23 de Julho, 2018
Olha, que saco, viu? Bem que eu disse que a gente ia se entregar outras vezes por ai, mas hoje é diferente. Sentei no sofá da sala e só quis sair por ai. Amanhã eu to naquele shopping perto de onde a gente se via, perto da minha casa. Amanhã eu to naquele estacionamento pra pensar na vida e rir dessa merda toda. Amanhã eu to pensando em te ligar e lembrar da história do lençol. Amanhã eu to no hoje me envolvendo num agora que aconteceu faz tempo.
Se quiser dar um pulo e rir de como eu usava o meu cabelo, falar de quando você me pegou no colo ou me explicar as nossas idas ao cinema que nunca aconteceram. Se quiser sentar naquela escada que o segurança nunca vê e me contar o que eu quiser saber.
No meu fone vai ta tocando MPB, Caetano Veloso que eu sei que você curte. Eu fico leve e as vezes ate canto afinada e lembro do teu violão. E lembro da gente, sem intenção nenhuma, só de quem eu era.
Hoje eu quis arrumar um lugar legal pra escrever. Esse escuro é deprimente e a energia alheia me confunde. Porra, e a tua companhia, cara? Eu não te fazia bem? Que se foda que eu te xinguei aquele dia, você pode sumir outra vez.
Agora as pessoas gostam de fumar e beber. Elas gostam das festas e pernoitar, das mãos bobas e de fazer um sexo estranho que não tem nem razão. Elas se apertam e se esfregam sem parar e abrem a camisinha com os dentes que nem você fazia. É nojento.
Naquela época a gente ouvia músicas numa rodinha e se via agora que quisesse. Você aparecia quando eu te procurava e eu fingia que não ligava quando você sumia. Que droga, você sumiu.
Esses textos são cada vez mais específicos. Antes eu gostava de entrar na cabeça nas pessoas e fazer disso um sentimento comum, mas que se foda. Ninguém nunca entendeu, então cada um que lide com seus demônios.
Amanhã eu to lá. Sentada pra me lembrar daquela história de Janeiro, com uma saudade imensa da gente, mas não de você. Então fica ai com o teu brinquedo novo e as provocações. Que se dane, eu sempre fiz tudo sozinha














