locked inside my memory and only you possess the key, no longer drowning and deceived all because you came for me
As semanas que se sucederam a noite em que passou com Kwan Dawson foram as piores para a morena; ao passo que queria falar com ele, sentia que precisava fugir do mais velho. E, covarde como era, assim o fez: quando sabia que o outro estava indo para sua casa, inventava um passeio, quando ele chegava de surpresa, se escondia em seu quarto e não saía por nada. Não era arrependimento, era medo que a fazia agir assim. Medo de não saber como olhar para ele, medo de perceber que realmente foi só uma outra adicionada a lista do Dawson. Winter tinha mais medo do que qualquer outra coisa e, na sua cabeça, se ignorasse, logo iria passar e não existir, certo? E, se não existe, então nada aconteceu, não perdeu nada. Não havia riscos para correr se fingisse que estava tudo bem, que o que aconteceu entre eles foi um sonho.
Talvez fosse essa rotina puxada que estava levando, porque Kwan realmente tinha o hábito de ir visitar demais ela e seu irmão, ou só uma má alimentação, ela não sabia explicar mas algo em si não estava bem. E isso começou em questão de um mês, seus dias estavam tão longos e corriqueiros que a coreana também sequer reparou que seu período estava atrasado, porque se tivesse juntado todos os detalhes, ela teria percebido logo no início. Mas quando parou para juntar tudo, seu mundo inteiro pareceu cair. Winter ficou, pelo menos, meia hora parada olhando fixo para o chão, mas não era isso que olhava, seu olhar parecia atravessar o piso e ir além. Seu coração estava acelerado, as mãos tremiam e não tardou para as lágrimas caírem. Ela, agora, encarava o teste que havia comprado mais cedo na farmácia naquele dia: positivo.
Tentou negar, tentou pensar em outra coisa, tentou fazer qualquer coisa menos aceitar que havia vacilado. Porque aceitar seria dar voz para o que havia acontecido entre ela e Kwan, e não poderia fazer isso. Ambos seguiram suas vidas, como imaginava que ia acontecer, ele estava treinando mais do que nunca com seu time de futebol para saírem em temporada, esquecendo-se totalmente da noite que tiveram juntos. Da primeira e última vez da garota. E tudo que ela temeu acontecer, aconteceu. E pior, aliás, pois agora carregava o fruto de algo proibido. Seu irmão nunca poderia saber quem era o pai de seu bebê, era melhor ser considerada como irresponsável do que acabar com amizade dos dois; uma vez que Jeonghan descobrisse, com toda a certeza iria partir pra cima de Kwan, e a troco de quê? Se o Dawson não teria a intenção alguma de assumir a paternidade.
O bebê seria apenas dela, de ninguém mais. E estava tudo bem, a princípio, surtou muito com a ideia mas, conforme o tempo passava, Winter percebeu que mesmo que se tornar mãe não estava nos seus planos seria a melhor coisa que poderia acontecer consigo, ela se sentia sozinha o tempo inteiro, tinha suas amizades mas não era a mesma coisa, era como se faltasse alguma coisa. E talvez um bebê tivesse vindo para preencher esse vazio. Não ter um pai era uma consequência de uma escolha ruim, deveria ter se policiado, deveria ter medido suas atitudes naquele dia, mas, no final, tudo ficaria bem e teria seu irmão como rede de apoio, e para Win, isso bastava mais do que qualquer outra coisa. Kwan não teria participação, e pensar nisso doía muito em si, talvez porque no fundo ela idealizava algo e queria que isso se tornasse realidade, desejava que seus sentimentos fossem correspondidos e que a vinda do bebê, algo que fizeram juntos, fosse acolhido por ele, mas não poderia colocar essa responsabilidade em cima de alguém que não queria o mesmo. E ela entendia isso.
Foi em um brunch com sua melhor amiga, Kwibi, agora com dois meses de gravidez, que Winter sentiu-se bem e confortável para falar a verdade. Ao se despedirem, pediu que a amiga não contasse a ninguém, pois queria ser ela quem desse a notícia. Antes de ir para casa decidiu passar em uma loja para bebês, era a primeira vez que entrava em uma mesmo já com um certo tempo de gravidez, porque temia que alguém a visse e ela não queria dar satisfações - sua barriga era pequena, conseguia esconder muito bem. Comprou algumas roupinhas, poucas coisas para não pesar muito e não dar volume, então seguiu rumo a sua casa. Seu dia foi tão gostoso e atípico que ela não se deu conta de olhar o celular em momento algum, caso contrário, teria encontrado uma mensagem, junto com muitas outras de Kwan, de diversos dias, de seu irmão informando que o time se encontraria ali para um happy hour. E, enquanto falava com Kwibi pelo telefone, abriu a porta sem perceber o volume da TV, mais atenta em escutar os conselhos da amiga.
"Sim... Sim... Ok... Prometo que vou tomar... Não, não sei quando vou contar, acho que ainda é cedo..." E enquanto passava pelo pequeno corredor indo em direção a cozinha, ela soltou o que vinha guardando a meses. "Kwibi-ssi, estou grávida não doen-" Porém, antes de concluir, seu sorriso brincalhão se desfez, todo seu corpo entrou em modo alerta, a garrafa de água em sua mão acabou caindo e se espatifando contra o chão; haviam duas portas na cozinha para irem aos outros cômodos, uma delas, ao lado da geladeira, dava para a sala de estar onde estava seu irmão, seus amigos e... Kwan. Ela não sabia o que fazer, o que falar, ficou como uma estátua no meio de um monte de cacos de vidros. Seu irmão foi o primeiro a se levantar, caminhando calmo até ela. - V-vo... Win.. Você.. Grávida? - Winter queria fugir, mas sabia que seria pior. E, pior que isso, foi quando viu a silhueta do Dawson aparecer atrás do irmão. "N-não...!" Tentou mentir, embora mentir não fosse uma virtude sua. Jeonghan, então, pegou de sua mão a bolsa com as roupinhas e objetos. - O que é isso, então? - Indagou, alterando a voz, o que fez a asiática dar alguns passos para trás.