#Naanne
Ela sempre me dizia para eu seguir em frente
Que tudo que eu deveria fazer, era seguir em frente
Não faça drama, mera chôta bachê, consolava-me acariando meus cabelos
( Adorava minha Naanee me chamando assim, de "meu menino pequeno" )
Não esperneie, você já é moço crescido, falava com um olhar de quem já criou mil filhos
Os anos para nós passaram de formas diferentes
Eu jovem inconformado com notas péssimas na faculdade. Logo e claramente, parei num emprego de meio período que mais parecia uma sessão de sangria com sanguessugas
Para ela, o tempo fora gentil. Sempre a primeira da sala, líder e exemplo à seguir. A beleza não a quis deixar, achou graça nela como se fosse uma fruta, uma manga madura rosada no pé, vívida e com viço, assim era ela
Naanne, me conhecia tão bem, sabia que eu tomava a realidade como certa e negativamente imutável
Quando me via saindo, dizia :
Ande com masalas no bolsos
Nos bolsos e bolsas que levar
Nas mangas guarde sal
Lembre-se que a realidade é como uma folha amarga
Nada contra o amargor das folhas, mas, não deixe seu paladar se acostumar ao amargor
Tudo será amargo em um corpo amargo
Os olhos olharão de forma amarga
O sangue que você verá escorrer do corpo do outro, será amargo, sem tato, só mais um líquido morno e sem cor
A realidade quando não preparada com masalas, não pode ser comida
Jéssica Dutra
Inspirado pelo inspirador @delirantesko : texto base












