Concordo que a música é uma expressão humana que nos ajuda a nos conectar com nossos sentimentos, sejam eles velados ou já conhecidos. Porém, existem diferentes estilos musicais, tanto para “a cabeça quanto para os pés”. Acredito que a música surgiu como uma forma ritualística para que o ser humano se relacionasse consigo mesmo e com os outros, não apenas de modo espiritual, mas também emocional e físico. Esse último tipo de relacionamento, aliás, acredito que seja o primário.
A música, para mim, se tornou algo a ser pensada dentro da sala de aula, não apenas como uma ferramenta pedagógica, mas também como problema que vai além dos muros escolares. "O que as crianças ouvem hoje em dia?" Faço-me essa pergunta mesmo sabendo a resposta. Também não é difícil para vocês leitores decifrarem quais músicas são ouvidas. Elas tocam em bares a céu aberto, paredões avulsos, e, claro, nos celulares dentro de nossas casas.
Meu escritor favorito uma vez disse que é possível falar de qualquer assunto com uma criança, desde que se haja respeito e método para tal ação. Foi Dostoiévski que me disse isso... Não exatamente com essas palavras, mas sim, acredito que contive a ideia. É preciso apresentar não apenas boas referências para as crianças (músicas para a cabeça). É necessário procuremos conscientizá-las que existem palavras e atos que não merecem ser reproduzidos, seja porque são feios, e digo feio para entender como algo essencialmente feio, ou porque não há propósito em sua repetição.
Crianças são naturalmente desafiadoras, então é necessário conquistá-las para que elas se desenvolvam. Apresentem bons livros, bons filmes e, claro, boas músicas. Afinal, não há forma de protegê-las das exposições diárias que são evidentemente nocivas caso sejam apresentadas com descuido.