Autor não Identificado, Luísa Neto Jorge (apoiada na varanda) , Rua da Misericórdia, Lisboa, Portugal, sd
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@lisboaumretrato
Autor não Identificado, Luísa Neto Jorge (apoiada na varanda) , Rua da Misericórdia, Lisboa, Portugal, sd
Vários Autores, Saudades da Rua da Saudade, Lisboa, Portugal, 2017
Autor não Identificado, S.Título,Calçada da Bica, Lisboa, Portugal, sd
Mota Urgeiro, Vista Nocturna, Lisboa, Portugal, sd
Fernando Assis Pacheco, «Regras para Viver em Campo de Ourique», Jornal de Campo de Ourique, n.º 4, Nov. 1977.
Carlos Botelho, Vista de Lisboa, Lisboa, Portugal, sd
Pedro Alvim, Arnaldo Ferreira, da série da RTP, Um dia com..., Lisboa, Portugal,
Música Uma espécie de música, Falaram-me, hoje, dela. Enchia Lisboa, provinda de uma invisível orquestra de palavras e sons. Uma espécie de voz. Uma espécie de cor. Era a cidade um palco distribuído por dezenas de praças e ruas, mas também pelos rostos, pelas mãos, pela respiração. Porque havia o grito, estridente ou melodioso, o canto ou o lamento, o cicio amoroso ou a zanga a descoberto, o bater dos passos ou o estrépito nas pedras. Era uma espécie de voz, única, harmonizada nos corpos e nos gestos, rompendo, aguda, nas manhãs, suavizada pelo cansaço nas tardes, adolentada na boca das noites, terna e íntima noite alta. Era uma espécie de música, leve, circulante, nómada, de rua em rua, de casa em casa, de porta em porta. Tocavam-na as vozes dos pregões, frescos e breves, alongados e redondos, tocavam-na, também, as falas e as réplicas, os diálogos entre janelas e pátios, tocavam-na o estampido dos carros no basalto, o tilintar nas linhas, os brincares dos arcos infantis, os cantares das rodas de danças. Era uma espécie de cor.
A cor dos sons, envolvente, sinuosa, ora altíssona, ora pícara, ora chá, uma cor que subia das flores nas varandas, que sc derramava nas saias c nas chinelas, nas portadas e nos ferros, uma cor que absorvia as palavras e as devolvia ao ar frio ou quente, como uma melodia larga e espraiada pelos corredores dc granito, pelas fachadas brancas e claras, pelas faces transpirantes, pelo sabor do pão alvo ou do vinho brilhante, pelo fôlego sinfónico de uma cidade concertada num ritmo vibrante ou lento, magoado ou viril. Era uma música. Falaram-me, hoje, dela. Que música há na cidade neste tempo? Que voz é a voz de Lisboa? Que cor nos une, nos cobre? Que essa música existe. De que acordes e harmonias se reveste? Quem a compõe? Quem a interpreta? Só a sentimos, quando, em nós, o silêncio se faz invisível mão de maestro no ar sereno.
Orlando Neves, Odes a Lisboa,Lisboa, Portugal, 1999
Projecto Olisipógrafos : https://olisipografos.lisboa.pt/default.aspx?lang=PT
Thomaz de Mello, Inverno, Campolide, Lisboa, Portugal, 1948
O CHIADO «Rua Garrett", dizem as esquinas, mas que importa o que dizem os letreiros, Chiado sempre moço das meninas, dos ourives, dos chás e dos livreiros?
Chiado imenso que em dois palmos cabe, pedacinho do mundo a palpitar. Coração da cidade que nem sabe do que é feito esse encanto singular.
Espelho de mil faces que reflecte imagens duma raça ern movimento… Corpos vibrando em longo «tête-à-tête»… cabeleiras desfeitas pelo vento.
"Vitrine» em que os olhares das mulheres tomam a forma incerta dum desejo… De cada montra nascem mil prazeres… Anda no ar a vibração dum beijo.
Ali perto - canteiro da cidade A alma dos jardins, cativa, dorme. Uma rosa desfaz-se em claridade… Na montra dos brinquedos- um cartaz para os olhos purinhos dos bebés — Um palhaço com ar de Ferrabraz faz as delícias dum menino inglês.
Nos ourives as jóias são punhais. As pedrarias ferem como balas. Há fluidos perturbantes e sensuais na morbidez perversa das opalas…
«Rua Garrett», dizem as esquinas, mas que importa o que dizem os letreiros, Chiado sempre moço das meninas, dos ourives, dos chás e dos livreiros?
Fernanda de Castro, O Chiado, 1921
Tiago Bartolomeu Costa, Quem és tu? – Um teatro nacional a olhar para o país, Lisboa, Portugal, 2023 https://50anos25abril.pt/iniciativas/exposicao-quem-es-tu/
Edward Bawden, S.Título, Lisboa, Portugal, 1962
Horácio Novais, S.Título, S Pedro de Alcântara, Lisboa, Portugal, sd
Duarte, Mistérios De Lisboa (Instrumental) I Aquelas Coisas da Gente, 2009
Carlos Botelho, S. Título, Lisboa, Portugal, sd
Rua do Alecrim: mais outro duque ao fim. Quanta vida derramada na pátria desta calçada!
Cacilheiros, timoneiros com bóias rubras nos flancos que navegais como esteiros com operários nos bancos.
Rua do Alecrim com praceta e estátua afim, com pombas bem amestradas a invadir as mansardas.
E de ti, planta do ermo nem cheiro no empedrado. Tudo a descer pró inverno céu azul abandonado.
Rua do Alecrim com tocadores descalços violas e dedos falsos escadinhas de marfim.
Na Rua do Alecrim dois marinheiros. Abraços. A saudade dum jardim na sombra veloz dos passos.
José Carlos Gonzalez, Lisboa e Outros Sapatos, 1980