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@lance-hitchmman-blog
Se pudesse sair da ilha e levar contigo apenas uma pessoa, quem levaria?
Uma pessoa? Acho que iria sozinho. Todos tem alguém com quem querem ficar aqui, e aposto que esse não seria eu, então...
[FLASHBACK] Just no | Lance e Will
Will escutou cada palavra que Lance disse com um cuidado absurdo, porque entendeu exatamente aonde iria dar e concordava exatamente com isso. Ao matarem Kyle daquele jeito, ele se tornara uma figura presente que morrera injustamente. Uma coisa teria sido morrer depois de ter sido desmascarado – porque, para Will, não havia alternativa a não ser matar o outrora líder, não depois do que ele fizera com Ever – e assim, tendo vindo a uma briga que todos diziam ter sido desproporcional, havia mistificado a áurea em torno de tudo que envolvia o mais velho dos Ivanshkov.
- Não. – Falou por fim, no final, olhando ainda o outro, de lado. – Você falou exatamente o que aconteceu.
Mas seu tom de voz havia uma pontada de tristeza, porque se isso era verdade, não havia outra saída para nenhum deles.
Voltou a olhar para a frente, terminando de falar.
- Então não há saída. Nós temos de matar Sebastian, Cole e quem mais se meter no caminho e esteja seguindo os passos de Kyle. – ao terminar de falar, franziu o cenho, mostrando o quanto essa ideia lhe desagradava, mas sinceramente, ele não conseguia ver outra alternativa a não ser essa.
Lance simplesmente anuiu, ele não queria estar certo sobre aquilo. Porque estar certo sobre aquilo só pioraria as coisas. Mas ele estava. Seus punhos se cerraram e os seus olhos se direcionaram para o chão, quando Will falou sobre matar Cole e Sebastian ele levantou a cabeça instintivamente. - Ninguém vai matar o Cole e o Sebastian - Seu tom de voz era quase defensivo, e ele tentou se controlar.
Mas ele não deixaria matarem nenhum dos dois. Mesmo que eles tentassem o matar. Lance já os tinha feito sofrer, não deixaria que agora morressem. Aquilo parecia tão terrível quanto as coisas que Kyle fazia.
- Pelo menos não vão contar comigo para isso. Se matarem eles, o sul será um lugar tão ruim quanto o norte. Se começarmos a matança de pessoas inocentes para termos o controle... Nós não seremos diferentes de Kyle - Seu tom de voz era mais controlado agora, mas ainda era notável quanto ele repugnava aquela ideia.
[FLASHBACK] On The Top of The World | Liv x Lance
Ela corria, desviando-se das árvores da densa floresta da ilha com pouco mais de sua memória para guiá-la. Desde que chegara àquele exílio, Olivia usava o esporte como uma distração. Uma pequena torção em seu tornozelo havia lhe afastado de suas corridas noturnas por várias semanas. Observando o ambiente ao seu redor, a garota seguia a constelação de Orion com os olhos, parecendo não se importar com a exaustão que vinha consumindo seu corpo aos poucos - seus pulmões pareciam estar em chamas e seu coração estava a ponto de bater fora do peito. A serotonina espalhava-se rapidamente por suas veias, e ela não conseguiu conter uma risada, levantando seus olhos e constatando que estava perto de sua linha de chegada imaginária.
Em poucos segundos, a loira parou, indo de encontro ao chão - seu corpo finalmente cedendo ao cansaço extremo. Respirou fundo, endiretando seu corpo no confortável gramado que se extendia por toda a montanha, seus olhos encontrando o horizonte. Palavras não seriam suficientes para descrever a imagem que os olhos de Liv captavam. O pôr do sol dava um tom rosado às nuvens, e as esverdeadas copas das árvores só deixavam Olivia com mais vontade de ter uma câmera fotográfica para captar aquele momento.
Mas seu momento de paz e tranquilidade logo foi quebrado por um barulho de passos. Olhando ao seu redor, a garota logo pôde ver uma silhueta ao longe. Levantou uma das sobrancelhas, esperando a aproximação do que constatou ser um garoto, para que enfim se pronuncia. —Quem se aproxima? —Em um tom ácido, a garota cruzou os braços, fechando a cara. Torcia mentalmente para que não fosse algum norther atrás de brigas e disputas de poder.
Mesmo estando tarde Lance estava completamente desperto, ele costumava atribuir isso ao seu passado de garçom, já que passara muitas noites em claro trabalhando ou amparando bêbados até os seus carros de luxo. Mas na verdade, aquilo se devia unicamente ao fato de que os pesadelos usuais nunca permitiam que ele tivesse uma noite descente de sono a não ser que estivesse completamente exausto.
Então todas as noites antes de dormir tentava queimar a energia excessiva que se acumulava em seu corpo, até se sentir incapaz de se manter em pé. Naquela noite estava correndo - algumas vezes corria. Não chegava a ser a sua atividade favorita, mas ele considerava necessária - na montanha, normalmente as pessoas não iam até ali tão tarde, e o silêncio era pleno. Ainda que odiasse o silêncio, porque o obrigava a notar o quão solitário estava, Lance gostava daquele lugar por algum motivo além dos racionais.
Não costumava olhar para o céu quando morava em Ohio, mas tinha certeza que a noite era mais clara na ilha. Nunca seria capaz de entender o porquê, já que Ohio tinha um número de luzes elétricas consideravelmente superior ao de Banish e antes que pudesse chegar a uma resposta conclusiva sobre a questão, notou uma coisa diferente na paisagem do lugar.
Sobre a grama, uma garota loira muito bonita repousava, e assim que notou a aproximação de Lance ela pareceu tomar uma posição defensiva. Sua expressão se fechou, seus braços se cruzaram e seu tom de voz era ácido - Lance se aproxima, e ele vem em paz - Disse em um tom meio irônico. Quase debochado. Esperava que ela não fosse uma Norther e aquilo não a fizesse pular em seu pescoço - E quem aguarda?
@Tartmman
Danniel sorriu, virado para as prateleiras. Sua intenção antes era somente pegar os suprimentos necessários e dar o fora do depósito. Agora, queria ver o quão valente o “aliado” era. Ao ouvidos de todos da ilha, sem exceções, Lance era o mais valente vira-casaca, que antes andava com alguns dos Northers e agora os desprezava, por motivos que ninguém até agora soube. Dann levou o fato de tentar fazê-lo dizer, ali mesmo, qual era o motivo como sua obrigação, naquele momento. Mesmo sabendo que não seria nada mole fazê-lo soltar uma coisa tão comprometedora como essa, não custava nada arrumar um jeito. E nada melhor do que provocando-o.
— “Não fale do que não sabe”… — Repetiu, imitando o mesmo tom de voz, enquanto mexia com uma das mãos em seu ouvido, interpretando um falatório. Dann era muito atrevido, sempre fora, e não iria maneirar com Lance, mesmo que lhe fosse muito perigoso.— Todos do Sul comentam sobre isso, cara. Não só os daqui, como os do Norte também. Aliás, são os principais. Eles te desprezam, não é? Deve ser por isso que você veio tentar uma nova vida aqui… Ou será que é um espião? — Esperava ansiosamente por uma visão que lhe pudesse explicar o que viria a seguir ou mais tarde, mas seus pensamentos não se moldavam em outra coisa a não ser saber o que Lance tanto escondia dos Southers.
Danniel estava agindo como uma criança, e Lance odiava crianças mais do que odiava muitas coisas. Ele preferia cuidar pelo resto da sua vida de beberrões que nem ao menos conseguiam se manter em pé, do que ser posto por um dia com crianças atrevidas e irritante, ou com pessoas como Dann.
Ainda não entendia por não tinha dado um tapa no garoto, mas assim que ele pronunciou a palavra "espião" ele não se conteve. O que ele fez não foi exatamente um tapa, na verdade ele só avançou para cima do outro e o deu um empurrão forte, com a intenção de machuca-lo. Lance não deixaria que duvidassem do seu caráter, não depois de tudo que ele havia feito.
Quase ninguém parecia se lembrar disso, mas ele também havia ficado contra Kyle, mesmo antes da ruptura a única coisa que não fizera foi mata-lo. E quando os Norther e ou Southers se dividiram, ele não escolheu pelo caminho mais fácil ignorando tudo o que ele sabia e se pondo ao lado dos Northers, onde provavelmente iria viver tranquilamente até aquela bomba relógio explodir. - Eu nunca seria um espião, não é porque você não tem nenhum caráter, Danniel, que as pessoas a sua volta também não tem - Sua voz transpirava raiva, e ele gritava - E eu não preciso estar em um lugar onde as pessoas me adorem e onde eu seja o centro do mundo. Sabe, eu nunca fui um daqueles garotinhos mimados que vive dando patada nos pais só para parecer rebelde como você provavelmente fazia - Eu nunca nem tive pais, aquelas palavras martelavam a sua cabeça, e ele sentia vontade de deixa-las escapar pela sua boca. Mas não o fez, não queria ser uma daquelas pessoas que tinha "justificativas" para ser como são. Lance pensava que, sinceramente, as pessoas eram como eram porque escolheram ser daquele modo, não faz sentido culpar as situações da sua vida para justificar o que você faz ou deixa de fazer. Isso provém do seu caráter, e não do seu passado. Até porque, o passado está em um estado 'vegetativo', as pessoas que são facilmente influenciáveis e se deixam levar por suas imagens. - Não me importa se eles me desprezassem, ou se eu não tivesse uma boa vida lá. Se eu estivesse do lado certo, lá permaneceria.
Just no | Lance e Will
Não havia porque Will não acreditar na palavra de Lance, até mesmo porque o outro já provara que era mais do que confiança. Ele fizera o que, até ali, nenhuma outra pessoa fizera, porque Will não se enganava: muitos dos que seguram Matthew estavam muito mais na confusão do que por realmente acharem Kyle um monstro como ele achava. E como Lance parecia achar que o amigo também era.
Seu olhar escuro ficou analisando o outro a seu lado, tentando identificar coisas que ele nunca lhe contara, como por exemplo, qual a real situação entre s 4 antes daquele noite, mas pelo que Lance queria afirmar agora, ele não sentia tanta falta assim do passado como Will pensara, e isso era bom, certo?
Olhou para a frente novamente, tentando encontrar um jeito delicado de falar as palavras.
- Então se eles realmente não sabem, se eles acreditassem, se encontrássemos um jeito de provar quem Kyle era, eles parariam com essa guerra toda, com pessoas apararem de serem machucadas e todas essas coisas? – Voltou seu rosto para o garoto, novamente procurando os olhos claros que ele possuía, esperando encontrar uma resposta verdadeira. Ele odiava Sebastian, e não se importava se ele morresse, mas na verdade, ele também queria ter um pouco de paz, principalmente por Ever. Especialmente por Ever.
Lance não queria mentir. Não para Will. Mas tentava se convencer que não estava fazendo por mal, e aquilo não era uma mentira completa. Só partes de alguma verdades com outras partes ocultas. Até porque, existem coisas que não se podem deixar transparecer, e isso ele tinha aprendido no orfanato.
Will o fez mais uma pergunta, mas daquela vez uma pergunta cuja resposta ele já conhecia. Até porque, já tinha cansado de fazer aquela pergunta para si mesmo - Acho muito difícil conseguirmos. Não depois da morte do Kyle - Lance admirava a coragem de Matthew por ter se erguido contra o líder, mas não admirava o modo como tinha feito aquilo. Não porque se tratava de assassinato, dos males aquele era o menor, mas porque ao matar Kyle o garoto criara uma certa santidade sobre o morto. - Quer dizer, concordo que ele tinha que ser punido. Mas a morte foi um modo meio... inútil de punição. Quer dizer, quando nós matamos alguém que tem uma "imagem" e/ou uma influência sobre as pessoas, acabamos também criando um mártir. Uma criatura por quem se lutar. Um ser incorruptível e sem falhas. Por isso eles não mataram aquele cara... o baixinho... - Lance franziu o cenho tentando se lembrar, nunca fora muito aplicado nas aulas, menos ainda nas de história, que costumavam ser chatas e lentas. - Napoleão! Eles não mataram ele, certo? Então, ao se matar alguém como Kyle, também se torna quase impossível fazer com que qualquer coisa contra ele seja aceita pelos seu "seguidores". Mesmo a verdade. Isso é uma merda...
Depois de terminar o seu discurso, ele se perguntou se tinha respondido mesmo a pergunta do outro, ou se simplesmente tinha soltado várias informações sem sentido sobre Will - Viajei muito? - Deu uma risada leve, e ergueu sutilmente as sobrancelhas.
[FLASHBACK] What'd you come here for? || Kaya & Lance
Assim que passou pela porta e se acostumou com a escuridão, resolveu explorar o local. Achava que não deveria estar ali naquele momento, mas não estava realmente se importando. Prendeu o cabelo em um rabo de cavalo frouxo, uma vez que não tinha nenhum elástico disponível e puxou as mangas do suéter para cima. Em um primeiro momento, apenas andou pelo lugar, observando casa item que encontrasse. Era um tanto estranho, sabia disso. Mas confiava na sua memória e na sua percepção visual. Aquela “leitura” inicial era necessária. Depois, mesmo que inconscientemente saberia o que queria filmar.
Uma vez satisfeita com a inspeção que havia feito, revirou a bolsa em busca da câmera. Faria anotações se a luz dali fosse forte o suficiente. Mas infelizmente não era. Se tentasse segurar a caneta e escrever alguma coisa, sabia que a sua letra, provavelmente, sairia tremida e feia. Seria incapaz de realer qualquer coisa que anotara naquele lugar. Acabou decidindo que qualquer esforço seria em vão e desistiu de sequer tentar fazer algo decente.
Puxou o aparelho para fora da bolsa e o ligou. Esperou pouco menos de um minuto para que estivesse pronta para ser usada e ligou uma pequena luz para cenas noturnas. Calma e pacientemente revira o lugar em busca das imagens perfeitas. Estava concentrada, tanto que demorou para perceber que não estava mais sozinha. Só o fizera quando escura o eco de uma voz se espalhar pelo lugar. “Kaya. Meu nome é Kaya. E você, quem é?” Perguntou, virando-se para encarar quem quer que estivesse ali, a câmera ainda em punho e ligada.
A pessoa, que ele depois reconheceu ser uma garota - uma garota bonita -, demorou um tempo para notar que ele estava ali, mas ele não se importou muito. Não parecia ser uma Norther, se ela fosse não estaria olhando o local com tanta atenção e interesse. Se ela fosse uma Norther não estaria tão distraída em território inimigo. Lance apenas ficou observando enquanto ela se movia entre as coisas espalhadas pelo locar e as registrando em uma câmera. O que ela estava fazendo com uma câmera?
Quando os olhos dela finalmente migraram até Lance, a lente os acompanhou capturando o seu rosto. Aquilo o incomodou instantaneamente, mas conteve a sua mão ao lado do corpo, impedindo que ela desviasse a filmadora de Kaya num ato um tando rude. "Sou Lance, Souther. Prazer" Estendeu o braço para ela, mas os seus olhos verdes ainda permaneciam fitando o aparelho nas mãos da garota. "O que você está fazendo...?" Ergueu as sobrancelhas, o semblante era desconfiado.
Things we left unsaid | Lance, Sebastian e Cole
O que Sebastian pode fazer, ele fez, que foi rir quando Cole falou daquele jeito, como se Lance fosse um mascote de Matthew, mas ainda assim não falou nada, apenas continuou na mesma posição, indiferente, assim como notava a frieza que vinha de Lance.
Sinceramente, como o ex-amigo conseguia dormir a noite depois de tamanha traição era algo que não entrava hoje e provavelmente nunca entraria na cabeça de Sebastian. Ele não conseguia ver a si mesmo como uma pessoa de sangue frio que fazia coisas ruins para as pessoas que não mereciam e depois aguentava numa boa.
Não que ele não tivesse matado ninguém ali na ilha ou machucado, longe disso, mas quando ele fez, foi porque era necessário. Então Lance falou de Kyle, e aquilo foi o bastante para arrancar uma reação no mínimo raivosa de Sebastian.
- Não. Não fala do Kyle. Você não tem direito nem de mencionar o nome dele, seu traidor infeliz. Faz um favor pra você mesmo e volta para aquela merda de lado sul de uma vez e não cruza mais o meu caminho, porque na próxima vez eu não vou só deixar você ir embora.
A voz dele era firme, o ódio preenchendo todas as palavras que ele dizia, enquanto encarava o outro.
Cole mesmo riu com deboche quando Lance falou aquilo, apesar de sentir raiva. Raiva porque eram momentos como esse que ele sentia na pele a traição do amigo, a traição que ele nunca esperou, que veio do nada, que simplesmente apareceu. Mas foi Lance proferir o nome de Kyle que a coisa mudou de figura.
O sangue de Cole correu mais rápido, e ele sabia que Sebastian também ficara com raiva. A simplesmente menção do nome de Kyle vindo da boca do outro era errada. Ele falar de Kyle deveria ser a última cosia que ele falaria, e Cole ficou parado, porque se naquele momento Sebastian tivesse dado um soco em Lance, ele não teria tentando segurar o amigo. Ficou calado, olhando para o outro, mesmo depois de Sebastian falar, e só moveu a cabeça, fazendo um gesto de puro desgosto.
- Você é igualzinho ao Matthew, não é? Teria você mesmo enfiado uma faca na costas do Kyle, se você pudesse. Alias, você fez. – A magoa estava lá, em cada palavra, em cada gesto, no olhar. – Como a gente pode se enganar tanto com você assim?
Cole sentia ficar cada segundo mais com raiva, porque Lance deveria rir – e muito – da cara deles por trás. Deveria se sentar com Matthew e contar das vezes que eles acreditaram que eram amigos, quando moravam juntos, quando dividiam tudo, e falar o que queriam, como queria. Isso deixava Cole furioso. E triste também.
Seu olhar entregou cada sentimento que teve, porque ele não era tão bom ator assim, e depois moveu a cabeça, como se não aguentasse mais olhar pra Lance, olhando pra Sebastian de lado.
- Vamos embora, Sebastian. Não vale a pena.
Ter falado de Kyle os atingira de uma forma mais profunda do que esperava, e pela primeira vez Sebastian pareceu demonstrar alguma coisa. Ódio. As palavras que eles proferiram também causaram um efeito imprevisto em Lance. Por um lado sentia-se terrível, sentia-se exatamente o que eles o chamavam: um traidor. Mas por outro lado, ver que os dois confiavam piamente na inocência de Kyle significava que eles realmente não sabiam de nada, que não eram tão hipócritas e detestáveis quanto o defunto. Isso deveria o fazer se sentir vem, mas na verdade só o fez com que ele se sentisse pior ainda.
Ser odiado por pessoas ruins é fácil, você simplesmente usa como desculpa o fato de que o caráter delas as impede de julgar você propriamente. Mas ser odiado por pessoas "boas" é uma horrível, porque elas tem que ter que ter algum bom motivo para te odiar.
Lance se perguntava que tipo de pessoa ele era.
Mesmo com a sua cabeça rodando, mais uma vez respirou fundo e não deixou nada transparecer no seu rosto. Se aproximou de Sebastian, já que ele o havia ameaçado. Ficou defronte dele e se despiu da única arma que trazia consigo, um canivete suíço que caiu com um baque surdo na areia. Estava completamente vulnerável - Não vai me ameaçar assim, Sebastian. Se acredita tanto assim que o seu irmão era a pessoa benevolente e incorruptível, então dane-se, pode me matar ou me espancar, eu não me importo. Não vou a lugar algum - Não fazia a mínima ideia do que estava fazendo ali. Mas talvez, se Sebastian hesitasse, houvesse uma chance para eles ouvirem a verdade.
Depois o seu rosto se virou para o de Cole, sem se modificar um detalhe em seu semblante frio, tão inatingível quanto antes. Mas havia algo nos seus olhos, algo que poderia entregar tudo que ele escondia - Eu nunca faria nada contra o Kyle, não naquela época - Olhou no fundo dos olhos do loiro - Se eu realmente o odiasse, se eu realmente quisesse a ruína dele. Porque eu não o matei no dia em que me expulsou, Cole? Porque você acha que eu deixaria o gosto de matar algum inimigo para outro homem? - Ergueu as sobrancelhas, ficando em silêncio. Esperando as respostas dos dois.
Algo dentro dele dizia que não seria exatamente positivas.
Tá afim de alguém, Lance gostoso? Vem cá, tigrão
Acho que “afim” é um termo muito radical. Nem precisa pedir duas vezes…
ooc: quero participar também e é isso kkkkk
Things we left unsaid | Lance, Sebastian e Cole
Ele ficou parado. Ouviu Cole chamar ele, mas nem assim desviou o olhar para o melhor amigo, apenas olhando aquele que um dia tinha sido amigo deles se aproximando. A expressão dele ainda estava impassiva, vazia de qualquer sentimento que ele poderia ainda cultivar ou não sobre o garoto, sendo bons ou ruins. Já fazia muito tempo que ele tinha decidido não pensar sobre isso, apenas porque não tinha o que pensar. Lance não passava de um traidor covarde, que quando as coisas apertaram, não pensou duas vezes antes de ir embora com aquele que matou quem ele dizia ser melhor amigo e como um traidor, não merecia mais do que a indiferença.
Ouviu o que ele disse a apenas negou com a cabeça, um sorriso de canto, completamente irônico se formando nos lábios de Sebastian. - Nah. Você não merece nem isso de nós. - Deu de ombros, a voz assim como a expressão: fria, vazia, como se o garoto ali na frente deles não significasse nada. E não significava mais.
Já tinham ficado para trás os dias em que eles moravam todos juntos, as piadinhas internas, bebedeiras, garotas, festas. Tudo isso não passava de um passado, algo que Sebastian já tinha enterrado lá atrás, ficando apenas como uma lembrança agora meio apagada de algo que um dia existiu.
Cole ouviu o que Sebastian falou, mas ainda assim ele sabia que não era assim. Mesmo que estivesse tudo no passado, a raiva e a mágoa ainda estavam lá, presentes no dia a dia, presente de uma forma latejante. Seu olhar saiu de Sebastian e foi para Lance, e Cole não preferiu uma única palavra, simplesmente olhou para o garoto que um dia já fora um de seus melhores amigos.
Ele se lembrava das conversas, das bebidas, das garotas. Uma vez, Cole havia bebido tanto que chorara falando coisas sem sentido sobre uma garota que ele havia ficado, que ela era tão linda que ele tinha vontade de chorar, e essa fora a risada da casa por uma semana, todos rindo. E ele não se importava, porque eram seus amigos.
Eram.
Agora Kyle estava morto e Lance era um traidor. Seu olhar escureceu, sua expressão modificou. Entre todas as coisas ruins, o que Lance fizera estava em segundo lugar, e por isso não controlou a língua mais.
- Matthew deixou você dar uma volta, Lance?
A ironia mordaz estava lá, presente em cada silaba, em cada pontinho de sua frase.
Sebastian o atacou com uma frase indiferente, o que não era de se admirar já que todo o seu corpo exalava isso, indiferença. A indiferença as vezes é a pior coisa que se pode usar contra alguém.
Por um segundo preferiu que eles o tivessem matado em silêncio, não teria se importado, pelo menos não tanto. Podia sentir a raiva, o ódio se projetando sobre ele, o eclipsando. Mais uma vez sentiu vontade de gritar a verdade ali, mas algo dentro dele o dizia se você fizer isso agora, nunca vão acreditar em você, só vai piorar. Se ele se deixasse levar pelos impulsos, poderia desmerecer ainda mais os fatos, torna-los ainda mais falsos aos olhos de Sebastian e Cole. E aquilo só faria a situação ir de ruim, para um "alarme de guerra".
Respirou fundo quando chegou a vez de Cole abrir a boca e o agredir com as suas palavras banhadas de sarcasmo. A resposta saiu de sua boca sem permissão - Fico feliz que não tenha perdido o seu senso de humor, Cole - O seu tom era quase amistoso, mas a expressão no seu rosto não. Lance fazia questão de se mostrar inatingível - ainda era alguém orgulhoso -, e frio.
- Fico impressionado que você ache que eu obedeça a alguém ou que eu esteja aqui por adorar o Matthew, você costumava ser mais esperto. Veja o que o luto faz com as pessoas - Aquilo saiu da sua boca com um gosto amargo, mas era tarde demais para recuar, agora que ele começara a falar chegaria até o fim. Não era um covarde que volta atrás nas suas escolhas - Se eu estou aqui por alguém. - suspirou - É pelo Kyle.
What'd you come here for? || Kaya & Lance
Fazia alguns dias que não saia de casa. Era um pouco deprimente, sabia disso. Mas, dias atrás, não estava sentindo um pingo de vontade de conviver com outras pessoas. Tinha impressão que esse desânimo era por culpa de um leve resfriado que pegara. Durante esse dias que passara em casa, ela estava com um pouco de dor de cabeça, seus músculos doíam e não sentia vontade de sair debaixo das cobertas. Naquele final de tarde, porém, a vontade de explorar a ilha - e as pessoas que viviam lá - tinha voltado. Não fazia ideia do que exatamente estava procurando. E digo mais, não fazia ideia nem se realmente queria procurar alguma coisa específica. Gostava de se deparar com algo que não estava pensando em achar, mas quando o fazia, gostava do que via.
Preparou uma xícara de café para espantar o restinho de desânimo que ainda não havia ido embora e comeu três biscoitos água e sal com o resto de geléia que tinha na geladeira. Depois, tomou um banho rápido e se vestiu. Não estava ainda com animação suficiente e para perder tempo se arrumando. Acabou optando por vestir um par de jeans escuros, um suéter azul marinho de uma lã fina com a gola da camiseta que usava por baixo para fora e coturnos. Não teve como fugir, no entanto, da maquiagem. Seu rosto estava um tanto abatido, com olheiras. Não estava com a menor vontade de parecer um cadáver. Com um suspiro, venceu a preguiça e caminhou até o banheiro para cobrir a pele com base, corretivo, delineador e o que mais fosse necessário.
Saiu de casa e acabou decidindo apenas andar pela rua. A câmera e a caderneta estavam dentro da bolsa que carregava pendurada no ombro direito. Se alguma coisa que julgasse boa aparecesse, ela ligaria a câmera e filmaria o que estava vendo. Naquele, gastar a sola do sapato era suficiente. Acabou indo, sem querer, para um depósito. Empurrou a porta com alguma dificuldade, até que percebeu que era feita de metal. Sentiu-se um tanto estúpida por ter feito todo aquele esforço. Revirou os olhos, ainda um pouco estressada e empurrou a porta usando seus poderes até que uma fresta grande o suficiente apareceu e se esgueirou para dentro, tentando fazer com que suas pupilas se acostumassem com a diminuição de luz.
Lance tinha se levantado cedo naquele dia, como sempre fizera desda ruptura governamental da ilha, portanto quando a luz sutil do fim de tarde começou a se alastrar pelo céu ele já tinha feito tudo o que precisava fazer no dia. Não que ele realmente tivesse algum dever ali, mas ficar parado era enlouquecedor. Isso dava tempo demais a sua mente, e dar tempo demais a mente em um lugar como aquele era algo quase perigoso, era como dar adeus a própria sanidade.
Voltou para casa simplesmente para pegar os tênis e logo se retirou de novo. Não costumava passar muito tempo ali, além de se sentir encarcerado, aquele lugar não tinha um ar de casa. Algo dentro dele o dizia que nenhum lugar jamais teria. Calçou os tênis e saiu para correr, algumas vezes fazia aquilo, porém haviam certos objetivos além da preservação mental naquele exercício: ele gostava de conhecer a área em que estava, e queria estar em "boa forma" para a guerra que sabia que estava se aproximando.
Os olhos de Lance eram atenciosos, notava em cada detalhe do espaço a sua volta para se garantir de que nada havia mudado. E naquele dia as coisas pareciam estar na mais tediosa ordem, já estava quase dando meia volta para ir para casa quando notou uma coisa peculiar na paisagem: uma porta entreaberta de um depósito que costumava estar fechado.
Diminuiu o ritmo e se aproximou do lugar cautelosamente. Bateu algumas vezes na porta do lugar e como ficou sem resposta, adentrou na escuridão do local. De início diante dos seus olhos só havia um grande borrão negro, mas a medida que eles foram se acostumando com a pouca luminosidade as coisas foram ficando mais claras. Ele tinha companhia - Quem é você? - Perguntou num tom calmo.
Just no | Lance e Will
Will permaneceu olhando para Lance, mesmo com o final de suas palavras. Ele imaginou, novamente, como deve ter sido difícil para o outro aceitar e levar esse fardo, mas ainda assim, em sua mente, ele não conseguia desassociar Kyle de Sebastian, afinal, eles eram irmãos, e Sebastian havia se tornado o líder do norte. Continuou olhando para o rapaz sentado à seu lado, até que por fim, entrou as palavras que queria falar.
- Eu ainda te acho corjosos. Corajoso pro não ter aceitado, corajoso por escolher ir embora sem falar nada, corajoso por ter feito o mais difícil. Mas eu não consigo acreditar que Sebastian não saiba quem Kyle era. – Olhou para a frente, uma espécie de careta tomando conta de suas feições. – Eles eram irmãos. Não é possível que Kyle tenha se tornado só aquele traste aqui. Em 20 anos ou seja lá quanto eles tenham, não é possível que eles nunca notaram quem Kyle era.
Outros segundos se passaram, com Will olhando para a frente, perdido em seus pensamentos, se culpando – sim – por ele mesmo não ter notado o perigo que sua irmã corria todos os dias morando ali, dentro daquela ilha, com aquele homem que não media esforços de pegar o que desejava.
– Você nunca – Voltou a falar, virando o rosto novamente para Lance, mais uma vez o encarando de lado. – havia notado nada até aquela noite? Absolutamente nada? – Havia um pouco de curiosidade em sua pergunta também.
Lance continuou encarando o chão, até que Will voltou a falar. Afirmando que ele corajoso. Estava se sentindo qualquer coisa, a salvo corajoso naquele momento. Mas mesmo assim ergueu os olhos para os do outro, ouvindo com atenção. - As vezes quando não queremos ver uma coisa, simplesmente não vemos - Falou suspirando longamente, era verdade. As vezes as pessoas estavam tão desesperadas por uma coisa que acabavam enganando a si mesmos. O ser humano era um ser muito interessante, porém estúpido. - Talvez não quissem ver isso, e talvez ainda não queiram. Vão cultivar a imagem do Kyle porque é nisso em que acreditam, tem que acreditar. E, além do mais, Kyle era um ótimo dissimulador, principalmente com os mais próximos.
A sua voz era baixa, mas ele tinha certeza que podia ser ouvido. Mas a outra pergunta era mais complicada. Talvez Lance simplesmente não quisesse ver, talvez ele tivesse passado tanto tempo na ânsia de ter uma família, que quando finalmente arranjou uma deixou-se cegar. Mais uma vez sentiu raiva de si mesmo - Kyle era inteligente. E eu ficava constantemente bêbado, então não, nunca notei nada - Mentiu.
Just no | Lance e Will
Nada em Lance denunciada arrependimento por seus atos passados, e Will podia ver isso claramente. Tentou se por no lugar do outro por um segundo, aonde ele perderia os melhores amigos por algo imensamente errado, e ele acreditava ser capaz de fazer a mesma coisa que Lance, mas havia algo no que ele falou que não cassava com sua historia. Franziu o cenho, mostrando sua confusão, a mesma que estampava sua expressão agora, seu rosto em uma mistura de surpresa com confusão.
- Mas eles não sabem? Você nunca… você nunca contou para eles? – Fez uma pausa real entre as frases, ainda sem ao certo o que pensar ou como reagir a tal informação.
Por que Lance não havia contado? Por que não deixara os outros saberem então o que se passava? Por que não expor Kyle de uma vez por todas?
Com tudo isso acontecendo, Will nunca havia pensando no que acontecera na casa deles, e acreditava que nem quase ninguém ali também. Todos entendiam que Sebastian e Cole eram iguais a Cole e era isso, fim de questão. Mas sinceramente, eles não saberem modificaria alguma coisa? A guerra entre os dois lados estava avançando cada vez mais e mais, então nada parecia ser exatamente fácil mais de se restaurar, principalmente a paz.
Mais uma vez os seus olhos se grudaram ao chão, daquela vez com algum tipo de vergonha. Will parecia impressionado pelo silêncio de Lance para com Cole e Sabastian em relação a verdade de Kyle. Agora ele sentia que não era tão forte quanto o garoto pensava anteriormente, a surpresa dele o fez se sentir um covarde.
- Não, nunca. Eles nunca acreditariam em mim, muito menos depois de Kyle me expulsar de casa e... - Os seus olhos se fecharam, ele ainda podia ouvir a voz de Kyle gritando na sua cabeça, seu discurso não fazia sentido e ele não cansava de gritar que Lance não sabia o que tinha acontecido. Mas ele sabia. Sabia muito bem. Tentou afastar aquilo da cabeça - E depois de matarem ele. Falariam simplesmente que eu estava revidando por ele ter brigado comigo, eles me odiariam tanto quanto odeiam hoje. E a verdade seria ainda mais desmerecida - Suspirou, mais uma vez o sentimento de covardia o atingindo, ele deveria ter contado, não importava se eles acreditariam ou não. Contar teria sido o certo, mas agora era tarde demais.
- Não um cara tão admirável, em? - Deu uma risada abatida, que mais parecia com um resmungo. Naquele momento não sentia raiva de Kyle, nem de Cole, nem de Sebastian. Só sentia raiva de si mesmo. Não voltou a erguer os olhos para Will.