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@jackie-fruit
Mas eu quem será?
Oi Junia, vou tomar a ousadia/autonomia em chamá-la assim, já que é como a família se refere e sempre se referiu a gente. Nós achamos estranho quando alguém de fora do núcleo familiar chama assim, mas como somos da mesma origem, matéria, percepção, além da Jacque do pop, Jackie Tequila e outros tantos pseudônimos de internet, vim reforçar que tu és uma pessoa (mulher) real, que (in)felizmente passa por questões reais.
É engraçado te escrever assim, porque ao contrário disso, é tu quem me escreve, prevê, relata, desabafa e espera em mim.
Quando a gente olha pra trás, daí de onde tu estás, o que será que sentimos em comum?
Tem muito apego ao passado, a uma versão mais altiva, mais enérgica, feroz... mas ouso dizer que também temos muito orgulho da maturidade, que mesmo diante de tanta maluquice, teimamos em construir...
É repetitivo, quase toda semana falamos disso e não é com mágoa ou arrependimento, eu sei que ser arquiteta não estava nos nossos sonhos adolescentes... talvez ainda não esteja totalmente no nosso sonho adulto, confesso que ainda queremos escrever, sentir aí nesses dedinhos nervosos que não soltam o papel e o lápis, muito menos o celular com o twitter aberto pra alguma frase / reflexão de efeito...
Eu quero muito dizer que vai ficar tudo bem, mesmo que seja difícil beirando ao impossível acreditar nisso... reticências...
Eu quero também garantir a ti que a gente só sai dessa universidade com o título de mestre nas mãos, tu sabes que a gente sempre dá um jeito.
Eu quero também, entre tantos desejos iniciados e que ainda vão se desenrolar neste relato, que eu sinto muito orgulho de ti hoje!
Já falamos em vários textos, em outros lugares, que apesar de não parecer, não escolhemos ser fortes - pelo menos não o tempo todo - mas somos!
Eu te admiro pela força, de persistir, de recomeçar, de teimar, de amadurecer e de finalmente se reconhecer como humana...
Eu sinto muito, ainda hoje, por todas as coisas ruins que aconteceram e que tu não escolheu.
Eu continuo sentindo no estômago a vontade de voltar pros braços dos meus pais na primeira dificuldade longe de casa.
Sinto até hoje saudades de tudo, até da época mais humilde onde tu ousava desejar (um futuro melhor, um estudo de qualidade, uma universidade grande, escrever).
Assim como sinto uma satisfação gigantesca em conhecer e provar do mundo inteiro, na palma das mãos, capturas da câmera de celular, joelhos ralados pelo caldo do mar ou ou pulinhos de alegria pelo clima frio de verdade que tu tens conhecido.
Ainda não consigo te afirmar que estamos morando em Brasília, que conseguimos entrar na UnB pro doutorado ou pra maluquice de fazer outra graduação dos nossos sonhos...
Ainda não consigo confirmar se chegamos na Europa, se vivemos o sonho utópico intercambista e nem se a Lady Gaga ganhou o Oscar de melhor atriz por Joker 2.
O que eu posso te afirmar é que as coisas dão um jeito de se ajustar...
Acredite em mim, mesmo com o coração em frangalhos, a nossa mente vai encontrar uma forma de reencontrar a paz e o seu lar.
Nós adoramos a parábola da carta pra um momento muito bom e outro muito ruim: a primeira carta diz "tudo passa!" e a segunda carta diz "tudo passa!", isso também vai.
Não queria que tu tentasse achar justificativas do destino pro que te machuca.
É meio errado, mas a gente gosta de titular as coisas antes de narrar, e antes de começar a primeira linha me veio a música "o velho e o moço" de Los Hermanos na cabeça: "e se eu fosse o primeiro a prever e poder desistir do que for dar errado?", infelizmente essa possibilidade não cabe dentro da nossa realidade, as escolhas não são apenas nossas, e eu sei na alma que mesmo que existam os milhares e vários acordos espirituais, que existam até mecanismos do universo pra impedir coisas que nos atravessem de acontecer, eu sei que não existe mais um futuro pra gente sem tudo isso que definitivamente rompeu um percurso normal de tudo.
Nada disso nos torna melhor pelos traumas, tu não escolheu o tempo inteiro ser forte. Mas Jacquezinha minha querida, tu és!!! Tu nasceu forte, corajosa, enjoada de tão cabeça dura e teimosa que o tempo todo OUSA seguir em frente e encontrar a felicidade em coisas tão simples... tu lembra que domingo agora ficou feliz por causa do cartaz do círio?
Pois eu posso te afirmar que vais ficar ainda mais feliz e se achando bobinha nessa viagem para conhecer o Rio... prevejo que finalmente as ideias irão sair do papel e você vai começar a escrever a famigerada história engavetada.
Tu vais abraçar a Victória até cansar, vai fazer cafezinho e se impressionar em como ela dorme absurdamente rápido.
Tu é veterana na dor, mas é veterana na felicidade também, na arte!
Tu foste forte ao sobreviver essas tantas vezes, nas EQMs literais e do coração também.
Tu foi forte quando ousou bater de frente, quando foi embora mesmo se sentindo tão inexperiente, essas tantas vezes que você foi "com medo mesmo", essas inúmeras vezes que escolheu ser resiliente...
Nós somos até hoje.
Não é o outro que te completa, mas essa inquietude e sede de mundo.
Diante de tantas coisas terríveis que nos afetam como mulher, como cidadã pobre, te garanto que até hoje lutamos para independer, correr sozinha, se perseguir sim nos diferentes cantos que seu coração sempre buscou...
Não são as viagens que vão nos fazer feliz ou te curar nesse tempo até aqui, mas é o seu olhar sob o mundo, a sua perspectiva gentil sem ser ingênua, é a desmistificação do próprio mito de que precisa ver algo duas vezes para perceber a partir da própria visão - e vamos fazer isso do passado, futuro, momento presente...
Tu lembras daquela carta que escrevemos pro Lihava falando sobre casa? Descrevemos que o lar é onde nosso coração está. E eu sei que nesse momento, por mais que seu coração esteja confuso, perdido, até sem esperança de que as pessoas vão cumprir o que dizem, eu sei que você quer que a casa seja aquela estereotipada da infância, mas reforço aqui da frente o que tu disseste pra ele: a sua casa é sim onde tu já morou, onde tu estás, onde tu ainda quer e sonha em ir, está em cada pessoa que tu ama e recorda com saudade, a sua casa está aqui, em mim.
A gente não precisa de manual de instruções, porque assim como o Alan disse anos atrás, tu é viciada em viver, isso não mudou (desculpa te avisar), e o vício em viver não entrega apenas o oba oba da felicidade, sentir e aceitar as emoções também requer entender, a passos lentos e duras penas, tudo que está acumulado aí, e requer infelizmente remediar coisas e bagagens que não são culpa nossa...
Já tem muitas reticências e vírgulas nesse texto, eu até que chorei menos do que esperava.
Quero que você fale comigo mais vezes, sinto saudades e adoro me surpreender com as suas previsões, e principalmente, adoro ser acolhida por alguém tão genuinamente sábia e esperta.
A Stephany disse pra gente uma vez que escrever ainda te traria muita coisa, e eu sei que isso é apenas um exercício terapêutico, mas como tu gostas de ver sentido e dar valor a tudo: por que não levar isso tudo como uma chamada de libertação?
Me resgata desse futuro, tenho tanta coisa pra te contar... Você muito ansiosa já até sabe boa parte, então dessa vez eu te replico: deixa eu te surpreender?
Jacque, te deixo um forte abraço, daqueles que todo mundo elogia que só a gente sabe dar, uma mordidinha no braço e uma mão bem gelada de ar-condicionado no seu pescoço.
Ps: canela com doce de leite ainda é a nossa combinação preferida, verde ainda é a nossa cor, conhecemos o bairro do Cosme Velho e finalmente entramos no Copan...
metal contra as nuvens - legião urbana . mp3
(o mundo começa agora, apenas começamos)
I miss you and I'll miss you for a long time...
Drinking coffee to my accomplishments.
eu esperei,
não foi nem por um pedido de desculpa,
eu esperei por, pelo menos, uma explicação.
e eu aceitaria qualquer uma que fosse (como sempre aceitei).
porque, deixando de lado todo meu egoísmo de querer muito te ver aqui,
eu me preocupo com você.
por mais que eu não possa fazer nada além de apenas te escutar,
eu me importo.
mas enfim,
essa é a palavra que nos cabe.
kz.
Total.
eu te amei com o desespero de quem sabe que não vai amar nunca mais.
Meu problema é que nunca me curei, apenas continuei.
Monalisa.
odeio admitir que tenho medo da vida quando ela começa a acontecer pra mim.