Sem dúvida alguma que Kwibi não poderia negar o quanto haveria achado uma gracinha ao facto de o outro ter ficado atrapalhado na sua presença. Quase parecia que o mesmo haveria ficado nervoso, e não era como se a morena não estivesse, porque a verdade era que ela estava bastante nervosa, porém a Choi sempre fora ótima em esconder seu nervosismo, especialmente de alguém que não a conhecia. Outra coisa que a estudante de medicina não poderia negar era o facto de ter achado o mais velho bastante bonito. A asiática não era cega, muito pelo contrário. Apesar de nunca ter se relacionado muito com pessoas do sexo oposto, a garota conseguia ver quando alguém era bonito. Ou no caso, extremamente bonito. Fora inevitável que a menina não observasse os belos e delicados traços do mais alto, bem como fora inevitável ela não observar na forma como o sorriso do mesmo era lindo, e no quanto esse sorriso acabava por se estender ao seu olhar, algo que acabava por ser ainda mais bonito de se ver.
A Choi realmente não era cega, e por isso seria inevitável que ela não olhasse para a beleza do mais velho. Era inevitável que a morena não se deixasse encantar por aqueles traços tão delicados, tão marcantes, especialmente após observar aquele sorriso que acabara por fazer com que uma chama se incendiasse em seu peito. Uma chama que ela nunca haveria pensado que existia. Uma chama que ela haveria prometido a si mesma que não iria sentir na vida, pois o seu medo de sair magoada por um sentimento forte demais era maior que tudo o resto. Porém, ali estava Kwibi sendo completamente levada por aquela chama ardente que despertou em seu coração algo que ela nunca haveria sentido outrora. Talvez aquilo fosse uma espécie de karma, afinal a garota sempre haveria criticado todos os sentimentos que envolviam gostar de outra pessoa. Ela sempre haveria renegado sentir algo mais forte que uma pura e simples amizade. Na verdade, a estudante de medicina sempre haveria renegado o amor. Ou talvez, a menina nunca haveria encontrado ninguém na sua vida que lhe fizesse sentir daquele jeito. Aquele jeito tão único, e ao mesmo tempo tão especial.
Ao observar o mais alto esticar a mão na sua direção, um sorriso começou se formando em seus lábios. Era incrível o jeito como o outro se comportava, especialmente porque Kwibi nunca haveria observado nada assim. Ou talvez ela tivesse observado algo assim no passado quando era uma garotinha inocente e que acreditava em tudo aquilo que os filmes de contos de fadas falavam. E sem dúvida que aos seus olhos o Cho parecia um autêntico príncipe encantado. Um príncipe que viera de outro reino apenas para lhe mostrar que de facto existiam contos de fadas. Fora praticamente inevitável que a Choi não sentisse uma espécie de arrepio em sua pele, acabando por se estender à sua coluna, assim que o outro tocara em sua mão. E sem se aperceber, a garota ficara completamente presa aquele doce e terno olhar. Um sorriso adornou na face feminina, e automaticamente esse sorriso se estendeu ao seu olhar. Uma espécie de brilho se apoderou do chocolate de seus olhos, e logo a jovem estudante de medicina sentiu suas bochechas esquentarem de timidez. Céus, o que estava se passando consigo? Um breve e baixo suspiro acabou por se soltar de seus lábios assim que ela escutou aquela voz tão dócil. — “ Digo o mesmo, sir. ” — acabou por replicar completamente hipnotizada por aquele olhar.
Kwibi seguiu o mais velho com suas íris achocolatadas assim que ele falara e passara por si indo até à cadeira onde era suposto ela se sentar. Um sorriso completamente tímido e envergonhado adornou na face feminina. Ela baixou levemente seu olhar, balançando sua cabeça por breves momentos. De facto, a jovem estudante não estava acreditando que estava conhecendo um verdadeiro príncipe. Era surreal demais. Após escutar as palavras de Hyun, a morena automaticamente voltou seu olhar para o rosto alheio. — “ Eu seria idiota se me fosse embora nesse momento. ” — acabou por confessar sentindo seu coração acelerar por breves momentos. A morena piscou brevemente seus olhos não querendo acreditar que de facto haveria proferido aquelas palavras. Uma vez mais, a Choi baixou seu rosto completamente tímida. — “ Eu…só acho que nos vamos dar bem. ” — completou tentando assim emendar suas palavras ditas anteriormente. Sem dúvida que a mais nova sentia que ela e o outro iria se dar perfeitamente bem, contudo ela não poderia negar que estava sentindo bem mais que isso. Ela sentia uma necessidade enorme de conhecer mais sobre o mais alto, o que de facto acabava por ser engraçado, visto que antes de chegar ali a garota achava aquele encontro completamente desnecessário. A asiática se aproximou da cadeira onde era suposto se sentar, e acabou por se sentar sorrindo amavelmente para o Cho. — “ Obrigada, Oppa. ” — agradeceu, sua voz saindo completamente dócil, algo que acabou por contracenar com o sorriso tímido que emergiu em seus finos lábios.
Uma parte em si se sentia culpado por estar tão interessado em sentar-se e ter um jantar com aquela jovem, em estar tão animado por esta aceitar seu convite e pela maneira que a olhava; completamente a mercê de uma menina que não era sua namorada, era notório que se interessou pela outra logo que pousou seus olhos em sua figura, ainda que a forma que a olhasse fosse sútil, um olhar mais atento poderia perceber as faíscas que saíam dos olhos escuros do rapaz. Em contrapartida, um outro lado dele se alegrava a cada segundo na companhia da mais nova, se deliciando com o fato de que havia pensado a mesma coisa que ela e que, no fundo, queria poder conhecê-la melhor, ainda que a guerra interna o alertasse de que não poderia e que Yuna odiaria saber daquilo, ele também deveria estar detestado aquele encontro, mas a verdade era que, por mais que quisesse, Hyunwoo não conseguia.
Talvez se fosse alguém a quem não lhe tivesse causado emoção alguma, Hyunwoo certamente não estaria em uma crise entre explicar toda a situação e ir embora ou esperar, aproveitar para conhecer a morena e, por fim, falar que era comprometido. Apesar de algumas pessoas o verem como um príncipe perfeito e que não fazia nada de errado, que agia de acordo com o que deveria, um temente fiel que nunca pensava nada além de coisas boas, Hyun também era humano. Um ser como qualquer outro que falhava, errava muito, cometia pecados, tinha sentimentos, emoções. Desejos... E, no final das contas, o Cho era como qualquer outra pessoa, o que diferenciava era que buscava ser bom todos os dias e sempre cuidava para agir pelo certo. Mas do que diz a respeito aquele momento.. Hyunwoo já não sabia mais se estava agindo como deveria. E, no fundo de seu subconsciente, sabia que não e que muito provavelmente se arrependeria de todo aquele encontro, mas naquele instante, tudo que conseguia pensar era em como gostaria de ficar a noite inteira com ela. E, talvez, uma pequena parte de si, possivelmente a mais insana, desejasse outros momentos com a desconhecida.
Deveria falar sobre Yuna? Era claro. Conseguia fazer agora? Isso já não sabia. Não existia dúvidas de que a morena em sua frente partiria no segundo em que a revelação escapasse de seus lábios, a menos que ela realmente não se importasse com isso, o que o Cho duvidava, não parecia ser da índole alheia. Mas parecia ser da índole de alguém naquela mesa desejar esconder a verdade por um momento, permitindo que seu lado egoísta viesse ao de cima. E ao pensar em tudo isso, colocar na balança, um peso começou a recair sobre seus ombros e seu coração bateu de forma dolorosa, o oriental encarou-a com um semblante culposo. Apesar de desejar ficar ali, sabia que seu coração o estava enganando e que não era confiável, que deveria seguir seu cérebro naquela situação e ser quem era, ser fiel às suas crenças, a quem, de fato, seus pais haviam criado. Cho Hyunwoo, no final, muito embora não se sentisse nem um pouco empolgado com a ideia de ser sincero, sabia que era a melhor escolha.
Era curioso pensar naquilo uma vez que o moreno nunca se sentiu tão culpado por querer algo mas também nunca detestou tanto ser verdadeiro. Hyunwoo respirou fundo. “Penso da mesma forma...” Sua voz saiu levemente rouca e em um tom baixo, mas havia um sorriso gentil em seus lábios ao fitar a face da bela jovem em sua frente. O Cho mordeu seu lábio inferior e engoliu em seco ao passo que seu olhar caiu para os lábios alheios, observando com atenção cada detalhe da face feminina; ainda estava atônito com aquela beleza, realmente gostaria de poder conhecê-la melhor e ver se Kwibi possuía uma personalidade tão bela quanto sua aparência. Ele fechou os olhos e puxou o ar com certa dificuldade, sabendo que era melhor não olhar muito para não cobiçar o que não poderia ter. “Hmm.. No entanto... Preciso ser sincero. Me encontro em um momento, ah, difícil. Sei que nossos amigos nos colocaram nessa situação com o intuito de.. Hm, você sabe.”
Suas bochechas coraram levemente com aquilo, por tantos motivos e todos eles o levavam a um caminho só: vergonha. Não estava tímido naquele momento, do contrário, timidez estava longe dele. Havia apenas a vergonha por pensar que seus amigos o colocaram naquele encontro por acharem que ele precisava de alguém melhor que Yuna. Vergonha por se sentir tão atraído por alguém que não fosse sua namorada. Vergonha por ter ponderado em esconder de Kwibi a verdade e se aproveitar desta. Em resumo, apenas vergonha. “Mas.. Acontece que eu estou comprometido.” Um observador poderia perceber que existia um ‘q’ de arrependimento e decepção em sua fala, quase como se sentisse mal por namorar, era isso? Por mais que negasse a si mesmo, sabia que era verdade; se sentia mal por estar comprometido e não poder aproveitar o encontro e a companhia alheia. “Peço perdão por ser direto, mas peço mais ainda que me perdoe por não ter falado antes. Não quero que entenda errado, como também espero que não interprete como um proveito.”
O coreano empurrou a cadeira e ficou em pé, curvando a fronte e a cabeça para frente a fim de deixar explícito que se arrependia de verdade. Ao se sentar novamente, o olhar carregava um certo sentimento de culpa mas que, ainda assim, conseguia deixar transparecer tranquilidade, porque agora conseguia se sentir em paz consigo mesmo. “Porém, se ainda o desejar, podemos jantar e nos conhecer. Como amigos. Porque falei a verdade ao dizer que penso da mesma forma; de fato, acredito que nos daríamos bem. Podemos ser amigos.” Sua voz estava no mesmo tom, mas era firme e dócil ao mesmo tempo, indicando que foi sincero em cada palavra e ao fitar aqueles olhos que o prenderam por muito tempo, que pareciam engoli-lo por inteiro pela maneira intensa que o encaravam, Hyun sorriu amável. “E eu adoraria ser seu amigo, senhorita Choi.” No final, algo em si o fez pensar que seria melhor ter sua amizade do que não ter nada daquela garota, e para o Cho estava tudo bem.