Ultimamente tenho visto a mim mesma de longe, como se estivesse fora do meu próprio corpo. Não faço ideia do momento em que me tornei assim, sequer sei explicar o que sinto na maior parte do tempo. Eu só queria poder me desligar de tudo, desligar minha mente e não pensar em absolutamente nada pelos próximos 10 anos.
Até tenho tentado voltar a mim, me convencer de que é tudo uma grande conspiração autocriada contra minha própria mente. Um mecanismo que eu tenho as instruções para desativar, mas o manual está em um idioma que não conheço. Como faço para resolver, agora? Como faço pra não me abalar com cada pequena coisa e viver livre de todo esse peso que tem me feito afundar cada vez mais no meu próprio abismo?
O pior de toda essa merda é saber que eu estou contra mim mesma. Tenho o veneno e a cura nas duas mãos, e uma batalha intensa dentro de mim, da minha cabeça.
Tô doente? Não sei. Ultimamente essa tem sido minha resposta para tudo.
Pensar que teve uma época onde tudo era simples, sem burocracia e de fácil resolução dói. Porque hoje não consigo resolver um simples quebra-cabeça emocional. Afundo cada vez mais nesse abismo, ignorando todas as mãos dispostas a me salvar.
Não sei se quero ser salva. Não sei se serei a mesma de novo se eu conseguir voltar à superfície. De fato, as cicatrizes são infinitas, e minha cabeça tá tão cheia.
Cheia. Alagada. Enxurrada. Inundada.
Me incomoda que as pessoas tenham o poder de estragar a vida umas das outras sem qualquer esforço. Marcar a vida inteira de alguém com uma simples palavra ou atitude.
Me incomoda não ter coragem o suficiente para aceitar as coisas que aconteceram comigo, de não saber lidar com tudo isso.
Já não sei mais o que tô escrevendo, nada faz mais sentido.
Por que me destruíram tanto? Eu podia ser tão melhor.
Nunca mais voltarei a ser a mesma pessoa de antes, e isso dói.
Sou incapaz. Sinto muito.