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Eu manti pra mim. Deixei ficar assim, subentendido. Ninguém nunca perguntou mais dele e nem eu nunca mais comentei e assim seguiu. Todo mundo achando que eu superei, não sinto mais nada, quer dizer: se é que ainda pensam no que eu sinto ou pensaram na época. Eu realmente não sinto mais nada. Só existe um único sentimento que restou daquela época. Saudade. Saudade da minha felicidade verídica, não precisava pensar na felicidade nem forçar, simplesmente senti e aproveitei daquilo que ele me proporcionou. Ele. As pessoas nem sequer imaginam da minha história com ele. Quando forem questionadas sobre esse assunto, se é que algum dia alguém terá a curiosidade de saber disso, aposto que irão pensar que o limite da história foi que eu gostei dele e que nada além disso aconteceu. Eu não só gostei dele, eu amei ele. Eu tenho certeza que mesmo não sentindo mais nada por ele agora, a minha certeza foi de que sim, eu o amei mais do que qualquer um amaria alguém. Foi algo forte, sim. Teve algo a mais.. sim. Não ficamos, não namoramos, não beijamos, não nada. Mas nós dois sentimos isso. Sim, os dois. Do nosso jeito, ele sentiu isso, assim, subentendido. De um jeito que só nós dois reparávamos que um sentia pelo outro. Ele demonstrou sutilmente, delicadamente, um modo que encheu meu coração de adoração por aquele garoto. Com abraços, sorrisos, olhares, suspiros.. ele demonstrou. Subentendido. Sempre subentendido, nas entre-linhas, para quem quiser se forçasse a descobrir e entender. Quem se forçasse, entenderia, saberia, sentiria também. Quem se forçasse, quem se importasse, saberia que ali houve muito mais do que um "ela gostou dele". Houve paixão. Amor da parte dele? Não sei se houve. Mas paixão, sim. Ah sim e com certeza. Não há como negar. Qualquer um que estivesse na rua e olhasse atentamente para os dois, saberia. Qualquer um que já tivesse vivido uma paixão, qualquer um que entendesse sinais, qualquer um que entendesse de subentendido. Ninguém já mais me pergunta sobre ele, nem sequer pensa sobre nós dois. Estão todos muito preocupados com si mesmos, com seus próprios casinhos de uma semana ou menos pra sequer pensarem, questionarem, duvidarem sobre aqueles dois do passado. Aqueles dois que hoje mudaram completamente e são totais estranhos um para o outro. Que quando, raramente, se encontram agem de maneira totalmente normal. Comum. Insignificante. Nada subentendido. Daquele jeito e daquele jeito mesmo. Como se não tivesse acontecido nada no passado. As pessoas se esqueceram dos dois. Não se quer deram valor para aquela história que foi toda e completamente subentendida. Aquela história sim, vai ficar na memória dela de que um dia ela já sentiu algo extremamente forte por alguém. Mais forte que o vento. Mas na memória dele, já não sei, sinto que tudo irá ser esquecido, tomará lugares para coisas mais atuais e futuras, coisas mais importantes. Essas memórias serão eternas para ela, creio eu. Mas para ele serão jogadas ao vento e para todos os outros, se tornará o que já é para eles agora: nada. Foi exatamente isso que tudo se tornou hoje.
Ele simplesmente tirou de mim algo pelo qual eu sempre fui conhecida. Aquela personalidade emotiva, de gente que pensa muito mais pela emoção do que pela razão, que se importa com o que sente, sem precisar forçar nada apenas para fazer o certo e o que os outros acham que é o certo. Ele tirou de mim o meu coração, sem ao menos me fazendo perceber de tal ato. Ato que eu apenas parei para pensar agora, de madrugada, 01h da matina, lendo uma fanfic, em plena segunda-feira. Eu realmente achei que me sentia bem comigo mesma, até parar para pensar nisso. Ele conseguiu tirar de mim toda a genuidade de uma garota pura e de coração emotivo, apaixonado, sempre aberto, conseguiu tirar aquele brilho verdadeiro e intenso do meu olhar, tudo com apenas uma decepção e ele conseguiu tudo isso sem ao menos fazer por onde ou sabendo disso. Eu não o amo mais e isso já deve fazer alguns bons meses mas não ainda anos. Anos, que aliás, eu passei o amando. Eu achava que com esse reencontro inesperado algo mudaria, que era obra do destino e acreditei nesse "destino", mas sabe como é, o destino brinca com as pessoas. Eu não queria fazer parte disso, mas meu famoso coração emotivo se deixou levar por conta própria e quando me vi, já estava pensando nele a cada segundo do meu dia, com fortes batidas do meu coração e aquele enjôo típico de garota apaixonada. Como se fosse o primeiro amor. E foi o verdadeiro primeiro amor. Sinto como se nunca mais irei amar alguém como amei esse garoto, em plenos 7 anos de idade e logo após, revivendo aos 12 anos. Tão jovem mas tão responsável por um sentimento que nem se quer havia pedido, muito menos pedido com tanta intensidade, sem saber lidar com aquela coisa forte, inesperada e intensa. Tenho medo de nunca mais amar alguém, por conta de achar que todo amor do mundo que havia dentro de mim, dei e gastei com ele, sem receber nada em troca. Mas não o culpo por isso, e o perdôo por isso. Esse rapaz tirou de mim toda aquela garota emotiva, sonhadora, que vivia nas nuvens, coração disparado, felicidade momentânea. E por isso eu nunca irei perdoa-lo.
Me sinto tão sozinha que se não fosse por ela eu não sei o que seria de mim. Sem ela que me levanta, me apoia, me ajuda, me aconselha, está sempre do meu lado, cuida de mim e o mais importante: me entende e me e aceita como eu sou. Não me culpa por coisas que eu não faço ou que faço por acidente. Sabe como eu sou e do que eu gosto. Não me critica, apenas fala a verdade. Não critica a minha aparência ou as minhas manias. Gosta de mim pelo o que eu sou. Não me obriga a mudar. Além de tudo, me ama. Ela me aceita. Eu aceito ela. Sempre.