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@laisbrevilheri
Limonada
Limonada de limão rosa, menta e framboesas
Tenho saudade da minha pequena horta por dois motivos principais: manjericão fresco e folhas de menta. Acho que seria feliz plantando só essas duas ervas e preciso voltar a ter vasos no beiral da cozinha.
Menta não é a mesma coisa que hortelã. Passei anos achando que era, mas a folha de menta é mais fina e o cheiro bem mais fresco e bem menos doce que o do hortelã. Nunca achei pra comprar no mercado ou na feira, precisa ser plantada mesmo e é uma praga, se espalha por tudo e domina qualquer vaso em que esteja. Plantinha folgada mesmo, que toma qualquer espaço pra ela. Por isso mesmo, fácil de ter, é só dar o monte de água e sol que ela gosta e pronto, folhas perfumadas a vontade.
Essa limonada eu faço quando vem gente em casa e quero fazer uma bebida bonita pra quem não toma cerveja. Limão rosa é menos azedo que o taiti e mais perfumado. Combina bem com a menta e as framboesas congeladas tingem de rosa o líquido alaranjado. Precisa de menos açúcar que uma limonada tradicional e fica linda.
Imagino que trocando a água gelada por vodka ou outro destilado vire um coquetel dos bons, mas meu repertório passa meio longe disso.
É como um toque de verão numa tarde estranhamente quente de inverno.
Milho assado
Milho assado
Pegue qualquer legume que você costuma fazer cozido: couve-flor, cenoura, batata(na verdade, batata é um pouco mais tricky, falarei dela um dia), beterraba, milho... e faça assado. É mil vezes mais gostoso! O sabor não fica diluído na água e a textura fica mais próxima do vegetal cru. Fora que dá pra aproveitar a sauna do forno pra forçar tempero pra dentro do prato e ser feliz.
Com milho foi assim, uma explosão. Por que todo mundo faz cozido afinal? Assado você pega a espiga, espalha manteiga nela toda, salpica com pimenta moída na hora e sal (melhor se for dos mais grossos, tipo sal marinho, assim acrescenta mais uma textura ao milho), embrulha em papel alumínio e esquece no forno por uma meia hora. A cor fica incrível, a manteiga fica entranhada nos grãos. É mágico.
Se quiser, pode colocar um pouco de curry ou cominho ou outro tempero da sua preferência particular junto com o sal e a pimenta.
Antepasto de berinjela
Antepasto de berinjela
Às vezes eu me encanto com um sabor e de repente só quero comer aquilo. E, de repente, nunca mais consigo imaginar comer novamente a fonte da tal paixonice. É a vida...
Esse antepasto de beringela (o google disse que tanto faz g ou j, sabia?) foi vítima disso. Um caso ardente quando eu tinha lá uns 16 anos e minha mãe apareceu com a receita e depois, nunca mais. Até que esses tempos... deve ter sido nostalgia...do tipo que paixões antigas de vez em quando fazem surgir... resolvi fazer de novo. E dai resolvi fazer de novo de novo logo em seguida. Hummm!
É bem fácil de fazer.
Antes, pique tudo em cubos mais ou menos do mesmo tamanho (uma cebola média, duas beringelas, uma maçã, um pimentão vermelho pra colorir tudo) - não dá tempo de picar a beringela no tempo em que a cebola demora pra ficar no ponto.
Agora coloque para dourar em fogo baixo junto com um mooooonte de azeite (sério, cerca de uma xícara assim).
Acrescente as beringelas quando a cebola estiver transparente e logo em seguida, coloque curry, pimenta e sal. Deixe a berinjela amolecer um tico e junte a maçã e o pimentão. Agora coloque um punhado de uva-passa e deixe que todos os sabores se misturem, que a berinjela fique amarela cor de curry e que o cheiro espalhe pela casa toda.
Coma com pão. Fica bom logo depois de sair do fogo, mas melhor quando esfriou e os sabores ficaram ainda mais misturados. É meio doce e bem temperada, viciante. Eu comia também dentro de folhas de alface americana quando era mais nova.
Restaurantes por quilo
A pior parte de comer fora é pagar por comida sem graça.
Helena Rizzo e o ceviche de caju
Helena RIzzo, do Mani, foi votada a melhor chef do mundo. [A melhor chef mulher, e ok, isso é um pouco condescendente... como se na cozinha mulheres também disputassem um esporte diferente do que homens jogam... mas, ainda assim, ela é uma dos melhores e a melhor entre as melhores em 2014].
Tudo que conheço do Mani é encantador, a começar pelo ambiente e terminando com o brigadeiro de capim limão. E quando o Paladar (do Estadão) mencionou o ceviche de caju que Helena apresentou em um dos encontros do jornal eu precisei experimentar, mesmo sem saber a receita. Ceviche é tão fácil, acho que consego voo solo.
O que eu fiz foi:
- picar em pedaços com expessura parecida com um dedo mindinho 3 belos cajus.
- fatiar rodelas finas de 1 cebola roxa
- cortar meio de qualquer jeito coentro fresco
- espremer o suco de dois limões
Tudo que você precisa fazer é colocar cebola e coentro de molho no limão (aka leche de trige) e acrescentar os cajus. Deixe suas frutas carnudas de molho no limão um tempo, uns 15 minutos assim, e pronto!
Vai muito bem com milho assado no forno (milho é coisa da América Latina, então tá dentro do contexto) e purê de batata doce, o azedo do ceviche agradece a doçura.
Bolo/torta de amêndoas, baunilha e framboesas
Torta de amêndoas, baunilha e framboesas
Framboesas. Talvez eu devesse assumir que sou obcecada por framboesas (e amoras, e outras dessas frutinhas vermelhas, mas não tanto quanto com as duas primeiras). Desde quando comprei um punhado de framboesas numa feira de rua em Copenhague e as comi com sorvete de baunilha, desde então tenho saudade delas. O ano era 2003, nunca mais fui a mesma.
Mas São Paulo surgiu em minha vida e uma das coisas mais ótimas de morar aqui é que tudo se encontra. Até frutinhas vermelhas e delicadas que só nascem no hemisfério norte e que não sobreviveriam ao transporte conseguem chegar aqui. Congeladas, ok, mas chegam, e isso é suficiente para mim.
O suficiente para juntar as melhores coisas dos melhores bolos da minha vida e criar esse que é o rei dos bolos, minha obra prima e sucesso com 9 dentre 10 pessoas que o comem (a que não GOSTA acha que doce digno é chocolate e nada mais).
As inspirações foram: Minha vô, que faz todo natal um bolo que não leva farinha, leva nozes moídas, fica úmido e genial. O bolo de chocolate da Regina que começa com manteiga e açúcar ao invés de ovos e açúcar como o bolo que minha mãe sempre fez. E o bolo com morangos enterrados no meio da smittenkitchen.com que me mostrou que nem só de chocolate chips vivem os bolos.
Então, sem mais delongas, vamos lá:
- 100g de manteiga amolecida (deixe fora da geladeira uma hora antes, se estiver calor, se estiver frio, derreta e deixe voltar ao estado pastoso)
- 2 xícaras de açúcar (quanto mais fino, mais fácil, açúcar cristal=sofrimento)
-2 ovos
- 100 g de amêndoas (cruas e moídas no liquidificador)
- 1 copo de leite morno
- 1 xícara de farinha
- uma colher de sopa de fermento
- framboesas congeladas
- essência de baunilha
Deixe o forno esquentando, numa temperatura média.
Bata a manteiga um pouco, para criar um creme uniforme. Aos poucos vá despejando o açúcar, batendo bem (um fouet é seu amigo, ok? fiz muito com garfo, mas era uma época triste e eu não sabia). O creme vai ficar amarelo claro e fofo. Coloque um ovo por vez, misturando levemente. Agora junte as amêndoas e a essência de baunilha. Agora vá alternando entre leite morno e farinha peneirada, você quer que a massa fique pastosa, não líquida, pode ser que não precise de todo leite. Peneire junto com a última leva da farinha o fermento.
Agora, prepare a forma. Esse bolo é difícil de desenformar, porque é muito úmido, então eu tenho usado papel manteiga pra forrar a forma, mas não é indispensável se você estiver disposto a aceitar seu bolo não desenformado... De toda forma, manteiga na forma e farinha polvilhada por cima ou manteiga na forma e no papel.
Despeje a massa na forma e dê uma ajeitadinha, ela é mais consistente que as massas mais comuns de bolo. Agora pegue suas framboesas e distribua pela massa, uniformemente. Eu faço círculos e coloco uma bem do lado da outra, pra que todo pedaço tenha várias, mas pode ser mais contido se preferir.
Coloque para assar e deixe no forno por uns 40 minutos. Quando ele estiver dourado e com o garfo saindo limpo do meio, pode desligar o forno e comer! (quente com sorvete fica genial, mas ele também fica genial em qualquer outro momento)
[Pode substituir as framboesas por outras dessas frutinhas... amoras, morangos, cerejas (se tiver paciência de tirar os caroços). ]
Pizza!
Ode a Pizza
A pizza perfeita não existe, mas ela sempre é (se não for carioca.. porque se for acho que entra na mesma categoria de sexo ruim que quase é bom mas ainda assim é uma vergonha para o bom-nome do sexo em geral que é mais pra bom infalivelmente - tipo exceção que confirma a regra?). Chega em casa quentinha, cheia de queijo e azeitonas. Hummm, sexta feira é um belo dia pra um pizza de abobrinha, de brócolis, pimentão, beringela ou do que for. Só me façam dois favores: Paulistas, coloquem queijo na pizza de calabreza, tomem tento e cariocas, importem pizzaiolos paulistas pra esses lado daí...
Claras em neve
Claras em neve e o café da manhã
Café da manhã é a melhor refeição. Melhor. Nos finais de semana da minha infância a gente lá em casa acordava tarde e ficava na mesa um tempããão comendo pão com vários recheios e leite com café, chá, frutas, o que houvesse... comendo e conversando e sentenciando o almoço a ser comido lá pelas 16h da tarde. Era comum que minhas amigas ligassem bem tarde e primeiro perguntassem se eu já tinha almoçado - normalmente a resposta era não.
Com o passar dos anos é preciso um pouco de jogo de cintura para justificar o café da manhã de sábado ou domingo quando você tá acordando às 10 da manhã. E eu justifico com panquecas. Panquecas doces empilhadas no melhor estilo americanizado.
Antes desse post mudar minha vida eu fazia panquecas no olho, juntando ingredientes a bel prazer até chegar empiricamente na textura que eu imaginava ideal (um dos grandes desastres da minha vida culinária foi a primeira vez que tentei fazer panquecas doces, a massa ficou impossível de manipular porque o açúcar mudou o ponto normal daquela receita da minha mãe que fazia panquecas salgadas, impossível de virar, impossível de comer, desastre com D maiúsculo). Com o tempo fui sacando que massa com açúcar significava massa com mais farinha e era essa a minha pira. Acertar no olho o que parecesse funcionar.
Eu sempre acabava com muitas panquecas, porque em algum momento era obrigada a dobrar os ovos, colocar mais leite, mais farinha, mais manteiga, mais fermento... enfim... eu era triste e não sabia. O post em questão me sanou todas as dúvidas e abriu um novo céu pras minhas panquecas: Claras em neve.
Juro. Panquecas com claras em neve na composição são a coisa mais celestial de um café da manhã feliz. Faz assim:
2 ovos, separe as gemas das claras. Bata as claras em neve e deixe de lado. Esquente 4 coleres de sopa de manteiga até que derreta, mas deixe voltar a temperatura ambiente. Misture com 3 colheres de sopa de açúcar e com a clara. Junte um copo de leite, não gelado (pra não solidificar a manteiga) e essencia de baunilha, se for do seu agrado. Peneire 2 xícaras de farinha e uma colher de sopa rasa de fermento e incorpore aos poucos na massa. Agora, misture delicadamente as claras em neve. Não bata a massa muito em nenhum ponto, ela gosta de ser tratada a mordomias.
Agora é só untar uma frigideira com um pouco de manteiga e ir dourando suas panquecas, um lado de cada vez, até acabar a massa. Não coloque mais que uma colher de arroz na frigideira de cada vez, já é desafio suficiente virar as bichinhas quando têm tamanho moderado, panquecas gordas são para profissionais....
Coma com mapple syrup, a coisa mais absurdamente cara que nunca falta na minha geladeira.
Cogumelos no alho