⊱ ˙ 🍎 ៹ . — era verdade os contos dos filmes quando diziam que a proximidade com aquele que você ama é uma experiência única e que dificilmente pode ser substituída por qualquer outra. é algo que transcende a um nível inexplicável; e era isso que hanguk sentia no momento. nunca, em seus meros vinte e quatro anos de vida, sentiu como se sua felicidade dependesse do contato com outra pessoa. por todo esse tempo foi ensinado na igreja que a única pessoa a quem seria devoto de tamanho amor era seu Deus, mas, literalmente, não sabia onde estava ele em seus pensamentos, não quando a boca estava muito ocupada em sentir e provar de yujin da forma que sempre ansiou.
⊱ ˙ 🍎 ៹ . — suas crenças resumiam-se no toque suave, recíproco, que causava na pele alheia. a mão que outrora havia descansado na nuca dele, deslizou pelo braço, mas o manteve sempre perto. negava-se a deixar yujin ir, não quando estava apaixonado pela proximidade dos dois, coisa que ansiou por tantos anos. era como se ele fosse uma parte de si que era impossível desvincular — e nem queria, seria um pesadelo sem comparação. fez daquela troca de afeto uma sensação boa, da qual não queria que parasse tão cedo, e quando yujin afastou-se momentaneamente, para hanguk tinha ido longe demais, mas não foi isso. na verdade, foi algo que o deixou mais perplexo ainda. ele o… amava? e nem teve tempo de raciocinar as palavras direito, pois o mais novo havia cortado seu tempo, impedindo-o de se pronunciar sobre aquilo.
⊱ ˙ 🍎 ៹ . — de fato, não sabia como falar nem como replicar as palavras, visto que a sinestesia na qual estava, imerso nas sensações que o outro lhe proporcionava, era demais para sequer pensar. mas, da mesma forma que suas atitudes estavam sendo intensas e instintivas, não calou-se. poucos segundos depois do que ouviu, hanguk levou a destra para tocar a bochecha de yujin e afastá-lo, nada gentil por conta do toque rispidamente interrompido. não podia perder tempo ao dizê-lo. “eu amo você demais.” sibilou um riso que não carregava humor e sequer continha graça, era apenas pelo nervosismo no qual estava se impondo naquele momento. ele nunca, nunca em sua vida, nem mesmo para sua mãe, havia dito aquilo à outra pessoa. costumava ser muito indireto sobre seus sentimentos e normalmente só conseguia se expressar através de ações, talvez por isso tivesse forçado manter aquele contato visual com yujin, pois queria que ele entendesse o quão sério ele falava, embora sorriso no ato. “por favor, vamos sair daqui.” e só então quebrou aquele momento com outro beijo, dessa vez um pouco mais demorado e mais apaixonado. sentiu a textura dos lábios alheios pelo tempo suficiente onde pudesse retomar a fala, levando as mãos para a cintura dele, lhe abraçando. “vamos para a mansão. eu quero ficar com você…” não havia ninguém mais carente que hanguk naquele momento, não quando ele praticamente gemia de manha — quase que infantilmente — para que yujin o escutasse e concordasse.
ㅤㅤㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ ◜✧ yujin não lembrava da última vez que um simples ‘eu te amo’ havia sido tão naturalmente arrancado de seus lábios e, em outra ocasião, odiaria hanguk por fazê-lo expor-se de tal forma. era tão ridiculamente vulnerável nos braços do maior, e sempre fora assim. não sabia o que nele havia sido forte o suficiente para lhe derreter o coração ━ mas talvez aquele fosse seu segredo. hanguk não era bruto, como todos os outros que haviam passado pela vida do jovem agente: ele era o ápice de uma gentileza quase sobre-humana; a qual, mesmo em sua forma mais superficial, era desconhecida para yujin. era impossível que não o amasse; um desafio que se recusava à cumprir. mesmo que as partes mais racionais dentro de si lhe implorassem para que interrompesse tal ato, se levantasse do colo de outrem sem dizer nada além de um ‘perdão’, e saísse dali sem nunca olhar para trás, yujin permaneceu. contrariando todo o seu bom senso, algo comum quando estava na presença do maior ━ até mesmo arriscava dizer que ele era responsável por alimentar o fogo que crescia dentro de seu peito desde que era uma criança caótica e solitária. hanguk sempre fora uma pequena luz para si, seus abraços lhe protegendo de algo que desconhecia, quando ainda era jovem demais para compreender o mal que lhe cercava de todos os lados. talvez aquelas memórias tornassem a tarefa de manter-se longe mais difícil (e, apesar de tanto querer provar tal afirmação como falsa, yujin sempre soube daquela minúscula fragilidade, escondida sob seu peito).
ㅤㅤㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ ◜✧ considerando a carga emocional que o simples nome de hanguk carregava para si, não fora surpresa quando, após deixar que aquele ‘eu te amo’ atropelado escorregasse por seus lábios avermelhados (e também já inchados graças ao ósculo), simplesmente retomou o beijo com maior intensidade. poderia ser sua última chance, afinal. conhecia-o bem demais para acreditar que, daquela vez, seria para sempre. não era tão rijo quanto acreditara ser, ao que parecia: suas barreiras tão facilmente caíam ao chão quando em contato com a pele de hanguk; e sua mente, programada para o fatalismo cego e a racionalidade insensível, parecia adotar um modus operandi saído de um roteiro de algum filme da disney. maldito seja choi hanguk. ao senti-lo se afastando, pensou que era aquele o verdadeiro final de ambos. nunca mais sentiria-o tão perto, e apenas tal conclusão fez com que seus olhos ardessem, lágrimas lutando contra o orgulho do jovem moon. evitava encará-lo diretamente, mordendo seu lábio inferior em tola tentativa de recuperar seu auto-controle ━ este que desapareceu por completo ao escutar a voz harmoniosa de hanguk lhe dizer as palavras que tanto desejara ouvir durante os anos que permaneceram separados. mesmo com o riso que este emitia, yujin foi incapaz de conter a si mesmo, voltando a segurar o rosto de outrem e tomá-lo em inúmeros selares ━ após encará-lo como um bobo por longos segundos, é claro.
ㅤㅤㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ ◜✧ provável que estivesse sonhando, ensandecido graças ao álcool, mas era um delírio tão bom que yujin não se importava de agarrar-se a ele. encostando sua testa contra a dele, suspirou ao ouvir sua voz doce tão próxima de si, acenando sua cabeça ao escutar o pedido de outrem. sentia suas pernas tremendo e, mesmo com aquele nervosismo juvenil que se apossara de seus músculos, yujin ainda conseguira rir do jeito manhoso de outrem, levantando-se com cuidado. segurou uma das mãos do maior, apertando-a entre as suas próprias. encarou-o por algum tempo mais uma vez, antes de mover-se em direção à uma das muitas passagens secretas presentes na agência. não conseguia dizer nada, quase temeroso em perturbar tal harmonia que haviam estabelecido. antes que pudesse abrir a porta que levava até à mansão, parou de forma abrupta, puxando hanguk para mais perto. encarava o chão, sua boca entreaberta não conseguindo pronunciar o que tanto queria dizer. ━━ hannie. ━━ murmurou, voz tão baixa que ele mesmo mal conseguia ouvir. o apelido que havia dado para hanguk quando ainda eram crianças agora soava estranho em sua língua; mas, ainda assim, yujin conseguia saboreá-lo, o gosto doce lhe trazendo certa nostalgia. ━━ isso é real, não é? ━━ perguntou, procurando as orbes cor de mel de outrem. apertou as mãos dele mais uma vez, sentindo-se levemente tonto devido à bebida. puxou-o para baixo, aproximando-se o suficiente para apenas encostar seus lábios mais uma vez.━━ por favor, não vai... ━━ começou a pedir, olhos tão sinceros quanto as palavras que dizia. não vai embora outra vez.