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@inquietosilencio
A herança que você nunca viu
Às vezes penso que você partir me obrigou a nascer de novo.
Não porque eu estivesse pronta.
Mas porque alguém precisava assinar papéis, tomar decisões, segurar a família quando todo mundo também estava tentando não desmoronar.
E, sem perceber, fui deixando de ser apenas filha.
Aprendi a resolver. A proteger. A carregar pesos que eu nunca imaginei que seriam meus.
Hoje olho para trás e vejo uma pessoa que talvez eu nunca tivesse conhecido se a vida não tivesse me empurrado para esse lugar.
Tenho uma força que não sabia que existia.
Uma coragem que apareceu porque não havia alternativa.
E isso me parte o coração.
Porque a pessoa com quem eu mais gostaria de compartilhar esse crescimento
não está mais aqui.
Às vezes imagino como seria minha vida se você ainda estivesse aqui.
Talvez eu fosse mais leve.
Talvez menos forte.
Talvez ainda encontrasse em você o lugar para onde correr quando o mundo pesasse demais.
Nunca vou saber.
E talvez seja isso que mais dói.
Não é o fato de eu ter crescido.
É saber que esse crescimento custou você.
Quando falam em herança, pensam naquilo que ficou.
Mas a maior herança que recebi não foi uma casa, nem um sobrenome, nem responsabilidades.
Foi uma nova versão de mim.
Uma pessoa que aprendeu a continuar, a decidir, a cuidar, a sustentar.
Uma pessoa que eu gostaria tanto que você tivesse conhecido.
Porque toda conquista ainda desperta o mesmo impulso:
"Preciso contar isso para o pai."
E logo depois, o silêncio.
Eu gosto da pessoa que me tornei.
Só queria, com todo o coração,
que ela pudesse ter existido sem precisar perder você.
Continuação – Uninvited (II)
And maybe it was never about you seeing me at all.
Maybe I was the one waiting at the wrong door, knocking softly where I was never meant to enter.
I thought I had to be louder, clearer, easier to read
but my feelings were never the problem.
They were simply not yours to receive.
And now I wonder what it would feel like to be met without trying so hard to be understood.
To be seen not by insistence, but by presence.
Sempre entre
Nos “entres” em que me embolo, entre conversas, entre o cheiro da tua pele e cabelo, entre mãos entrelaçadas, entre teus braços, entre espaços e silêncios, entre o que é e o que poderia ser (ou não),
entre confissões e beijos, entre o tempo que era mais “sim” e virou mais “não”,
os “entres” que me confundem.
Se fosse lógico, estaria tudo bem, mas o que fazer quando se vive entre meios e incertezas?
quando o “entre” é o único lugar onde algo ainda existe? E talvez seja o máximo que irá existir?
Mas, se alguém consegue ver em mim aquilo que eu não mostro, terá encontrado em mim algo que pertence somente a essa pessoa.
- Desconhecido
Opening Line
Opening line just to make it right just one more try
words carefully placed as if they could undo what silence already decided
I hesitate not because I have nothing to say, but because I’ve said enough before
and still, something in me leans forward
just one more time
Uninvited
Used to think you can see through me that your smart mind and your curious eyes could uncover me used to be scared of it, but also long it, believed if you lay eyes on me, you would know it, all my secret feelings in my pouring eyes, just to realize I could never make you see it, even if I wanted, even if I try harder and harder, I could simply not reach you and my feelings would always be uninvited.
Nunca, mas ainda assim
O silêncio ensurdecedor, ausência presente, decorei os defeitos do teto, tentando evitar o que penso (ou o que sinto), a falta preenche tudo, é sufocante
e ainda assim sinto saudade
de um nós que só existiu no espaço entre expectativa e ilusão
e dói como se tivesse sido real
porque, de alguma forma, foi, mesmo que só para mim