O silêncio é um amigo que nunca trai.
Confúcio

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O silêncio é um amigo que nunca trai.
Confúcio
Ócio.
Não é ótimo quando, ao chegar a noite de sexta-feira, você percebe que não tem nenhum compromisso marcado para o fim de semana todo e pode dedicar o tempo a "recarregar as energias" e ler um livro, com uma música suave ao fundo, sem que ninguém venha incomodar?
Muita gente até pode pensar que uma situação dessas é entediante, cansativa e até deprimente, mas a questão fundamental na mente introvertida é que uma folga solitária obviamente não necessita de contato com outras pessoas. E quer coisa melhor para um introvertido que poder ficar quieto por um bom tempo? Não significa que o silêncio seja eterno, apenas é saudável.
Claro, há momentos na vida que fazemos uma "hibernação social", mas isto é assunto para outro texto.
Timidez.
Uma estranha sensação toma conta de alguns ao se depararem com situações que exigem interação imediata com um número reduzido de pessoas totalmente desconhecidas. Uma sensação ruim, desagradável e visivelmente constrangedora: a timidez.
E, de certa forma, podemos resumir a timidez como um temor, não de pessoas, e sim de uma possível reação após um possível deslize de um possível diálogo. Assim, calcula-se toda palavra a ser proferida, os olhares, o comportamento em geral, e assim ocupa-se todo o tempo necessário para agir de fato no planejamento do ato.
Claramente pode-se dizer que a única solução seja a mudança de atitude, e não é errado. A questão é que mudanças comportamentais não são tarefa fácil; muito pelo contrário, é uma mudança gradual, lenta, dolorosa e desgastante para enfim se obter sucesso, e muitos não estão dispostos a trilhar estes caminhos.
Ônibus.
Por que aquele lugar ao canto do ônibus parece tão convidativo, tão agradável? Como se fosse um refúgio, e simultaneamente um lugar que e possível escapar sem ser rodeado por tudo e todos. Não, não é misantropia. É simplesmente uma preservação da privacidade. E, de certa forma, preservação da liberdade também.
Estar encurralado é aterrorizante. Não ter como fugir, ou simplesmente não conseguir sair por pura e espontânea vontade. E para evitar algo do gênero que aqueles lugarzinhos aos cantos se tornam perfeitos. Assim como a proximidade das portas de desembarque. Afinal, nada mais agradável do que escapar rapidamente de um local desconfortável.
Escrita.
Escrever é uma virtude. A criatividade flui, as falhas da comunicação oral podem ser corrigidas sem grande esforço, os pensamentos podem ser organizados de forma mais coerente. Potenciais idiotices fúteis podem ser riscadas antes mesmo de deixarem o campo das ideias. Isso é fantástico.
Muitos preferem uma conversa, e eu até entendo (ao menos tento entender). A espontaneidade também tem seus lados bons. Mas, em minha incapacidade de lidar de forma apropriada com situações coloquiais me faz preferir a escrita. Mais rebuscada, mais elegante. Uma maneira de perpetuar ideias, e lapidá-las mesmo após a primeira externalização.
Conversas me deixam confuso, ansioso para responder adequadamente todas as frases, e isso causa um stress no meio do processo, o que dificulta ainda mais o sucesso da comunicação.
Na escrita não temos este problema. Sempre é possível dar tempo ao tempo, e sintetizar o turbilhão de palavras que surgem a cada ideia formulada. Não é à toa que discursos são escritos previamente. Os conceitos não ficariam tão claros e objetivos caso o discurso fosse imediato, sem preparo.
Talvez eu prefira a escrita por falhar na fala.