A carícia continua nos rebeldes fios dourados serviam como mimo, como se ela não fosse capaz de estar perto de Malfoy sem tocá-lo de qualquer forma sequer; algo que parecia também recíproco da parte de Scorpius. Rose gostava muito disso. ❝ Se sabe deveria confiar mais nas minhas habilidades e acreditar quando digo: I got this. Wanna bet? ❞ como nos ‘velhos tempos’ a Weasley ergueu uma sobrancelha ruiva em desafio apenas pelo prazer de provocar. Apostas eram o que basicamente movia a dinâmica entre os dois antes, e era estranho pensar no quão diferentes as coisas haviam ficado em meses. Não que estivesse reclamando, claro. Apesar de gostar do Scorpius que a zoava até que perdesse a paciência quando a Grifinória perdia para a Sonserina, nutria absolutamente mais apreço pela versão do Malfoy que podia beijar. Reconhecia, no entanto, que ele estava certo. Dizer para Ronald que iria para os Malfoy seria como anunciar um ataque nuclear. ❝ Bom… Não. Estaria mentindo se dissesse que meu pai não vai reclamar. Mas eu quero ir assim mesmo, Scorp. Me resolvo com meu pai depois. ❞ e então ela o tocou no rosto, se inclinando para frente para lhe alcançar lábios, os beijando de forma demorada. ❝ You have to accept that we’re in this together. That means if you jump, I jump, uh? ❞
‘wanna bet’ era quase um trigger para os dois, como se trouxesse a eles os tempos antigos do casal, que apesar de ser nostalgico, scorpius preferia muito mais o agora. ele não queria mesmo causar uma briga entre rose e o pai, mas não perguntaria duas vezes se ela tem certeza que quer ir, porque adorava o fato dela querer, sim. por outro lado, lhe dava um mini pânico quando pensava em rose em sua casa. draco já estava relativamente tranquilo com aquele relacionamento, mas todo o fato de uma guerra eminente o deixara mais a flor da pele. e além de tudo ainda teriam que lidar com lucius e seu temperamento complicado.
❝ bem, tudo bem, eu- ❞ e ela voltou a falar, fazendo scorpius franzir o cenho. ❝ o que? de onde veio esse ditado? ❞ perguntou, sabendo que provavelmente se tratava de algum ditado popular trouxa que ele não teria como saber.
O clima recluso existente entre eles estava deveras confortável, mas assim como Scorpius, Rose também sentiu seu corpo esfriar à menção da família Malfoy e, consequentemente, à menção do funeral de Harry Potter também. Os olhos da ruiva abaixaram para os pés e ela suspirou. Eram nesses instantes em que ela acabava se sentindo um tanto culpada por encontrar um milímetro de felicidade que fosse, como naquele momento, como se fosse uma afronta estar feliz diante de tanta tristeza. É claro que eram apenas pensamentos confusos. Prosseguiu, no entanto, em silêncio enquanto Scorpius falava sobre sua família, e ela até entendia o lado de Draco caso realmente quisesse fazer isso. Quer dizer, ela tinha certeza que quando foi sua vez, o mais velho teria gostado se os pais tentassem tirá-lo de tudo aquilo em vez de jogá-lo diretamente no olho do furacão. ❝ Também tive essa conversa com a minha mãe mais cedo, mas consegui convencê-la de que tecnicamente Hogwarts é o lugar mais seguro para se etar no momento. ❞ ela não tinha certeza na verdade, pois Hogwarts tinha seu histórico de perigos. Mas por via das dúvidas… ❝ Se você quiser, eu posso ir com você. ❞ a oferta pareceu um tanto incerta, mas talvez fosse só o fato da voz de Rose ter sido abafada pela palma da mão do namorado que ela beijava. ❝ Não sei se vai mudar alguma coisa, mas pelo menos você vai ter alguém do seu lado, sabe, para te apoiar… Dizem que eu sou muito boa argumentando. ❞ brincou, sorrindo pequeno. ❝ Se você quiser eu vou. Não acho que meus p-, minha mãe iria implicar. ❞ diria ‘seus pais’, mas conhecendo Ronald sabia que ele implicaria se ela fosse na esquina com Scorpius.
rose agora estava na altura de scorpius, sentada no balcão da cozinha, e ele mantinha as mãos na cintura dela, apoiadas ali, a ponta dos dedos acariciando a pele sobre o tecido. ele ouviu rose falando que havia tido a mesma conversa com hermione, e ele riu baixo. era uma situação bem diferente... o problema para os malfoy era exatamente hogwarts. o perigo estava lá dentro. lucius sabia disso. draco sabia disso. scorpius sabia disso, mas não mencionaria. além do mais, o que ele tivera com draco não havia sido exatamente uma conversa. ele recebera as cartas do pai, mas não havia respondido nenhuma delas.
diante da proposta de rose weasley, ele abriu um sorriso, que se transformou em uma risada baixinha. ❝ que proposta indecente, weasley ❞ ele brincou, uma mão subindo para o rosto dela, acariciando ali, descendo para o pescoço e descansando em sua nuca, logo depois dela lhe beijar a palma. ❝ você é ótima argumentando, eu sei disso ❞ ele inclinou a cabeça para o lado preguiçosamente, o sono da noite começando a atingí-lo. ❝ tem certeza? rose eu não quero causar uma briga entre você e seus pais. não quero ser um problema para você ❞
E como havia reparado… Tanto nos olhares indiscretos de Ronald, quanto em Hermione cutucando o marido e resmungando para que ele parasse. Apesar de ser muito apegada ao pai, Rose detestava o fato dele ser terrivelmente cabeça dura, o que era uma ironia até pois eram muito parecidos naquele quesito. Contudo, não fazia sentido para ela que Ronald descontasse em Scorpius algo que havia acontecido quando o Malfoy sequer existia. ❝ Eu prefiro acreditar que vai passar, e se não, too bad for him. Eu entendo até o receio dele… Quer dizer, a minha mãe tem ‘sangue ruim’ escrito no braço porque a sua tia escreveu. Mas faz tanto tempo, sabe? E a mamãe que foi a vítima nessa situação consegue separar as coisas e entender que você não tem nada a ver com isso, nem o seu pai. Não vou deixar ele te tratar como se fosse responsável por algo que você não fez. You’re not like her. Bellatrix, I mean. ❞ falava baixo mas sua voz soava firme, determinada a defender seu ponto. Não só pelo fato de Malfoy ser seu namorado, e sim porque realmente não era justo julgar ou culpar alguém pelas ações de uma outra pessoa, ainda mais quando este alguém já tinha se mostrado diferente inúmeras vezes. ❝ You’re different and I love you for that. ❞ Estava pronta para roubar mais um beijo quando sentiu as mãos de Malfoy se apertando em torno de si, a fazendo sorrir. O toque dele era tão bem vindo que não tinha como reagir de uma outra maneira se não se aninhar ali, as bochechas corando automaticamente quando a conversa de repente se tornou íntima demais, trazendo a ela um arrepio familiar quando os flashes de certa noite inundaram sua mente com lembranças muito bem vindas. ❝ How about the second times? Or the thirds… I definitely remember the fourth ❞ só precisou virar um pouquinho o rosto para que pudesse beijá-lo, tomando seu tempo ao fazê-lo como se não fosse madrugada e qualquer um de seus familiares pudesse descer a escada e vê-los. Ao final do beijo, Rose deu de ombros e só então respondeu. ❝ Eu não acho que ele vá chegar para você com aquele papo de 'quais são suas intenções com a minha filha’. Isso é ultrapassado e machista, até. Acho que ele só… Precisa de tempo, sabe? Para perceber que isso aqui é real e que você não vai a lugar nenhum. Que nós somos reais. ❞
scorpius tinha um pânico interno todas as vezes que rose falava sobre futuro, ou como ele era diferente, como ronald estava errado sobre ele. seu peito se esquentava e ele só queria gritar para ela parar, que ele era um mentiroso e contar toda a verdade. mas seo fizesse, sabia que ela não deixaria ele se arriscar. precisava constantemente se lembrar disso, para que não abrisse o bico para a namorada.
namorada...
o pensamento foi como um vendaval, levando embora os pensamentos ruins, e lembrando-o que agora ele tinha rose com ele, e precisava aproveitar. ❝ minha tia... é tão estranho ouvir isso. não sinto como se fossem da família ❞ negou com a cabeça, sendo sincero. em casa, não falavam sobre esses fatídicos dias. não falavam sobre bella ou nenhum dos antigos amigos de lucius. era como se nunca tivesse acontecido, por mais que os olhos de seu pai sempre revelavam mais do que ele falava. ❝ i love you ❞ ele respondeu, lhe dando um selinho rapido, mas rindo baixo em seguida. ❝ urgh, como essa casa tem tantos quartos, mas nenhum vazio? ❞ murmurou, não conseguindo controlar seus pensamentos, e ao mesmo tempo segurou a cintura de rose, dessa vez com mais firmesa, e pegou-a no colo, deixando o quadril dela na altura de sua cintura, e enquanto seus lábios estavam nos dela, ele se virou, colocando rose no balcão e se mantendo no meio dar pernas dela enquanto se beijavam. quando se separaram, scorpius precisou se segurar por um segundo para que não revirasse os olhos quando o assunto voltou a ronald, o que acabou por aquieta-lo, lhe jogando um balde de água fria.
❝ nós somos ❞ ele disse, sobre a última parte, suspirando. por falar em ser real... ❝ meu pai já me mandou três cartas essa semana. não é só o seu pai que ‘ta me dando trabalho ❞ ele disse, e lhe deu mais um selinho antes de continuar. ❝ ele quer que eu volte para casa. não me vê desde... ❞ ele não quis dizer “o funeral de harry potter”, mas sabia que rose havia entendido. ❝ ele disse que está preocupado. que quer me ver. eu tenho medo que seu eu for ele me prenda no meu quarto ou qualquer coisa assim. e não me deixe voltar para hogwarts ❞
❝ Várias. Mas eu não me importo se você continuar dizendo. ❞ retrucou com tom de manha, a cabeça se inclinando um pouco para o lado enquanto o sorriso em seu rosto aumentava. A ruiva chegou mais perto, usando as mãos na nuca dele como aliadas para diminuir a distância. Nas pontas dos pés como estava, não teve dificuldade para beijar Malfoy no queixo, depois do rosto e então na boca, carinhosa de uma maneira reservada única e exclusivamente para ele desde que as pegações casuais escondidas evoluíram para algo a mais, algo que Rose definitivamente não podia tampouco queria reclamar. ❝ É que é complicado dividir atenção entre o Albus, eu, a vovó Molly querendo te paparicar, e ainda por cima aturar os olhares mortais do meu pai. ❞ torceu o nariz à menção de Ronald, sabendo que era uma situação deveras desconfortável. ❝ Desculpa por isso, inclusive. Eu realmente achei que depois desse tempo todo e após ter a minha mãe, a vovó e literalmente todas as minhas tias brigando com ele por conta disso, ele teria finalmente aceitado. O papai não falou nada demais com você, né? Porque se tiver falado eu vou ter que falar com ele, não é justo. ❞
❝ hum... então ❞ ele se inclinou gentilmente depositando um beijo na testa de rose ❝ você fica incrível nessa camisa ❞ disse, deixando que ela segurasse sua nuca e recebeu os beijos dela com os olhos fechados. era uma coisa que ele havia adquirido nessas últimas semanas. aproveitar cada segundo como se fosse o último. ❝ ah, a vovó molly é incrível ❞ ele riu baixo, assentindo quando ela falou de rony ❝ você viu no jantar também, não viu? achei que era eu que estava vendo coisas demais ❞ respondeu. ron estava mesmo direcionando olhares estranhos para malfoy, que ficavam ainda mais acusadores e desconfortáveis agora que scorpius sabia que iria trair rose e toda a sua família. afastou aquele pensamento tão rápido quanto ele apareceu.
ao ouvir a pergunta dela, ele negou com a cabeça. ❝ não, ele não me disse nada. acha que ele vai me chamar para conversar ou coisa assim? não acho que eu esteja preparado. além do mais... ❞ ele se aproximou, as mãos segurando a cintura de rose, trazendo-a para mais perto, subindo seu corpo ligeiramente, enquanto ele inclinava e aproximava os lábios em seu ouvido ❝ it’s way too late to talk about first times ❞
Se levantou com cuidado para não fazer barulho algum, temendo acordar as primas com quem dividia o quarto. Era madrugada de natal e Rose ainda estava acordada, como se seu corpo fosse incapaz de desligar e relaxar depois da avalanche de emoções qual tinha passado durante todo aquele dia. Primeiramente com o reencontro com seu pai. Mesmo já sabendo a alguns dias que Ronald estava seguro, estar com ele pessoalmente e vê-lo tão machucado fez com que ela finalmente entendesse que esteve por um fio de perder o pai, e que se isso tivesse acontecido ele teria ido embora nos piores termos possíveis, visto que haviam se metido numa briga enorme dias antes da Weasley embarcar para Hogwarts. A perspectiva disso a fez chorar de soluçar, agarrada ao peito do pai enquanto se desculpava por qualquer coisa que tivesse dito que pudesse tê-lo magoado, não importava quando, onde, ou em que circunstância, ela só sentia muito. Assistir a família tentando agir naturalmente não havia sido fácil também. Era como se qualquer coisa, lugar, situação ou memória os levasse direto para Harry, e ver as expressões tristonhas nos rostos de sua família, especialmente em Albus, Lily, James e em sua tia Ginny fazia o coração de Rose se partir em infinitos pedacinhos. Descobriu que se sentir impotente era uma das piores coisas da vida.
Ter levado @kingscxrpion consigo, entretanto, tinha tornado tudo um pouco mais suportável, pois apesar de todo o drama que assolava os Potter, ela conseguia enxergar que cada pessoa ali ainda encontrava um pedacinho de felicidade e paz, fosse em lembranças fosse uns nos outros. Para ela, era Scorpius. Foi a mão dele que ela buscou debaixo da mesa durante o jantar, foi ele quem ela quis abraçar quando ouviu Hermione chorar escondida e era com ele que ela estava conversando àquela hora da madrugada. O relógio marcava duas e trinta e três da manhã quando Rose deixou o quarto que um dia pertencera ao gêmeos Weasley e ela desceu as escadas, pé ante pé para não fazer o mínimo de barulho. Como era costume, usava a camisa da sonserina com o nome do Malfoy estampado e tinha os pés descalços.
Fazer parte de uma família como os Weasley significava não ter privacidade, e Rose estava cansada de não poder beijar seu namorado sem ouvir Hugo ou um de seus primos zoando toda vez que acontecia. Namorado. Era a primeira vez que Scorpius ia A Toca sob tal denominação e o pensamento fez Rose sorrir sozinha no escuro, iluminada apenas pelo ‘lumos’ que emanava da ponta de sua varinha, e então ela o viu. De costas para ela, dedos correndo pelos cabelos loiros… Alguém poderia culpa-la por fugir de madrugada só para beijá-lo? Em silêncio se aproximou, se colocando nas pontas dos pés para murmurar um “Boo”, que deveria tê-lo assustado. Tinha uma expressão divertida no rosto quando os olhos finalmente se encontraram e ela se aproximou, envolvendo pescoço masculino com os braços. ❝ Hey, you ❞ a voz dela saiu num sussurro, mas Malfoy sequer teve tempo de responder pois em questão de segundos a boca de Rose ia de encontro a dele, dando ela a chance de beijá-lo como vinha desejando fazer o dia inteiro. Por fim, foi em meio a selinhos preguiçosos que Rose encerrou o beijo, para então confessar. ❝ I’ve been wanting to do this right all day.❞
scorpius sempre se sentiu em casa na toca. frequentava o lugar desde pequeno, quando entrou em hogwarts e se tornou o melhor amigo de albus. passava sempre alguns dias das férias ali, assim como albus frequentava a mansão dos malfoy -mesmo que scorpius ainda achasse a toca muito mais legal comparada ao mármore frio do piso, os lustres caros e a carranca de lucius malfoy quando via albus potter entrando com scorpius em casa. dessa vez, porém, tudo parecia diferente. é claro, tinha um clima complicado pela falta que harry potter fazia, mas além disso, o namoro mais sério de rose e scorpius parecia especialmente assombrá-lo naquele encontro, e assombrar ainda mais ronald weasley.
ele tentava não cruzar os olhos azuis com os do pai de rose, não só por conta do olhar assustador que recebia de volta, mas também por saber que ele fazia parte dos horrores que aconteceram com rony. não diretamente, mas fazia, e aquilo o assombrava todos os dias desde que tomara a decisão. por esses mesmos dois motivos, rose e scorpius não conseguiram aproveitar um ao outro como queriam. eram sempre atrapalhados por algum primo, ou por ron tentando chamar atenção da filha para si. tudo estava jogando contra os dois, por isso eles precisaram eliminar os fatores que atrapalhavam, para finalmente terem um tempo a sós.
rose lhe mandou a mensagem, e ele prontamente respondeu positivamente. malfoy já havia desistido de tentar não parecer ansioso demais ou apaixonado demais, então acabou saindo do quarto em que estava e descendo até a cozinha dez minutos antes do combinado, o que acabou se tornando uma prova de resistência, enquanto esperava rose. ele bebeu um copo de suco, ajeitou o cabelo, foi ao banheiro, e jurava que podia ter dormido em pé caso rose não aparecesse. o seu sorriso se iluminou quando ela se aproximou, e antes mesmo de responder qualquer coisa, os lábios dela estavam colados nos seus. quando se separaram, os olhos azuis desceram para a camisa com o nome dele que ela usava. ❝ quantas vezes eu já falei que você fica incrível nessa camisa? porque você fica ❞ ele disse, a mão se posicionamento na nuca de rose, os dedos acariciando ali. apesar do silêncio, ele ainda tinha a sensação que em breve seriam surpreendidos por um weasley saindo da geladeira ou do fogão. ❝ senti sua falta mesmo passando o dia todo com você. como isso é possível? ❞
Molly franziu o cenho. Por mais que fossem amigos em algum nível, não conseguia imaginar o que é que Scorpius gostaria de tratar com ela em particular. Ainda assim, com a expressão confusa, pediu ao restante das garotas que a acompanhavam que se dirigissem ao Salão Comunal antes dela: “Em breve alcanço vocês!”, despediu-se, com um sorriso e um aceno, e voltou a atenção para o menino Malfoy logo em seguida, a expressão voltando para uma mescla de seriedade e confusão.
“Eu… Eu posso ajudar?” perguntou, incerta. Por alguma razão, apesar de sua curiosidade e da aparente ansiedade do rapaz, não tinha podido ver no que é que ele estava pensando. “Aconteceu alguma coisa com a Ros…” Com um pouquinho mais de esforço, porém, as intenções do sonserino se tornaram claras. Molly sobressaltou-se: “Como é que você sabe?! Foi a Rose que contou pra você?!” perguntou, alarmada e ligeiramente irritada. Achava que estava se saindo bem em manter o seu dom sob controle, em segredo das pessoas de Hogwarts. Com uma guerra se aproximando, era ainda mais importante que a ruiva fizesse um bom trabalho. Aparentemente, todavia, seu desempenho não estava sendo tão exemplar assim. Estreitando os olhos para o rapaz, repetiu a pergunta, num tom ao mesmo tempo ameaçado e ameaçador: “Como você sabe? Abaffiato!” encantou o entorno da dupla para garantir que ninguém além dos dois pudessem ouvir a delicada conversa que se seguiria.
molly era praticamente uma arma. era perigosa. e não só um perigo para as pessoas em volta dela, mas também para os que a cercavam, e para ela mesma. existiam pessoas que matariam para ter aquele dom, e outras que matariam quem tivesse. scorpius franziu o cenho quando ela leu sua mente sem permissão, e franziu o cenho. ❝ sai da minha mente ❞ reclamou, e bloqueou-a. era oclumente, e conseguia fazer aquilo muito bem, durante aqueles momentos mais descontraídos. o que ele precisava saber era se conseguia continuar bloqueando o ataque a sua mente quando o legilimente insistisse. ❝ rose, albus. isso não importa. mas eu preciso da sua ajuda. isso é sério molly ❞
ele ficava desconfortável conversando na frente de todo mundo, mesmo que o feitiço abafasse a voz dos dois. por isso apontou para uma sala perto dos dois, e convidou molly para entrar. quando fechou a porta, suspirou. os olhos azuis fitaram a weasley e ele começou a pensar em tudo. em rose, em albus, e na traição dele que estava perto demais de acontecer. ❝ não consegue ler meus pensamentos agora, consegue? é. sempre tem o ying e yang ❞ não sabia se o fato dele ser oclumente era uma surpresa para ela, mas se não fosse, não se importava tanto.
❝ molly as coisas estão malucas e eu não posso ficar parado vendo as pessoas que eu gosto se machucarem. então eu decidi fazer uma coisa ❞ assim, liberou os pensamentos novamente, e deixou que ela fosse atingida com os planos dele. de se infiltrar nos herdeiros. passou por sua mente as relações que já estava criando com o outro lado. e passou também como ele estava conquistando a confiança deles. deixou também que molly visse suas preocupações e seus medos. a visão que ele sempre tinha, onde ele dava as costas para rose e albus, e todos que eram seus amigos, da resistência. seus olhos estavam cheios de lágrimas quando voltou ao presente. ❝ não vai ser de verdade. mas todo mundo precisa achar que é. e eu preciso ser testado por uma pessoa confiável. preciso saber se eu sou forte o suficiente quando sou empurrado ao limite. não posso deixar um legilimente de lá descobrir tudo por bobeira. ou eu morro ❞ ele disse com certeza. ❝ vai me ajudar ou não? por favor, molly... ❞
Antes mesmo do jornal chegar, Rose Weasley corria os olhos apressados pela caligrafia de Hermione sentindo o coração bater a mil por hora. Ultimamente, todas as cartas que recebia de casa eram motivo de desespero porque ela nunca sabia o que esperar delas, sempre temendo receber uma notícia ruim. Talvez a notícia de que Ronald tinha sido encontrado morto, ou que os herdeiros jogaram seu corpo no meio do Ministério como haviam feito com seu padrinho, e os pensamentos eram tão perturbadores que impediam Rose de dormir, algo que vinha dando a ela uma aparência mais apática. Olheiras marcavam a pele pálida, e suas bochechas já não pareciam tão coradas. Era como se Rose tivesse perdido a luz, e os únicos momentos em que podia se ver livre daquela sensação de medo constante era quando estava com Scorpius ou treinando. Saber que seu pai estava bem, no entanto, trouxe a tona tantos sentimentos juntos que ela nem soube como reagir. Primeiro sorriu, baixando a cabeça para tentar controlar as mãos trêmulas. “O que foi, Rosie? O que aconteceu?” ali na mesa da grifinória, estavam James, Frank, Hugo e Roxanne, todos próximos e a encarando com feições preocupadas. “É a mamãe? Por Merlin, Rose, fala de uma vez!” dessa vez foi Hugo quem se pronunciou, preocupado ao ver as lágrimas escorrendo do rosto da irmã. ❝ É o papai. ❞ começou ❝ É uma carta dele. Ele conseguiu fugir. O papai tá vivo, Hugo!❞ o mais novo se levantou e a abraçou com força, e apesar de estar se sentindo mal por fazer aquilo bem na frente de James, sabia que o primo ficaria contente também. Não teriam que enterrar mais uma pessoa, afinal.
Querendo saber mais detalhes, a Weasley largou o que comia e saiu quase que correndo do salão principal, querendo ir até o dormitório escrever uma carta para Hermione, até dar de cara com Scorpius. O sorris que cruzou seu rosto era tão grande que ela não conseguiu fazer nada além de abraçá-lo com força num primeiro instante. ❝ Ele me mandou uma carta antes que eu pudesse ler, ele tá vivo, Scorp! Meu pai tá vivo! ❞ ela ria, mas as lágrimas não paravam de descer e os soluços não cessavam. Agradecia por aquele ser um choro de alívio, um que vinha segurando a muito tempo e agora ficava contente por deixar sair.
pelo rosto e o sorriso que ela lhe entregou, rose claramente já sabia da situação. e ele mesmo sorriu por ela, abraçando-a e segurando-a contra o seu corpo, um alívio invadindo seu corpo. ele não sabia se conseguiria assistir rose o odiando durante o luto de seu pai. mesmo sendo um pouco egoísta esses pensamentos, principalmente dpeois da morte de harry potter, simplesmente não conseguia evitá-los que incidissem em si.
ele se agastou ligeiramente de rose para que pudesse visualizar seu rosto, e segurando-o entre as mãos, limpou as lágrimas dela com seus polegares, o sorriso dele acompanhando o dela. ❝ eu estou muito feliz por vocês, rose ❞ e puxou-a novamente para o abraço. ❝ vai passar o natal com ele, é o que importa ❞ ele murmurou. já os seus planos para o natal, não eram muitos animadores. não podia voltar para casa, porque draco nunca deixaria ele sair de lá caso o fizesse. por isso já havia mandado uma carta a draco avisando que não saíria de hogwarts naquele ano para o natal.
tudo estava acontecendo rápido demais, e quanto mais pensava sobre tudo isso, mais percebia que estava ficando sem tempo. scorpius sentia a pressão de todos os lados, e ele ainda não sabia como estava conseguindo se manter nas rédeas com tudo aquilo acontecendo. mesmo assim, precisava manter o plano correndo como devia, mesmo que em passos de tartaruga. e para isso acontecer, precisava ter certeza que iria dar certo.
o plano ideal mesmo era ninguém saber sobre o seu plano, mas ele precisava testar sua oclumência e levá-la ao limite, para ter certeza que todos que amavam estariam seguros. foi aí que a ideia de falar com molly sobre isso veio. ele sabia que era arriscado. por um lado, a menina poderia sair correndo e contar tudo a rose e aos outros assim que scorpius abrisse a boca, e isso colocaria o plano todo em risco -de certo algum legilimente conseguiria ler a mente dos amigos, e scorpius sabia bem no que aquilo tudo daria, e não seria divertido com certeza. por outro lado, era a única opção que ele conhecia.
os cabelos claros de molly estavam em sua vista quando ele virou o corredor, e sem pensar muito, apertou o passo para se aproximar dela. ❝ molly, você tem um minuto? é importante. podemos conversar em... particular? ❞
Atenta como estava às reações de Malfoy, não deixou escapar a olhada pouco discreta do sonserino. No auge de seus dezesseis anos e com os hormônios a flor da pele, aquilo foi o suficiente para arrepia-la dos pés a cabeça, se sentindo quente ao perceber que ele a desejava, mas Rose nada fez. Primeiro porque o foco era outro, e segundo pois logo depois Scorpius começou a falar e roubou a atenção dela para si como sempre fazia. Com uma mão dele em seu rosto e outra lhe acariciando a coxa, Rose sentia como se não houvesse outro lugar do mundo onde poderia estar. Aquele era todo um outro nível de intimidade e ela não se referia ao sexo, mas em compartilhar momentos como aquele onde ele dividia suas inseguranças e permitia que ela enxergasse suas fragilidades, pois quem quer que os visse meses e percebesse a natureza competitiva da antiga relação nunca imaginaria que estariam ali, juntos. Parecia tão certo que a mera perspectiva de que houvesse uma realidade onde não estariam juntos soava completamente sem sentido.
Era exatamente isso que se passava pela mente da Weasley e também o que ela se preparava para responder quando Malfoy lhe chamou a atenção, proferindo as palavras que a assombrariam semanas depois toda vez que ela deitasse a cabeça no travesseiro para dormir. A frase que a faria chorar até não aguentar pela lembrança, mas que agora a fez sentir as malditas borboletas no estômago que ela havia crescido ouvindo falar. A Weasley sentiu os olhos marejarem, o sorriso bobo desenhando os lábios femininos quando, ainda em silêncio, Rose se aproximou, se ajoelhando na cama apenas para que sentar-se em seu colo, os lábios se juntando ao dele com suavidade. Iniciou então um beijo calmo e sem segundas intenções, pois aquele era um dos momentos onde palavras não pareciam o suficiente para demonstrar o que a ruiva sentia. Ela tinha certeza que seu coração batia a mil por hora e nunca, em um milhão de anos, imaginou que um “eu te amo” fosse deixá-la contente daquele jeito. O beijo prosseguiu lento, as unhas dela o acariciando na nuca enquanto ela tentava acalmar o coração agitado dentro do peito, o que não aconteceu nem quando finalizou o beijo com selinhos preguiçosos. ❝ Eu também te amo. Muito. ❞ finalmente respondeu, de testa colada dele e com aquele maldito sorriso na face, que provavelmente não sairia dali tão cedo. ❝ E você não vai me perder, seu bobo. Foi só um pesadelo. ❞ a mão que o acarinhava buscou pela dele apenas para que Rose pudesse levá-la ao próprio peito, onde um coração ainda acelerado batia. ❝ See? You got me. I’m not going anywhere, Malfoy. You’re stuck with me. ❞
rose se moveu e sentou-se no seu colo, e aquilo tirou completamente a vontade de chorar, e ele jurava que conseguiria se excitar de novo se não tivessem em um momento tão frágil. esse era a porra do efeito que rose weasley tinha sobre ele, sua mente e seu corpo. ele retribuiu o beijo suavemente, a mão que estava no rosto dela apoiando-se na cama para que ele não caísse para trás, mas a outra subiu para a cintura dela, apertando-a ali.
o “eu te amo” que ela disse de volta fez ele suspirar e ficar ainda mais chateado, sabendo que de certo modo, trairia rose. não no sentido do relacionamento, mas trairia sua confiança, e isso já o tornava uma pessoa horrível. ele riu sem humor quando ela disse que ele não a perderia, a vontade de chorar o atacando sem permissão, novamente. ❝ eu sei... ❞ ele murmurou, não deixando os olhos marejarem de novo. ele passou a mão nos cabelos loiros, jogando-os para trás, mas adiantando pouca coisa, os fios dourados escorregando novamente para frente.
a frase dela, e fez respirar fundo, e se continuassem daquele jeito, ele iria contar tudo. por isso forçou um sorriso e a abraçou de subito, tirando o braço que o apoiava na cama e caindo para trás, trazendo o corpo dela consigo. assim, deixou que rose rolasse para o seu lado, e ele a beijou onde conseguiu naquela bagunça, os lábios dele encontrando a têmpora de rose. ❝ nunca pensei que eu diria eu te amo para alguém. droga, rose. you got me as well ❞ e ele era sincero, mantendo os dois braços envolvidos na ruiva, o cobertor cobrindo metade dele e metade dela, enrolado nos corpos entrelaçados.
era inegável que as coisas estavam complicadas atualmente, para todos os lados. hogwarts estava caminhando cada vez mais para uma polarização que parecia ser inevitável, e ele via pessoas que se gostavam se afastarem, e também pessoas que já se odiavam, se odiarem ainda mais. a pior parte era que o loiro se sentia bem no meio disso, de propósito.
o alívio do dia veio logo pela manhã, no café da manhã quando o profeta diário veio espalhando as boas notícias -essa que scorpius particularmente achou que nunca viria. ronald havia conseguido fugir dos herdeiros, e os weasley não precisariam escarar outro funeral. quem contou-lhe a notícia foi albus, que encontrou o amigo no corredor das masmorras, enquanto malfoy saía atrasado novamente para o café e albus voltava de lá, balançando o jornal na fuça de scorpius, implicando sobre como ele teria mais tempo com o sogro. os olhos azuis não encararam o jornal por muito tempo. apenas leu a manchete em letras grandes e a foto de ronald na capa, e murmurou um ❝ bom dia, albie ❞ enquanto se afastava do amigo, com rose weasley enchendo seus pensamentos. provavelmente ela já saberia na notícia, na verdade... mas ele precisava ver como ela estava.
ele andava procurando a cabeleira ruiva por todos os corredores que passava, e só a viu quando finalmente chegou no salão principal. rose estava saindo dali, e scorpius a abraçou imediatamente, assim que se aproximou dela, puxando-a pela cintura e empurrando-a delicadamente para que saíssem da entrada do salão, também com o intuito de não serem o ponto de atenção dos alunos que entravam e saíam. ❝ você leu o jornal, não leu? ❞
❝ como se sente? ❞ a voz de draco ecoou na sala vazia, assim que scorpius voltou para a casa, depois do enterro de harry potter. draco não havia ido ao enterro, mas mandou-os as condolências por carta. scorpius não culpava draco por não ir. não eram amigos, e ele duvidava muito que a figura do pai melhoraria ou confortaria algum coração presente ali. além do mais, ele não tinha certeza se draco era bem vindo.
❝ chateado. por albus. rose. lily. até por james! ❞ draco não responde, mas o filho pode ver a pequena ruguinha que aparecera entre as sobrancelhas do mais velho, que indicava simpatia e compreensão. ❝ me sinto como se eu não tivesse feito nada para impedir isso ❞ e foi impossível seus olhos claros não fitarem o quadro de astoria que ficava na parede sobre o piano majestoso naquela sala. se astoria estivesse ali, ela entenderia. ela provavelmente abraçaria scorpius e falaria palavras bonitas e o faria sentir melhor.
❝ não havia nada que você pudesse fazer, scorpius. duvido que houvesse alguma coisa que qualquer um pudesse fazer. o ministério já está trabalhando nisso, você sabe que- ❞ a voz de draco parecia gelada contra scorpius, e seus olhos marejados se apertaram antes dele se virar ao pai ❝ para! você ‘ta sempre com essa pose de ‘o ministério vai resolver’, ‘vamos ficar em silêncio e assistir’. agora olha o que aconteceu! eu quero fazer alguma coisa, pai! eu quero ajudar! ❞ mas draco parecia ainda manter a calma, mesmo com scorpius claramente desequilibrado. ❝ isso não é sobre você, scorpius. fique fora disso! não quero que se machuque. quero que confie em mim ❞
❝ eu confio ❞ ele soltou, mas aquela frase não saiu como scorpius queria, fazendo sua voz trepidar nas palavras. e draco percebeu. ❝ isso não é a sua obrigação, scorpius! não é um legado dos malfoy ❞ ele suspirou, os olhos mais claros do que os do filho fitando-o com dureza. ❝ o certo seria você nem voltar para hogwarts esse ano ❞ aquela ideia era absurda demais, e scorpius a refutou no mesmo segundo. ❝ não. isso não ‘ta em pauta ❞
❝ que barulheira é essa? ❞ os olhos de scorpius encontraram os de lucius, descendo as escadas e claramente julgando os dois, de um jeito que no mínimo deixava o mais novo com raiva. ❝ ah! aposto que estão falando da morte do mestiço. esqueçam isso ❞ draco conseguia entender que lucius pensava na auto-preservação, e na preservação de sua família, mas scorpius estava longe de assimilar aquele ponto. mas lucius era esperto, e se pudesse usar a raiva de scorpius para levantar novamente a dignidade dos malfoy com os puristas, ele usaria.
foi exatamente o que ele colocou em prática, quando scorpius voltou para hogwarts depois do enterro de harry potter. o sonserino recebeu uma carta do avô, e por muito pouco não a ignorou e jogou no lixo. mas a curiosidade se aguçou, já que lucius nunca lhe mandava cartas diretamente. era sempre draco que comentava em cartas sobre como os avós estavam. por isso abriu o envelope, retirando o pergaminho bem cuidado e muito bem dobrado, especialmente feito para cartas, aparentemente. scorpius riu em um deboche silencioso, e foi até a porta do dormitório, trancando-a para se manter sozinho. sabia que não seguraria muito se alguém quisesse entrar, mas ao menos ganharia alguns minutos para esconder a carta, caso ouvisse alguém tentando abrir a porta. ele sentou-se na cama e suspirou, os olhos azuis começando a passar pelas palavras escritas ali, um tanto ansioso.
❝ Scorpius,
Eu vi o quanto ficou irritado com toda essa questão sobre os Potter. Talvez eu possa ter um caminho interessante, caso esteja disposto de verdade a proteger os seus amigos, caso seja corajoso para isso. ❞
as palavras escritas por lucius o deixavam nervoso, mas, ao mesmo tempo, ele queria saber mais, e mesmo sem terminar a carta, ele sabia que faria qualquer coisa para proteger rose, albus... e por eles, todos os outros weasley-potter. mesmo sem terminar a carta, ele sabia que já havia aceitado o que quer que fosse a ideia de lucius. então scorpius continuou lendo, dessa vez com mais urgencia:
❝ Tudo de trata de ciclos, veja bem. Seu pai teve a ideia e a influência correta, mas ele foi fraco quando não podia, o que sei que você nunca será. Os Herdeiros de Sangue estão em todo lugar, por mais que você agora não entenda e não os veja. Tudo o que você precisa fazer e se relacionar com as pessoas certas. Você é um Malfoy, se agir como um, vai ser bem-sucedido. O único jeito de manter seus amigos fora de tudo isso, é se você estiver do outro lado, Scorpius. Se souber de cada passo dos Herdeiros, e se eles acreditarem que você é um também. Assim, vai poder não só manter seus amigos seguros, como sua família também. Seu pai, sua avó. Estamos todos contando com você, Hyperion, não se esqueça disso. Você é importante em tudo isso ❞
a carta acabou secamente, apenas com uma assinatura característica de lucius malfoy. a cabeça de scorpius girava, e ele estava surpreso como lucius estava realmente disposto a ajudá-lo com aquilo. se draco soubesse daquela ideia, com certeza perderia os eixos. na cabeça de scor, fazia sentido. estando “do outro lado” ele conseguiria prever os passos dos herdeiros. tirar os potter do caminho. proteger a rose...
infelizmente, a única coisa que scorpius não preveu é que lucius estava mexendo com sua cabeça, deixando-o acreditar que ele faria alguma diferença estando dentro daquele grupo, e que realmente poderia proteger alguém daquela maneira, quando na verdade tudo o que lucius queria era que scorpius fosse influenciado por aqueles que se auto-intitulavam herdeiros de sangue, e que de algum jeito mudassem a mente de scorpius, e o fizessem ser um herdeiro legítimo, como lucius esperava.
A mente sonolenta de Rose não impedia que a memória fresca do que tinha acontecido poucas horas antes a invadisse, fazendo a Weasley ter que morder o lábio para impedir um sorriso idiota de crescer. Era surreal como mesmo em tanta coisa que vinha acontecendo Rose conseguia encontrar no Malfoy o seu ponto de paz e esquecer que o mundo fora daquela sala desmoronava, pelo menos só um pouquinho, por mais egoísta que isso pudesse soar. A risada que ela soltou foi preguiçosa assim como todos os seus movimentos, mas isso não significava que estava menos atenta, ou seja, percebeu os olhos úmidos de Scorpius. Imediatamente, uma pequena ruga se formou entre as sobrancelhas ruivas e Rose se sentou na cama, com o corpo virado para o Malfoy.
O lençol agora a cobria apenas da cintura para baixo mas ela não se importava ou se envergonhava com sua nudez, não existia mais espaço para isso na relação deles. ❝ O que aconteceu, Scorp? Você ‘tava chorando? ❞ a preocupação em seu tom de voz era palpável, o que a fez esticar a mão em busca da dele, entrelaçando os dedos quando encontrou. ❝ Eu sei que a gente demorou a beça para transar mas não achei que tinha sido tanto para você ficar emocionado. ❞ a brincadeira foi apenas para quebrar o clima, assim como o pequeno sorriso que a Weasley ofereceu antes de trazer a mão masculina até os lábios, onde beijou as costas da mesma. ❝ Você sabe que pode conversar comigo sobre qualquer coisa, não sabe? I’m here for you. ❞
rose se levantou, ficando apenas coberta da cintura para baixo, e merlin, scorpius tinha certeza que aquele par de peitos podia exterminar qualquer problema que ele tivesse. de fato, ele ficou um pouco distraído com a visão, mas a fala dela o trouxe de volta, obrigando-o a desviar os olhos por um tempo para se recompor e voltar a fitar os olhos dela.
mais para cima, scorpius. os olhos dela ficam mais para cima. isso.
ele suspirou, os sentimentos voltando em peso. ele se levantou também, seus olhos ficando um ou dois centímetros mais alto que os dela, e ele a puxou delicadamente para um selinho suave. e então ele riu com a piada dela, fazendo com que a tensão devagar desaparecesse. ❝ eu sei... ❞ ele murmurou baixinho, enquanto uma das mãos pousava sobre uma das coxas dela, coberta pelo lençol. ❝ não foi nada. eu tive um pesadelo ❞ ele começou a acariciar a coxa dela ❝ um pesadelo que eu te perdia. e não foi nem um pouco divertido ver um mundo sem você ❞ suas palavras doiam bem mais quando verbalizadas, do que só em sua mente, e ele piscou diversas vezes para que seus olhos não marejassem novamente. ela veria isso só como um pesadelo bobo, mas ele sabia que aquilo era o futuro do casal. e foi ali que ele percebeu que não fazia sentido ter algum futuro que não fosse com rose, e scorpius tinha certeza que fugiria com ela naquele segundo, se pudesse. se não tivessem tanto para deixar para trás.
os olhos azuis de rose não desviavam dos dele, e ele conseguia sentir o coração dele martelando forte contra o seu peito, exatamente como acontecera no primeiro beijo dos dois. ou quando ele pensou que havia a perdido quando ela soube sobre o beijo entre ele e a carrow. ou quando ele a convidou ao baile. ❝ rose ❞ ele a chamou baixinho ❝ eu não posso te perder, porque eu te amo ❞ ele se inclinou e depositou um beijo na bochecha dela, antes de continuar ❝ e eu não estou falando isso porque a gente transou ❞ ele riu baixinho ❝ eu estou falando isso porque eu sei que eu faria qualquer coisa. qualquer coisa, me ouviu? para não te perder de verdade ❞
Não era sempre que tinham a oportunidade de compartilhar intimidade daquele jeito, e ultimamente, diante de tudo o que vinha acontecendo, Rose sentia como se não pudesse se permitir viver coisas assim por ‘não ser o momento adequado’, porém, seguindo essa premissa, quando seria? Não tinha certeza de mais nada, só de que o mundo estava uma bagunça, então não seria idiota de abrir mão de uma das poucas coisas que tinha certeza naqueles tempos, que era sobre como se sentia a respeito de Scorpius Malfoy, e abrir mão dele significaria dizer aos tais Herdeiros de Sangue que eles estavam certos, pois ela bem sabia que não seriam bem vistos. Não por serem um Malfoy e uma Weasley, e sim por serem uma mestiça e um sangue puro. O pensamento de que em algum momento alguém poderia tirar Scorpius dela fez Rose apertá-lo contra si com mais força, como se aquilo fosse impedir algo ruim de acontecer e os olhos dela marejaram, ao mesmo tempo em que ele sussurrava que ela era linda. A Weasley então sorriu, sabendo que as lágrimas não eram de tristeza, eram apenas seus sentimentos por ele se manifestando de uma forma física quando ela não conseguia expressá-los verbalmente, esse era o tanto que Rose o amava. Sim, amava, por mais tolo que soasse pensar num sentimento assim aos 16 anos de idade, e ela só não se importava. A única coisa que importava naquela noite eram as mãos de Scorpius percorrendo seu corpo, arrepiando a pele deixada para trás; era a boca de Scorpius em seu pescoço a fazendo arfar baixinho, era o jeito que ele impulsionou o corpo contra o seu, deixando todos os sentidos de seu corpo em alerta. E então ele tirou a camisa e as lágrimas de Rose secaram, pois o olhar que deitou sobre o corpo dele não continha mais resquício nenhum de algum sentimento negativo, e sim desejo, este que ela demonstrou quando molhou os lábios pouco antes de ser beijada.
Não demorou para que logo as roupas de Rose saíssem também, a camisa, o shorts, a calcinha… E logo, as roupas dela e as do Malfoy formavam um amontoado no chão enquanto os dois expressavam fisicamente o que sentiam um pelo outro, envolvendo o quarto em gemidos e juras sussurradas ao pé do ouvido. Pela primeira de muitas outras vezes que viriam, antes que Rose adormecesse no peito do Malfoy, com o cheiro dele impregnado por todo seu corpo.
Deveria ser madrugada quando ela acordou. Não sabia se tinha tido algum pesadelo, mas tinha o coração acelerado quando abriu os olhos, as orbes azuis encontrando as do Malfoy para a surpresa dela. ❝ Você estava me olhando dormir? ❞ perguntou baixinho, um sorriso bobo sendo disfarçado quando ela escondeu o rosto no peito desnudo do sonserino. ❝ That’s creepy. ❞ implicou, levantando o rosto para fitá-lo. ❝ Não consegue dormir, Malfoy? Achei que tinha te deixado cansado o suficiente. ❞
a cabeça dele já estava uma bagunça nesse dia, e ele pedia mentalmente que isso não transparecesse em suas ações. não que ele estivesse começando a simpatizar com os herdeiros e achar que rose não era digna por conta de sua mestiçagem ou coisa assim. sua cabeçã na verdade estava confusa porque por um lado ele sabia que fazer tudo aquilo que estava planejando iria ajuda-los a sobreviver e a vencer isso, ao menos ele achava. mas o outro lado de scorpius -um lado um pouco mais egoísta- desejava ficar ao lado dela e protegê-la, deixando que o resto de explodisse caso necessário. e ele odiava aqueles pensamentos, principalmente quando pensava em albus. tudo aquilo foi varrido de sua mente, porém, quando a pele dela nua tocou a sua, e um arrepio percorreu seu corpo como eletricidade. uma coisa bem diferente do que ele já havia sentido com outras garotas, o que acabava o deixando ainda mais instável. por aquele momento, porém, ele estava certo que conseguia esquecer todas as suas preocupações e focar no agora. nos beijos, nas carícias e nos lábios se colando, cada vez com mais intensidade.
ele não dormiu naquela noite. quando os dois finalmente lançaram aquele último suspiro, scorpius se deitou e encaixou rose sobre o seu peito, sorrindo quando conseguiu perceber o coração dela batendo rápido, quase audível, assim como o dele. as pontas dos dedos acariciavam a pele dela, ainda nua, apenas coberta com o lençol que os escondia, e devagar ele foi ouvindo-a se acalmar, até que rose pegou no sono. malfoy, entretanto, continuou a fitar o teto, os olhos azuis passando pelos detalhes da cópia do quarto de rose, que antes ele não havia percebido. seu coração já havia se acalmado, mas por mais que seu corpo estivesse exausto e pedisse por descanso, sua mente não sossegava, deixando seus olhos abertos o tempo todo, em alerta, como se esperasse algo ruim acontecer.
algo ruim... isso quase arrancou uma risada dele. quantas vezes ele já havia pensado que aquele momento que estava vivendo, poderia ser o último com rose? tinha certeza que havia perdido a conta. mas ele tinha certeza que depois de tudo o que faria, rose nunca mais falaria com ele. não havia possibilidade dela o perdoar. mas não podia ignorar a oportunidade que o destino lhe dera, de destruir os herdeiros de dentro para fora. os olhos marejaram com a visão do futuro que ele tinha, não pela primeira vez, e desviaram-se para rose e seu pequeno corpo sobre ele, dormindo. e sem nenhum tipo de aviso, a ruiva abriu os olhos e encontrou os dele. imediatamente ele desviou-os dela, escondendo os sentimentos que os olhos marejados expunham. desfarçadamente, fingiu coçar os olhos para conseguir secá-los antes dela perceber, se já não tivesse percebido. ❝ creepy? ❞ ele riu baixo ❝ você fica linda dormindo. não consegui evitar ❞ seus dedos voltaram a acariciá-la delicada e preguiçosamente. ❝ você deixou mesmo, weasley ❞ ele disse baixinho, tentando afastar os pensamentos.
Mesmo quando o que ele mais desejava era ficar sozinho, tal vontade nunca era realizada. Talvez, lá no fundo, ele agradecesse por isso, já que não sabia o que faria quando fosse só ele, as paredes e seus pensamentos. Provavelmente seguiria o rumo de Lily e criaria uma enorme teoria da conspiração. Surtasse igual James e acabasse com a boa imagem que tinha. Ou pior, ele acabaria agindo como Alvo Potter, o que se arrependeria ainda mais. Após o enterro e seu discurso, o tempo não lhe era muito favorável e ainda menos toda a situação. Aquela cerimônia parecia nunca ter fim.
A voz do amigo lhe chamou atenção, ocasionando na abertura de suas pálpebras, encarando sua imagem há pouco metros de si, adentrando pela porta de seu quarto. Não houve quaisquer palavras ditas pelo Potter e nem precisava, Scorpius era seu melhor amigo e o entendia melhor que ninguém. Algumas lágrimas rolaram por suas bochechas, o loiro o confortava com um abraço um pouco desajeitado. ❛ Scorp… Nós temos que fazer algo. ❜ ele conseguiu dizer, até se afastar do loiro, limpando as lágrimas ligeiramente. ❛ Eu não sei o que, mas temos. Eles não podem ganhar assim. ❜ e não iriam, não se isso dependesse do mestiço, os Herdeiros de Sangue pagariam.
❝ eu sei que nós temos ❞ e era verdade. tudo o que scorpius falava era verdade, apesar de suas ações futuras fariam os amigos pensarem o contrário. no fundo, ele sabia que ia fazer alguma coisa e era isso que importava. naquele momento, porém, nada disso passava muito pela cabeça do malfoy, além de albus e sua família. odiava ver albus daquele jeito.
não lhe surpreendeu que albus falasse dos herdeiros. ele era assim. ele falaria de vingança, de resolver as coisas ou de ser o herói. de tudo, menos sobre seus sentimentos naquele momento. ❝ a gente vai fazer alguma coisa, ok? calma ❞ ele suspirou. não queria que albus fizesse alguma besteira que o colocasse em perigo, principalmente. ❝ só... você precisa lidar com isso primeiro. com tempo ❞ com “isso”, ele quis dizer o luto. não só dele, como de gina, lily, e james. o que scorpius menos queria agora era que todos eles se afastassem, e era exatamente isso que parecia que estava acontecendo. ❝ mas a gente vai dar um jeito ❞
Sua mente estava uma bagunça absoluta e Rose sequer sabia por onde começar a arrumar, pois tudo o que conseguia pensar era na enorme placa plantada em sua cabeça com ‘PERIGO’ escrito e neon e letras garrafais, porque no fundo ela sabia que aquele momento marcaria a mudança de tudo. Dali em diante nada seria como antes, e a única coisa que foi capaz de tirar seu foco daquilo foram os lábios de Malfoy contra os seus. Ele tinha o rosto feminino seguro entre as mãos e logo as de Rose sobrepuseram as dele, escorregando para os pulsos masculinos. Scorpius poderia sentir o quão trêmula ela estava através daquele toque, mesmo que a Weasley tentasse respirar fundo para se acalmar, com os olhos fechados e testa colada a dele. ❝ Okay.❞ foi o que ela se sentiu capaz de responder antes de abraça-lo mais uma vez, e ali com a cabeça encostada em seu peito e ouvindo seu coração bater foi onde Rose encontrou sua paz, mesmo que esta fosse momentânea. Pelo menos deu tempo para que ela parasse de chorar. ❝ Eu vou mandar uma carta para a minha mãe, ela deve saber alguma coisa, não é? ❞
ele a segurava contra si e nem se importava com as outras pessoas que haviam ficado na sala de poções, muito menos com o burburinho que estava nos corredores, por conta do acontecido. sua atenção facilmente estava toda em rose, e em como ele precisava estar estável para ajudá-la. ❝ é claro, a ministra! ❞ ele disse, assentindo e ficando aliviado com a ideia da ruiva. ❝ ela com certeza vai saber de alguma coisa, ross ❞ ele acariciava os cabelos dela com as pontas dos dedos, tentando acalmá-la, o que acabava sendo um pouco difícil por ele mesmo não estar completamente confortável com isso tudo. a diferença era que ele não precisava se importar consigo mesmo. só com as pessoas com que ele se importava -e talvez isso fosse um pouco mais complicado. ❝ a gente vai dar um jeito ❞