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@ianpoetry
Decidi chorar E contaminar Todo o espaço Eu largo o chão alagado Pedaço de guardanapo Escrito Rasgado Saudade ao vento! Não tenho mais tempo. E o vento, junto comigo, ecoa ao saudoso. Resíduo de quem se foi num domingo...
Quero comigo Pra viver sozinho No meu cantinho
Quem se faz pequeninho Já cresceu e não entende como Nem sabe o modo. O 'porquê' eu como; Com a raiz e com o talo.
Eu mesmo mal falo E à saudade o desejo calo
Sou tão pouco gente, Nem tenho tamanho Se eu vi, esqueci, E quem me lembra não me faz tão bem Também... quem vai fazer? Sem regra e dicionário Eu decidi ser.
Douglas chegou bem cedo, numa manhã arrastada que queria trazer consigo todo o ontem. Não quis falar sobre a noite, muito menos sobre o sono. Insistia com Marcos, seu amigo e inimigo, que não descansaria até descobrir como trocar o sangue, ou pelo menos a água nele, em café. A esse ponto, não se importaria se seria arábica, torra forte ou especial.
Quando, antes, percebera a chegada da alvorada num misto de superstição e loucura consciente — ele sempre fora consciente —, travara os ponteiros do relógio e aplicara ao celular o castigo que um católico apostólico romano gostaria de fazer a um dos seus muitos santos, e o pusera de castigo dizendo: "Sem horas pra você".
Mas não tivera jeito, algo macabro acontecia. Do negro escuro da noite, surgia o laranja. E como se não bastasse a insanidade febril, metamorfoseava-se em azul. Era bonita a luz do dia. Ele sentira como se o seu único desejo e razão fosse tirado como estupidez por alguém que admirava. Mas tal fora a qualidade do dia que se mantivera colorido e bonito. Para ele, a beleza saturara.
Marcos, depois de vê-lo abrir lânguido e cabisbaixo a porta, depois de ouvir até a febre baixar, compreendeu de imediato. Na verdade, sacou no momento em que viu a lentidão com que a porta abriu.
Era sério e urgente. Um problema pequeno, como todos os grandes problemas realmente são.
Aprender também é continuar depois de não conseguir!
Acredito é que especialmente isso.
Even if I could scratch the sky,
I still wouldn't be able to grasp the feeling
of holding so sublime a woman as you.
You can’t go to bed without a cup of tea, and maybe that’s the reason that you talk when you sleep… 😴
Você achou que saberia me precisar Durante todo o tempo em que pelo calor e pelo frio, eu precisei Se tão somente tivesse sentido o toque Sim, o sentir Vivido o viver e não a morte Que, pelo menos ao morrer, pudesse realizar o sonho e então como quem percebe a mentira acordar que tudo o que há não precisa ser e imprecisamente ser: aquilo que existe.
Meu erro foi te dar a cidade. E agora, depois de ter perdido metade de mim, não tenho para onde voltar. Quando fujo Procurando um espaço seguro onde me esconder Encontro você Os olhos curiosos e grandes de criança Que para mim, pequeno e com medo da vida, são como lagoa. Não sei nadar e tropeço ao respirar. Só que se pelo menos sua água escura me quisesse aceitar, e ao menos um pouco de ar me desse Viveria desse pouco, com muito suspiro E viveria satisfeito, porque é meu doce favorito.
esses teus lábios molhados,
adoçam o âmago dos meus pilares de carne,
e eu, sem nem saber da hora e do lugar,
me rendo.
É que Na verdade Eu não queria o pano Nem queria a saudade Eu queria o presente Que ninguém me deu Eu queria a carne E não me aconteceu Eu senti na pele o frio Buscando o calor E achei Distante Esperando-se tocar Mas Sem toque Intocável Alma afável Implora carinho Distante, noutra rota, noutro caminho Eu escolhi o meu e desejei Sentir o gosto do que não provei E é amaldiçoado o chão que piso Pra sanar a vontade nem chá de sumiço O que há comigo É o que há contigo Em segredo Papel escrito Molhado Anseio afogado Mas vivo Desmonto E sobro Sóbrio Não duvide Porque o que parou, ainda inside Descansa e hiberna Luzes apagadas, sem seresta Só a ideia Uma sílaba Se É o nome da encruzilhada Que Morri
Pode ate mesmo enxergar que a vida se calou, que não há mais poesia a ser contada. Pode conhecer como real, beber de manhã todo o veneno que o falso mundo lhe indicar como necessidade. Poderia até mesmo fechar teus olhos, arrastar com força seus pensamentos às mentiras que lhe contam As palavras seriam insistentes em me trazer a verdade, seriam insistentes o bastante para que me acordassem do sono, para que me levantassem da cama. Forçariam até mesmo que a minha mão trabalhasse num domingo de manhã, caso de ter o ouvido repleto do que precisa ser escrito. As palavras seriam como um Pai, como um amigo, como um fulano da rua que lhe indica o caminho certo. As palavras seriam um Doutor, seriam um mestre a ensinar. Porque as palavras querem aparecer, querem participar, cheias de tinta, da criação da poesia. Elas querem ser como as flores, querem estar naquilo e belo. Se você, como que moça de lagoa, tão calma quanto secreta, tão Sol quanto Lua, tanto menina quanto mulher, faz-se existir, há tambem a forte necessidade de que isso venha a ser escrito no diario do vento. Naquilo que é anotado e guardado por aquele que vaga todo o mundo encontrando o que vale a pena ser espalhado. Que todo os melhores sentimentos podem ser sentidos pela brisa suave que vem de sabe-se-lá-que-lugar-é-esse, para que todo dia alguém, em algum canto com sombra ou luz, possa ter uma fração, uma fragrância, do que é bom do mundo. Para que as falsas palavras que correm no mundo não as rondem por tempo demais. Para que ninguem venha a crer em algo que nao esta pintado nas verdades do mundo. Mesmo que tenham-lhe passados bons pares de tempos, ainda a verdade é a mesma: que sendo voce a moça que é, a verdade não lhe foge, que a beleza é como que gemea da sua alma, que a poesia é seu perfume, seu samba, seu sorriso e seu nome.