❝Métodos divinatórios: que a sorte esteja a seu favor
Por: GG Triggs em T. Corner
23 de outubro de 2025.
Hello terráqueos, como vão? Espero que estejam muito bem.
Hoje, resolvi me afastar um tiquinho de feitiços e de artefatos mágicos. Afinal, uma das minhas datas favoritas logo se aproxima e queria escrever uma dupla de textos um tantinho mais especiais. Não sei definir o especial aqui, mas acho que vocês me entendem. O importante é que esse é o primeiro e semana que vem publico o outro (que acho que está amorzinho!).
Se houve uma pessoa nesse mundo bruxo que se recusou a abrir mão das disciplinas opcionais de Hogwarts, essa pessoa sou eu mesma. Não minto: abri mão das ditas relevantes, como Transfiguração, para ter mais tempo na companhia de Adivinhação, de Runas Antigas e de Aritmancia. Levei tudo com uma seriedade que diriam incomum (os inimigos dizem que é incomum, mas por quê?), mas são assuntos que me atraem demais.
Sem contar que tais métodos divinatórios me deixavam mais calma e equilibrada depois de um dia estressante. Penso que ainda conseguem tal mérito e senti isso ao escrever esse texto. Só a lembrança deixou meu coração quentinho e aproveitei para amarrar o Dia das Bruxas que logo paira entre nós (e fiz um textinho no ano passado que pode ser lido aqui).
A inspiração desse texto vem da obviedade dessa coluna: além do feminismo, eu falo de muitas coisas do mundo trouxa (não tanto quanto gostaria, mas o jogo virou). Dessa vez, não será diferente, então, vamos a fatos pertinentes quanto a pauta de hoje.
Que é Adivinhação, óbvio. Mas, antes, uma história.
Métodos de adivinhação brotaram na antiga Mesopotâmia e, provavelmente, isso casa em alguma timeline do mundo bruxo. Pensando no mundo trouxa, isso soma mais de 4 mil anos, se não estiver tão errada, período que demarca o quanto essas artes divinatórias calhavam até na hora de algum rei querer saber o que diabos estava reservado em seu destino.
Óbvio que traduzir resultados por meio de métodos divinatórios e declará-lo a torto e a direito dependia da timeline, pois, dependendo da época, nada era dito. Principalmente quando o catolicismo, que faz referência à religião predominante do mundo trouxa, passou a atribuir tais meios como heresia visto que “escapava dos padrões fomentados pela igreja” (para mais detalhes, leiam o primeiro conto de Beedle, o Bardo). Independente, adivinhar não deixou de ser uma arte predominante entre sacerdotes que pesquisavam o movimento das estrelas e dos planetas, até entranhas de animais sacrificados, para obter uma indicação do futuro. Principalmente na busca de algum indício sobre o bem-estar de quem estaria no poder.
O método mais famosinho da antiguidade foi procurar presságios na natureza. Se pensarmos no mundo bruxo, eis uma informação que relativamente não se alterou. Um eclipse, uma tempestade, o nascimento de gêmeos… Detalhes que tinham (e ainda devem ter) um significado a mais aos olhos de quem praticava/pratica qualquer método de adivinhação.
Antes de termos vários métodos de adivinhação, voltemos um pouco mais ao passado. Na Roma e Grécia antigas, esse “trabalho” se dividiu em duas categorias com base na experiência e na influência dos adivinhos. A primeira se formava pelos adivinhos profissionais, ditos treinadíssimos, que chegavam a trabalhar para os governos de determinada época. A segunda englobou os que prestavam serviço a qualquer pessoa, com qualquer tipo de honorário. Uma separação interessante, mas, do meu ponto de vista, perdia um pouco do apelo diante de grandes oráculos. Como o de Delfos em que as pessoas faziam suas perguntas e a resposta era anunciada por uma sacerdotisa em função do Deus Apolo. Hoje, desejamos saber se seremos ricos, mas, anteriormente, os questionamentos refletiam as necessidades da época, como, por exemplo, saber que lugar seria ideal para construir um templo.
Os adivinhos oficiais do estado romano eram chamados de áugures que, traduzindo do latim, significa conversar. Eles se inspiravam na observação de pássaros para dar ao Estado sábios conselhos. Meramente por serem animais próximos do céu, o que os fazia bem vistos e detentores de boas indicações do que podia ou não agradar os Deuses. O embasamento dessa adivinhação também se argumentava pelo número e pela espécie da ave. Tão quanto sua forma de voar, de piar, de cantar e o direcionamento e a velocidade. Um tanto físico, não?
Muito se fala sobre vocação e há quem diga que lidar com Adivinhação de maneira geral parte desse pressuposto. Contudo, isso não impediu algumas pessoas a usar desses meios como negócio lucrativo por toda a antiguidade. Até hoje, se querem saber, no mundo trouxa. Sempre há alguma tenda que jura que contará em quanto tempo você ficará rica ou se encontrará o boy dos sonhos. Não sou cética em vários aspectos, mas, depois que se tem uma experiência que envolve esse assunto no mundo bruxo, me vi arqueando as sobrancelhas para o que claramente é falcatrua. Desculpe, mundo!
Apesar disso, há um importante adendo quanto ao que pontuei acima. Os adivinhos ditos menos ilustres contribuíram para propagar outros tipos de adivinhação, como os embasados na interpretação dos sonhos e a Astrologia. Meios que, secularmente, se tornaram sistemas divinatórios muito respeitados.
Atualmente, há uma vastidão de método divinatórios no mundo bruxo. O mesmo vale para o mundo trouxa, sendo o tarô, leitura da palma da mão (quiromancia), a bola de cristal e a leitura de amuletos e de talismãs bem famosinhos. É muita coisa, mas o mais importante para embarcar nessa é ter afinidade quanto ao método escolhido e se sentir parte dele e vice-versa. Se você não acredita nas Runas, bom, os resultados não serão precisos. É necessário crer no processo, seja qual for.
Com esse raciocínio, listei algumas (de um montão e foi difícil as hell) que são/foram atraentes no mundo trouxa/bruxo. Há algumas opções praticáveis, então, se você fizer e der algo positivo, vem me contar, por favor!
{E há alguns que já peço desculpas porque não encontrei a tabela de tradução, funhê}
Aeromancia: antigo sistema de adivinhação em que o próprio tempo indicava o futuro. Os presságios aqui são/eram definidos por fenômenos atmosféricos, como trovões, relâmpagos, formato das nuvens. Sistema praticado na Babilônia e é um dos mais antigos;
Alomancia: o sal é um item que não falta na cozinha de ninguém e é dito como uma substância que pode afastar agouros (alow você que ‘tá sendo atacado com inveja alheia!). O método de interpretação é jogar um punhado de sal em uma superfície plana, depois de pensar no que deseja saber claro, e interpretar os formatos e as nuances. Não encontrei a tabela de tradução desse método, chateada, mas qualquer coisinha reposto aqui;
Astragalomancia: um nome desse tamanho que não tem nada a ver com Astronomia, mas com dados. Isso mesmo dados, aqueles de jogo de tabuleiro. O método acontece ao se pensar sobre a questão ou a aflição pertinente e lançá-los em uma superfície plana. Eis alguns resultados possíveis – três seis significam que seus desejos se tornarão realidade; dois seis e um dois significam sucesso, mas com dificuldade; um seis e dois quatros significam que é melhor esquecer o assunto seja ele qual for. Não me culpem se o resultado falhar, pois tais informações se encontram nos autos medievais. É um método antigo as hell;
Piromancia: pensando no que se quer saber, acenda umas velinhas (e se você fizer isso com a varinha é bem legal, juro) e leia cada chama de acordo com sua aparência inicial – se a chama queima fortemente, alguém amado está seguro e salvo; chamas pálidas se traduzem em tempos ruins; se o fogo, de repente, acende furiosamente, significa que um estranho chegará em breve; chamas com faíscas indicam a chegada de uma notícia importante; se a chama se recusa a acender, significa que será necessário trabalho árduo no futuro. Tem mais dessa leitura no livro de Adivinhação (e voltou no N.I.E.M.s de 2025, #eutava).
Métodos que praticamos sem notarmos (ou quase)
Nuvens: citei a nuvem no tópico de Aeromancia, mas encontrei um dado importante sobre esse método. A proposta é compreender o que se vê de acordo com a questão ou a aflição em que se quer um norte. Aqui temos a questão da confiança na intuição. As formas e as nuances podem determinar uma conexão pessoal, anulando uma interpretação em detalhes. Às vezes, a gente só precisa ficar mais atento aos sinais da rotina;
Bibliomancia: esse é de longe meu método favorito meramente porque o faço sem querer, especialmente quando estou diante da minha diminuta estante. Sabe quando você está à toa e pega um livro e o abre em qualquer página para ler uma frase qualquer? Daquele jeito de “vou ver se acho algum sinal aqui?”. É bem isso. Esse método de adivinhação requer um livro e uma pergunta, só. A frase ou o parágrafo que o dedo toca são definidos como resposta ou comentário ao seu questionamento. Tenho certeza que quem é nascido-trouxa já viu isso: pela Bíblia, aberta em qualquer página e batendo em qualquer versículo.
Para todos os métodos de adivinhação, vale o recado: é importante mensurar sua atitude diante do método divinatório escolhido e o que se intenta praticar/alcançar. Se você pratica por diversão ou para entreter outras pessoas, há chances de leitura incorreta e imprecisa (e isso afeta sim a vida alheia, sério!). Meramente porque você não está levando o processo a sério. Ter dúvidas de início é normal, nem eu sou expert, basta ficar confortável e acreditar que a adivinhação terá grandes chances de ser efetiva.
A sua atitude pode ser espiritual e isso pode influenciar sim na utilização e no desbravar de qualquer método. Um lance que ajuda muita gente e diminui as dúvidas quanto ao aspecto da leitura. De maneira geral, o importante é ver com relevância tais técnicas e ferramentas. Dessa maneira, se ganha nosso respeito. É basicamente igual a relação entre varinha e bruxo.
A propósito: falhar é normal. O método pode não ser o ideal para você ou a técnica divinatória não coube para a situação. Vale também para a falta de informação clara e questões vagas - que se expressa em dias confusos e as emoções em todos os lugares.
PS: a noite de Dia das Bruxas é ótima para se praticar qualquer método de adivinhação. O véu entre vivos e mortos está mais fino e há quem se comunique com entes que se foram. Além disso, há quem atinja resultados deveras precisos por contar com esse apoio, digamos, mágico. Que a sorte esteja sempre ao seu favor!
Sobre a autora:
Georgia Triggs ❤, uma humana que estuda História da Magia no Dumbledore Institute, feminista as fuck e problematizadora nas horas vagas. Ex-Sonserina, caso perguntem, mas, lá no fundo, ela nasceu para ser da Corvinal (damn you, S.!).











