3 de fevereiro de 2017
Mudei minha vida dia trinta de janeiro. Talvez, por ironia do destino, isso tenha acontecido para quando chegasse dia trinta e um minhas lembranças não me maltratassem mais. Porque você se lembra o que houve nessa data e a importância que teve, mas agora já é um dia qualquer.
Mas estou longe de tudo e todos que me lembram nós dois e mesmo assim não posso deixar de escrever, é uma ironia enorme. No dia trinta e um de janeiro eu estava aqui. ouvindo músicas novas e dormindo em outro quarto para no próximo mês receber notícias suas e ver que não tenho mais posse de nada sobre você. No dia trinta e um estava tirando minhas roupas das malas e colocando meus diários em uma gaveta diferente daquela que tentava abrir sempre que tinha a oportunidade só para saber o que se passava na minha cabeça. Então, na primeira data que tinha marcado nós dois no ano de 2016, eu estava aqui. Bem longe e conhecendo gente nova.
Você está na sua vida de sempre e por isso deve se lembrar da gente sempre que for àquele cinema, sempre que estiver ao telefone e alguém cantarolar alguma música que não conhece, sempre que alguém chorar por sua causa. Mas eu já lhe deixo avisado, que ninguém vai ser igual a mim. Ninguém vai fazer o que eu fiz e nem insistir como eu insisti, muito menos entender seu jeito confuso. Ninguém vai entender seu ciúme, sua mania de deixar o cabelo crescer, o fato de socar paredes ou chorar quando algo não dá certo, sua implicâncias só para ver a pessoa irritada, o jeito como é carinhoso e grosso ao mesmo tempo, como não gosta de ser acusado, como tem medo de que as coisas saiam do eixo, o fato de achar que está sempre certo e não se abre com medo de se machucar, como gosta de recuperar as coisas que perdeu graças a uma causa perdida, como funciona bem com pressão e quando duvidam de ti ai que é a coisa é bem executada, Ninguém vai reparar aquele dente torto de um sorriso imperfeito e lindo, aquele machucado na sua mão que você conta uma história, mas nem sabe como ele foi parar lá. Ninguém vai perceber que não tem paciência para acompanhar séries e que diz que não gosta de filmes de romance, mas a verdade é que se debulha em lágrimas ou a tática de dizer que mudou só para não demonstrar que as mudanças não tiraram o brilho dos seus olhos. Mas infelizmente, tem um costume ruim de ferir as pessoas por não ter o hábito de perdoar e dar uma segunda chance.














