu que já o conhecia. no caso, a conhecia. “ei, é você!” exclamou surpresa “eu suponho que essa seja uma boa vingança contra o mar de pincéis nos quais eu obriguei você a nadar” soltou um pequeno sorriso, o coração ainda um tanto acelerado contra o peito “uma vingança um tanto brusca mas… ah! achei isso aqui no caminho pra cá, suponho que seja seu…?” foi apenas então que ela finalmente deu uma olhada ao redor delas “…junto com todas essas outras milhões de coisas?”
🔥 :゚ ⊹ ╱ miho não conseguia olhar. o estrago que seria quando seu teclado caísse bem em cima da menina que vinha no caminho, seu único reflexo foi de fechar os olhos. sentia-se péssima por não conseguir se esticar para ajudar, mas foi como se seu cérebro tivesse simplesmente apagado com a grana que teria que desembolsar para comprar um novo teclado e provavelmente uma indenização para a moradora. as mãos cobertas pelas mangas compridas demais de seu cardigã cobriam os olhos que se apertavam com força, impedindo de enxergar o desastre a qualquer custo, mas no lugar de um estrondo o que ouviu foi uma voz de puro alívio, o que fez a loira abrir os olhos e tentar olhar por entre as frestas de seus dedos. imediatamente miho se aproximou, retirando o teclado de cima da menina e colocando-o sobre as caixas de mudança de forma mais estável que fosse impossível cair - deveria ter feito isso desde o início, claro. “meu deus, me desculpe. você está bem? meu teclado te machucou?” perguntou um tanto desesperada.
surpreendeu-se de novo, ao esperar tanto xingamentos, mas em retorno recebendo uma vez animada. seus olhos arregalaram, as sobrancelhas se erguendo em completa surpresa. “nos conhecemos?” respondeu, confusa. mas ao longo da frase da menina, lembrou-se do que havia acontecido algum tempo atrás, quando tinha visitado o prédio com o corretor de imóveis. miho riu baixinho, lembrando-se de como quase levou um tombo ao escorregar pelo corpo roliço dos muitos pincéis espalhados pelo chão. “ah, você é a menina pintora, hm? me desculpe, de forma alguma tinha a intenção de me vingar. isso poderia ter te machucado feio! posso te compensar de alguma maneira?” definitivamente não queria pagar uma indenização.
miho imediatamente reconheceu as folhas de suas partituras, olhando para a pasta junto à sua bolsa e notando mais algumas folhas começando a se soltar. o coração bateu mais forte, com a ideia de qualquer pessoa lendo sua música, então por reflexo pegou as folhas de partitura da mão da menina de forma um pouco brusca, enfiando-as na pasta de qualquer jeito. “desculpe... é pessoal.” disse, tirando os fios loiros do rosto. “yeah, bem... eu estou me mudando. cheguei hoje.” riu sem jeito, mordiscando o lábio inferior. “mas se mudar sozinha... foi definitivamente uma péssima ideia. “