Dia das Mães para quem perdeu a sua mãe.
Mãe, uma palavra tão pequena mas com tanto peso, assim como outras palavras, como fé, amor e Paz.
Mãe, um universo, que muitas das vezes, parece ser normal, mas com o tempo vou observando e descobrindo que é uma das coisas mais complexas e extraordinária da vida.
Quando nasce uma mãe, nasce milhões de responsabilidades. Peso misturado com amor.
Quem sustentaria tal mulher a equilibrar essa balança? Uma vez ouvi dizer que o amor que chega mais perto e se comprara com o amor de mãe, é o amor de Deus. Que magnífico!
Só Ele para dar uma força sobrenatural.
Hoje, também graças a psicologia e arteterapia não descarto jamais a necessidade de falarmos de um ciclo da vida tão "natural", que na verdade parece ser mais um fenômeno.
Mulheres, nuncam descartem a humanidade de vocês por espiritualizarem demais a tudo que nos ocorre e nos transforma nesta vida. Tudo é novo e desafiaDOR! quando nasce uma mãe, parece ser tudo romantizado e, é em parte, porém, não podemos esquecer dos desafios alí expostos.
Agradeço tanto a Deus por Ele trazer esse olhar humano, pois antes de uma mãe, vem um ser humano, mulher que já tem tantas cargas históricas e culturais de pesos e desafios para levar nas "costas". Como é maravilhoso poder olhar para as nossas sombras e dores e ter a liberdade de acolhe-lás.
Tantas observações expostas aqui, não surgiram do nada. Ainda não sou mãe e por muito tempo não quis ser por um contexto de vida tão diferente do que a maioria das pessoas apresentam. Não vejo tantas pessoas falando da dor da perda. Muitos pela graça de Deus ainda tem as suas mães consigo. Como é maravilhoso se tornar mãe e ter a sua mãe do seu lado, apoiando, ajudando e acolhendo. Digo que é um grande presente de Deus poder viver isso. Então, você que ainda tem a sua mãe aproveita!
Vi a minha irmã se tornar mãe e passar um caminho tão doloroso por não termos mais a nossa mãe para nós ajudar, instruir, fazer a companhia que só uma mãe pode fazer. Isso me travou, e me trouxe muitos medos em ter que passar pelo mesmo. Nem todas as famílias são estruturadas, com suporte e rede de apoio. Agora que se ouve falar, e ainda bem pouco. Mães cansam, mães precisam de um apoio "imenso" para seguir uma caminhada mais leve de forma física, emocional e espiritual.
Para os filhos enlutados:
Faz 17 anos que perdi a minha mãe, ela era a minha melhor amiga. Uma parte de mim foi embora. Espiritualizei a minha dor. Por anos me senti consolada por Deus em aceitar esse ciclo "natural" da vida, a morte. Que ao meu ver se compara muito com essa chegada dessa novidade de vida que nasce na vida de uma mulher quando ela vira mãe. Claro, mãe e morte, não são as mesmas coisas, mas são dadas como coisas naturais da vida e "empurradas goela a baixo". Descobri uma coisa em meio a tudo isso, tudo é parecido.
Hoje esse texto reflexivo vai para os filhos enlutados ou para aqueles que passaram pelas piores dores com a perda de suas mães. Meu conselho é, acolham as suas dores, não somos ensinados a fazer isso. E não, apesar de ser natural, nem tudo é normal para todos.
Em 2018, uma crise emocional inesperada me visitou mostrando que a alma não acompanhada em suas dores, devolve tudo que não é processado. O luto havia voltado, meu físico e minha alma ficaram devastados. Fui para terapia, todo esse processo me levou a estudar psicologia, e a estudar sobre luto. Não sou mais a mesma. Sei que tudo que passei foi a forma de Deus me separar e levar compreensão onde não há. Falar de morte sempre foi uma das coisas mais difíceis para mim, sempre dizia que existia uma "treta" entre ela e eu. Tenho aprendido que para falar de vida é preciso falar da morte. Esse assunto é bem complexo e profundo. Infelizmente não conseguirei falar desse outro universo com tanta intensidade, assim como o universo mãe. Mas estou tentando expressar as duas coisas ao mesmo tempo, como uma pincelada neste dia especial. Demorei mais compreendi que fui chamada para falar de coisas difíceis. Como disse, nada é do nada é experiência de vida, com marcas e superação.
Faz tanto tempo que não escrevo.
A arte é o meu acalento, meu lado bom da vida, mais leve, mais expressivo e cheio de alegria.
A psicologia veio amparar a minha humanidade, o meu lado mais complexo e difícil. É através dela que sinto o chamado profundo do Senhor para esta área que faz tanto a obra do Espírito Santo. Acolher, cuidar, ajudar a transformar nossas dores para que a vida seja vista novamente.
Tenho descoberto também que é possível mesclar tudo. Usar a arte e psicologia juntos num mesmo propósito. Transformar "Cinzas em Beleza". É o encontro da alegria com a tristeza, ambas se abraçam, conversam, se aceitam de uma forma curativa.
Para chegar a esse nível é mergulho! Tem que ter coragem e identificar que nem tudo que é natural para todos muitas das vezes precisa ser encarado como algo "normal" para todos. É preciso dar muita atenção para a alma, conhecê-la, ouvi-la e acolhe-la, alí está a profundidade das nossas emoções e sentimentos. Não deixe seu espírito e o seu corpo "segurando as pontas" sozinhos. Se cuide e se acolha por inteiro. Isso é buscar a integração e saúde para o nosso ser.
Depois de 17 anos estou conseguindo dar atenção de uma maneira diferente para este dia, que muitas das vezes, rejeitava e não queria lidar para não sentir o luto ainda vivo. Espiritualizava. Com a graça de Deus usando o seu magnífico Espírito Santo que também usa a vida de outras pessoas capacitadas por Ele, tenho aprendido coisas extraordinárias sobre a alma e fazer as pazes com ela.
Hoje queria poder abraçar a minha mãe, lhe dar toda demonstração de amor que não cabe no meu peito. Como queria poder dizer que estou tendo a coragem de querer ser mãe, mesmo com todos os desafios. Minha mãe é a pessoa mais inspiradora que conheço por ter criado sete filhos. Foi tão amável, graciosa e forte diante de tantas dificuldades. Pena que partiu muito cedo. Ficou um vácuo, um estranhamento. As vezes parece que o tempo quer apagar da memória as vivências. O tempo vai passando e as vezes me pergunto como seria este instante da minha vida com a presença dela aqui. Estou aprendendo a acolher esta falta e me permitir ser consolada por Deus. Ah, queridos, como é necessário a consolação, só ela nos fazer prosseguir. Não deixe que as dores da alma impeça da consolação de Deus acessar o seu coração. Aqui não é fim. É essa esperança que me apego. Vou ver-la novamente. Deus ver a minha dor, Deus ver a sua dor. É por meio Dele que voltaremos a viver e rever que nos amamos.
Enquanto vivemos, estamos nessa jornada de viver os processos. Eu, como Cristã digo com certeza que até aqui o Senhor me ajudou (1Samuel 7:12). Ele é Pai! Falando em pai, eu também não tenho mais o meu pai biológico. Em um outro momento conto sobre está outra dor.
Jesus é fonte da vida. Como me sinto bem em poder ver que em nele nada se separa mas tudo se integra. Corpo, alma e espírito. Ele está em tudo, e existe o seu bálsamo para cada área da vida.
Que neste dia, você que está sentido dor da perda, do luto e da saudade, receba esperança, fé, e ser permita ser consolado pelo Espírito Santo de Deus. Que possas abrir o seu olhar, para enxergar todas as palavras de consolação que citei aqui. Por um tempo achei que nunca ia ver cura neste lugar, mas como Ele é a vida, mostra que pode sim todas as coisas. As vezes de forma instantâneo, através de seus milagres, outros vezes em processos profundos com Ele.
Escrever cura, hoje tenho certeza que estou recebendo o bálsamo do Pai da eternidade. Que Ele te cure também, te ajude em cada processo. Deus te abençoe. Aqui não é o fim.
"Haverá mãe que possa esquecer seu bebê que ainda mama e não ter compaixão do filho que gerou? Contudo, ainda que ela se esquecesse, Eu jamais me esquecerei de ti!"
(Isaías 49:15)
Texto: Janaina Luz

















