Psicologia dos Sexos
Uma senhora, melindrada, apresentou queixa (séria) contra o esposo:
"Meu marido é um caso sério. Quando ele está preocupado com o trabalho, com um plano a realizar, não dá mais atenção a nada. Deixa de ser carinhoso, não escuta o que a gente diz, perde até o interesse pelas relações conjugais. Ele é bom, mas nessas horas não sei o que se passa com ele para mudar tanto."
- Minha senhora, este é um traço característico da psicologia masculina. Seu marido a ama, mesmo nas horas em que seu interesse se concentra numa tarefa a realizar. A mulher olha mais o relacionamento humano, sente a vida em termos de carinho, de aconchego, de atenções pessoais. O homem só se sente bem homem na hora em que ele consegue levar a cabo os compromissos assumidos. Se fracassa numa tarefa, experimenta uma frustração imensa em seu senso de masculinidade e, inclusive, sente-se indigno do respeito e do amor de sua esposa. Sua maneira de amar é esta, levando a cabo as tarefas que se propôs a realizar, a fim de que as pessoas significativas de sua vida, especialmente sua esposa, possam confiar nele.
É corrente ouvir queixas das mulheres, de que o marido não entende certas coisas, quando se trata de compreender certas necessidades humanas, em assuntos tão claros para a mulher.
Os homens, por sua vez, acham inadmissíveis certas reações femininas, não conseguem compreender o interesse das mulheres por bagatelas, por mexericos, por assuntos absolutamente irrelevantes, segundo o critério masculino.
Tanto o homem, quanto a mulher, sabem que casaram com uma pessoa do sexo oposto, mas na hora de sentirem, juntos, os problemas da vida, ambos estranham que a psicologia do outro seja oposta, mesmo. A solução não estará em exigir que do cônjuge reações idênticas às suas, mas em compreender e respeitas as características próprias de cada sexo.
Num grupo de casais, comentava-se a alegria com que as mulheres acolhem presentes dos maridos e a necessidade do homem obsequiar sua esposa regressando ao lar, nem que fosse com uma rosa. Um marido trouxe seu ponto de vista (genial) para o sentir prático masculino, mas (imbecil) para o modo de ver sentimental das mulheres. Disse ele, com a segurança de quem expõe um aforismo: "Mas, em vez de trazer um presente que não serve pra nada, como uma flor, não seria muito mais acertado fazer a surpresa de um liquidificador, de um aparelho, que tenha serventia para a casa?" As mulheres que o ouviam estranharam-no preferir oferecer um aparelho doméstico a uma flor. Os homens presentes, não puderem entender como as mulheres podiam valorizar tanto uma rosa, a ponto de preferi-la a algo mais proveitoso. As esposas deixaram bem claro que, para elas, o que contava era o gesto, era o simbolismo, era o significado do dom e, não tanto seu valor financeiro. Mas os homens permaneceram abobalhados, limitando-se a afirmar, resignadamente, que não dava para entender o que ia pela cabeça das mulheres.
Isto não significa que exista oposição intransponível entre ambos, mas que se requer compreensão para o ponto de vista do outro. Nem quer dizer que devamos trabalhar por um nivelamento de reações. Cada sexo possui características concordes com o seu destino biológico e devemos estimular o esforço para permanecer fiel ao próprio sexo, desenvolvendo e realizando a configuração da mulher feminina e do homem masculino.
Afinal, o que um busca no outro, não é identidade, mas complementação. Ambos tiram vantagens do modo de ser peculiar a cada um.
Ninguém gosta de uma mulher masculinizada, nem de um homem efeminado. Por vezes, vendo as barreiras do próprio sexo, vai mais longe que o sexo oposto. Por exemplo, o homem gosta de conhecer, agir, chefiar, mandar; a mulher prefere ser admirada, amada, doando sua ternura de mãe. Mas a mulher mandona facilmente beira à tirania, ao despotismo [...].
Hugo Veronese, Os noivos.
Biblioteca de Formação Familiar, Matrimônio, Amor e Vida (páginas 75-78).









