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@ka-miller-blog
Uma das coisas que mais detestava na vida era ficar sem respostas, sem um porquê, uma vez que acreditava que tudo o que fazia era de alguma forma justificável, mas não essa. A fala dela sobre calar e consentir entrou em um ouvido e saiu pelo outro, uma vez que nem mais prestava atenção, embora tivesse observado os lábios dela se moverem minimamente. A puxou pela nuca ao mesmo tempo em que se inclinou um pouco pra frente pra que pudesse juntar os lábios aos dela. Inicialmente, o rapaz imaginou que ela, no mínimo, fosse lhe empurrar e lhe mandar ir a merda de novo. Mas em vez disso, Kaya não mostrou muita resistência em lhe beijar de volta. Recusando-se a afastar dela e interromper o contato, teve de erguer um pouco o tronco quando ela se mexeu na cama. Por puro reflexo, pouco antes dela se sentar no seu colo, o rapaz empurrou a colcha pro chão, sem mais se importar com a friagem que vinha de fora. Malk não perdeu tempo em envolvê-la pela cintura de forma que a trouxesse para mais perto, o mais próximo possível. Nisso, mordicou o lábio superior dela enquanto a mesma mão que a tinha envolvido subia pelas costas dela; já a outra, ia apertando desde o joelho até a parte superior da coxa. Era engraçado como ele conseguia esvaziar a mente facilmente, principalmente agora, nem notando que, assim como ela, quebrava algum tipo de barreira invisível, esta que se empenhara tanto em construir.
Percebia cada vez mais a diferença entre o que queria e o que deveria fazer. Se tivesse um pingo de juízo, teria afastado ele e dito que não deveriam, que não era certo, que iam confundir as coisas. Misturarem o lado emocional/carnal com negócios nunca faria as coisas irem em frente e mesmo se estragassem tudo ainda teriam de aturar um ao outro. Mesmo que algum tempo antes houvesse uma garota nua na cama dele e isso não fosse a melhor coisa de saber, o correspondeu do seu modo ansioso. Os dois queriam e ela não via motivos para empurrá-lo, na verdade o puxava cada vez mais pra si e quando se sentou no colo dele não havia qualquer tecido além das roupas que usavam. Quanto ao frio? Tocava a pele dela e fazia um contraste gritante com o calor que corria por todo o corpo, aumentado pela necessidade do momento. Os seios foram espremidos junto do peitoral dele ao ser puxada pra mais perto e a loira abaixou mais um pouco o rosto para o corresponder, beijando-lhe os lábios por sobre o mordisco. A saia subiu um pouco pela movimentação e subiu mais ainda com a mão dele que a erguia. Vergonhosamente, Kaya gemeu baixo e suspirou forte ainda de encontro à boca de Malkav, inconscientemente movimentando um pouquinho o corpo pra que se encaixassem ainda melhor. Encostaram as testas e não se beijavam mais, quando ele se aproximava ela inclinava-se pra trás novamente, esquivando-se de modo a deixar as duas bocas apenas se provocarem em meio as respirações quentes. Bagunçou-lhe os cabelos ao descer as mãos pelo rosto, pescoço, ombros e braços até alcançar o barrado do moletom. As pontas dos dedos brincaram com este de modo a ameaçar erguê-lo mas sem o fazer; os quadris se moveram sobre os dele de modo característico, roçando-se sobre a intimidade do rapaz e o provocando, incitando-o ao descontrole.
Não. Não quero brincar na neve. Escolha outro.
Procurando Nemo? Aaaawwwnnnn, Otto vai ficar feliz em ver outros peixinhos com as suas barbatanas bonitinhas e pequeninas.
Malk não esperava tal reação de surpresa vindo dela quanto a “confissão”. Porém, quando ela concordou que sim, Margot merecia, ele riu e ergueu os ombros. Tal assunto foi deixado de lado finalmente, de forma que um outro começasse. Cruzou os pés debaixo da colcha e esfregou uma mão à outra no momento em que uma brisa gelada entrou dentro do quarto, pouco após ele soltar os pulsos dela. Inicialmente, com a indagação dela, o rapaz voltou a franzir e cenho e comprimir os lábios, pronto pra perguntar “fazer o quê”. No entanto, Kaya se adiantou pra completar, aparentemente incomodada. Sentiu a mão da garota no seu rosto, podendo notar o quão gelada estava, mas não se prendeu à isso. — Está falando isso pra mim ou pra você? — O tom de voz saiu relativamente baixo, se referindo ao “não podemos confundir as coisas”. A verdade é que não tinha uma resposta concreta para o questionamento, inclusive, repassara a pergunta várias vezes mentalmente para que a conclusão fosse a mesma. Chegou um momento que simplesmente desistiu dos porquês, acabou enfim maneando minimamente a cabeça em negação e mesmo assim não desfazendo o contato visual. Ergueu a mão, exatamente como ela, porém, em vez de tocar-lhe o rosto, segurou-lhe a nuca. A proximidade permitia que Christian sentisse aquele cheiro característico de hortelã, além de poder sentir o hálito quente dela bater contra a pele do seu rosto. Por fim, juntou os lábios aos dela.
Com aquele agradabilíssimo assunto sobre cuspe e pessoas tomando cuspe sabe-se-lá havia quantos anos, encerravam a discussão sobre os podres dele. O corpo estava até meio rígido devido ao frio mas se não fosse a colcha com certeza estaria em uma situação bem pior. Era birrenta, claro que era, preferia morrer de hipotermia a dar o braço a torcer imediatamente e assim seguiam, antes que a sua atenção trocasse das temperaturas para o riso e o divertimento dele devido a declaração anterior sobre sentimentos escondidos. E como já dito, conviveram uma vida inteira, conheciam um ao outro em pontos delicados e geralmente era assim que funcionava: ele ia com as outras mas sempre voltava pra ela, de uma forma diferente da que ia com elas, se valia ressaltar. Voltava, independente do motivo; e era exatamente isso que ela queria saber, o que o motivava, o que estava por detrás das ações dele. Esfregou o rosto bonito do prometido de um jeito carinhoso, revolvendo a pergunta dele em sua mente até que encontrasse uma resposta boa o suficiente. - Um pouco dos dois, eu acho. - Murmurou em toda a sinceridade que tinha, engolindo a saliva com dificuldade. Então seguiam com as perguntas para as quais ela realmente queria respostas mas foi com o silêncio que teve lidar, sabendo que não deveria esperar muito mais quando o rapaz meneou a cabeça em negativo. - Quem cala, consente. - Mesmo assim, não podia deixar de dizer isso, mesmo que fosse só em um sussurro, mesmo que fosse praticamente pra conscientizar a si mesma. E que ele negasse o quanto quisesse porque os dois haviam entregado o jogo naqueles minutos. Quando Malk se aproximou, a respiração dela ficou tão fraca que parecia superficial e parou de vez ao ter o encontro dos lábios. A única coisa que poderia ser escutada era o som do ar sendo puxado profundamente, como quem quebrava uma barreira invisível que havia anteriormente; os lábios se abriram e uma das mãos deslizava para a nuca do loiro, o puxando pra si. Outra mão foi apoiada em seu ombro como auxílio e Kaya apressadamente se erguia do colchão, apoiando os joelhos na cama até que passasse para o colo dele - ficando uma cabeça mais alta - e sentando sobre os quadris do rapaz.
Desde que não seja Frozen de novo.
Mas é um bom filme! E as musiquinhas são tão legais, dá vontade de dançar.
Com essa nevasca, seria bom assistir um filme.
Quanto ao comentário referente a si mesmo e ao peixe, torceu o nariz e deixou isso de lado. Desafiou-a contar algo que poucos sabiam sobre si, um de seus podres. Manteve os olhos semicerrados durante todo o tempo em que ela permaneceu pensando, mesmo que isso tivesse durado apenas poucos segundos. — Argh, Margot. — Fez uma careta ao ouvir o nome, porém, com o fim do relato, deu um de seus sorrisos de sempre, de canto e maroto. Ela nem era realmente sua tia, estava mais pra prima de segundo grau por parte de pai, não que o grau de parentesco contasse. — Eu faço isso até hoje. — Ergueu os ombros. — E só pra constar, ela merece. — Comprimiu os lábios, tentando disfarçar a expressão de orgulho. A verdade é que poderia fazer pior, mas ia acabar sobrando pro seu lado, preferia evitar esse tipo de confusão em casa, então, Margot continuaria tomando cuspe.
Um assunto levou a outro e num momento ela estava distribuindo tapas pela altura do seu braço e as vezes nas costas, nada muito relevante, claro. O riso dele parou ao ouvir uma frase em particular, e teve de segurar os pulsos dela pra encará-la. As sobrancelhas do loiro foram erguidas e os lábios comprimidos pouco depois de pedir que repetisse a frase. — Vai se acostumando, princesa. — Não teve necessidade de aumentar muito o tom de voz pela proximidade, tampouco teve ironia no apelido, embora o ar de riso não saísse das expressões dele. Soltou, enfim os pulsos dela, pendendo minimamente a cabeça pro lado ao observá-la, achando hilário a reação. — Tudo bem, não precisa repetir, ouvi bem da primeira vez. — Deixou que a oportunidade de uma piadinha passasse apenas com o olhar que ele lançou pra ela, como se confirmasse que não a deixaria esquecer disso nunca.
Considerando que a senhora era tratada por tia, referiu-se à ela como conheciam. E então viera a reação dele ante a menção do relato e ela não sabia muito bem como seria, mas o observava de modo atento, guardando cada trejeito. Os olhos verdes se arregalaram e a boca dela abriu em um '':O'' e virou o rosto pra frente novamente; aos poucos o choque momentâneo foi se transformando em sorriso, de modo que quando voltou a olhá-lo fazia esforço pra disfarçar a vontade de rir, assim como o rapaz. - Sinceridade? - Perguntou de modo retórico. - Merece mesmo. - Concordou, permitindo-se rir por mais um pouco.
O apelido não lhe incomodava, era praticamente uma coisa deles dois e pela proximidade não precisavam falar alto. Estavam prometidos e seguiriam assim por um longo tempo, mais do que nunca teriam de se acostumar com o jeito um do outro. Ao ter os pulsos soltos, os braços ainda deslizaram pelas mãos dele bem lentamente antes de serem pousados no colo de novo, tentando controlar a respiração. Não sorria e nem tinha ares de riso como ele. - Por quê você faz isso? - Se pronunciou após alguns segundos em silêncio, apertando os lábios cheios e mordiscando a parte interna da boca. Kaya ergueu uma das mãos geladas e encaixou esta na lateral do rosto dele, acariciando a bochecha do loiro com o polegar. - Por quê você brinca assim comigo? Você sabe que não podemos confundir as coisas. E entendo porque você fica com todas essas garotas e eu sei que vocês não passam o tempo rezando, mas Malk... Por quê você ainda faz isso? - Questionou por fim, franzindo a testa levemente.
Semicerrou minimamente os olhos ao observar a cena. Aos seus olhos, não sabia o que era mais estranho, ela falar com o peixe, ou se referir à ele como “fera”. — Ele não te entende, sabe disso, não é? — Comprimiu os lábios ao passar os dedos pelos fios de cabelo loiro, deixando-os ainda mais desgrenhados do que já estavam. — E não sou tão ruim assim. — Disse algum tempo depois. Tecnicamente ainda não tinham discutido, e isso era um começo. Quanto ao comentário da gaveta, Malk se permitiu rir pelo nariz e arrastar os dentes no lábio inferior rapidamente antes de respondê-la. — Sabe, é? Cite algum. — Desafiou. Finalmente tirou as mãos do bolso do moletom e apoiou-as ao lado do corpo na cama, após ela se juntar com o cobertor.
Tinha mordido a língua pra não falar algo a respeito disso, principalmente porque a friagem parecia aumentar e aquela porra de janela aberta. Mas, em vez disso, falou a respeito da cama ser contagiosa. — Estou fazendo piada do jeito que reagiu a respeito. — Ergueu as sobrancelhas, deixando que um pequeno sorriso aparecesse em suas expressões. Porém, antes que pudesse dizer qualquer outra coisa, foi atacado por vários tapinhas, o que fez com que ele afastasse um pouco, mas apenas o suficiente pra segurar nos pulsos dela. — Repete o que disse. — Disfarçou um sorriso ao morder o lábio novamente. Certamente não perderia a oportunidade de fazer um comentário a respeito.
Ignorou o comentário dele sobre o peixe não lhe entender. Entendia sim, ela tinha a impressão de que ele entendia e isso bastava, podia até mesmo notar uma alteração no modo de nadar dele quando conversavam. - Claro que não é. O meu amigo Otto está aqui exatamente como um lembrete disso. - Respondeu logo após ele, sorrindo pequeno. Acreditava no lado bom dele e o peixe era a chance de provar fisicamente isso. Conforme remexia a gaveta, teve de parar novamente para o olhar, a boca meio aberta. Apertou-os em um bico cheio e concordou com um aceno de cabeça, conforme se sentava junto dele. - Quando você tinha nove anos, cuspiu no café da sua tia Margot enquanto ninguém estava olhando. Algumas horas antes ela tinha brigado com você por entrar correndo dentro de casa. - Deu de ombros, desafiando ele a negar com as sobrancelhas erguidas. Qual é, tinha visto pessoalmente as duas coisas acontecerem.
Por fim, esquentava as mãos até que o loiro começou a implicar e Kaya se incomodou o suficiente para fazer brincadeiras de bater nele. Ao passo que lhe batia, acabou declarando que um dia havia gostado dele e mesmo após perceber, não parou, mas a expressão dela tinha visivelmente modificado após isso. Tivera os pulsos seguros de modo que foi obrigada a parar. E estavam próximos demais, as respirações quentes fazendo fumaça no ar frio e pobre coitado do Otto dentro do seu aquário. Os olhos verdes dela variaram dos azuis para o lábio inferior sendo mordido, o peito feminino subindo e descendo com rapidez, se vendo encurralada com o pedido dele. - Você.. É... Um... Idiota. - Murmurou de volta, bem lentamente, fazendo os lábios cheios e corados formarem as palavras de modo a chamar a atenção para a movimentação destes. Findou engolindo em seco e lambendo os próprios lábios que pareciam repentinamente dormentes. Nem morta que ia repetir sobre ter gostado dele um dia.
GETTING TO KNOW YOU - TASK #1
Qual é o seu nome completo? Se você pudesse mudar, qual seria?
Kaya Alexandria Miller. Não sei, nunca pensei a respeito disso, sempre tive esse nome e me acostumei com ele, até gosto, na verdade. Mas acho que prefiro quando me chamam de Kaya do que de Alexa (mas só minha mãe me chama assim).
Seu aniversário é no inverno? Você gostaria que fosse?
Não, é no fim da primavera, quando o calor aumenta demais e só as flores mais fortes permanecem ao começo do verão; dia 23 de maio. E sim, gostaria, seria legal.
Como eram os invernos onde você cresceu?
Chuvosos, úmidos e bastante frios. Gostava do inverno porque eu e meu irmão sempre tomávamos banho de chuva escondidos e fazíamos guerra de lama. Ficávamos de castigo ou gripados, na maioria das vezes, mas valia a pena. Ao fim, sentávamos à beira da lareira acesa, víamos a chuva cair do lado de fora, comíamos bolo de cenoura com chocolate e minha mãe penteava meus cabelos.
Nomeie sua atividade favorita no inverno.
Observar os passarinhos tomando banho de chuva.
O que você prefere de bebida para consumir durante as maiores nevascas?
Uma grande caneca de chocolate quente com marshmallows dentro.
Qual feriado de inverno você gosta de comemorar? Por quê?
Preciso escolher só um? Ok... Isso vai ser difícil. O Natal é particularmente importante, mas escolho o Dia de Ação de Graças. É sempre bom agradecer pelo que temos, quer tenhamos muito ou quer tenhamos nada, deveríamos agradecer somente por estarmos vivos. Agradecer pela família, pela saúde, por mais um dia. E darmos graças aos que precisam delas, acima de tudo. De dia eu fazia trabalho voluntário e de noite nos reuníamos para o jantar em família.
Você prefere neve ou chuva?
Chuva.
Qual sua memória favorita no inverno?
Não é exatamente uma memória minha, mas acho que serve. Uma vez viajamos todos juntos com a família do meu primo, Malkav, para Chicago. Ele não era exatamente uma criança feliz mas acho que aquela foi a primeira vez que o vi sorrir de verdade. E toda vez que lembro disso, sinto vontade de sorrir.
O que você acha do filme Frozen?
Bonito e as musiquinhas grudam na cabeça. E em teoria, demonstra bem a união que deve haver entre irmãos e que o amor familiar, assim como o amor romântico são as coisas mais fortes que existem. Infelizmente, amor é irrelevante para alguns de nós, um privilégio que não temos.
Se você só pudesse ter um presente nesta temporada de férias, o que escolheria e por quê?
Um suéter de lã novo, por via das dúvidas.
Imagine que é um dia de inverno nevado e frio, e você está preso dentro de uma casinha aconchegante com outra pessoa. Qual pessoa você gostaria que estivesse com você?
Malkav. Não que ele saiba disso, obviamente.
Qual a sua música favorita para colocar no repeat durante os meses de inverno?
Tem tanta música boa... Provavelmente, The A Team do Ed Sheeran.
Primeiro sou a vagabunda que anda nua pela escola e dá pra trezentos, depois eu sinto ciúmes do Malk. Não sei qual dessas é a mais engraçada.
Lá no fundo? Nenhuma das duas. Seu riso foi forçado, sinal de que eu tenho razão.
Mas tudo bem, vou indo porque tenho reunião do Grêmio e não posso me atrasar. Um excelente dia pra você, Dominic.
Dá pra ver na cara dele como é forte esse sentimento de vocês.
E você parece não gostar nenhum pouco disso. Ciúmes, talvez?
Sou responsável pelo o que eu faço não pelo o que espalham sobre mim, acredite, em um mês só fui pra cama com Christian, qualquer comentário referente a outros garotos não passa de uma bela mentira.
Se não quer o compartilhar com mais meia dúzia, melhor colocar uma coleira com choque ou o capar.
Tudo bem, se você diz, acredito. Quem sou eu pra dizer o contrário?
Obrigada pelo conselho mas não acho que chegaremos a esse ponto. Não com o relacionamento que temos, é algo muito forte... Christian e eu temos um amor de infância, foi tudo muito rápido depois que nos vimos de novo. O quê podemos dizer, não é mesmo?
Voltou a erguer minimamente os ombros diante da resposta dela em relação ao nome. — É só um peixe… — Murmurou de forma quase inaudível enquanto a observava ajeitar o aquário e tudo mais. Devolveu o saquinho com o peixe pra ela e ergueu as sobrancelhas, um tanto pensativo quanto a isso. Não devia ser tão difícil… Certo? — Pode ser. — Assentiu de forma vaga, continuando o pensamento. Como tinha dito, era só um peixe, só precisava dar comida e… A testa voltou a ser franzida com o monte de instrução. “Lave as pedras somente com água”. — Já tem água aí. — Disse com um ar de riso, deixando que ela continuasse. Foi assentindo a medida que ela foi terminando de fala. De longe ficou observando o aquário e o peixinho laranja que se mexia de um lado pro outro de forma lenta. Perpassava a língua por entre os lábios quando ouviu ela falar pra parar de se torturar. — Ow, que liberdade é essa de ir abrindo as gavetas assim? — Estalou a língua no céu da boca, maneando a cabeça logo em seguida, acabando por não levar isso realmente a sério. Kaya tinha lhe empurrado pro lado, se sentando no lugar que estivera anteriormente e colocou a coberta sobre as pernas de ambos. — Certeza que quer sentar ai? É contagioso… — Malk levou vários segundos pra voltar a se pronunciar e quando fizera, pendia a cabeça minimamente pro lado, a fitando pelo canto do olho.
Ele murmurou tão baixo a respeito dos sentimentos de Otto que a loira praticamente não escutou e isso era até bom, ou teria se ofendido mais ainda com. Otto não era somente um peixe, era um pequeno animal da carne, coração e barbatanas que fora tirado de seu habitat natural para alegrar a vida de Malkav. Será que ele ainda não tinha percebido a responsabilidade? - Tudo bem, então. - Concordaram sobre o nome, enquanto o observava nadar. - Você tem uma grande responsabilidade, Otto. Transformar a fera em homem novamente. - Conversou com o animalzinho como se o rapaz nem mesmo estivesse lá, fazendo analogia ao conto de ''A Bela e a Fera''. Em seguida passando as informações de como cuidar do peixe mas riu dele e do comentário dele também. - Água corrente, seu bobo. E também seria adequado colocar um copo de água nova a cada dois dias pra manter o oxigênio em alta. - E então foi abrir a gaveta para achar uma colcha (no seu dormitório haviam colchas extras, ao menos), porém parou na metade, erguendo o rosto. - Crescemos juntos, conheço todos os seus podres, o máximo que você teria aqui dentro era o corpo de alguém e não parece ser o caso. - Sussurrou pra ele, lambendo os lábios apenas por hábito. E então se sentaram lado a lado, ela ocupando o lugar dele pra não ter de sentar onde a outra estivera. O vento frio aumentava e ela esfregou as mãos uma na outra, tentando esquentá-las ao levá-las até a boca para soprá-las com o hálito quente e os cotovelos apoiados sobre a colcha, em cima das coxas. Kaya virou o rosto para olhar o primo e sorriu lentamente, estreitando os olhos pra ele. - Você está fazendo piada disso? É sério que você está fazendo piada de algo tão absurdo? - Começou a bater nele daquele jeitinho feminino, estapeando-lhe os ombros, os braços e as costas, ao mesmo tempo que ria com a voz naturalmente rouca. - Meu Deus, como você é idiota, não acredito que consegui gostar de você um dia! - Reclamou enquanto ainda batia nele, nem se percebendo do que dissera.