— pieces of a puzzle;;
smxrtprincess‌:
NĂŁo havia uma palavra melhor para descrever o que Saeron estava sentindo sobre a outra garota do que intrigada. Era ativista dos direitos humanos, mas mesmo assim estava julgando todas aquelas pessoas sem conhecĂŞ-las… NĂŁo podia falar que tinha uma boa experiĂŞncia com sobrenaturais. Na realidade, possuĂa absolutamente nenhuma; sĂł ouvia rumores, pessoas dizendo que nĂŁo eram confiáveis e que eram agressivos. A teoria havia sido sustentada atĂ© ali por todos os olhares hostis que recebeu, mas tinha acabado de perceber que nĂŁo havia feito nada diferente do que abomina; ter preconceito. Assim como infelizmente boa parte dos humanos tinham com a sua orientação sexual. Eles tinham medo do diferente.
Se sentiu envergonhada, mas nunca iria admitir aquilo; seu orgulho era grande demais para isso. Apenas pararia de achar coisas estúpidas de seres que não tinha absolutamente nenhum conhecimento sobre. Não ter conhecimento, de fato, era uma das coisas mais sufocantes para a loura; valorizava a inteligência como uma das coisas mais importantes da vida, e a ignorância como uma das piores. A regra era clara para todos: seres humanos ali, sobrenaturais para lá. Era simplesmente tão óbvio e Saeron não tinha dado atenção para isso. Não era como os outros, e de maneira nenhuma gostaria de ser. “Prazer, Ahrin. Sim, eu sou a Saeron.” Deu um riso sarcástico ao saber que ela já sabia quem era, mas não por ter achado aquilo rude e sim por estar internamente desconfortável com a situação. Nunca foi do tipo que gosta de estar no centro das atenções. Sim, gosta de ter seus esforços reconhecidos, mas na maior parte do tempo em suas escolas antigas, era apenas “a nerd” e não “a nerd humana completamente maluca”. Bem, não era como se pudesse fazer muita coisa sobre isso. “Tudo bem, eu já imaginava que seria assim… Não é todo dia que uma humana sem medo da morte aparece por aqui. De qualquer forma, não me arrependo. E muito obrigada pelas boas-vindas.” Deu um sorriso, se sentindo realmente tocada pela gentileza alheia - nunca esperaria por isso.
Observando o rosto de Ahrin… Podia ver a razĂŁo de tanto medo do desconhecido que os humanos tinham. Ela possuĂa uma beleza descomunal, alĂ©m da humana comum, porĂ©m tambĂ©m tinha algo de ameaçador em sua aparĂŞncia e no modo como se portava. Era como se seus olhos dissessem “vocĂŞ nĂŁo vai querer ver as consequĂŞncias de me irritar.” NĂŁo que Saeron fosse se importar… Quer dizer, claro que ia! Ă“bvio. Enfim… Começou a se perguntar o que alĂ©m da beleza a distinguia de meros mortais. Existiam tantas possibilidades que chegava a ser quase intimidante. Se nĂŁo fosse do tipo pensar antes de falar, teria deixado a pergunta indelicada escapar de seus lábios. Tratou de desviar o olhar da morena com relutância; ela era certamente fascinante, mas analisá-la daquele jeito nĂŁo estava sendo nada respeitoso. “EntĂŁo, hm… Quer realmente ser minha dupla? NĂŁo acho que eu tenha uma boa reputação aqui.” NĂŁo acho que qualquer humano teria uma boa reputação aqui.
Estaria mentindo se dissesse que nada na frieza do riso sarcástico de Saeron a incomodara, pronta como estava para simplesmente pegar suas coisas e se afastar; no entanto, não se chocara. Já estava preparada para reações amargas — francamente, aquele primeiro contato já estava indo melhor do que ela poderia esperar, mesmo que ousasse em suas expectativas. Não imaginara que seria amor à primeira vista ou que se tornariam melhores amigas, ou simplesmente amigas; só acreditava que podia tornar aquela aula um pouco mais tolerável para ambas. Precisavam de uma dupla, de qualquer forma.
Logo seu incĂ´modo foi esquecido, substituĂdo por um fascĂnio intrigado enquanto Saeron seguia a falar com tamanha determinação, tĂŁo segura de si. Obviamente já sabia que a humana era, no mĂnimo, uma figura peculiar, uma peça rara, mas agora tinha uma prova cristalina. Ela parecia exalar o tipo de fortaleza que Ahrin aspirava a ter. — É… realmente — pegou-se abrindo um sorriso em espelho ao da outra, quase imersa na visĂŁo que brilhava de forma aparentemente sincera. Ela era muito linda mesmo. E seu cĂ©rebro tinha de parar de repetir aquilo… mas ela era linda. TĂŁo linda que Ahrin sentia-se tentada a permitir admirá-la em silĂŞncio, sĂł um pouquinho. Tinha que se controlar. — NĂŁo há de quĂŞ. Eu realmente espero que isso valha a pena pra vocĂŞ — rezou silenciosamente para que Saeron nĂŁo interpretasse suas palavras erroneamente. Era um desejo sincero; se tivesse escolha, ela prĂłpria permaneceria bem longe daquela escola, porĂ©m sabia por que alguĂ©m almejaria ter acesso Ă quela educação. Já que chegara atĂ© ali, esperava que Saeron nĂŁo sentisse que desperdiçara seu tempo; alĂ©m de quĂŞ, de uma maneira egoĂsta, adoraria ver aquele lugar virado de cabeça para baixo. AlguĂ©m da raça humana estava longe de ser a subversĂŁo ideal, mas ainda seria interessante de se assistir.
Foi sua vez de rir sarcasticamente, um tanto divertida. Saeron realmente não fazia ideia sobre ela, fazia? Bom, era lógico, considerando que provavelmente ninguém havia se disposto a recebê-la e apresentar-lhe a escola — conveniente para Ahrin. — Vai por mim, você não é a única aqui, então…  — deixou seu material sobre a mesa. — A não ser que já tenha se localizado e prefira fazer sozinha — como uma instituição que, na prática, era feita por e para seres sobrenaturais, as aulas de História, como todas as outras, davam enfoque para a sua versão, incluindo, excluindo ou alterando determinados eventos em comparação à tradição humana. Era a história dos povos fae, suas guerras, suas conquistas, suas construções, seu apartheid, sua resistência, e as verdades que os humanos escolhiam apagar ou distorcer. — Suponho que você tenha ouvido a proposta do trabalho?















