Jungkook - Nothing Like Us (Cover)
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Aqua Utopia|海の底で記憶を紡ぐ
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DEAR READER

⁂
Alisa U Zemlji Chuda

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if i look back, i am lost

Andulka

★
Cosmic Funnies
Xuebing Du

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❣ Chile in a Photography ❣

Love Begins

Kiana Khansmith

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@likeminwoo
Jungkook - Nothing Like Us (Cover)
vanilla & chocolate on a cold afternoon
yeppeunkkoch:
Apesar de ter escutado as reações alheias durante a curta missão, não tentou respondê-las, uma vez que pareciam mais com sons de fundo, vindos de longe, por conta da apreensão que sentia. Se tivesse se mantido em seu próprio espaço, não teria se sujeitado aquela situação; e mais, não teria visto o que não deveria. Que fosse considerada uma boba, mas Choi, muito sensível, principalmente quando o assunto era Minwoo, queria ter o máximo de cuidado possível, não gostaria de estragar tudo com suas inquietações ou invadindo em demasia o espaço pessoal do outro. Era tudo consideração por ele, gostava de fazer-se acreditar nisso.
O carro parou então, seguido por seu sucesso na missão. Seria mais que natural que voltasse a sua posição anterior; mal ela sabia o cenário que formou após esse feito. E enquanto estranhos tinham a ideia errada sobre sua pessoa, Miyoung desfrutava de seu desconforto, revivendo a lembrança das mensagens privadas e culpando-se por tal. O sorriso forçado que demonstrara antes desmanchou-se assim. Seu olhar foi de Minwoo para as pessoas lá fora e, então, para Minwoo novamente; aquela expressão reprimida… “Por que essa cara?” Tinha hesitado antes de perguntar, pois sabia que era dela e de suas ações estúpidas que ele queria rir (ao menos, era o que sua mente concluía).
Nesse meio-tempo, do vidro oposto, percebeu os minúsculos flocos brancos caindo, tecendo o começo de um véu níveo. Essa era o que? A terceira vez que nevava em Seul só nesse inverno? Incomum para a cidade. Depois de Londres, o fenômeno passou a intrigá-la; de tão bonito e puro, ela se perdia, instigada a um certo tipo de introspecção. “Enquanto a neve cai, gostaria de poder carregar alguém comigo…” Proferiu calma e distraidamente; no entanto, quão forte tais palavras haviam ecoado no seu íntimo. Observou o moreno. “Kim Jonghae. É um escritor.”
A pergunta alheia dificilmente receberia uma resposta séria. Explicar o motivo de estar rindo, realmente, estava fora de questão; talvez em outros tempos pudesse ter o feito, mas não ali, nem agora. “Ah, se eu soubesse. É impossível decifrar a minha beleza.” Dramatizou como de praxe. Minwoo poderia ter dúvidas profissionais, amorosas e até existenciais, mas, com relação à sua aparência, sempre fora assertivo. Ainda que aquela fosse apenas uma brincadeira, havia obviamente um fundo de verdade. Sempre tinha.
Inclusive, outra coisa que constantemente perduraria era o problema em ser o motorista. Ter o volante em mãos, afinal, faz com que raramente seja possível desfrutar da vista afora, ao menos, despreocupadamente. Via de regra, os únicos pensamentos existentes são se o caminho é acessível ou não. E Park estava encontrando dificuldade em enxergá-lo, vez que a neve obstruía sua visão, o que o impedia de, bem, poetizar como Mikkoch acabara de o fazer. A princípio, a frase balançou seu íntimo, o deixando envolvido por alguns instantes – havia considerado, sinceramente, que ela dizia aquilo de verdade. Mas ao ser introduzido da autoria da citação, os sentimentos em si suavizaram, estando confuso se era apenas algo despretensioso. Você adora brincar comigo, não é, Kkoch?, a pergunta soou pela sua mente. “Grande Jonghae, huh. Mas faria mais sentido se fosse “cair com alguém”, ao invés de “carregar”.” Questionou, ainda com os olhos focados ao caminho obtuso.
Não por muito tempo, porém. Fora o trânsito maciço que se instalava à frente e os pisca-alertas ligados de modo frenético, a neve – mais precisamente, nevasca – tomou conta do carro. Completamente. Mesmo que Park forçasse o para-brisas, o objeto se prendia ao avolumado de gelo que se alojara. Depois, o pneu perdeu a tração. Minwoo não detinha mais controle e não obteve outra opção, além da de desligar o carro. “Uh-oh. Isso com certeza não fazia parte do plano.” A música esvaiu-se junto ao ar quente liberado pelo veículo. Agora o frio estava insuportável. “Acho que Shakespeare não vai estar orgulhoso de mim agora.”
vanilla & chocolate on a cold afternoon
yeppeunkkoch:
Miyoung observou aquela cena: Minwoo, sorvete sobre o colo, colher numa das mãos, que logo foram parar no volante, voltando a dirigir. Achava que poderia não ser seguro. Ou só estava pensando demais. De toda forma, fincou a colher no seu sorvete, livrando uma das mãos, a qual apontou para o pote alheio. “Melhor eu ficar com isso por enquanto.” Então, fez seu caminho a fim de pegar o objeto, mas… Ops. Acabou derrubando-o no fim. “Omo! Mianhaeyo. Deixa que eu pego.” Prontamente projetou-se em direção ao moreno; na verdade, tinha sido em direção ao pote caído, porém, este estava bem ao lado dos pés dele, então tecnicamente estava indo na direção das pernas de Park. Ao perceber isso, conteve-se. Fitou o rapaz novamente, talvez mostrava um olhar apreensivo, mas só um talvez. “Hum… Com licença.” Dito isso, virou a cabeça para frente como solução para seu problema e tornou a tentar alcançar o bendito sorvete, tomando cuidado para não derrubar o seu próprio, sem nem pensar que poderia atrapalhar Minwoo.
Ela rapidamente obteve sucesso na missão. Entretanto, no processo, acabou por perceber a tela acesa do celular dele. Sarang? Por algum motivo desconhecido de sua parte, seu coração acelerou. O nome era o mesmo de antes, quando estavam ambos no apartamento de Park. Aniversário, oppa, ordem, emoji de beijo… Não, aquilo não era da sua conta. Não tinha o direito de começar a presumir coisas. Assim, voltou à sua posição inicial ao passo que um desconforto ia dominando seu corpo. Choi obrigou-se a sorrir. “Peguei.”
Minwoo não protestou -- e sequer teve tempo para tanto. Afinal, o pote, antes oscilante sobre seu colo, simplesmente não estava mais lá. E mais: algo topou em seus pés. Seu olhar rapidamente alternou entre Miyoung e a visão defronte, concluindo o que houve. Ela não só havia derrubado, como iria atrás dele. “Ya... Eu sei que o meu sorvete é melhor, mas você também não precisa destruí-lo. Ou nos causar um acidente.” Provocou. Felizmente o carro era automático, dispensando a utilização frenética dos pedais. Mas, ainda assim... Aquela cena. Park voltou a revezar sua atenção; e ao pensar um pouco mais sobre como aquela posição era (teoricamente) obscena, deu uma risada alta. Era apenas ele dando abertura à sua mente suja... ou não.
Em meio à missão em busca do sorvete, a faixa de pedestres estampou-se adiante e o rapaz se viu na obrigação de pisar no freio. Na rua, atravessaram duas mulheres; uma delas, segurando um carrinho de bebê. Elas sorriram para Minwoo, em agradecimento por ele ter as deixado passar. Ele assentiu, em outro riso. A simpatia, no entanto, durou pouco -- pois ao Mikkoch ter pego o pote, enfim aparecendo no campo de visão do carro, o semblante das senhoras horrorizou-se.
Bem. Talvez essa fosse a sina de ambos.
“Minha heroína.” Disse, tentando conter outra risada. Estava difícil reprimir. E mais dificultoso ainda, foi então seguir ao destino; mesmo porque, pequenos amontoados de neve foram se acumulando no vidro dianteiro, fazendo com que Park ligasse o para-brisas.
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Ao passo que via a expressão de Park mudar, a sua própria transformava-se, tornando-se semelhante a dele. Ela o observou firmemente, respirou fundo e engoliu em seco, desviando o olhar depois. Minwoo ainda recordava tudo, ela sabia; as perguntas que fizera toda vez que ele demostrava-lhe esse fato eram idiotas, pois tinha conhecimento sobre a grande parcela do seu ser que ainda estava impregnado nele, em suas lembranças, em sua vida. E isso, talvez, nunca mudasse. Não se continuasse ali. E ela não queria abrir mão daquilo tudo uma segunda vez; porém, também não havia confiança, ou auto-perdão, suficiente para agarrar tudo de uma vez. Não queria magoá-lo de novo. “Ainda é.” Confirmou, apertando de leve o potinho de baunilha que gelava suas mãos.
Tal repentina sugestão, parecia bem típico dele inventar essas coisas do nada. Entretanto, se Miyoung vasculhasse memórias passadas, veria que nenhuma vez sequer, ao saírem a partir do convite dele, a programação tinha sido improvisada; mas não o fez. Ainda assim, pensou no quanto ele estava se esforçando para fazer daquele um momento especial, confortável, e ela apreciava isso. Muito. Mesmo que segurasse seus sentimentos dentro de si própria.
Então, fitando-o novamente, franziu as sobrancelhas ao final da piada alheia e mostrou um sorriso diminuto, um tanto sem jeito, achando aquelas palavras incoerentes. “Ou se é que Shakespeare, ao menos, saberia o que é sorvete.” Respondeu. Talvez tentasse provocá-lo, mas só um pouco. “Enfim, parece uma boa ideia.” Sua atenção recaiu sobre o pote de novo e, desta vez, ela o abriu. Veio-lhe a necessidade de uma colher; a reação imediata foi procurar no porta-luvas, relaxadamente, como se o carro fosse seu. “Inclusive, sinto falta daquela paisagem.” Acrescentou enquanto apanhava as duas colheres, entregando uma a Minwoo logo em seguida.
Eram instantes... Vários deles. Os seus dedos que batucavam no anel do volante. O semáforo, ainda estampando vermelho. As falas de Choi, que se misturavam à música baixa; e o jeito dela de procurar as colheres, confortável em simplesmente abrir o porta-luvas. Detalhes; pequenos, mas perceptíveis. Provavelmente porque estivessem em um carro, onde não havia muito o que se esconder. Ou ainda, porque Minwoo não conseguia tirar seus olhos dela.
Um sorriso um pouco maior assumiu seus lábios, e o mais velho assentiu. Ousava considerar adorável a forma pela qual Young racionalizava suas brincadeiras -- provocações intelectuais que eram tão típicas dela.
“Temos algo em comum. Eu também sinto.” Apoiando o pote de sorvete sobre o colo, tomou o talher com uma das mãos. “Obrigado.” Disse, enfim.
A visão não tardou a se dirigir à frente: sinal verde. Seu pé pisou no acelerador, e a vista, antes estática, retornou a se borrar na janela. Park deixou-se levar pelo som, aliado ao cenário de fora. Sequer notou que seu celular -- próximo da marcha -- piscava silenciosamente. A tela exibia mensagens seguidas, nas quais não se deu ao trabalho de olhar.
Sarang: Eu ainda não acredito que você não vem para O MEU ANIVERSÁRIO
Sarang: Depois veremos como você vai me recompensar. Sem desculpas, oppa~
Sarang: É uma ordem. 💋
The Ultracheese - Arctic Monkeys
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yeppeunkkoch:
Quase que automático, porque seu corpo ainda reagia afiadamente às brincadeiras da pessoa ao seu lado, ela fingiu uma expressão duvidosa. “Hmm, vou confiar em você, príncipe.” Disse, e para ela parecia engraçado chamar Minwoo assim, príncipe, pois era exatamente o que pensara dele no começo de tudo - um príncipe que chegara para salvá-la naquele leito de hospital.
Miyoung, então, abriu a boca, mas voz nenhuma saiu; apenas um suspiro foi solto, como se resignado diante ao fato de que o rapaz não desistiria. Entretanto, rapidamente sua voz achou caminho para fora. “Porque continua sendo um teimoso.” Deu continuidade ao tom gentil e cuidadoso a fim de que não soasse rude, já que esta não era sua intenção. Dado isso, um sorriso de canto brincou em seus lábios por meros segundos, o suficiente para mostrar certa doçura e, talvez, até um pouco de melancolia. Tal apego obstinado de Minwoo a lembrava do passado; então, ele realmente seguia sendo assim, ela pensou. E o comentário seguinte só corroborou com esse seu pensamento. “Só você mesmo, senhor Park.”
Ao terminar de se ajeitar ao banco, colocou o cinto. Sentada ali, o nervosismo começava a preencher-lhe. Os dedos inquietos acima do colo, a boca semi-cerrada e os olhos percorrendo lentamente o espaço limitado do veículo, porém sem muita atenção; um nervosismo suprimido, discreto. O motivo? Bem, ficar os dois a sós não parecia um problema, contudo era isso o que exatamente era. Ansiara por mais momentos ao lado do mais velho, ainda assim, não conseguia estar nessa situação sem sentir coisas estranhas. Soava engraçado, mas Miyoung não ria.
O pedido alheio, assim que pronunciado, impediu mais reflexões e, consequentemente, sobrecarregamento. Ela logo atendeu-lhe. “Claro! Aqui?” Perguntou por gentileza, ao passo que já abria o local indicado. Antes mesmo que pudesse vasculhá-lo, suas mãos foram de encontro com uma superfície gelada. “Hmmm, não há nenhuma carteira, mas, por acaso, há dois potes de…” Observou mais atentamente a embalagem. “Sorvete.” Agora, sim, sorria. Pegou os dois potes. Baunilha e chocolate, os sabores favoritos de cada um. “Você ainda lembra…” Afirmou sem esconder o sorriso boo. E, assim, estendeu ao outro a embalagem de sorvete de chocolate.
Para ele, parecia engraçado ser chamado assim, príncipe. Minwoo não se via como um em nenhum aspecto, exceto nas vezes em que fingia ser inocente para conseguir algo. Diabólica realidade, não era? Um lobo vestido de cordeiro. Seu título conquistado era esse, e não havia muito o que se fazer para apagá-lo. “Posso garantir que você não irá se arrepender, princesa.” E chamá-la de princesa soava bastante sensato -- Park bem sabia que princesas eram por vezes mais guerreiras que os próprios príncipes. Melhor ainda: ambos ficavam juntos no final.
E lá estava sua insistência tirando qualquer argumento dos lábios alheios. Era até adorável vê-la assim (na verdade, de qualquer maneira)... Bem. Seria difícil lutar contra a teimosia de Park Minwoo, mesmo porque, dificilmente ele desistia das coisas que realmente queria. Talvez essa fosse a resposta mais sincera que pudesse dar, mas não seria apropriado. Não que muita coisa fosse. “Persistente, eu diria.” O mais velho, então, manteve novamente o sorriso travesso, batendo continência com o indicador e médio. De fato, ser persistente estava no rol de suas habilidades.
Enfim presentes no Kia Sorento, ao passo que Minwoo se preocupava em acelerar o carro, tirando-os do portão da SNU, sua atenção voltou-se, por óbvio, à frente -- um modo natural de se distrair da realidade que se estampava dentro do veículo. Eram paredes curtas, com poucos lugares a se esquivar; ao menos fora, poderiam apreciar a vista infestada de gelo e trânsito, decorrente do horário moderadamente de pico. De início, Park sentiu vontade de rir com a resposta a respeito da carteira, já que era previsível. Porém, passando a refletir melhor nas palavras dela, tudo o que fez foi sorrir de canto; diga-se de passagem, não era uma curva exatamente feliz. Estaria mais para... dolorida. “Como eu não me lembraria, hm?” Uma pergunta retórica, pela primeira vez, baixa. Nostálgica. Baunilha e chocolate... Felizmente, Young ainda se recordava dessa combinação, que não era uma qualquer. “Espero que ainda seja o seu favorito.”
Seu olhar de soslaio percebeu o pote sendo entregue a si. Dessa maneira, enquanto uma das mãos segurava o volante, a outra livre o pegava. “O que acha de ir até o Rio Han?” Sugeriu aleatoriamente, como se tivesse tido essa ideia no mesmo instante. Mais uma vez: tudo mentira, e tudo planejado. “Tomar sorvete e observar um rio congelado... É quase poético. Shakespeare estaria orgulhoso de mim agora.” Tão logo, quase como se tivesse ensaiado, Minwoo parou o carro no semáforo em vermelho. Observou, assim, o pote de chocolate; depois, ela. E riu, soprado. “Ou não. Eu não o conheci pessoalmente.”
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As falas brincalhonas vindas do outro, Miyoung apreciava todas elas. Até mesmo posteriormente, quando ela, por vezes, esboçava uma reação agressiva; era tudo fachada; ela adorava todas as brincadeiras e isso não havia mudado muito por sinal. Um sorriso diminuto brincou no canto dos seus lábios durante alguns instantes, antes de se transformar em um leve bico. A voz suave, em tom inocente, veio logo após. “Ela não vai se transformar em abóbora depois de algumas horas, vai?”
Então, seguiu Park brevemente. O vento gelado, de repente, roçando suas bochechas e nariz, deixando-os numa coloração sutil de rosa. Ela cruzou os braços, abraçando o casaco – a temperatura parecendo se tornar mais amena enquanto expostos ao ar livre. Em frente ao carro, recebeu a gentileza do mais velho de maneira não muito diferente das outras vezes: tímida, um tanto sem graça. “Você não precisa fazer isso por mim…” Disse num tom gentil e cuidadoso, ainda que não desaprovasse o gesto. Era apenas besteira sua: aparentava um pouco demais porque achava que não merecia a bondade dele. Completa besteira, pois sabia que Minwoo discordava, mesmo que não soubesse o que exatamente se passava na cabeça dela. “Se continuar assim, vão acabar achando que você é meu motorista particular - o que seria desperdício de um bom rosto como o seu. E de boas habilidades também.” Continuou, preferindo ser brincalhona para afastar o peso que sentia ter dado ao clima; e, ao fim, entrou no veículo, ajeitando a bolsa e o casaco no colo, logo após puxando a porta.
A pergunta alheia fez com que Minwoo abaixasse a cabeça de leve. E, bem, risse. Aquele era exatamente o tipo de coisa que arrancava sorrisos seus; não pela graça da fala, em si, mas pelo que ela trazia por trás -- a inocência de Kkoch. “Hm... Não.” Crispou os lábios, fingindo-se pensativo. “O príncipe está aqui, então nós podemos dispensar feitiços.”
A recusa de Young ao seu, digamos, cavalheirismo não o surpreendeu, obviamente. Park, entretanto, não deixaria de insistir; gostava de protegê-la, mesmo em práticas diminutas como aquela. E isso, de tão evidente, estava se tornando banal de dizer. “Acho que já estou fazendo, não é?” Provocou, no que arqueava uma das sobrancelhas -- uma tentativa boba de convencê-la do contrário. Sendo brincadeira ou não, o que veio a seguir conseguiu inflar seu ego já muito grande. Minwoo se questionava sobre quais “habilidades”, no conceito de Choi Miyoung, seriam essas. Mas preferiu não se prolongar; seu sorriso de canto, bastante travesso, manifestava por si só. “Eu não me importaria.” E foi tudo o que pronunciou.
Finalmente dando a volta, não tardou muito a adentrar no banco do motorista, fechando a porta logo após. A chave foi posta na ignição; e, ao virá-la, o carro demorou um tanto a dar sinal de vida. Isso, junto à coloração rosa que adornava o rosto de Young, serviram de lembrete para que Park ligasse o ar quente dali. Aliado a esses detalhes, o rádio automaticamente ligou, trilhando o som do ambiente. “Uh. Você pode pegar a minha carteira, por favor?” Pediu, enquanto já colocava o cinto e destravava o freio de mão; em seguida, posicionava aos mãos no volante. “Está no porta-luvas.” Uma real mentira -- sua carteira sequer estava ali. O pedido, em verdade, era no intuito de que Miyoung encontrasse outra coisa. Ou, nesse caso, coisas.
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Assim que percebeu a concordância por parte do outro, Miyoung o encarou; as sobrancelhas levantadas e os lábios entreabertos, como quem pergunta “está brincando comigo?”. Ainda que a afirmação não fosse uma completa mentira, pois em momento algum haviam oficializado o término do namoro, era de se esperar, porém, que tal status não pudesse mais ser aplicado à situação deles. E isso foi confirmado com a seguinte declaração de Minwoo. Jeon namjachingu. Na mente da mais nova, essas palavras soavam amargas, apesar de terem sido ditas de maneira risonha. Ela, então, suspirou e desviou o olhar, sentindo-se chateada, mas sem muita certeza sobre o motivo.
A hoobae, que estava claramente constrangida por ter sido o gatilho daquela cena, soltou um “ah”, seguido de uma apresentação tímida e reverência simples. “Sou Kim Yewon. Prazer em conhecê-lo.”
Choi, deixando de lado o que sentia ao notar os sentimentos da colega, apressou-se a salvá-la. “Essa é minha colega. Fazemos o mesmo curso, mas estamos em semestres diferentes.” Yewon confirmou acenando a cabeça. “Então… Yewon-ah, podemos nos falar depois?” Estava decidida a não prolongar aquela situação mais que o necessário e esperava que os outros dois pudessem compreender seu sinal.
Pelo menos, Kim pegou a ideia bem rápido. Do seu jeito nervoso, começou a despedir-se. “Ah, claro, claro! Foi um prazer, hmm…” Não tinha certeza de como chamá-lo. Ou se podia usar apenas o primeiro nome, visto que nem o conhecia e provavelmente era mais nova. Pensando assim, optou por terminar sua fala ali mesmo e partir para outra. “Até mais, sunbae.” E, assim, afastou-se, seguindo seu caminho.
Miyoung, aliviada, observou a colega até que as costas da mesma sumissem de sua vista. Desde o reencontro, vinha passando por momentos estranhos, nos quais Park sempre estava envolvido de alguma forma; seja fisicamente ou só em pensamentos, como quando ela jogou sal no café ao invés de açúcar pois se distraíra ao recordar o moreno e as coisas que vira em seu apartamento – triste lembrança, ainda que engraçada. Quem, nesse mundo, faria uma troca dessas? Sem querer refletir mais sobre isso, tentou encorajar a continuação dos planos para o atual compromisso. “Vamos indo também?”
De certa forma, a reação de Choi diante de seu comentário foi mais um lembrete de que as coisas estavam frágeis e passíveis de gatilhos. Era complicado invadir o espaço dela, ou simplesmente tocar nesse tipo de assunto, sem deixá-la desconfortável. E Minwoo já era muito descuidado nas palavras, o que dificultava o processo. Afinal, ninguém se apresenta como ex-namorado de uma pessoa. Melhor: ninguém concorda em ser o namorado de uma pessoa, e imediatamente identifica-se como o ex. Novamente, ninguém -- exceto ele. Seu desejo de significar algo, sendo isso incomum ou não, usualmente ultrapassava os limites.
Dadas as apresentações, Park igualmente fez uma reverência simples; seu sorriso um tanto mais suave, ao passo que acompanhava as informações. Uma hoobae, então. Estava certo de que nenhuma das duas procurava prolongar o assunto, e tampouco interferiria nisso. Ao seu ver, chegava a ser cômico o nervosismo que causara em Yewon; realmente, Minwoo era ótimo em estragos. De qualquer maneira, vendo-a se distanciar, não deixou de dizer: “Até mais, hmm.” Em uma imitação discreta, quase que zombeteira. Até porque, achara seu “nome” particularmente engraçado.
Sozinhos, enfim. Já estava na hora de começar o que havia preparado; e portanto, Park não demorou a assentir com o pedido. “Felizmente, a carruagem já nos aguarda.” O tom dramático, como de praxe, bastante presente. Com a chave do carro em mãos, um clique foi suficiente para que, próximo dali, seu Kia Sorento (de cor preta) emitisse um sonoro “beep beep”.
A caminhada, nesse sentido, foi composta de poucos (quase desprezíveis) passos até chegarem ao veículo estacionado. Minwoo tomou a iniciativa de abrir a porta do carona. “Eu disse que estava no débito com você.” Iniciou, em um pequeno sorriso -- sua cabeça sinalizava em direção ao interior do carro. “Não disse?”
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Miyoung ainda encontrava certa dificuldade em crer no que havia lhe acontecido há poucos dias atrás. O reencontro, até então, parecia um sonho puro e inocente que persistia em seu subconsciente, um sonho que ela queria que se tornasse realidade e que, por acaso, teve exatamente esse fim. Um tanto inesperado, ela diria, apesar de ter sido seu maior desejo por um bom tempo, enquanto vivia em Londres, antes de ocupar-se com outros assuntos; porém satisfatório. E extremamente confuso, com uma bela pitada de dor e arrependimento.
Agora, ela tinha a oportunidade de ver Minwoo e experimentar tais sentimentos intensos mais uma vez, sabendo que tudo fazia parte da realidade e que, a partir desse momento, o relacionamento deles seria redefinido. Se para bom ou pior, só o tempo poderia responder.
Foi dessa maneira que passou boa parte dia: pensando e repensando; e quando já parecia o suficiente, pensando mais um pouco. Entretanto, uma vez que conseguiu convencer seu cérebro de que isso não lhe traria coisas boas, relaxou consideravelmente, assim continuando até próximo o horário de encontro.
Três da tarde. A última aula chegara ao fim.
Choi arrumou cuidadosamente seu material, guardou tudo na bolsa, pegou o casaco e saiu da sala. Retornava a ficar nervosa, mesmo sabendo que era inútil. Inquieta, dirigiu-se a porta principal do prédio, descendo algumas escadas antes.
De longe, escutava uma voz conhecida, a qual crescia ao passo que a pessoa se aproximava, correndo.
“Sunbae, sunbae!”
“Ah, ne, Yewon-ah?”
“Ai… Você… Já está indo… Para casa?” A moça carecia de fôlego. Mas Miyoung continuava a andar em seu ritmo um tanto distraído.
“Hm, ani.”
Yewon inspirou fundo. “Parece com pressa…”
“Aniya. Você quer perguntar algo?”
“Eu só queria saber se podemos estudar juntas, algum dia, depois da aula. Tem algumas dúvidas que gostaria de tirar”
“Hmm… Claro.” Acenou com a cabeça de maneira rápida. “Será um prazer ajudar.”
“Wah, você é demais, sunbae. Gomawoyo!”
Miyoung acenou a cabeça de novo, mas de maneira tímida, em resposta ao elogio. A hoobae, então, passou a jogar várias palavras no ar, sem muitas pausas e sobre diversos assuntos, como se fosse um robô programado. Era comum isso acontecer; Choi normalmente tinha um tempo difícil tentando acompanhá-la. Dessa vez em especial, ela não conseguia prestar real atenção, pois procurava uma silhueta familiar no portão principal da universidade, enquanto seguia para lá.
Já bem próxima do destino final, no segundo em que finalmente achou o que queria, seu coração estremeceu e ela parou de repente.
“Huh, sunbae? Tudo bem?”
Levou um minuto inteiro, com Yewon a chamando, para voltar à si.
“Sim?”
“Você parou de repente…”
“Ah, eu…" A voz de Park se fez presente e a dela perdeu-se. Inclinou a cabeça numa reverência breve, ao passo que um sorriso sem jeito dominava seus lábios.
"Oh… Namjachingu?” Yewon perguntou inocentemente.
Miyoung, contudo, quase deu um salto. “Ani!” Rebateu rapidamente; o tom um tanto alterado, o que a surpreendeu.
Dez minutos adiantado -- era isso o que seu relógio de pulso evidenciava. As costas continuavam apoiadas sobre a parede do carro já estacionado, defronte ao portão principal da então SNU. Jamais teria conhecimento do caminho sem seu famigerado GPS, mas esses eram somente detalhes ocultados pelo seu título de “Conhecedor de Seul inteira”. Agora, sem saber muito o que fazer nesse meio tempo, Park iniciou um ciclo frenético entre verificar o horário e perceber que os ponteiros continuavam inertes; ou senão, pouco alterados. Os ombros livraram-se da tensão à medida que respirava profundamente. Maldita ansiedade.
Inusitado, não era? Por tanto tempo Minwoo se focou na volta de Miyoung, que inevitavelmente acabara se esquecendo do mais importante. Isto é, como se sentiria a respeito disso. O rapaz não saberia definir direito; mas seus amigos, sim. “Distante” era como o descreviam. Mesmo porque, sextas-feiras sempre foram sagradas para seu grupo, ainda depois de dois anos. Dias de festas, bebidas, bares. Daquela vez em especial, porém, seria comemorado o aniversário de Sarang, e Park não pensou duas vezes em declinar o convite. Sequer explicitou o motivo. Isso, é claro, gerou um alvoroço entre todos, sobretudo, da aniversariante. Mas, sinceramente, Minwoo não estava com cabeça para lidar com esse drama.
Esse pensamento foi confirmado ao avistar Miyoung. Por um momento se sentiu como um adolescente outra vez, esperando que ela saísse da biblioteca para que pudessem seguir o caminho de casa. Seu coração parecia aquecido agora. “Ei, Young” Ele pronunciou junto a um aceno discreto, embora estivesse a pouquíssimos passos longe. Mal tardou a aproximar-se que logo pôde ouvir, já na sequência, a pergunta da garota desconhecida -- amiga de Kkoch, quem sabe. Minwoo sorriu. Era uma brecha perfeita.
“Nee.” E intrometeu-se. Fosse coincidência ou destino, o rapaz rebateu ao mesmo tempo que Miyoung. O som claramente não saiu em uníssono, já que foram palavras completamente opostas -- “nee” e “ani” -- com tons ainda mais distintos -- tranquilidade e sobressalto. Seria engraçado se não trágico. O rapaz a olhou brevemente, em um ar de riso. “Jeon namjachingu, se formos seguir à risca.” Explicou, tentando consertar a situação que acabara de gerar. Por mais que estivesse piorando. “Pode me chamar de Minwoo. É um prazer.”
【SMS 💬 Mikkoch】
Mikkoch: Claramente você iria gostar que fosse
Mikkoch: Wah, já me sinto uma madame
Mikkoch: Sabe onde fica o campus principal da SNU?
Mikkoch: Estou livre depois das 15h na sexta. Está bom pra você?
Minwoo: E eu não discordo
Minwoo: Madame, eu sei onde tudo fica
Minwoo: Sexta às 15h, campus principal da SNU
Minwoo: Estarei te esperando
Minwoo: Até (:
protect ♡
✧・゚: * (re)encontro *:・゚✧
yeppeunkkoch:
Miyoung, então, se tornou mais séria em meio ao sorriso alheio. Não necessitava refletir muito para criar uma ideia sobre o real significado por trás daquele comentário, e assumia que Minwoo tinha razão. E, embora ela precisasse repensar sobre a pessoa que era agora, não podia negar seu passado: havia sido uma artista, e deixara que isso movesse sua vida em vários aspectos, fato que nunca seria apagado. Sentia-se atingida em cheio novamente, mas ficava satisfeita com isso, pois significava que não estavam tão distantes assim. Ao menos era o que queria acreditar. — É, acho que sim. — Por fim, ela concordou levemente com a cabeça. E esperava não ter errado em convencê-lo a manter o tal presente; machucá-lo era a última coisa que gostaria.
Sentiu-se provocada pelas palavras, ainda que estivesse derretendo por dentro, e, então, escondeu um sorriso ao morder o lábio. O momento com ar de velhos tempos; mesmo só por alguns breves instantes, eles eram os dois adolescentes de antes mais uma vez. Por isso, ela era incapaz de deixar essa passar sem rebater. — Aigoo, nosso Minwoo-yah também continua sendo muito seguro de si, hm. Nada mal. — O olhar afiado e um quase sorriso presunçoso, a cabeça fazendo-a repensar suas duas últimas palavras, no quão soaram simultaneamente como um cumprimento e um meio flerte. Logo, Choi desviou o olhar; plena por fora, um tanto estranha por dentro. Agir normalmente sendo cada vez mais difícil.
É uma pena, era o que ela conseguia pensar. Se forçara a ser brava depois de tantas tentativas sem sucesso e muita hesitação, mas acabara por falhar totalmente – talvez ainda parecesse cedo demais para mexer nesse tópico que se mantivera intocável desde que voltara para a Coreia, e estava tão bem acomodada que não sentia vontade de mudar isso, por mais que compreendesse que dificultava, assim, o processo de superação. A parte mais triste, porém, era deixar Park. Permanecia essa vontade de assisti-lo o dia inteiro, em silêncio, sem temer magoá-lo; encher-se dele e seus sorrisos bobos que ela tanto apreciava. Mas se Miyoung aprendera algo nos últimos anos, esse algo tinha sido ser mais paciente. Consigo. As coisas ao seu redor. O jeito como a vida é. Como bem exprimira, queria – e iria, já que o mais velho concordara – voltar a vê-lo num futuro muito mais que próximo, e ela esperaria esse momento de modo resignado. Por hora, mostrou um sorriso simplório, contido tal como muitos que havia mostrado neste dia, mas que provavelmente fracassava em mascarar sua felicidade em face à resposta recebida. Em seguida, trilhou o caminho em direção à porta.
Uma vez fora do apartamento, parou ali, fitando Minwoo. E foi gradativamente se tornando um tanto quanto sem graça por achar que a postura dele ao batente era bastante, assim digamos, atraente. Enquanto ele falava, ela deu uma inspirada, seguida de uma expirada; ambas vagarosas, intoxicadas com a pessoa defronte — Uhum. Algumas ruas depois da árvore que nos salvou de um dia abrasador. I got it. — Disse logo que se recompôs. Nem havia lhe ocorrido ir embora quando foi pedido que esperasse. Portanto, continuou no mesmo canto, atenta às ações alheias. Logo mais, recebeu o telefone gentilmente, não sem antes, porém, soltar um som aspirado pelo nariz. Umedeceu os lábios. — Justo. — Então, digitou o próprio número, clicando no botão de salvar. Precisamente assim que o fez, o aparelho mostrou uma chamada sendo recebida. Não se conteve em ler o nome do contato. — Sarang…? — A expressão em seu rosto era confusa. Estava curiosa em saber quem era, no entanto, não era de sua conta e, lembrando-se disso, rapidamente devolveu o celular ao dono.
O sufixo informal (”yah”) direcionado a si, em meio àquele flerte... Engraçado como somente Choi conseguia a façanha de rebater as provocações de Minwoo. Ela não era do tipo provocativa o tempo inteiro, mas sempre soube o fazer na dose certa -- isto é, na medida que ele gostava. E lá estava... A expressão alheia, tão presunçosa. Sedutora. Kkoch nem mesmo fazia de propósito. Constatar isso arrancou um sorriso do rapaz, talvez um pouco grande demais. Foi de repente, incontrolável. Estava exposto. “Meu nome não deixou de ser Park Minwoo, afinal.”
Então... As inspiradas e expiradas, junto ao adjetivo, “abrasador”. Parecia sensato e bastante óbvio concluir que era devido à temperatura e o ambiente aquecido da data de anos atrás; entretanto, para Minwoo, havia tantos sentidos a mais. Tantas interpretações ambíguas, incertas... Parecia que a relação deles sempre teria que carregar essa sina. Agora, sim, foi a vez dele de suspirar. “Perspicaz.” E foi o que pronunciou, logo em seguida. Miyoung era mesmo muito perspicaz. “Eu queria oferecer uma carona, mas meu carro está na revisão. Estou no débito com você agora.” Uma piscadela veio na sequência, em uma mistura de flerte e ênfase.
Finalmente, um contato. Seu olhar corria atento pelos números sendo digitados no celular. Era surreal demais pensar que ambos teriam novamente o número um do outro, ainda mais depois de tudo. Minwoo não se preocupava se a história voltasse a se repetir -- isso sequer se passava por sua mente --, ele só queria garantir mais uma chance.
Porém, parecia que sua chance voltava a encontrar um obstáculo. Desta vez, um novo. Sarang.
Com a indagação de Miyoung, um palavrão nada amistoso correu pelos pensamentos de Park. O cenho dele se franziu, como se algo estivesse errado -- e estava. Por isso, no que foi entregue o celular, seu olhar observou a tela por uma última vez. “Ninguém importante.” Finalizou, guardando o dispositivo no bolso. Sabia que dizer algo como aquilo era rude, no entanto, não achou outra forma melhor de se esquivar. Não estava em seus planos prolongar o assunto. Sarang remetia às lembranças mais vazias de sua vida, o que motivava o tom de voz. Não, Minwoo não poderia sanar a curiosidade dela. Não poderia envolvê-la nisso.
Foi estranho. Não pelo clima em si, mas pelo o que ele gerou. Por um momento, tudo começou a fazer sentido. Como se agora pudesse entender que sim, Mikkoch estava ali. Ela tinha voltado, ou quase. Realidades demais de uma só vez; o turbilhão de lembranças de despedidas com Choi vindo à tona, tantas de formas diferentes. Com abraços apertados. Beijos na testa, no rosto. Selares rápidos, outros mais intensos. Até com lágrimas.
Mas... Agora, foi diferente. Mesmo que ele quisesse avançar, que dirá arrastá-la para dentro; dizer para aquela brincadeira de “eu sinto sua falta, mas não posso dizer” acabar. Ele sabia que não poderia.
Então, preferiu despedir-se com seu olhar. Enigmático, denso.
Um sorriso tolo, em conjunto, arrastou seus lábios.
“Acho que nos vemos em breve, então... srta. London.”
【SMS 💬 Mikkoch】
Mikkoch: Ah, claro
Mikkoch: Sem problema!!!!
Mikkoch: Conversamos bastante mesmo, uau, foi ótimo
Mikkoch: E essa me parece uma ideia maravilhosa, sr. Dono de Todos os Pontos
Mikkoch: Me diga a hora e o lugar e estarei lá
Mikkoch: 😊😊😊
Minwoo: Seria esse o meu novo apelido? ㅋㅋㅋ
Minwoo: Você já vai estar lá
Minwoo: Só me dizer onde é a sua faculdade e o horário que posso te buscar
Minwoo: Eu cuido do resto 😉
【SMS 💬 Mikkoch】
Mikkoch: Acho que nunca tinha pensando assim antes, parece um bom ponto
Mikkoch: Uma coisa é certa: me sinto mais parte de Seul que de Londres
Mikkoch: Eu também espero
Mikkoch: 💖
Mikkoch: Bom, eu não sei do que você está falando, mas de nada ^^
Mikkoch: Hmmm, talvez???? Quem sabe
Mikkoch: Se uma área já requer foco e esforço, imagina tentar duas ou mais ao mesmo tempo.. Wah, too much
Mikkoch: Mas você tem razão... Bom, talvez não na parte em que sempre fui capaz de tudo, mas continua tendo um ponto aí
Mikkoch: Posso lhe garantir que sim
Mikkoch: Você também... Eu... E tudo
Mikkoch: Mudaram bastante, mas, ao mesmo tempo, sinto que não mudaram tanto assim
Mikkoch: Faz sentido?
Minwoo: Você sempre fez parte de Seul hm
Minwoo: 💚 :)
Minwoo: Tsc, tsc......
Minwoo: Eu tenho muitos pontos, já percebeu?
Minwoo: É melhor acreditar em mim, dizem que minhas palavras são as mais verdadeiras
Minwoo: Sabedorias, aqui vemos
Minwoo: Yep
Minwoo: Faz muito sentido, sim
Minwoo: E... Hey, Kkoch
Minwoo: Eu preciso ir agora
Minwoo: Mas eu quero continuar essa conversa depois
Minwoo: Com um pote de sorvete, de preferência
Minwoo: O que me diz?
AZRA TABASSUM
(also known as @5000letters)
from My Heart is Full of Open Windows;
original photos and edit
【SMS 💬 Mikkoch】
Mikkoch: É que nunca me senti parte de Londres, só isso
Mikkoch: É um ótimo lugar, veja bem, mas não pertencemos um ao outro
Mikkoch: Incluir você?? Você é a pessoa mais normal que conheço ㅋㅋㅋ
Mikkoch: Hmm, não sei, acho que eu acabaria estragando seu momento de paz
Mikkoch: Ele precisa de alguém para comandar a empresa e eu sou a única filha, então...
Mikkoch: Não é uma área tão ruim no final das contas
Mikkoch: Ah, não. Ele mudou bastante
Mikkoch: É quase um novo homem, eu diria
Minwoo: É difícil pertencer a lugares
Minwoo: Normalmente nós pertencemos à pessoas
Minwoo: E, é
Minwoo: Espero que você possa se sentir em casa agora, srta... Kkoch (:
Minwoo: Normal, claro ㅋㅋㅋㅋ continue pensando assim, ajuda no meu disfarce
Minwoo: Você vai roubar minha comida, por acaso?
Minwoo: Também não é como se você tivesse que se prender somente à essa área
Minwoo: Você sempre foi capaz de fazer tudo, basicamente
Minwoo: Wah
Minwoo: As coisas realmente mudaram, então