Como o combinado, começou a noite com seus amigos mais próximos. Seu aniversário havia sido uns dias atrás e sempre usavam a desculpa de comemorar no Halloween, afinal, a direção sempre dava seu melhor naquela data e deveriam aproveitar o melhor que pudessem da festa. No ano vigente, haviam tentado algo inovador e as expectativas estavam bastantes altas sobre a noite. Por mais que fosse uma data que deveria ter uma certa importância, o rapaz não se importava nenhum pouco que seus amigos ou sua gêmea não passasse cada pedaço da noite ao seu lado. Era a festa de Halloween, apoiava o divertimento de qualquer um que estivesse ali, então Marlus não tinha nenhum motivo para impedir que seus amigos fossem curtir a festa da melhor maneira possível. Nem uma hora depois, Marlus já estava livre para fazer o que ele quisesse e ele queria comemorar. Só precisava de uma companhia. Muitas vezes, sentia-se sozinho. Ele tinha bons amigos, mas não possuia um melhor amigo. Esse título era único e exclusivamente para sua irmã, que por sua vez, diferentemente do gêmeo, possuía muito amigos e estava se divertindo com eles no momento. Era injusto que a mantivesse por tanto ao seu lado pela estupidez de não se sentir sozinho. Na verdade, nem entendia porque estava se doendo tanto com essa situação, ele não se importava, qual era a diferença agora?
Ele precisava de uma bebida para clarear os pensamentos. É, ele faria isso.
Deixou a pista de dança onde havia começado a noite e começou a se dirigir ao bar. Bebida não seria o suficiente para tirar tudo da mente e comemorar como a situação demandava. Não pretendia beber a noite toda, precisava manter sua consciência sóbria para ir no labirinto no final da comemoração. Se fosse alterado para lá, talvez ficasse por lá mesmo até o amanhecer. Se conhecia o suficiente para acabar perdido em um labirinto escuro se estivesse alterado e ele não queria acabar a noite dessa maneira. Porque não se aproveitar das máscaras? Ele poderia conseguir uma garota para lhe divertir até que achasse outros amigos. Provavelmente não adivinhariam que ele era ele através de sua fantasia, não seria exatamente sua escolha se não tivesse sido obrigado por sua irmã gêmea a escolher uma fantasia que combinasse com a dela, a de uma princesa. Para começar, os trouxas tinham uma ideia errado do que eram fadas, imaginem contos daqueles seres cheios de purpurina. Marlus estava longe de ser um príncipe, só se fosse pelo seu sobrenome porque ele não tinha tais características que as meninas definiam e nem pretendia ter. Mas, o príncipe que escolheu para ser sua fantasia tinha um toque especial por ele não ser exatamente um príncipe. O cara não havia nascido em berço de ouro e tinha uma história interessante. Entre tantos motivos, principalmente por ter realmente gostado da roupa do personagem, Flynn Rider fora seu escolhido. Não esperava ser reconhecido.
Avistou uma loira no bar, não reconhecia a fantasia que usava e ela parecia solitária. Porque não? Pensou. Decidiu que seria ela seu alvo, estava no caminho de conseguir sua bebida mesmo, porque não tentar? Não reconhecia a menina, mas essa era o mistério e diversão das máscaras. Seu modo seletivo poderia ser deixado de lado por uma noite. Chegou devagar por trás da menina sussurrando em seu ouvido. “O que uma bela dama faz sozinha numa agitada festa como essa?” Soltou um riso, não era a melhor cantada a se soltar, mas ele tinha que ir com calma, já que não sabia quem era em sua frente. “O mesmo que a dama.” Pediu para o barman que havia se aproximado com sua presença.
Assim que ficara sabendo sobre o tema da festa de Halloween daquele ano, Elizabeth já começara a se preparar para ela. Fora ensinada por sua mãe desde pequena que uma festa não era uma simples festa, e sim mais uma das muitas formas de honrar o nome da família Avery, enchê-lo de ainda mais prestígio. E aquela era uma das coisas que Lizzie mais gostava de fazer, era verdade. Via Clarissa tentando fazer o mesmo, mas suas tentativas eram tão falhas que faziam a mais jovem rir, visto que a prima não levava o menor jeito para chamar a atenção da forma certa e tentava fazer isso por maneiras não socialmente aceitáveis e ela era a única que não percebia o papel intragável a qual estava se prestando. Você é a verdadeira estrela, Lizzie, você e ninguém mais, mantenha-se focada nisso porque nada mais importa, era o que dizia sua mãe quando a garota levantava questionamentos a respeito daquilo. Ellie era uma típica mãe coruja, e sua vida parecia girar ao redor da filha, fazendo de tudo para destacá-la ainda mais na sociedade bruxa. Na verdade, Elizabeth achava que a mãe a via como um troféu, mas não se importava, desde que continuasse recebendo a atenção que merecia e os mimos que queria, não fazia diferença.
Por aquele motivo havia se empenhado tanto nos preparativos para aquela festa, passando horas em busca da fantasia perfeita e ainda mais horas se arrumando no dormitório feminino da Slytherin para que tudo saísse perfeito. Mesmo que tivessem de utilizar máscaras e que muitos não fossem lhe reconhecer, gostava da ideia de estar deslumbrante e de ter olhares direcionados a ela enquanto passava. E fora exatamente aquilo que conseguira. Apesar de ter pouquíssimo conhecimento sobre o mundo trouxa ou a respeito de fantasias de Halloween, sua pesquisa surtira efeito quando entrara no grande Salão Principal todo decorado, usando um vestido igual ao de Marilyn Monroe no filme The Seven Year Itch, que fora uma das poucas coisas que realmente gostara enquanto procurava e achava que era a fantasia ideal. A máscara que usava também era branca e cobria seu rosto até a metade das bochechas, com pequenas plumas da parte superior porque sua mãe achara aquele modelo mais elegante do que o simples. Simplicidade não estava em pauta.
De início tentara encontrar seu irmão, porque sabia a fantasia que ele usava visto que havia lhe ajudado a escolher na semana anterior, mas depois de mais ou menos uns vinte minutos percebeu que não valia a pena perder seu tempo procurando John sabendo que o garoto estaria ocupado demais com os afazeres que arrumara nos últimos tempos. Era estranho ter seu irmão tão distante como estava, mas ela também tinha mais com o que se preocupar e queria aproveitar a festa, portanto, rumou até o bar e pediu logo uma bebida enquanto apoiava seus braços sobre o balcão. Ela tinha apenas 15 anos, e sua mãe costumava dizer que damas evitavam bebidas alcoólicas porque estas tiravam qualquer tipo de inibição de uma garota, o que poderia não ser bem visto, mas no momento sua mãe não estava por perto e Elizabeth sabia que aquela seria a única forma concreta de se divertir naquela noite, visto que não havia encontrado nada interessante para se fazer por ali além de observar todos entrelaçando-se ao ritmo de uma música estranha na pista de dança.
Quando sua bebida chegara, no entanto, uma voz masculina e desconhecida soara atrás de si, fazendo Elizabeth assustar-se, apesar de não ter manifestado aquela reação. Desviou seu olhar para o garoto quando este parou ao seu lado e a máscara impediu seu reconhecimento, mas não se importou, porque a cantada dele a fez rir enquanto balançava sua cabeça. “Talvez essa bela dama apenas estivesse esperando um cavalheiro se aproximar para fazer uma cantada tão inovadora quanto essa.” Disse, então levando seu copo aos lábios e bebendo parte do líquido escuro que descera queimando por sua garganta. Então voltou sua atenção para o garoto novamente e sorriu maliciosa. “Ou talvez ela não esteja fazendo nada demais e esteja, na verdade, esperando alguém lhe fazer uma proposta interessante para lhe tirar do tédio. Você vai ser essa pessoa?”