A única coisa que se consegue ler é “Há um envenenamento”, a Metrópolis já não é o que era, há uma ameaça. Quando parecia que as coisas estavam-se a recompor ouviu-se um crash no bolsa, e a metrópolis inunda-se outra vez, a degradação social refloresce e o trabalho de George Gorsz, de Mary Wigman e de Fritz Lang já não se arriscam a ficar/falar do passado, são presentes. A política de Stresemann não teve continuidade, não resistiu ao colapso da bolsa de nova york. A ameaça tornava-se cada vez maior, as pessoas precisavam de uma saída. “Nada funciona bem, há exceção do medo” e esse medo é alimentado e aproveitado por outros com um medo ainda maior num ciclo vicioso, orgânico e circular. Um medo está prestes a reinar sobre todos os medos quebrando assim o círculo/ovo, já se distingue um réptil a partir da membrana. Igmar Bergman dá-nos isto através de Rosenberg, um judeu que passou de acrobata a alcoólico, que sente todas estas pressões sociais a florescerem em si dando-lhe uma apatia emocional que se expressa com breves momentos de sinistro êxtase corporal. Mais que o álcool ou as experiências laboratoriais a que é sujeito sem se aperceber, é a frustração (sensação macabra activa) que o leva, por exemplo, a partir um vidro da casa de um casal judeu, a bater no homem e a agarra e a beijar a mulher num acto desesperado de expressão sensorial, o sentimento abala qualquer capacidade racional que o faria eventualmente respeitar o outro . Assim esses sentimentos de angustia tomaram conta da sua vida. Ele é esta cidade onde o vermelho explode em cor, sangue, cabarets e políticas desastrosas que não conseguem lidar com a miséria geral. Ele representa a incapacidade geral de lidar com o que quer que seja, ele percebe e assiste á imparável adesão popular a ideais xenofóbicos, ele sente isso no corpo, assiste no corpo de semelhantes e usa o corpo como instrumento de fuga; depois de perguntar “Porque sou judeu?”, reflete, grita e corre pavoroso e acrobático pela esquadra. A Metrópolis permanece e assiste freneticamente ao eclodir de um regime que promete a ordem e segurança, os presos políticos são os primeiros a desaparecerem, o vermelho muda de tonalidade.