Grave’s são estudos gráficos compostos por linhas contínuas, que se curvam para buscar uma unidade harmônica, passando por alterações ao longo do movimento para dar origem a estruturas que se desdobram e transmutam em cada trabalho. Geralmente em preto, branco e cinza, nas mais diversas escalas, com detalhes e preenchimentos mínimos, os traços são uma resposta visual a múltiplas interpretações da palavra Grave. Grave, modo imperativo do verbo gravar, é um possível sinônimo de “risque” e “pinte”, remetendo a métodos de gravação sobre papel e outras matrizes. Grave também é sinônimo de “preocupante”, “complicado”, “sério”, descrições justas para o quadro social em que grande parte da população do país se encontra. Novamente como adjetivo, Grave qualifica frequências sonoras, em um diálogo com as pesquisas sobre a música negra e seus meios de propagação através de sistemas de som, onde essa frequência é determinante para o impacto da mensagem. Essas interpretações se influenciam e criam um fluxo de ideias onde não é mais possível delimitá-las, o que está refletido em linhas que se complementam e sobrepõem, buscando sempre ser desorganizadas e reorganizadas. O retorno visual desses três elementos não é algo acabado, pois é fruto de um constante diálogo. O processo de pintura é meticuloso e desafiador na busca das linhas precisas, utilizando apenas pincel e bico de pena sobre o suporte.El Lissitzky, Victor Vasarely, Ivan Serpa, Luiz Sacilotto, Ligya Clark, Rubem Valentim, entre outros, são grandes referências como artistas que também apresentavam em suas fases abstratas esse tipo de execução, onde o processo amplia cada uma das particularidades para que a pintura tenha uma capacidade de comunicação maior e mais duradoura.













