vanilla & chocolate on a cold afternoon
likeminwoo:
A pergunta alheia dificilmente receberia uma resposta séria. Explicar o motivo de estar rindo, realmente, estava fora de questão; talvez em outros tempos pudesse ter o feito, mas não ali, nem agora. “Ah, se eu soubesse. É impossível decifrar a minha beleza.” Dramatizou como de praxe. Minwoo poderia ter dúvidas profissionais, amorosas e até existenciais, mas, com relação à sua aparência, sempre fora assertivo. Ainda que aquela fosse apenas uma brincadeira, havia obviamente um fundo de verdade. Sempre tinha.
Inclusive, outra coisa que constantemente perduraria era o problema em ser o motorista. Ter o volante em mãos, afinal, faz com que raramente seja possível desfrutar da vista afora, ao menos, despreocupadamente. Via de regra, os únicos pensamentos existentes são se o caminho é acessível ou não. E Park estava encontrando dificuldade em enxergá-lo, vez que a neve obstruía sua visão, o que o impedia de, bem, poetizar como Mikkoch acabara de o fazer. A princípio, a frase balançou seu íntimo, o deixando envolvido por alguns instantes – havia considerado, sinceramente, que ela dizia aquilo de verdade. Mas ao ser introduzido da autoria da citação, os sentimentos em si suavizaram, estando confuso se era apenas algo despretensioso. Você adora brincar comigo, não é, Kkoch?, a pergunta soou pela sua mente. “Grande Jonghae, huh. Mas faria mais sentido se fosse “cair com alguém”, ao invés de “carregar”.” Questionou, ainda com os olhos focados ao caminho obtuso.
Não por muito tempo, porém. Fora o trânsito maciço que se instalava à frente e os pisca-alertas ligados de modo frenético, a neve – mais precisamente, nevasca – tomou conta do carro. Completamente. Mesmo que Park forçasse o para-brisas, o objeto se prendia ao avolumado de gelo que se alojara. Depois, o pneu perdeu a tração. Minwoo não detinha mais controle e não obteve outra opção, além da de desligar o carro. “Uh-oh. Isso com certeza não fazia parte do plano.” A música esvaiu-se junto ao ar quente liberado pelo veículo. Agora o frio estava insuportável. “Acho que Shakespeare não vai estar orgulhoso de mim agora.”
Diante tal resposta, ainda que esperasse uma que explicasse o real motivo, Miyoung não teve outra reação, senão a de fingir surpresa. “Omo!” Soltou, olhando o moreno como se dissesse “yah!”; só não verbalizou porque a vontade de rir surgiu e ela teve de segurar, levando, assim, a mão a boca. Contudo, tão logo feito isso, simulou uma dor de cabeça, os olhos fechados e uma das mãos ao lado da testa, dando a entender que as palavras alheias haviam sido a causa disso. “Ah, que dor de cabeça.” Continuou fazendo barulhos de dor num tom baixo e, então, balançou a cabeça, como se para esquecer aquele momento.
Sem dar-se conta da confusão provocada, passou a refletir seriamente sobre a visão que fora compartilhada. “Hm...” A mão levada ao queixo e a boca franzida, se alguém lhe pusesse um par de óculos, sentiria-se a maior expert em poemas. “Carregar parece mesmo um termo um tanto pesado, como se você quisesse levar alguém consigo mesmo sem permissão...” Fez uma breve pausa, ainda ponderando. Talvez conseguisse uma opinião mais clara se entoasse o poema novamente, foi o que bem fez. “Enquanto a neve cai, gostaria de poder cair com alguém… Junto de alguém... Uhm...” Um repetido assentir fez com que fosse desnecessário exprimir sua concordância de maneira verbal. Eram opções diferentes e ela gostava de todas as três.
“Em que momento ficou tão forte assim..?” Indagou após notar a abundância de neve que caia lá fora. Parecia que em poucos minutos a cidade inteira ficaria coberta e paralisada, mas quando isso realizou-se de fato, com a suspensão do motor do carro, Choi sobressaltou-se, por pouco não derrubando, dessa vez, ambos potes que estavam em seu colo, e agarrou-se ao cinto de segurança. Ainda que apreciasse o frio e os flocos brancos, era assustadora a situação em que se encontravam: presos, sem real comida, apenas dois minúsculos potes de sorvete, e, ainda mais, sem aquecedor; e sabe-se lá por quanto tempo duraria. Podia ocorrer de ficarem presos por dias? Era impossível... Certo? Respirou controlada e profundamente numa tentativa de acalmar-se; seria inútil entrar em pânico agora. “Ok... E agora?”

















