Ciclo
Começa com a fome.
Eu sinto minha barriga se alimentar de dentro pra fora,
Como se meu corpo estivesse se comendo,
Como se meus órgãos estivessem prestes a deixar de existir,
Até deixarem.
Até a vontade e necessidade de comer sumir magicamente.
Uma apatia física,
Não sinto nada,
Nada até certo momento,
Porque depois de um tempo,
De um curto período de tempo não sentindo nada,
Meu corpo começa a entrar em combustão.
Tudo doi.
Eu sinto tudo.
Desde um fio de cabelo no meio da cabeça até as pontinhas dos dedos dos pés,
Começo a sentir as pontadas nos meus ouvidos,
Sinto fisgadas atrás dos meus olhos,
Minha garganta fecha,
Minha cabeça lateja,
E eu consigo sentir o vazio em meu estomago,
Consigo sentir o vácuo dele,
Como se pudesse sentir o oco, como se o tocasse com as mãos.
Meu corpo fraqueja,
Não sinto mais força nos braços,
E minha pele, meu esqueleto e o que deveriam ser meus músculos vão se atrofiando rapidamente.
O espaço se torna pequeno demais.
Meu coração começa a acelerar implorando por espaço.
Meus pulmões não conseguem mais oxigenar meu corpo.
Minha cabeça vai ficando vazia aos poucos.
Meu cérebro vai perdendo o funcionamento me deixando tonta
e cada vez mais fraca...
Gradualmente sinto a morte chegando ao meu corpo,
Meus sistemas estão parando de funcionar se rendendo ao meu fim pré-agendado.
E assim,
De uma forma simples, mas dramática
Me sinto no leito da morte.
Até que, no meu limite, consigo ingerir um alimento
Por menor que seja, é um grande desafio
Meu corpo reage de forma animada com esperanças de que tudo voltará ao normal
Seu entusiasmo chega a ser pertubador.
Tudo volta a funcionar de uma vez
E a felicidade é tão enérgica que a primeira reação do corpo é a rejeição do que acabara de ser ingerido.
Há o vomito.
As lagrimas por não conseguir mais comer ou manter algo em meu estomago.
O desespero...
E novamente me forço a tentar de novo, logo em seguida
Com sucesso, finjo eu
Meu corpo volta ao seu funcionamento limitado, mas contrafazendo o que é saudável.
E no dia seguinte, o ciclo se repete
As vezes no mesmo dia,
As vezes em poucas horas,
E tudo volta do inicio e reinicia no final,
Um ciclo perverso, com certeza.
Porém, mesmo que perverso, ainda é viciante e fatigante de sair.














