Coloquei tantos pontos finais em nós que acabamos cheios de reticências.
Tati Bernardi
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Coloquei tantos pontos finais em nós que acabamos cheios de reticências.
Tati Bernardi
Páginas
Comprei um novo caderno.
Pensei que trocar de páginas me libertaria dos poemas passados, apaixonados.
Pensei que assim eu finalmente pudesse escrever sobre não te ter e não te querer.
Que grande mentira!
Afinal, cá estou eu.
Ainda é apenas a primeira página e escrevo minhas amarguras rapidamente, para poder chegar na parte onde eu posso falar sobre te amar.
Já me parece redundante falar do teu sorriso, mas é que toda vez que eu o vejo, me afeta.
Eu sabia que para todos os outros que ali estavam minhas palavras seriam apenas mais um grande emaranhado confuso de uma declaração de apoio, mas nós dois sabemos que é a minha declaração pública de que te amo.
Ali, na frente daquelas tantas pessoas, enfrentando um de meus maiores medos.
Eu sinto orgulho de mim. De me levantar, já com o corpo tremendo e a voz falhando, encarar o mais lindo sorriso que conheço e dizer que estarei ao seu lado.
E esta não é só uma promessa, como também meu desejo.
Eu, que sempre me entreguei tão facilmente, sinto um receio em te amar.
Seria esse o famoso amor proibido que finalmente me alcançara?
Meu coração dói cada vez que vejo que suas palavras bonitas não são pra mim.
Tudo que eu escrevo é sobre você, e quando tu me dás o mínimo de atenção, meu coração já acelera, meu rosto se abre num sorriso de “quero mais” e não consigo disfarçar...
Eu te desejo, te pertenço, te amo.
Resta saber o que tu irá fazer com meu amor.
Esse sentimento de solidão, de insolidez, arranca-me da cama já em lágrimas.
Começo meu dia tremendo, mal seguro a caneta.
Meu café da manhã é um cigarro, na esperança de que a ansiedade me deixe.
Não funciona.
Continuo no desespero, olhando todos ao meu redor. Tanta gente e ao mesmo tempo eu me sinto tão sozinha.
Sinto que todos esses que me cercam são pequenos monstros, prontos pra me devorar no primeiro erro.
Será que não sou humana pra eles? Ou será que eles são mesmo monstros? Será que me matariam?
Parece impossível, mas o que eu sinto é que todos eles estão me matando ao se omitirem à mim.
Todos percebem minha dor e sofrimento, pois eles são claros e visíveis, estampados em forma de desespero no meu semblante.
Se eles veem isso e se omitem, não seriam também os culpados da minha morte?
Eu só queria não me sentir sozinha quando cercada de pessoas.
E se, além de tudo isso, tu me abraça apertado, enquanto sorri e diz que me ama, como espera que meu coração não esteja sempre acelerado?
E. M.
Café
Teu corpo pra mim é labirinto. Todas tuas curvas, tuas pontas. Te desejo imensamente.
Mas o que mais me atrai em ti são esses teus olhos castanhos profundos, vívidos e vividos.
Teu sorriso que quando verdadeiro, quase os esconde, eles, os mais belos olhos cor de café.
Contrasta com tua pele cor de leite, delicados fios de ouro que caem e emolduram teu rosto.
E como falar de ti, sem falar do seu sorriso pelo menos duas vezes?
Esse jeito que tu sorri, em etapas, entrega quando é verdadeiro. Se tu sorri, mas teus olhos não viram apenas brilhinhos, sei que estais mentindo para agradar.
Mas quando tu sorri verdadeiramente, teu rosto se abre em paixão, e em seguida teus olhos quase fecham.
Assim tu faz com que meu coração acelere, porém nem sinto os efeitos mais, pois só sua presença perto de mim me agarra fora o fôlego.
E se, além de tudo isso, tu me abraça apertado, enquanto sorri e diz que me ama, como espera que meu coração não esteja sempre acelerado?
Se eu te disser que estou qualquer cosa menos que completamente confusa, não acredite em mim. Estarei mentindo para me proteger dessa conversa.
Não, eu não menti pra ti, meu amor.
Se quiser continuar com ela, continuarei te amando e estarei com você em todos os momentos.
Se quiser, no entanto, vir, ser e permanecer comigo, ficarei muito mais que grata com a honra do teu amor, da tua companhia.
A única coisa que peço de ti, meu bem, são certezas.
Essa angústia que me atormenta, não ter a certeza se tu me escolhes é dolorosa.
Se continuas a repetir que a ama, por que me dá esperanças?
Seria em ti o medo crescente de não ter nem ela, nem eu, caso me dispense?
Se me amas e diz, no final das contas, que me quer, por que tu ainda deseja aquela carne, que tanto mal te faz?
Não me dói que escolha estar ao lado dela, porém não saber se terei teu lado arranca-me o coração do peito.
(Não) Me deixe morrer.
O cigarro mata.
Mas não seria esse o suicídio que eu procuro?
A morte lenta e disfarçada, daqueles que não têm coragem de tirar a própria vida de imediato.
Não consigo tomar remédios, enrolar meu pescoço, embebedar-me de fumaça, rasgar minha pele. Só me resta o sopro de coragem de uma morte menos imediata e mais certeira.
O suicídio de quem tem medo de morrer.
Beijo sabor nicotina
A nicotina já diminuindo em meu sangue traz de volta os efeitos daquela realidade que diz que eu não mais o tenho.
Não duvido do amor que a mim proferes, mas me odeio pela forma que o interpreto.
Já que tanto te quero, suas palavras são pra mim um sopro de esperança, um desejo para logo te ter e matar de vez essa vontade, tentar te deixar, estando anestesiada, como no final de meu melhor cigarro. (Que não por coincidência, também ganhei de ti)
Se você acha exageradas as coisas que eu escrevo pra você, é porque não viu as que eu apago.
Bruno Fontes
A minha insônia tem nome e sobrenome.
Ela tinha namorado. Eu era um palerma. Ela era apaixonante. Eu era irremediavelmente sem graça. Ela era infinitamente fascinante. Então eu voltei para o meu quarto e desabei no beliche de baixo, pensando que, se as pessoas fossem chuva, eu seria garoa e ela, um furacão.
Quem é você, Alasca?, Jonh Green
Como cortar pela raiz se já deu flor?
Pense nuns problema que a pessoa arruma quando tá tudo bem... Parece que não aguenta a calmaria! Mas não me julgo também... É uns problemas cheiroso... Sorrisinho lindo.
Dec. 17, 2016
Comodismo é doença. Conform is sickness.
Apr. 19, 2016
Escrevo e apago, apago você e você volta. Minto e ninguém acredita, amo e ninguém dá valor. Viver é bom? Se é bom, eu ainda não achei a parte boa.
Caio Augusto Leite