...alguém me faz um elogio depois de um dia difícil.

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...alguém me faz um elogio depois de um dia difícil.
He thinks he’s people.
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Resumo dos meus dias.
Ontem foi nossa primeira entrega oficial fora de Fco. Beltrão! Agradecemos a preferência e a confiança no nosso trabalho! Obrigada Cleci e família #kitfesta #delicias (em Pato Branco, Paraná, Brazil)
Just a reminder
yep
Bom dia, raio de sol.
Jabuticaba doce. Lugar mais doce ainda <3 (em Nova Esperança do Sudoeste)
Pedacinhos de primavera pelo caminho.
Feliz dia das Crianças <3 #pratinhoretro #doceinfancia #amordemae
Essas provas aí.
Grated grilled cheese
Omg
Tenho curtido tanta food porn nesse tumblr que me sinto 29kg mais gorda a cada rolagem.
Eu odeio o curso de Medicina
Sim, é isso mesmo. Sou estudante do 6° ano do curso de Medicina da UFSC, e posso dizer com toda certeza do mundo, que odeio esse curso. Mas preciso deixar claro: sou apaixonado pela medicina enquanto profissão, enquanto prática humanizadora. Dito isso, preciso reafirmar para que não haja dúvida: o curso de medicina, me desperta um asco incomparável. Listo aqui alguns dos motivos.
O principal problema do curso de medicina, está na minha absoluta falta de identidade com a maioria esmagadora dos estudantes e professores que fazem parte desses 6 anos. Pra alguém que nasceu e conviveu com a periferia campinense, e sempre teve amigos mais próximos da realidade, foi foda entrar num lugar e dar de cara com a pequena burguesia branca catarinense. A primeira sensação foi de total desconforto, mas com o tempo e com a militância do ME, fui encontrando meus pares. A parada é que esses pares são a exceção. O que me leva a outro problema.
Por esse perfil do estudante de medicina (e dos professores), que não se deparou ainda com a realidade na qual a enorme maioria de nós estamos submetidos, ele tende a ter a empatia que lhe é peculiar. O racismo, machismo, LGBTfobia são cotidianos nesse curso. São incontáveis as denúncias de assédio moral de professor (seletivo por raça e gênero, é claro), assédio moral de atléticas e centros acadêmicos coniventes, e até mesmo (e mais graves ainda) supostos militantes de esquerda ligados à movimento estudantil nacional sendo denunciados por situações bizarras.
Claro que essa não é a realidade específica do curso de medicina, essa é a realidade social, porém na medicina isso toma um caráter peculiar pelo fato de a ideologia dominante nas escolas médicas partir de um pressuposto: a medicina está acima e à parte da sociedade. Quantas vezes colegas já não usaram a frase: “os médicos não são racistas, a sociedade que é” como se essas duas entidades fossem separadas. Não foram uma nem duas vezes que vi mulheres negras serem largadas a esmo nos centros obstétricos em que estagiei, enquanto mulheres brancas tinham toda a atenção das equipes! Não foram uma nem duas vezes que ouvi comentários do tipo “boa coisa não estava fazendo”, “ta aqui atrás de atestado” , “deixa esperar mais um pouco” na maioria das vezes quando o paciente era negro e/ou pobre! Quantas vezes já não reparei olhar de reprovação de colegas e preceptores para o meu cabelo, para minha barba, para minha roupa?
Um amigo preto é brutalmente violentado e algemado em uma festa da medicina, e a turma organizadora é conivente e tenta silenciar o caso. Um otário da medicina UFRJ compartilha foto extremamente racista, gordofóbica e misógina e ameaça militantes negrxs com o uso do poder judiciário, que sabemos muito bem a quem serve. Estudantes fazem blackface a rodo e nada, absolutamente nada acontece. Não é fácil conviver com essa realidade que é tão vívida durante a graduação.
Mas esses não são os únicos motivos pra esse sentimento de ódio e desamparo, existe outro, menos importante mas com impacto enorme na nossa percepção: o currículo. Diante de um cenário assustador do sistema de saúde, da falta de acesso de uma massa negligenciada de trabalhadores, de falta de recursos pra saúde pública, de um lobby da indústria da doença (farmacêutica, planos e seguradoras, exames de imagem, laboratórios, etc) sobre o poder executivo, legislativo e judiciário, o que se vê nos currículos de medicina é um total distanciamento com todas essas questões.
Malemal sabemos fazer medicina generalista, que dirá crítica. Hoje, fazendo minha graduação em uma escola supostamente avançada na qualificação generalista, com um bom aporte de carga horária na atenção básica, ainda sim consigo observar o quanto temos pra avançar. No sexto ano, portanto no internato, ainda somos forçados a passar por estágios super especialistas sem o menor fundamento pedagógico, numa clara demonstração de falta interesse pela qualidade do que se aprende, ou para o reforço do ego de alguns especialistas que acreditam que a solução para os problemas do mundo é a sua especialidade focal e centrada na doença.
E meus colegas? Bom, há de se imaginar como eles se posicionam diante disso: submissos, passivos e dóceis. Se não pelo assédio moral e pela hierarquia escravagista dentro dos hospitais-escola, pelo desejo individualista de ser um especialista focal (ao mesmo tempo que compartilham #LutoPelaSaúde e #ForaCubanos). Dos comentários mais comuns que se ouve ao problematizar a função pedagógica de algum estágio inútil (que são INÚMEROS), os mais comuns são: “você reclama demais”, “eu achei legal” , “ai mas a gente tem que conhecer a especialidade”. Esse tipo de comentário não só revela um completo analfabetismo político, mas também uma falta de perspectiva prática: a maioria vai trabalhar em Atenção Primária ou em Emergência antes de seguir sua especialidade, logo não faz muito sentido ficar perdendo semanas em estágios que não dão nenhuma contribuição para a formação nessas áreas.
Por isso essa sensação de asco, de desamparo, de descrédito. Que vai se manter até a formatura, e sendo bem realista: não vai acabar depois dela. Mas pelo menos terei a oportunidade de tentar fazer a medicina pra qual me dispus a passar por tudo isso, que é a medicina pro povo trabalhador. É claro que essas questões tem continuidade em toda a categoria, mas a diferença fundamental entre esses dois momentos é que enquanto eu não tiver meu diploma, estarei pisando em ovos e submetido aos mais diversos assédios.
Dura realidade, mas é a que se apresenta. A mudança? Tomara que venha logo. Tomara que seja radical. Temos bons instrumentos pra isso. Haja visto a força de vários militantes da DENEM (Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina) e alguns poucos dentro da ABEM ( Associação Brasileira de Educação Médica). Mas enquanto isso não for reivindicação do povo organizado, a mudança será microscópica.
Palavras duras e plenamente verdadeiras.
Triste fazer parte da mesma classe... A Medicina, a mais humana das artes... ainda não tem uma graduação voltada ao ser humano, ao pobre, ao desamparado, ao trabalhador... ela trata a DOR física, mas causa muitas e muitas outras dores psicológicas...
Embalando o fim do semestre com uma dose de flavonoides. (em Franscisco Beltrão)
Orgulho de poder fazer parte, no futuro, da mesma classe de profissionais <3 E ainda ter a honra de ouvir palavras tão genuínas! #Comop #Medicina (em Cascavel, Parana, Brazil)
Palavras inspiradoras do médico mais doce que já conheci <3 Dr. Celmo Porto #Comop #Medicina (em Teatro Municipal Gilberto Mayer)
Palestra de abertura com Dr. Celmo C. Porto #Comop "Núcleo luminoso da prática médica" <3
Saindo mais bolinhos deliciosos! #bolosdepote #quesejadoce #dolcevita (em Franscisco Beltrão)