stupid valentine; Â w. Leonard
 leonxheart:
Os barulhos ao redor já não mais lhe importavam, as pessoas então? Essa sequer existiam em sua mente, apenas o rapaz que o beijava ali é que agora importava. Estava cercado pelo gosto, por seu perfume, pelo calor que emanava do corpo alheio. Levi lhe tirava não apenas o fôlego, mas também a concentração e perturbava a força que o mantinha preso ao chão. Era como se realmente flutuasse, como se os lábios tão macios movendo-se contra os seus fossem o suficiente para fazê-lo delirar.
E, na verdade, talvez fossem mesmo. Desde que o conhecera que aquela sensação na boca do estĂ´mago nĂŁo ia embora. Aqueles lábios, os olhos clarinhos e as mĂŁos calejadas do piano lhe tiravam toda a capacidade de raciocinar com a razĂŁo ao seu lado. DifĂcil, sim, e impossĂvel pois todas as vezes que o tinha por perto, era apenas nele que focava.
Ao sentir o toque em seu rosto e o beijo sendo aprofundado, não deixou de inclinar-se mais na direção dele. Queria mais e mais, sempre mais. O que já tinha ali não parecia ser o suficiente, fundir-se ao mais jovem e senti-lo por completo era o que precisava. Mas a risadinha abafada contra sua boca o tirou daquele devaneio, relembrando-o onde se encontravam. Leon fez um barulhinho baixo de protesto, tentando assim fazê-lo entender que não era ainda para atrapalhar o beijo daquela forma, por mais que adorasse sua risada. Só que o musicista riu novamente e, dessa vez, o docente mordiscou-lhe o lábio em retaliação. Escorregando a mão para baixo, as falanges grossas agarraram aquela gola do sobretudo, apertando para o segurar no lugar mas bastou sentir aqueles dedos em seu rosto combinando perfeitamente com os que se faziam presentes em sua nuca para que o próprio loiro acabasse abafando também um risinho.
SĂł que, ao contrário do jovem, Leonard nĂŁo cessou as risadas. Ele precisou findar o beijo com alguns selinhos mas atĂ© estes foram atrapalhados por causa do sorriso gigantesco em seus lábios. Os selares foram entĂŁo distribuĂdos na mandĂbula e bochecha de Levi atĂ© que alcançasse sua orelha. “VocĂŞ Ă© adorável.” sussurrou baixinho. Beijando abaixo do local. “Eu tenho um presente para vocĂŞ.” continuou no tom baixo, mordiscando o lĂłbulo da orelha alheia antes de afastar o rosto para o olhar. E sĂł entĂŁo percebeu uma coisa. “Mas vocĂŞ derrubou meu marshmallow, Levi! De novo! Outro estragado, eu nĂŁo sei se está merecendo presente.”
Dentre tantos beijos sem sentido trocados ao longo de seus vinte e cinco anos de vida, aquele era um que jamais esqueceria. O simples selar de lábios partilhado no lago, enquanto tentava patinar sem ter qualquer prospecto de sucesso na tentativa ou mesmo no que iniciaram há meses atrás, numa sala de mĂşsica, nĂŁo fazia jus a tudo que sentia agora. Se naquele momento já sentira friozinho na barriga, agora tudo dentro de si era vendaval, furacĂŁo, tempestade, todos os fenĂ´menos da natureza juntos  ao que a onda de arrepios mais prazerosa e inocente parecia alcançar cada Ănfimo milĂmetro de sua pele.
Levi, tĂŁo acostumado a privar-se, via-se sentindo tudo em um pouco mais, fosse no toque carinhoso das mĂŁos ou na proximidade, na vontade que Leonard expressava tĂŁo claramente de que aquilo era recĂproco.E por Deus do cĂ©u, quĂŁo tolo fora por negar-se a possibilidade de que ele sentisse o mesmo ou fosse boa ideia, que lhe assolava os pensamentos desde que ele tropeçou na sala em que praticava piano. Boa ideia, na realidade, talvez nĂŁo fosse. Nos cantos mais obscuros de sua mente questionava a validade de tudo aquilo, e de que, se desse tudo errado, ele acabaria magoado por demais. Mas foi nesse instante que os dedos do outro homem se fizeram mais urgentes, puxando-o para mais perto atravĂ©s da gola de seu sobretudo. Se o riso ameaçava morrer em seu lábios pela linha turva de pensamentos, ele logo retornou.
Estavam os dois perdidos.
Caso contrário, Leonard nĂŁo estaria o puxando, o tomando, o beijando em meio a multidĂŁo de alunos como se fosse a coisa mais simples e correta do universo. Caso contrário, a mordida em seu lábio nĂŁo teria gerado suspiro de tĂŁo boa, por mais simples que fosse e por deveras infantil que se mostrasse da parte alheia, retaliação que era pela curtĂssima pausa no Ăłsculo.Ah, se ele soubesse, que por mais tĂmido que fosse Levi, nĂŁo se importaria de continuar aquilo por oras e oras, atĂ© ter o rosto vermelho pelo raspar da barba rala alheia contra seu rosto, atĂ© que a boca estivesse amortecida, atĂ©. E eram pensamentos tĂŁo tolos e que traziam sensação tĂŁo boa, que quando Leonard iniciou seu riso sem controle, o estudante fazia o mesmo.
Ele ria como um idiota, de fechar os olhos e tombar o rosto pra frente, deixando que ele descansasse contra o ombro largo. Foi fechando em punho a mĂŁo que se encontrava na nuca do professor que ele concretizou a vontade de dar soquinho levĂssimo na lateral de um dos braços que o mantinham perto da fonte de calor que era o mais velho. “Listen, stupid, I’m the younger one here, you can’t just nip at my lips because you’re not getting what you want!” E no tom de voz, tĂŁo sincero, fazia-se clara a diversĂŁo, ainda mais transparente no sorriso que dava contra o ombro protegido do maior, mantendo-se a ele abraçado, e fechando os olhos diante dos tanto beijos que terminaram de derretĂŞ-lo por completo; a mordidinha em sua orelha, conquanto,o fez morder a prĂłpria boca, porque foi melhor do que esperava e Ăntimo.
Ìntimo como nunca se permitira ser com ninguém.
Levi viu-se retribuindo o carinho com dois selares no rosto barbado sem muito pensar, rindo com tons de indignação pelas palavras que ouvia. “I’m not adorable at all, you are just fucking blind.” Ele ralhou carinhosamente, sobrancelhas se solevando enquanto o sorriso mantinha-se pequeno e na expressĂŁo demonstrava o quĂŁo pouco impressionado estava. “E em segundo lugar, a culpa disso Ă© sua tambĂ©m, okay? E eu nunca disse que era particularmente bom em assar nada.” E ainda que estivesse falando aquilo, recolhia novamente o graveto, se livrando do doce caĂdo para logo pegar um novo no saquinho prĂłximo e tentar de novo. O sorriso na boca era o mais bobo de todos, mesmo que tentasse inutilmente nĂŁo sorrir, e com os ombros encolhidos em timidez, concluiu seus pensamentos com os olhos pregados na fogueira. “... You don’t really need to give me anything, you know. I’m happy... Like, really happy just with that.”













