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@in-sufficiency
Eu me apaixonei uma vez, um certo tempo atrás. Éramos felizes até um certo ponto. É triste, pra mim, saber que hoje ele está em um bom relacionamento, com uma garota qualquer, sendo feliz, fazendo as mesmas juras de amor que um dia, foram dedicadas à mim. Enquanto eu, não consigo levar nada pra frente. Nem um ficante ou até mesmo, um crush, como dizem. Acho que estou quebrada. Pois, nem escrever como antes, eu consigo. Nem sentir. Nem gostar. Nem nada. Eu deveria chorar agora. Mas, nem isso dá mais. É estranho pra mim, ver a pessoa que mais me fez mal, feliz. Enquanto eu ainda carrego o fardo das lembranças e do passado. Me dói não conseguir lidar com isso e seguir em frente. Me dói, pois cedo ou tarde, alguém do meu ciclo de amizades e família, também vai me deixar como ele me deixou. Sofro por antecipação? Provavelmente! Bom, eu realmente não tenho ideia do que nada disso quer dizer. Mas no fundo, lá no fundo, eu queria que ele estivesse mal. Nem que fosse ao menos por 1\3. Que ele sentisse na pele o que fez comigo. Mas, eu espero que ele seja feliz. Pois assim, quem sabe, eu também seja.
A Teoria do Caos.
Promete esperar por mim que eu prometo fazer essa esperar valer a pena. Ei, não ouse me trocar por ninguém perto de você. Eu não suportaria te perder. Não suportaria saber que o meu alguém se tornou o alguém de outra pessoa. Se lembra da nossa conversa de mais cedo, quando te disse que preciso te conquistar um pouquinho mais a cada dia? É medo. Lembra da única vez que brigamos? Foi medo. Outra vez. Já deu pra entender que eu tenho medo de perder você? Ou eu vou precisar citar todas as vezes que, por brincadeiras, eu me declarei pra você? Te peço mais uma vez, com o coração apertado, espere por mim.
Querido John.
Mas é claro que o sol vai voltar amanhã mais uma vez, eu sei. Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã, espera que o sol já vem. Tem gente que está do mesmo lado que você, mas deveria estar do lado de lá. Tem gente que machuca os outros, tem gente que não sabe amar, tem gente enganando a gente, veja nossa vida como está, mas eu sei que um dia a gente aprende. Se você quiser alguém em quem confiar, confie em si mesmo. Quem acredita, sempre alcança. Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena acreditar no sonho que se tem, ou que seus planos nunca vão dar certo, ou que você nunca vai ser alguém.
Legião Urbana.
Eu pranteio feito um palerma, lágrimas idiotas me escorrem sem autorização, eu choro pelo aparelho, pela parede, pela fome na África, pelos buracos na calçada, pela propaganda partidária na TV, pela minha mãe, por causa de uma garota, porque tem dias que eu me sinto mais sozinho que o usual, por tudo.
Gabito Nunes.
Bem te quero. Bem me quero mais.
Eu quase que não vim. Mas toda vez é a mesma coisa e quando vejo já estou dentro do elevador, prestando atenção na luzinha vermelha trocando de andar. Depois eu fico me perguntando do porquê de vir, mas eu também faria o mesmo, me perguntaria, por que diabos eu não fui? Vou até a cozinha e ponho a chaleira no fogo. Deixei uma caixinha de Royal sabor hortelã por aqui e não estou achando em nenhum armário. Alguém tomou meu chá. Ele não toma chá. Pergunto quem esteve aqui tomando do meu chá e ele não responde. Ele não tem nada a dizer sobre isso. Pergunto como pode uma caixinha de chá evaporar e ele não diz nada. Só que estou exagerando. Já estou arrependida. “Depois eu te dou os cinco tostões do maldito chá, gata”, ele diz e eu o mando enfiar os trocados dele no próprio rabo. Não falo mais nada, não tem nada a ver com chá e ele sabe disso. É sobre as outras que vêm aqui. Ele acha que eu sou boba e não sinto o cheiro de vaca nos lençois. “Então, você veio aqui pra comer e tomar chá ou o quê?”. Na língua dele, “ou o quê” quer dizer ir para o quarto. Digo a ele que não sou uma boneca inflável e ele me responde com um risinho irônico e sacana de “tá bom”. Algumas vezes me pego fantasiando que esse é o jeito dele de mostrar que gosta de mim. Rude, corrosivo, fulminante. Tenho pra mim que todas essas historinhas que ele administra muito bem não passam de uma fuga. No fundo ele precisa que uma garota de coração bom passe suas camisas e dê um jeito nessa cara de menino sujinho. Um dia ele se toca, e eu quero estar aqui pra ver. Por isso não perco uma de vir. Ele me leva até o quarto pela mão, todo meloso e simpático e convincente. Eu sou maleável como a água e nunca consigo manter meu pé firme do chão. A cama, mais revirada do que eu, não me consola. Está fedendo a suor, cigarro, vinho choco, porra velha e perfume barato. Pra ele está tudo bem, talvez ele precise consultar um otorrinolaringologista, está na cara que ele está com algum problema de olfato. Ou é só caradura mesmo. A segunda hipótese não tem tratamento. Ele adora minha barriga, tem verdadeiro fascínio pelo meu umbigo. Ele vai descendo. Terminou, ele se sente mais aliviado e feliz por ter gozado num lugar estranho, onde possa vangloriar aos amigos depois e comparar com os vídeos obscenos que eles acessam. Eu nem aproveitei nada, não porque não deu tempo, mas porque não parei de pensar na outra coisa. No chá, nas outras, no corte de cabelo que eu ia sugerir se ele me desse voz de namorada. Ele fica um tempo olhando para o teto, admirado. “Não sei até que ponto vale a pena me debruçar na sua cama, alisar seus cabelos e esperar você sair desse coma sentimental”, eu penso. Aí ele levanta no pulo, se apruma pra tomar uma ducha e nem me convida pra ir junto. Não estou me sentindo legal. Não é uma questão de puritanismo, é mais uma questão de negociação. Eu adoro sexo, como adoro dinheiro, mas se eu fosse rica detestaria sentir as pessoas se aproximando de mim só por causa disso. Enquanto ele canta no chuveiro, eu fico contando nos dedos as vantagens que estou levando. Não consigo nada. Estou cheia de dedos. O idiota sai do banho colocando a camisa pra dentro das calças. Diz que tem uma formatura e esqueceu de me dizer. “Você achou o quê, que a gente ficaria o resto da noite agarradinhos como namorados? Achei que você estivesse de acordo que isso não é bem a nossa cara”. Isso. Me lambe, me prova, me abocanha. Me mastiga, regurgita e aí me cospe. E ainda tem coragem de arrotar na minha cara. Aparentemente, é assim que se faz. Mentimos quando queremos muito uma coisa. Mentimos quando não queremos mais uma coisa. Mas tudo bem, a vida é minha, eu deixo ele fazer o que quiser com ela. E pensar que tudo que eu queria era te levar para um passeio, quem sabe um beijo pisando na lua. Mas será meio impossível, se você não aceitar. Ele diz que está atrasado sem escutar meus muxoxos. Cada um faz o seu preço, e o meu foi uma carona idiota de volta pra casa. É menos do que ganha uma puta. Ele economizou um bom dinheiro hoje. Quando você fez tudo o que foi preciso e ainda assim não foi o bastante, é isso que eu chamo de impossível. Não adianta, é só teimosia, nosso amor só funciona na horizontal. Digo a ele que não preciso de carona merda nenhuma e vou andando até em casa. Eu preciso pensar. Na verdade, eu preciso não pensar. Tenho medo de descobrir coisas que não quero. E não dá outra, no trajeto eu me dou conta que eu sou sim uma garota inflável. Sempre quando eu acabo vindo, no dia seguinte eu me sinto flácida, murcha, vazia, embrulhada e guardada numa gaveta.
Gabito Nunes
Acabou? Bem, acabou. Vai doer hoje, amanhã e talvez doa por meses seguidos. Mas como toda dor, vai passar. E tu vai ver que sua vida não dependia disso, tua existência não dependia disso. Não adianta ficar chorando e esperando que tudo melhore sem se esforçar para isso. Amar alguém nunca é um erro e muito menos pecado, amar é dádiva. Muitos querem esse dom que poucos têm. Então, levante essa cabeça e espere acontecer de novo. Porque eu te garanto, será bem mais intenso, até mais dolorido. Mas tudo depende de como você lidar com isso. E até lá, meu jovem, leve tudo isso como aprendizado.
André Vinícius.
Sabe, quando a gente tem vontade de encontrar a novidade de uma pessoa, quando o tempo passa rápido quando você está ao lado dessa pessoa, quando dá vontade de ficar nos braços dela, e nunca mais sair. Sabe, quando a felicidade invade quando pensa na imagem da pessoa, quando lembra que seus lábios encontraram outros lábios de uma pessoa, e o beijo esperado ainda está molhado e guardado ali em sua boca. Que se abre e sorri feliz quando fala o nome daquela pessoa, quando quer beijar de novo muitos lábios desejados da sua pessoa, quando quer que acabe logo a viagem que levou ela pra longe daqui.
Nando Reis.
Eu tenho medo de acreditar em você, de te desejar tanto, tanto, e acabar descobrindo que eu ainda tenho um coração e que ele ainda pode amar muito alguém. Não, eu digo a mim mesma, eu não vou me apaixonar e nem desejar saber tudo ao seu respeito, querer conhecer sua mãe e ser apresentada aos seus amigos. Você não sabe, mas quando eu chego em casa eu repasso cada palavra que você disse, cada gesto que você fez, cada beijo seu e me pergunto se vale mesmo a pena. E, o pior, é que vale.
Tati Bernardi.
Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves, certos momentos nem o tempo apaga. E a gente lembra. E já não dói mais. Mas dá saudade. Uma saudade que faz os olhos brilharem por alguns segundos e um sorriso escapar volta e meia, quando a cabeça insiste em trazer a tona, o que o coração vive tentando deixar pra trás.
Caio Fernando Abreu.
Hoje a tristeza não é passageira. Hoje fiquei com febre a tarde inteira e quando chegar a noite cada estrela parecerá uma lágrima. Queria ser como os outros e rir das desgraças da vida, ou fingir estar sempre bem, ver a leveza das coisas com humor. Mas não me diga isso, é só hoje e isso passa. Só me deixe aqui quieto. Isso passa, amanhã é um outro dia, não é? Eu nem sei por que me sinto assim. Vem de repente um anjo triste perto de mim. E essa febre que não passa. E meu sorriso sem graça. Não me dê atenção, mas obrigado por pensar em mim. Quando tudo está perdido, eu me sinto tão sozinho. Quando tudo está perdido não quero mais ser quem eu sou.
Legião Urbana.
E lá vem ele dizer que meu cabelo sujo tem cheiro bom. E que já que eu não liguei e não atendi, ele foi dormir. E que segurar minha mão já basta. E que ele quer conhecer minha mãe. E que viajar sem mim é um final de semana nulo. E que tudo bem se eu só quiser ficar lendo e não abrir a boca. Com tanto potencial pra acabar com a minha vida, sabe o que ele quer? Me fazer feliz.
Tati Bernardi.