se é real o que dizem sobre a vida passar de antes os olhos, intae não poderia dizer. pois sua mente, por nenhum momento, tem paz ou contenta-se com o fim. por nenhum momento pensa que está morrendo, mas sim que vai morrer. e tem uma enorme diferença entre estes dois. o no primeiro, não se faz muito e menos ainda se pode fazer. talvez por isso venha o flashback. no segundo, você pode fazer algo. é quando surpreendemos à nós mesmo com a capacidade de fazer coisas que nunca imaginaríamos poder, tudo porque queremos viver. intae naquele momento tem, então somente uma coisa em mente: não morrer. para isso, não cair. então as patas doem, bem como as unhas que parecem querer levantar, mas ele não para de tentar subir. e quando os dentes grandes apertam a carne grossa de seu pescoço, e briga contra seu próprio peso ao que tenta puxa-lo para cima, intae não sente um dor sequer, completamente sob adrenalina e o instinto de sobrevivência. sendo médico, sabe que qualquer dor seria sentida somente depois, quando o coração parasse de querer sair pela boca. quando simplesmente parasse. esse momento, no entanto, não aconteceria tão cedo.
não há tempo para sequer processar o quê havia acontecido; o quê havia acabado de passar por. o alfa que o salva, de repente torna-se a vítima. talvez uma precaução fria aquela qual intae impediu-se de tentar segurar jaehyun. no entanto, sabia ele que os dois cairiam se fizesse. o beta, então, deixa o outro cair e corre para longe. não, não embora. intae corre pela borda à procura de um lugar para descer sem cair. ele derrapa durante o caminho, e se bate e salta, mas nada o faz parar até que pudesse estar sobre o mesmo plano qual o corpo de jaehyun teria terminado. não para mesmo quando o avista; não poderia. o coração parece atrasar uma batida quando vê a pedra sobre parte do lobo escuro e intae quer não pirar, de verdade, mas há uma grande razão para que médicos não possam atender familiares e afins. uivar é a única coisa que consegue fazer naquele momento (e faz alto, afinal, é para ser ouvido) — é uma mistura de tal som com ganidos e gemidos quando o nariz cheira e assopra pela cara do alfa. ele empurra o outro com o focinho, querendo qualquer reação.
na verdade, ele precisa se acalmar. intae para. os olhos astutos tentam deixar a razão vencer e ter pulso, assim como fizera com daehyun (e não, não pode perder jaehyun também), mas termina com as unhas afundando a terra enquanto empurrava a pedra para fora com o corpo. não muito dela está sobre jaehyun até que nada mais está. os dentes então prendem o outro pelo pescoço e tenta puxa-lo; arrasta-lo para mais longe da pedra. mais uma vez, intae uiva (alto, ainda ninguém de sua matilha veio, mas para eles que uiva) e gane; fareja e sopra. ele se deita e a cabeça apoia-se sobre o pescoço alheio — é assim, então, que ele consegue enfim deixar o coração acalmar, pois consegue sentir a pulsação alheia. aquela quietude é quebrada quando o corpo passa a se contorcer, à produzir pequenos sons de ossos e dar lugar ao corpo nu do médico deitado no chão, intae se arrasta para perto de jaehyun, pouco dando atenção ao próprios hematomas e arranhões, e apoiando a palma sobre o rosto do alfa. — hey, hey. tente voltar à forma humana, jaehyun. eu preciso de você na forma humana. por favor.
O tempo no qual Jaehyun ficou inconsciente foram quase como horas dentro de sua cabeça. A viagem pelo qual estava passando, deixou-o estasiado. Primeiro, ele viu Daehyun com aquele sorriso largo de que tanto adorava, os dois praticavam a transformação com avidez, mas, era óbvio, o mais velho nunca perdia o semblante alegre, nem mesmo quando a falha era iminente. Jaehyun sempre se sentiu um tanto mal por ter uma inveja do seu bom humor, mas, de certo, Daehyun tinha inveja da forma com que o irmão mais novo era despreocupado. Aliás, os gêmeos poderiam ser considerados como yin e yang, diferentes pessoas que se completavam a todo o momento. E mesmo assim, parecia que nunca o balanço estaria equilibrado, agora, sem o irmão. Até mesmo em sua “visão”, Daehyun tinha um aspecto fraco, doentio, as olheiras apareciam mais que o normal. E de verdade, era assim a aparência do alfa mais velho o tempo todo.
No lado de fora, Jaehyun não fazia nenhum movimento, ao menos sentiu todos os estímulos de Intae ou os sons do beta. A sua foma de lobo tão majestosa parecia apenas a carcaça de um animal morto. No entanto, ele não poderia estar morto. Ou estava? Jaehyun só via imagens delirantes em sua mente, a dor tinha sido tão grande que o nocauteou de uma forma impressionante. Podia-se concluir que havia uma ferida pois saia sangue de onde o pedregulho furou a pele tão rósea do alfa, agora jazia em um tom mais escarlate. Jaehyun provavelmente iria ficar alguns dias em casa com a perna pro alto para melhorar, mas, de certo não iria ligar já que sua intenção foi a que importou. Mesmo acabando de ser a vítima, antes ele foi o salvador. Pois, sua sorte foi não ter sido atingido com uma violência maior, se não, poderia ter perdido a perna inteira.
Porém, o que o fez voltar ao normal e sentir a dor escruciante vinda da perna direita foi a voz de Intae. Pode-se terem demorado horas ou alguns minutos, não havia certeza. O que lhe interessava era apenas a voz desesperada do beta falando para que o outro tentasse mudar de forma. Jaehyun nunca tinha tentado mudar de forma em um estado tão deplorável, mas, ao tentar, ele fez um som esganiçado e logo depois choramingou. A dor o impedia de fazer alguma coisa, mas, de certo entendia que o esforço poderia valer a pena, pois, Intae conseguiria curar sua forma de humano mas não adiantaria de nada a sua forma animal. O choro veio no meio da transformação, mas, com muito esforço, Jaek conseguiu chegar ao princípio de usa forma humana, esboçando uma pele mais pálida que o normal e lábios arroxeados. Os cabelos grudaram-se na testa e seus olhos focaram-se no beta por alguns segundos antes de respirar fundo. -- Vo... Você está bem?