O RISCO DOS CORANTES SINTÉTICOS AO MEIO AMBIENTE
Água vermelha poluída do rio Jianhe em Luoyang, província de Henan, na China, em 13 de dezembro de 2011/ Foto: Reuters/China Daily
O uso de corantes para tingimento não é uma prática atual. Esse hábito já existia na antigas civilizações do Egito e da Índia, há mais de dois mil anos. Antigamente, os corantes utilizados eram os naturais, extraídos principalmente de plantas, o que caracterizava um processo de tingimento bastante rudimentar. Com a tecnologia, os corantes antes utilizados foram trocados pelos sintéticos,
A maioria dos pigmentos empregados em corantes e tintas têxteis são substâncias químicas inorgânicas, geralmente a base de metais pesados, os quais podem ser tóxicos e alergênicos. - “A professora da Universidade de São Paulo, Danielle Palma de Oliveira, aponta os principais problemas dos riscos dos corantes à saúde. “Os riscos identificados são os danos genéticos causados por conta da quebra das moléculas de DNA nas células, esse comportamento mutagênico pode levar ao desenvolvimento do câncer”. Estudos da pesquisadora envolvem 10 corantes da classe química azo e todos tiveram o seu poder de risco à saúde comprovados.”- equipe eCycle, disponível em https://www.ecycle.com.br/
Os pigmentos inorgânicos sintéticos originam-se de um método industrial controlado, resultantes de matérias-primas extraídas de sais de metais como ferro, cobre, cromo, chumbo e cádmio, que são poluentes e podem ser prejudiciais à saúde de quem os manipula (DINIZ, 2015). Existem em torno de 3000 corantes reativos inventariados como cancerígenos que tiveram sua produção interrompida. Todavia, países menos desenvolvidos como o Brasil não cessaram totalmente a produção desses corantes por apresentarem grande importância econômica (GUARATINI & ZANONI, 2000 apud DINIZ, 2015).
Segundo Frazão (2015) os metais citados acima, cromo, cádmio e o chumbo estão entre os seis metais pesados mais graves para a saúde juntamente ao mercúrio, arsênio e o bário. Muitas vezes os sintomas da intoxicação não são aparentes na fase aguda, vindo a se manifestar tardiamente de forma crônica, uma vez que esses metais têm a capacidade de se acumular no organismo e causando problemas renais, cerebrais, respiratórios, e até mesmo câncer, entre outros.
Mancha Vermelha no Rio Cachoeira, em Joinville - Empresa têxtil de Joinville é multada por crime ambiental e poluição de rio, em 20/07/2012 / Foto: http://g1.globo.com/
O mercúrio também é bastante empregado pela indústria de tingimento de roupas, causando diversas vezes intoxicação crônica aos manuseadores, que provoca desde distúrbios neurológicos, a problemas renais, no fígado, na pele e nos sistemas reprodutor e imunológico. Em mulheres grávidas o excesso de mercúrio no organismo ainda pode originar malformação do feto ou a morte do bebê (Frazão, 2015).
O efluente têxtil é qualificado como um dos mais poluentes dentre todos os efluentes industriais. Neste contexto, o Brasil está entre os dez maiores fabricantes mundiais de tecidos e malhas (GORINI, 2000 apud DINIZ, 2015). Responsável pelo consumo de cerca de 15% da água utilizada nos processos industrias do país, as fábricas devolvem este recuso natural ao ambiente com altos níveis de contaminação (FORGIARINI, 2006 apud DINIZ, 2015). Incluído neste processo, o tingimento dos tecidos, estima-se que cerca de 20% dos corantes utilizados sejam descartados no efluente devido a sua incompleta fixação durante o procedimento (GUARATINI & ZANONI, 2000 apud DINIZ, 2015).
Os efluentes contaminados por corantes despejados pelas indústrias têxteis atua ainda, reduzindo a penetração de luz solar nos cursos d’água, influenciando ambientalmente inclusive os ciclos biológicos naturais, reduzindo a atividade fotossintética e a concentração de oxigênio dissolvido na água (YESILADA et al., 2003 apud DINIZ, 2015). Vários tipos de corantes utilizados também podem ser acumulados por plantas expostas a efluentes têxteis e consequentemente passar para a cadeia alimentar, contaminando outros organismos, incluindo o homem (ZANONI & CARNEIRO, 2001 apud DINIZ, 2015).
A predominância dos corantes sintéticos dificulta o desenvolvimento e adaptação do tingimento natural às necessidades das tecelagens modernas. No entanto a última década apresenta investigações sobre a possibilidade do uso de corantes naturais em processos de tingimento têxtil em crescente desenvolvimento, por diversos grupos de pesquisa.