O que Jaehyun nunca iria entender era o conforto em sua forma de bolo juntamente com a forma de lobo do outro que era o dono da moradia onde ambos habitavam. Por isso, ele apenas deixou-se levar pela direção de onde Intae estava seguindo, tentando fazer o mesmo, grudando seu focinho ao chão, vendo qualquer cheiro que talvez pudesse reconhecer. Se o alfa não fosse tão ruim em reconhecer cheiros e também não tivesse a condição do mal tempo, Jaehyun talvez pudesse saber o que viria acontecer. Mas, de certo, ele não poderia fazer muito mais do que fez em um momento de desespero. O alfa estava longe demais para fazer seu melhor, o que podia ter salvado a si mesmo.
Porém, seus olhos só conseguiram ver o que já estava acontecendo. Tudo foi muito rápido. O alfa perdeu o fôlego assim que reparou nos olhos de Intae. A terra moveu-se na direção do chão, juntamente com a gravidade. A encosta parecia agora ser um perigo mortal, pois, se não pudesse segurar toda aquela terra, de que adiantaria? O coração de Jaehyun começou a saltar pelo seu peito, mas, ele deu um jeito de se aproximar rapidamente do corpo do beta, sem machucados. Sua boca agarrou o pescoço do beta e conseguiu puxá-lo para cima, fincando os pés para poder aguentar o peso do outro. Esse tinha sido seu erro. Pois, assim que conseguiu lhe dar um sorriso de alívio, pode sentir, o episódio não tinha acabado. A terra moveu-se na mesma direção de antes, fazendo com que seu corpo caísse também, mas, não o de Intae que permaneceu na ponta da encosta. Seu peso tinha feito todo o trabalho de fazer aquela parte cair pelo desfiladeiro, levando Jaehyun junto. Sua visão ficou embaçada assim que atingiu um solo mais firme, um pouco abaixo de onde Intae estava. Um granido fino saiu de sua boca por causa de uma pedra enorme que atingiu o seu corpo, o deixando completamente inutilizado para andar ou se mover. A dor latejava, tirando qualquer vestígio de bem-estar do alfa.
se é real o que dizem sobre a vida passar de antes os olhos, intae não poderia dizer. pois sua mente, por nenhum momento, tem paz ou contenta-se com o fim. por nenhum momento pensa que está morrendo, mas sim que vai morrer. e tem uma enorme diferença entre estes dois. o no primeiro, não se faz muito e menos ainda se pode fazer. talvez por isso venha o flashback. no segundo, você pode fazer algo. é quando surpreendemos à nós mesmo com a capacidade de fazer coisas que nunca imaginaríamos poder, tudo porque queremos viver. intae naquele momento tem, então somente uma coisa em mente: não morrer. para isso, não cair. então as patas doem, bem como as unhas que parecem querer levantar, mas ele não para de tentar subir. e quando os dentes grandes apertam a carne grossa de seu pescoço, e briga contra seu próprio peso ao que tenta puxa-lo para cima, intae não sente um dor sequer, completamente sob adrenalina e o instinto de sobrevivência. sendo médico, sabe que qualquer dor seria sentida somente depois, quando o coração parasse de querer sair pela boca. quando simplesmente parasse. esse momento, no entanto, não aconteceria tão cedo.
não há tempo para sequer processar o quê havia acontecido; o quê havia acabado de passar por. o alfa que o salva, de repente torna-se a vítima. talvez uma precaução fria aquela qual intae impediu-se de tentar segurar jaehyun. no entanto, sabia ele que os dois cairiam se fizesse. o beta, então, deixa o outro cair e corre para longe. não, não embora. intae corre pela borda à procura de um lugar para descer sem cair. ele derrapa durante o caminho, e se bate e salta, mas nada o faz parar até que pudesse estar sobre o mesmo plano qual o corpo de jaehyun teria terminado. não para mesmo quando o avista; não poderia. o coração parece atrasar uma batida quando vê a pedra sobre parte do lobo escuro e intae quer não pirar, de verdade, mas há uma grande razão para que médicos não possam atender familiares e afins. uivar é a única coisa que consegue fazer naquele momento (e faz alto, afinal, é para ser ouvido) — é uma mistura de tal som com ganidos e gemidos quando o nariz cheira e assopra pela cara do alfa. ele empurra o outro com o focinho, querendo qualquer reação.
na verdade, ele precisa se acalmar. intae para. os olhos astutos tentam deixar a razão vencer e ter pulso, assim como fizera com daehyun (e não, não pode perder jaehyun também), mas termina com as unhas afundando a terra enquanto empurrava a pedra para fora com o corpo. não muito dela está sobre jaehyun até que nada mais está. os dentes então prendem o outro pelo pescoço e tenta puxa-lo; arrasta-lo para mais longe da pedra. mais uma vez, intae uiva (alto, ainda ninguém de sua matilha veio, mas para eles que uiva) e gane; fareja e sopra. ele se deita e a cabeça apoia-se sobre o pescoço alheio — é assim, então, que ele consegue enfim deixar o coração acalmar, pois consegue sentir a pulsação alheia. aquela quietude é quebrada quando o corpo passa a se contorcer, à produzir pequenos sons de ossos e dar lugar ao corpo nu do médico deitado no chão, intae se arrasta para perto de jaehyun, pouco dando atenção ao próprios hematomas e arranhões, e apoiando a palma sobre o rosto do alfa. — hey, hey. tente voltar à forma humana, jaehyun. eu preciso de você na forma humana. por favor.