O mundo sombrio de Phelipe, acreditando no País das Maravilhas.
Eu sempre acreditei em contos de fadas. Cresci no mundo Disney, onde os finais são sempre felizes, que todo mundo canta do nada sem motivo e celebrando a felicidade de como tudo é perfeito.
Eu, mesmo que aos 24 anos, acreditava que tudo era o mundo de Alice e que através desse espelho, o mundo que vivemos - cheio de maldades, falta de empatia, responsabilidade emocional e amor - iria ter o verdadeiro lugar, como Arendelle, que mesmo que no Let it Go e se libertando de tudo como em Breaking Free, eu acharia um “príncipe encantado” (alguém que eu poderia me entregar e confiar pois daria tudo certo com o final feliz para todo sempre).
Entre tudo isso, descubro que o mundo não passa de um lugar sombrio como em Coraline, da menina que foge da realidade que vive para esconder toda mágoa, dor, sentimento de impotência, de ter cansado de ser usada por tudo e tentar agradar a todos ao seu redor.
Estive nesse mundo sombrio, acreditando que o problema do mundo e de tudo que acontece comigo era por culpa apenas minha, pois o mundo é belo e eu o destoava de tudo o que ele realmente é. Acho que isso tudo aconteceu por conta dos traumas e construções que fazemos de nós mesmos desde a infância e assim, nossa mente blinda e inconsientemente (quando já está num grau de não suportar tudo o que acontece ou aconteceu) tenta te ajustar para não desistir de tudo.
Quando falo isso, analiso as situações de relacionamentos em que eu sofri e acabei encontrando pessoas incríveis e machuquei, porque eu autoblindava o meu sofrimento passado-futuro esperando o que iria acontecer e já mantia outra pessoa de standbye pra ter um “step emocional” caso tudo desse errado novamente.
Nesse caos todo, as pessoas ainda tem a capacidade (i)moral de se acharem pseudointelectuais, compartilhando teorias e frases que não contemplam aquilo que, elas prórpias, não vivem. Assim, uma das frases mais utilizadas e que não são vividas mas que, são exatamente no mundo real como em “o pequeno príncipe”, você realmente se torna responsável por aquilo que cativou. Isso se chama responsabilidade emocional, ou apenas responsável. Você é sim responsável por todas as suas atitudes, todas as pessoas que você fez acreditar que teria um futuro com você (principalmente quando você diz que quer conhecer os pais dela em algum momento), se você adotou algum animal, se você tem um filho, pelos teus amigos. Você construiu isso e essa construção é o que você cativou.
As pessoas no mundo real cobram empatia, mas só quando convém. “Em outrora, utilizam de julgamentos, separação, discriminação. Mas a empatia tem que ser usada em tudo”. Acho que as vezes, sou um conflito de emoções (lembra da Riley, de divertidamente?) não por ser geminiano, mas sim porque o mundo é tão assim, que prefiro cair no buraco e encontrar o gato com aquela risada medonha do que viver na realidade cruel e suja de onde estamos.
O que eu faço com essa leitura que fiz de mim? Acho que nada. A “sombritude” já faz tanto parte de mim que acho que largar esse lado, aceitar a realidade como é, vai me levar a um colapso existencial (não que eu não tenha), que realmente vai me fazer desistir de tudo e todos. Acho que assim como Alice, eu continuo acreditando na bondade de tudo, só que Alice tinha o Chapeleiro e eu só tenho a mim mesmo.










