sair de casa era uma necessidade básica na vida de qualquer jovem adulto ; conhecer pessoas, misturar-se com aqueles da sua idade, beber & atender festas até altas horas da madrugada - porém, não era a realidade para yeonwoo. tinha de afastar-se do pequeno castelo na colina pois o silêncio era desesperador, e ele sentia enquanto o engolia por inteiro. contudo, quando falavam, desejava logo que as paredes tivessem absorvido as palavras antes que pudessem pairar no ar pesado entre ele e o pai. amava-o, claro, o amava. às vezes, apenas queria que eles parassem de existir juntos, e sentia a relação nociva com a maior reciprocidade.
portanto atendia as comemorações de hansol, chapava-se com noelle e desenhava no granny’s perto de crimson, para escapar do fato de que não tinha muito pelo que viver & a única figura que deveria amá-lo acima de tudo parecia concordar que devia dar um tempo a vida. ainda sim, escondia-se ; dentro das roupas largas e jeans rasgados, dentro de si, envergonhado pelas coisas pelas quais passava. no entanto, em alguns momentos, esse sentimento parecia dissipar-se. enrolado nos lençóis com um pecador, ouvindo death metal no quarto, e quando via ele.
era verdade, tinha má fama na cidade. quem não ? nada no seu âmago tempestivo avisava perigo. ao contrário, abraçava os boatos que como os seus corriam pela praça e a igreja no domingo. o mentiroso e o anti cristo, essa era uma boa combinação, pensava consigo mesmo ao avistá-lo ; toda vez. tirava o capuz, revelando a nova tintura das mechas que permaneciam sedosas, e corria a mão pelas mesmas, esperando que o rapaz fizesse seu caminho até ele com um sorriso levemente maior do que geralmente exibia. obviamente, isso não significava que esperava ser tombado na calçada pelo outro. ainda sim, tentou pegá-lo os os equilibrar ao mesmo tempo, um fracasso total - que o fez rir.
❛ ― ainda bem. ❜ concordou, entre risos fracos, a cabeça inclinando para o lado levemente embora os olhos se mantivessem em junyi. ❛ ― não reparei na decoração, mas deve estar ainda mais chamativa que ano passado. ❜ barcos, ele disse. não acreditava que alguém mais desastrado pudesse existir, era : ❛ ― fofo você. ❜ teve de dizer em voz alta. ❛ ― mas o que fazer ? eu não gosto de barcos. especialmente os que afundam. ❜ não fez menção de levantar-se ou movê-lo, apenas deixou que as mãos inocente e cuidadosamente viajassem para o quadril alheio, e assim ficaram no cimento para qualquer um ver. qual era o problema ?
Queria poder dizer que estava super feliz e se sentindo em um filme de romance, deitado ali na calçada com aquele que faz seu coração bater mais rápido, mas não, Junyi está longe de se sentir desse jeito, e pode dizer que na verdade é o contrário: Está se sentindo envergonhado ao extremo por ser esse trem desgovernado que não consegue sequer manter o próprio equilibro, livrar-se de situações embaraçosas, ou simplesmente fechar a boca - ah, só esse último já ajudaria tanto a reputação de Junyi que ele não pode nem medir o quanto. Mas não, lá está ele caindo, falando coisas idiotas, passando vergonha na frente dele.
“Eu te machuquei?” Resolve perguntar, finalmente, o que já deveria ter feito antes. Mas ele também deveria ter se levantado, pedido desculpas, seguido seu caminho... Só que não fez nada desse tipo. “Todo ano eles conseguem se superar. Essa cidade é meio obcecada por amor. Também te fizeram aquela pergunta do felizes para sempre? Eu hein, não sei nem o que responder sobre isso.” Já é falante por natureza, mas quando se encontra nervoso, tende a ficar ainda pior, sendo complicado para parar de falar. “E-eu?” Não esperava pelo elogio repentino, e isso faz seu coração disparar ainda mais. Ele me acha fofo, pensa, e logo depois começa a se comparar com aquelas protagonistas inocentes e bobas por um cara popular e bonitão. Deuses, Junyi estava ferrado. “Deve ser desconfortável para quem está no barco... Mas é um clássico.” Ele insiste. Um clássico que ele nunca chegou a assistir por inteiro, mas deixou isso para si. “Mas, uh, isso é um não?” Mordeu o ínfero e esperou ansioso pela resposta, temendo ser rejeitado.
É aí que ele sente a mão em sua cintura e Junyi quase que engasga com a própria saliva, o rosto tomando uma coloração avermelhada. É um toque tão simples, mas o sistema inteiro de JY entra em pane e ele não faz ideia de como reagir. A respiração se torna um pouco mais pesada e ele torce para que Yeonwoo não consiga notar as reações físicas que ele está tendo por causa de um simples toque em sua cintura. Queria entender o motivo para estar tão em pânico assim. E querendo não parecer tão estranho, tentando parecer natural e casual, ele imita a atitude alheia, levando a destra para a cintura de Yeonwoo, mas o Lai certamente não parece tão calmo quanto o outro embaixo de si.