Sabia que Wooteuk reprovaria sua demora (e sua certeza apenas cresceu ao pegar seu celular — o qual só havia comprado pela insistência do marido — antes de sair do apartamento que dividiam). Apertou sua gravata, mesmo que não gostasse de fazê-lo, apenas porque sabia que seria do agrado de outrem — e com certeza precisaria bajulá-lo um pouco para que sua falta de pontualidade fosse esquecida. Não se arrependia, é claro. Talvez devesse ter preparado as surpresas de dia dos namorados com antecedência, mas, por mais que tivesse tentado, as palavras sinceras que havia escrito na carta bem guardada entre o cartão cafona apenas haviam saído no calor do momento. Nunca fora alguém que valorizasse bens materiais (até porque, crescera sem muitas coisas após a morte de sua mãe), o que criava um contraste até mesmo divertido entre ambos: os presentes de Cheolsoo eram, portanto, carregados de um sentimentalismo à moda antiga.
Mas tal fato tornava-se um positivo quando encarava o olhar luminoso que o homem direcionava a si. Sabia que o afeto, em suas formas mais simples, fora muitas vezes negado a Wooteuk, e encontrava sua felicidade ao oferecê-lo para aquele homem que tanto amava. Naquele quesito, sabia que estaria para sempre na fase de lua de mel — o que era até engraçado, considerando os anos de provocações e ódio quase infantil que nutriram um pelo outro quando mais jovens. Fez curta mesura ao ter uma de suas mãos tomadas por ele, um riso soprado escapando por seus lábios carnudos.— Me desculpe pelo atraso.— pediu, utilizando-se do olhar mais adorável que possuía, sendo um homem de trinta e três anos. Aproximou-se do corpo de outrem aos poucos, acariciando sua cintura ao dar-lhe um prolongado beijo. — Espero que ninguém tenha roubado meu agente mascarado enquanto estive longe. — provocou, separando-se minimamente dele.
Chegava a ser cômico o quanto a relação dos dois passara de algo quase completamente líquido — imprevisível e que assumia diversos formatos — para a concretude que experienciavam cada vez mais com o passar dos dias, anos. No início de sua fase como agente training, Wooteuk se acabaria em risadas de desprezo caso alguém o dissesse que Cheolsoo estava destinado a ser o amor de sua vida, mas, vendo a situação atualmente, arrepende-se de não ter descoberto mais cedo — apesar da magia em seu peito ao pensar no desenvolvimento natural de seus sentimentos pelo mais velho. De qualquer forma, a quantidade de anos em que estavam juntos, como casal ou não, possuía divertidas histórias que nunca desejaria apagar de sua memória.
Cheolsoo possuía uma beleza invejável, um charme único, e tinha certeza que qualquer trapo trajado pelo mesmo pareceria uma obra de arte, mas vê-lo tão bem arrumado com o terno carinhosamente escolhido fazia Wooteuk se questionar se não estava em algum filme de princesa Disney. Era impossível sentir raiva de seu príncipe encantado. — Está tudo bem, amor. — entrelaçou seus dedos, um olhar suave sendo lançado através da própria máscara. — Mas se atrasasse mais um pouquinho, juro que te matava. — riu pousando sua mão livre nos ombros do marido para corresponder o beijo com doçura. A sensação que tinha era de que só haviam os dois naquele momento, nada mais tinha sua atenção, além do Cheol. — Na verdade, algumas moças muito bonitas me roubaram para dançar mais cedo. — falou como se aquilo fosse capaz de provocar algum ciúme no homem, mas ambos sabiam que não passava de uma brincadeira. — Mas estava esperando o meu príncipe para minha última dança... o melhor sempre fica para o final, certo? — disse zerando mais uma vez a distância entre ambos para um selar sobre os lábios alheios.