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@krsapeterpan-blog
✨ — do you need somebody?
Se Elliot dissesse que beijar Areum não tinha passado pela sua cabeça, estaria contando uma mentira. Não só ali, no instante em que os olhares encontraram e ele desceu os olhos até a boca dela — mas em outras situações, quando ela parecia brilhar falando sobre as coisas que gostava; quando ela era extremamente gentil com ele no colégio e durante as missões e ele só queria agradecê-la por estar em sua vida, ou quando ensaiavam para a banda, apenas os dois, e aí ele via o sorriso dela direcionado exclusivamente a ele e o pulsar ficava duas vezes mais forte. Costumava ser um garoto corajoso, pelo menos era isso que seu pai dizia sobre ele, só não o suficiente para fazer o que seus pensamentos — e seu coração — mandavam.
Areum foi mais rápida em atender às demandas internas dele, sequer fazendo noção destas já que Elliot conseguia esconder muito bem seus sentimentos verdadeiros. Ele sentiu a aproximação de seu corpo e, sabendo exatamente o que ela pretendia, inclinou-se na direção dela, cerrando os próprios olhos. Os lábios de Marie eram mais macios e doces do que ele tinha imaginado, mais cheios de gloss também, e tocá-los trazia a sensação de uma brisa fresca de verão mesmo que estivessem em pleno inverno. Elliot poderia ficar naquele selar por horas — ele queria ficar naquele selar por horas, queria intensificá-lo e beijá-la de verdade, porém antes que pudesse tomar qualquer iniciativa, Areum se afastou bruscamente, deixando-o vazio. Foi só então que Elliot percebeu o quão estranha aquela situação poderia ficar. Eles eram bons amigos, sempre foram; e bons amigos não deveriam se beijar. Ou pensar sobre beijarem um ao outro. Mas era aí que morava o problema: não deveriam, mas ele queria, realmente queria, e vinha querendo isso por certo tempo. No final, eram dois adolescentes.
Observou com um sorrisinho a pequena crise de Areum, levantando-se do sofá sem dizer nada e caminhando até a entrada da sala, onde um visco pendia no topo da batente da porta. Tinha visto aquele visco no dia anterior e fez uma nota mental de ter cuidado com ele para evitar constrangimentos... Agora, no entanto, ele esticava o braço para pegá-lo. — Você sabia que a tradição de beijar alguém debaixo do visco começou na Grécia Antiga, durante casamentos e celebrações, porque a planta representava fertilidade. Depois se estendeu por outras culturas, tipo na Inglaterra antiga, que era importantíssimo beijar debaixo do visco, caso contrário, a menina nunca se casaria de novo — começou a falar, ainda com um meio sorriso brincando nos lábios. Só podia ser sorte o fato de Elliot ter ficado curioso sobre a tradição do visco e tê-la pesquisado na internet mais cedo naquela manhã. Ele voltou para o sofá, sentando-se novamente ao lado de Marie. — Eu acho isso estúpido, mas, de todo modo, o visco representa sorte e prosperidade e é dito que quem troca um beijo debaixo dele vai ter um ano muito bom, cheio de sorte. E quem pula a tradição e não beija ninguém depois de ficar debaixo do visco, acaba tendo um ano cheio de azares... — continuou e, com o braço levantado, ele chacoalhou o visco sobre a cabeça da amiga. Em seguida, repetiu a ação sobre a sua. — Eu não quero ter um ano cheio de azares, você quer? — perguntou com uma sobrancelha erguida. Esperava não estar fazendo de si mesmo um tolo.
✨ — do you need somebody?
Como parte de suas habilidades de arqueiro, Peter estava sempre em estado de vigilância. Era perspicaz, capaz de absorver os pequenos detalhes que iam desde barulhos suspeitos quando estavam em missões até a lágrima que Marie tentava esconder dele agora. Sentindo o coração apertar por ver a colega tão chateada, e sem entender o porquê, o garoto deu exatos cinco passos na direção dela; parando logo à sua frente. Moveu algumas das sacolas de compras, com a delicadeza para não quebrar ou estragar nada, e se sentou ao lado da amiga no sofá.
Por um instante, ele não encontrou palavras. Embora fizesse parte do seu papel como líder ser, também, conselheiro, a ideia de soar invasivo perto da garota não lhe apetecia. Se ela quisesse contá-lo o que tinha passado, então Elliot se mostraria cem porcento disposto a ser o pilar dela. Se não quisesse, ele daria o seu melhor para deixá-la animada com palavras e ações. Limpou a garganta, arrumando a postura, e virou a cabeça para encarar a amiga: — Entendi — sorriu de canto, um pouco entretido pelo fato de que conhecia Areum tão bem que já imaginava que ela teria feito compras para se sentir melhor. Perguntou-se se deveria oferecer mais uma ida ao Shopping, mas deixou o pensamento de lado quando outra ideia surgiu como se uma lâmpada tivesse sido acesa sobre os fios castanhos. — Quer ajuda para levar as compras até o seu quarto? Depois que terminarmos as viagens — ele frisou a palavra, levantando uma sobrancelha para as dezenas de sacolas — Podemos assistir um filme. Eu ainda tenho o DVD de Diário de Uma Paixão que você me fez comprar há uns meses e esqueceu na minha estante — riu baixinho, lembrando-se da estranheza de ter aquele DVD no meio de todos os seus jogos e filmes de ação, bem visível no quarto verde-musgo. Só Marie poderia ser capaz de estragar toda a sua coleção adicionando um romance bobinho à estante sem que Peter reclamasse, qualquer outra pessoa poderia se considerar encrencada. Sob esse pensamento, ele esperou um segundo e, então, entrelaçou as mãos dela com as suas, bem maiores e mais geladas que as alheias. — Areum, se você precisar de qualquer coisa, você pode sempre vir no meu quarto assistir Diário de Uma Paixão — disse suavemente, mirando-a.
Catch These Hands! with your hands. we’re holding hands now. this is nice
@krsatecna
— Eu não acho que deveríamos estar aqui, considerando que ainda estão investigando a morte da agente nesse prédio… — Raven suspirou, sabendo que sua voz saiu um pouco trêmula. Nunca seria fácil pra ela ver qualquer agente morrer. Principalmente uma pessoa tão nova. — Que tal a gente ir pra outro lugar?
Elliot não soube como reagir à notícia. Não conhecia tão bem a garota, mas ainda lamentava horrores por ela, seus familiares e toda a agência que já vinha lidando com muito desde o ataque no Natal. Ele se sentia apreensivo pelos seus amigos, não podia mentir à ninguém sobre o medo que tinha em falhar como líder para o Junior A e ver-se no lugar do Training D à qualquer instante. O temor de perder alguém como aqueles agentes haviam perdido Circe... Ele estava gelado, da cabeça aos pés. Quando menos esperou, portanto, encontrou-se procurando pelo conforto de sua mãe que, ele percebia, também parecia nervosa com toda a situação; afinal, quem não estaria? Concordou com a cabeça ao ouvir a sugestão dela, pensando em algum programa divertido que poderiam fazer juntos para que ambos esfriassem a mente. — Hum, que tal você me levar na loja de games, mãe? Saiu aquele jogo que eu te falei que queria.
[…] No final das contas, é um ótimo exercício pra fortalecer os músculos, o equilíbrio e a resistência. Também não é tão fácil quanto aparenta ser.
— Não tem nada que eu não saiba fazer, ou não possa aprender — falou com o peito estufado, dando alguns passos até o centro da sala para que pudesse chegar mais perto da mulher. Ele tinha aparecido ali por acidente, mas, agora, realmente gostaria de testar seus músculos no poste. Talvez depois pudesse exibir seu novo talento e toda a sua força para o resto de seu time. — Mas como que eu faço? Eu só me agarro e giro?
thalia tinha um tablet e uma prancheta nas mãos quando entrou na sala. no chão seu gatinho-robô Shiro andava se entrelaçando em suas pernas, quase fazendo com que a morena caísse, mas apesar disso ainda sorria para o animalzinho, que não demorou a achar um lugar para se acomodar próximo a ela. só depois de colocar o que trazia consigo em cima da mesa foi que a cientista notou que não estava sozinha ali – o que, na verdade, já deveria ser de se esperar, já que ela mesma havia convidado a pessoa em sua frente. — oh, me desculpe pela demora e pela falta de atenção, esses primeiros dias do ano estão meio… cheios. — cheios demais, na opinião de thalia, mas preferiu deixar essa parte de fora. — enfim, obrigada por ter vindo e espero que não esteja te atrapalhando em nada. prometo que vai ser rápido. eu só preciso atualizar algumas informações sobre você no banco de dados, é praxe de começo de ano. podemos começar?
Quando Peter Pan recebeu o chamado através do KRSA Watch, ele imaginou que alguém da Staff precisasse de alguma coisa muito importante com o Junior, como, literalmente, todas as vezes em que a equipe técnica da agência tinha lhe enviado mensagens. E por isso, pelo bendito histórico de chamados, o líder saiu correndo do banho em direção à sala marcada no aviso, vestindo o primeiro suéter que encontrou atirado na pilha de roupas — ao avesso —, a primeira calça — furada no joelho — e o primeiro tênis — tão gastado que ameaçava rasgar nas laterais. Perdeu a conta de quanto tempo ficou no cômodo, sozinho e com cara de tacho esperando que o responsável aparecesse, mas já tinha roído todas as unhas das mãos quando a mulher chegou acompanhada de um gato. Cumprimentou-a com uma breve reverência e, em seguida, estendeu a mão para chamar a figura junto à ela, sorrindo de orelha a orelha. Sempre gostara de gatos. — Ah, sem problemas — respondeu, ajeitando o suéter ainda sem perceber o estado do mesmo. — Atualizar o banco de dados? — perguntou confuso, embora no fundo estivesse aliviado por não ter acontecido nada grave com o seu time. — Uh, tudo bem. Podemos sim.
Corredores que pareciam iguais, pessoas sempre passando de um lado para o outros e treinamentos que ela jamais pensou que veria… era assim que Kannika via a KRSA ainda que três semanas depois de ter sido levada para lá. A tailandesa se perdia fácil nos corredores, ainda que tentasse memorizar para onde virava ou algum ponto de referência, a neta do rei tailandês não conseguia evitar de parecer uma barata tonta. Ela procurava o refeitório pelo o que parecia ser a milésima vez e ainda que a comida dali não lhe agradasse totalmente, não podia sair dali sendo que só lhe restava acostumar com o que era preparado. - Com licença. - se aproximou rapidamente de alguém que passava, desistindo de tentar achar por conta própria o caminho para o refeitório - Pode me dizer em que direção fica o refeitório, por gentileza. Eu não consigo me localizar muito bem nesses corredores, parecem todos iguais.
Distraído com o joguinho em seu celular, Elliot caminhava pelos corredores da agência em direção à sala da especialista que ficara responsável de finalizar as flechas explosivas do seu arco. Conhecia o trajeto como a palma da mão, uma vez que roteara o lugar inteiro mentalmente, e por isso não prestava a devida atenção nos arredores — algo costumeiro seu graças ao vício nos jogos eletrônicos. Ele sabia que era perigoso andar por aí mexendo no KRSA Watch ou no celular, alheio à sua volta, mas, até agora, nenhum acidente, esbarrão ou tropeços tinham acontecido com o agente... Literalmente, até agora. Levou um susto ao ser abordado pela presença alheia, quase deixando cair o aparelho, e demorou alguns segundos até reconhecer a face à sua frente. — Ah, oi, Rose — sorriu simpático ao cumprimentá-la, esperando que ela completasse sua frase antes de tornar a falar. — Esse é o caminho oposto, na verdade... Estamos um pouco longe — riu baixinho, guardando o celular no bolso à passo que o coração se recuperava do sobressalto. Em seguida, voltou-se para a garota. — Eu te mostro. Não estava planejando ir à cozinha, mas um lanche até que cairia bem. Além do mais, a princesa perdida merece esse resgate — brincou.
(^▽^)
Ele deu de ombros com um meio sorriso, respondendo à pergunta alheia. — Há uma primeira vez para tudo, não acha? Também nunca patinei, pelo menos vamos pagar esse mico juntos — riu baixinho, caminhando em direção à saída do salão que daria diretamente no pátio, onde alguns agentes já se divertiam na pista colorida de patinação. — Puberdade, dude. Já estou passando de um metro e oitenta — afirmou, lembrando-se da última vez em que seu pai o medira na parede da casa de fazenda dos Marin. — E você? Talvez seja só eu, mas também parece mais alto.
A primeira reação desenhada pelas linhas da face foi de ofensa, como se a garota ter simplesmente assumido que ele não sabia patinar fosse um ultraje para um cara como Elliot Marin, um crime imperdoável, embora não contivesse um pingo de mentira no questionamento dela. — Eu sou bom em tudo que faço, Tomoe — retrucou, omitindo a verdade ao entregar à outra um sorriso charmoso. Talvez ainda desse tempo de fugir, fingir alguma câimbra horrível na perna para não precisar admitir que, de fato, ele não sabia patinar e evitar uma queda vergonhosa na pista na frente de Tomoe. Talvez só precisasse distraí-la, desconversando-a. — Ah, é mesmo? Não estou surpreso, você é sempre tão graciosa — deu ênfase na última palavra, arqueando as sobrancelhas marotamente. — Brincadeiras à parte, você está realmente graciosa nessa roupa. Destacou seus olhos e te deixou ainda mais bonita, uau! — exclamou com o intuito de bajulá-la até que se esquecesse do convite para patinar.
Wet Hot American Summer: First Day of Camp (2015)
Elliot podia jurar que até alguns segundos atrás, a presença ao seu lado era de um dos agentes Junior e não de seu pai, justo a pessoa de quem ele vinha fugindo a noite toda. Engoliu em seco, forçando um sorriso ao girar os calcanhares e ficar cara a cara com o homem. — Hey, dad... Eu não estava fugindo de você — mentiu, levando a mão até a nuca para coçá-la numa demonstração de nervosismo. A frase seguinte do progenitor fez as linhas da face de Elliot se contorcerem, e ele deixou cair o braço ao lado do corpo. Cringey, pensou. — Qual é, pai, você ir comigo na pista já é um mico. As meninas zombam de mim porque a mamãe e você aparecem do nada na casa da árvore trazendo minhas fotos na fazenda. Actually, não só as meninas. Todo mundo! Isso é humilhação! — choramingou com a entonação mais aguda que o normal. Era verdade, o casal vivia para envergonhar o filho.
Haviam vezes em que Peter se perguntava seriamente qual seria o problema das garotas do seu time com ele—com exceção da amiga, Marie, que o tratava bem. Cinderela parecia querer matá-lo a todo instante; Tomoe nunca respondia às suas mensagens de bom dia no kakaotalk, e Tecna... Bom, Tecna agia de modo muito estranho considerando que ele nunca fizera nada prejudicial à ela ou a Jack, que também insistia em atacá-lo em momentos aleatórios do dia. O líder não conseguia entender: só poderia ser de família, impossível existir outra explicação aos olhos do Marin. — Você não precisa ir se não quiser, Tec — respondeu, sendo surpreendido pelo enganchar dos braços e um sorriso da parte alheia. — Uhhh, okay — murmurou levemente assustado com a mudança de comportamento repentina da colega, mas não se opôs ao tê-la agarrada nele. Apenas suspirou, virando o rosto para encará-la e perguntar num tom amigável: — Você sabe patinar?
Peter franziu o cenho, assustado com a resposta do garoto para um convite tão simples quanto patinar no gelo. Não o conhecia o suficiente, apenas por nome, mas esperava que não estivesse passando por nenhuma dificuldade no momento. — Tá tudo bem, cara? — questionou com certa preocupação no tom de voz. Os instintos de líder, amoroso e cauteloso, sempre falavam mais alto, mesmo que Ferb não fosse um dos seus colegas do Junior A. — Não quero fugir, eu só não quero mais escutar Ed Sheeran. Além do mais, a pista de patinação parece muito legal — deu de ombros.
Ele observou o vestido da outra, como ela indicava, ponderando por que diabos garotas sempre insistiam em roupas extravagantes como aquela quando poderiam, simplesmente, optar por algo mais curto ou menos pomposo. Mais confortável. — Ah, aí não tem graça. Vai parecer que você é minha babá — soltou um riso anasalado, as sobrancelhas juntas. — Que tal fazermos outra coisa então? Contanto que saiamos desse salão porque a música tá muito chata.