Eu to começando a entender a importância de me expressar e como essa ideia em terapia vem me ajudado e por isso quero compartilhar sobre uma condição que carrego. Fui diagnósticada com transtorno bipolar depois de um episodio depressivo. E não é algo que eu “resolvo” de uma vez, é algo que eu aprendo a lidar todos os dias. Existem momentos em que tudo parece pesado, sem sentido, e até as tarefas mais simples exigem um esforço enorme. Em outros, sinto uma energia intensa, uma pressa de viver, como se tudo fosse possível, mas isso não definem quem eu sou.
Eu estou aprendendo que pedir ajuda não é fraqueza. Fazer terapia, seguir o tratamento corretamente e conversar com minha psicóloga e psiquiatra me ajuda a entender melhor o que acontece comigo.
Também aprendi a reconhecer os sinais: quando estou começando a me isolar demais ou quando minha mente acelera além do normal, mas eu ainda me perco nos episódios. Nesse momento eu to passando por uma fase mista do transtorno, onde eu estou depressiva, mas minha mente nao para de fazer planos, querer gastar energia, nao dormir direito, querer concluir tudo de uma vez...
Eu percebi que perdi a percepção do tempo, é como se eu ainda tivesse e em outro ano e com outra idade. Reconheci também os momentos depressivos, maniacos, irritabilidade e etc quando nao fazia tratamento, reconheci que tudo que eu começava eu nao terminava e isso me afetou na minha maior conquista: a faculdade, me dói muito ainda esse tema em ver o quanto eu perdi nao podendo focar nos estudos porquê estava ocupada de mais surtando internamente seja em momentos eufóricos seja depressivos. Eu cheguei numa fase muito intensa desse transtorno que eu precisei de ajuda para conseguir ajuda...
Manter uma rotina é a chave para nao sucumbir aos episodios de mania ou depressao, mas eu so consigo agora estabelecer uma rotina de estudos e trabalho. Sei que dormir bem, me alimentar de forma equilibrada e tentar manter pequenos hábitos, como sair para caminhar ou tomar sol, fazem a diferença, mesmo quando eu não tenho vontade. Mas eu não consigo, e tudo bem. Eu estou aprendendo a não me cobrar tanto...
Também estou aprendendo a ser mais gentil comigo mesmo. Nem todos os dias serão produtivos, nem todos serão leves. E isso não significa fracasso. Significa que eu estou lidando com algo real, complexo e desafiador.
Nos momentos difíceis, eu tento me lembrar de que eles passam, porque passam mesmo, mesmo parecendo que o mundo vai cair na minha cabeça. E nos momentos de euforia, eu tento manter os pés no chão, não gastar dinheiro, falar menos, procurar uma atividade.
Acima de tudo, eu estou aprendendo que eu não sou a minha doença. Eu sou alguém que vive, sente, luta e continua seguindo, um dia de cada vez.