Revirou os olhos lentamente, tirando o braço que o garoto acabara de colocar sobre os seus ombros. Bona achava que um tiro seria mais divertido do que ter que passar por aquela tortura. As pessoas poderiam ver. “Sim sim, eu concordo. Sou muito jovem para ficar me estressando, agora, seria uma pena se o meu maior estresse fosse justamente você.” sua expressão fora de uma falsa alegria, deixando um sorriso no rosto que tornava seu deboche palpável. “O melhor mesmo seria ir para bem longe de você, mas eu não posso ainda, infelizmente. Você está me devendo uma e se eu não fizer isso agora, provavelmente me deverá para sempre. Sabe como é, não fico nada feliz toda vez que olho para a sua cara.” assentiu ao que disse, fazendo uma nota mental de que na próxima vez que encontrasse com aquele indivíduo fosse para o lugar mais distante dele possível.
Teve que morder sutilmente seu lábio inferior para não rir da reação da mais nova. Ela poderia até não saber, mas seus atos denunciavam exatamente os pontos negativos que Charlie gostava de incitar nos outros. Não era uma pessoa maldosa ou cruel, apenas achava divertido a forma como os outros perdiam tempo na vida, enquanto ele apenas pensava em aproveitá-la o máximo possível, nos mínimos detalhes. “Assim você vai acabar me magoando, Bona-yah.” Levou uma das mãos ao lado esquerdo de seu peito, armando um perfeito drama. “Quando se vê seu rosto ao olhar pra comida, é difícil achar que você fica feliz ao olhar pra qualquer outra coisa. Really, você se transforma. A parte boa é que na sorveteria não tem garfos e nada que dê pra você me ameaçar.” Colocou as mãos dentro dos bolsos da calça, a olhando de soslaio. A verdade era que, apesar dos pesares, gostava de passar tempo com Bona, por mais que eles sempre acabassem se enfrentando. Charlie assumia total responsabilidade pelo início das discussões. “Não precisa continuar com a marra, não tem ninguém olhando.” Começou a andar de costas, dessa forma visualizando a outra de frente. Após alguns passos, se deu conta de que havia um poste em seu caminho graças à sombra que esse fazia no chão. Continuou andando como quem não quer nada, porém, no último segundo, esquivou-se do objeto, voltando a andar normalmente. “Eu sei que você torceu por essa, mas não foi dessa vez.” Bagunçou os cabelos alheios antes de dobrar a última esquina para chegarem à sorveteria.













